{"id":58893,"date":"2024-08-12T05:39:55","date_gmt":"2024-08-12T05:39:55","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=58893"},"modified":"2024-08-12T05:39:55","modified_gmt":"2024-08-12T05:39:55","slug":"como-o-pequeno-principe-influenciou-autores-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2024\/08\/12\/como-o-pequeno-principe-influenciou-autores-brasileiros\/","title":{"rendered":"Como &#8216;O Pequeno Pr\u00edncipe&#8217; influenciou autores brasileiros"},"content":{"rendered":"\n<p>Cl\u00e1ssico do tamb\u00e9m aviador franc\u00eas Antoine de Saint-Exup\u00e9ry acompanhou gera\u00e7\u00f5es inteiras por todo o mundo. Filos\u00f3fico, ele inspirou uma nova maneira de escrever para os jovens, colocando-os no centro da narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tradu\u00e7\u00f5es em mais de 250 idiomas, acredita-se que O Pequeno Pr\u00edncipe seja o segundo livro mais lido do mundo \u2013 s\u00f3 perdendo para a B\u00edblia. Assim, \u00e9 inevit\u00e1vel que o cl\u00e1ssico seja uma influ\u00eancia, consciente ou n\u00e3o, na literatura infantojuvenil brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra do escritor e aviador franc\u00eas Antoine de Saint-Exup\u00e9ry (1900-1944) gira em torno de um encontro inusitado: depois de um acidente a\u00e9reo no deserto do Saara, um pintor frustrado que se tornou aviador conhece um misterioso menino que se revela um alien\u00edgena, o habitante solit\u00e1rio de um asteroide. \u00c9 o Principezinho.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, do monge beneditino e escritor Marcos Barbosa (1915-1977), foi lan\u00e7ada no in\u00edcio dos anos 1950. De l\u00e1 para c\u00e1 houve muitas outras vers\u00f5es, e a obra nunca deixou de ser acess\u00edvel a leitores e escritores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para autores e especialistas, essa popularidade explica por que a obra acabou sendo um marco divisor da forma como se faz literatura para crian\u00e7as. E tra\u00e7os dessa abordagem est\u00e3o presentes em obras brasileiras fundamentais, como livros do Ziraldo e Ruth Rocha, para n\u00e3o falar do sem-n\u00famero de releituras, sobretudo depois que O Pequeno Pr\u00edncipe caiu em dom\u00ednio p\u00fablico, em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois pontos justificam essa grandiosidade do livro de Saint-Exup\u00e9ry: a tem\u00e1tica e a maneira de colocar a crian\u00e7a \u2013 no caso, o Principezinho \u2013 no centro da narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 uma obra que se volta a um tema que abrange todos os viventes: a efemeridade da vida e a morte certa&#8221;, comenta a tradutora e curadora M\u00f4nica Cristina Corr\u00eaa, considerada uma das grandes especialistas na obra. Diante da &#8220;morte certa&#8221; como algo &#8220;universal&#8221;, o personagem &#8220;percorre mundos&#8221; em busca de conferir &#8220;sentido \u00e0 vida&#8221;. \u00c9 quando descobre que a import\u00e2ncia est\u00e1 em &#8220;cativar e criar la\u00e7os, para apreciar a natureza e os seres vivos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Praticamente todas as civiliza\u00e7\u00f5es de que temos conhecimento buscam um sentido para a exist\u00eancia e precisam lidar com a finitude. E a\u00ed est\u00e1, penso eu, a universalidade da obra&#8221;, comenta Corr\u00eaa.<\/p>\n\n\n\n<p>Criadora do projeto Grandes Livrinhos, no Instagram, a jornalista Giovana Franzolin atenta para algo que, a julgar pela \u00e9poca em que o livro foi escrito, foi transgressor: a maneira como a inf\u00e2ncia \u00e9 retratada, por meio do protagonista, como a contraposi\u00e7\u00e3o ao universo do adulto. &#8220;H\u00e1 uma celebra\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia, que lembra [os livros do] Ziraldo, com essa coisa de colocar a inf\u00e2ncia sempre em destaque.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a influ\u00eancia nos autores brasileiros, Franzolin recorda que nos anos 1950 em que a obra chegou \u00e0s prateleiras nacionais, &#8220;o mercado editorial daqui era rudimentar, em constru\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Muito provavelmente, boa parte daqueles que se interessavam por literatura infantil, incluindo os autores e os ilustradores, em algum momento tiveram contato com essa obra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Tradutor de uma vers\u00e3o recente em portugu\u00eas, o escritor e religioso dominicano Frei Betto conta que, j\u00e1 no final dos anos 1950, o livro caiu no gosto dos seus interlocutores: &#8220;Sei que os religiosos de minha adolesc\u00eancia tinham muito apre\u00e7o pela obra do Saint-Exup\u00e9ry. Ele era um fil\u00f3sofo espiritualizado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Imagina\u00e7\u00e3o e filosofia<\/p>\n\n\n\n<p>Autor de No cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e dezenas de outros livros infantis, Manuel Filho comenta que &#8220;todo mundo que se permite escrever com liberdade sempre se inspirar\u00e1 nas grandes obras de imagina\u00e7\u00e3o criadas por outros autores&#8221;, e concorda que muitos escritores brasileiros foram influenciados pelo livro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na literatura para as inf\u00e2ncias, \u00e9 comum que a cr\u00edtica fique em suspens\u00e3o: temos animais que falam, flores que fazem amigos, crian\u00e7as conversando com monstros, bruxos e fantasmas\u2026 Esse elemento da cr\u00edtica est\u00e1 presente o tempo todo em O Pequeno Pr\u00edncipe, e isso sugere que, olha s\u00f3, podemos criar uma hist\u00f3ria livre. Digo isso, porque sempre existe uma forte censura pairando sobre a literatura infantojuvenil e h\u00e1 casos e casos em que autores extremamente talentosos, como Ruth Rocha e Ziraldo, criaram livros desafiadores como O Reizinho Mand\u00e3o e Flicts.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Pen\u00e9lope Martins, autora de A Dona dos Ovos, entre outros infantis, avalia que h\u00e1 pelo menos dois elementos em O Pequeno Pr\u00edncipe que se tornaram &#8220;instrumentos essenciais na constru\u00e7\u00e3o de uma po\u00e9tica com as inf\u00e2ncias&#8221;: o di\u00e1logo intergeracional e a investiga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. &#8220;Como quem abre buracos para deixar respirar um carneiro que dorme dentro da caixa do imagin\u00e1rio, Exup\u00e9ry faz da crian\u00e7a o movimento que anseia ler quem \u00e9, para ler o mundo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O editor Marcelo Duarte, tamb\u00e9m autor de O mist\u00e9rio da figurinha dourada e diversos outros livros infantis e juvenis, recorre ao primeiro cap\u00edtulo de O Pequeno Pr\u00edncipe para dizer que a obra o &#8220;marcou para sempre&#8221;: &#8220;O narrador come\u00e7a contando o desenho que ele fez aos seis anos. Os adultos n\u00e3o conseguem enxergar ali a figura de uma jiboia depois de ter engolido um elefante inteirinho. Preferiram dizer que se travava de um chap\u00e9u.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Saint-Exup\u00e9ry escreve que &#8220;adultos nunca percebem nada sozinhos, e uma crian\u00e7a se cansa de explicar tudo&#8221;. &#8220;\u00c9 com esse olhar curioso que se faz a literatura infantil e juvenil de hoje. Despertando a imagina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, mostrando o que s\u00f3 elas s\u00e3o capazes de enxergar&#8221;, explica Duarte.<br>A obra \u00e9 t\u00e3o conhecida que acaba influenciando at\u00e9 quem n\u00e3o gosta dela. Para o escritor Jos\u00e9 Roberto Torero, ela trouxe aspectos positivos e negativos ao fazer liter\u00e1rio nacional. Teve influ\u00eancia positiva &#8220;porque mostrou que a literatura infantil n\u00e3o precisa ser bobinha, f\u00e1cil, e falar apenas para crian\u00e7as&#8221;. &#8220;Negativa, porque deu a ideia de que a literatura infantil tem que trazer li\u00e7\u00f5es de moral. E isso \u00e9 uma bobagem&#8221;, comenta ele, que em 2020 publicou a par\u00f3dia O Pequeno Plebeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Torero conta que leu pela primeira vez o cl\u00e1ssico por obriga\u00e7\u00e3o, no ensino m\u00e9dio. E n\u00e3o gostou. &#8220;Para um adolescente, a ideia de &#8216;ter de ser fiel a quem cativa&#8217; \u00e9 uma pris\u00e3o. E o suic\u00eddio no final do livro me pareceu uma sa\u00edda covarde. Fiquei com essa raiva do livro meio escondida, at\u00e9 que vi o Ziraldo falando mal [da obra]. A\u00ed fiquei \u00e0 vontade para criticar e comecei a pensar numa s\u00e1tira.&#8221; O pr\u00f3prio Ziraldo tamb\u00e9m aludiu diretamente ao cl\u00e1ssico de Saint-Exup\u00e9ry em uma de suas obras, O Pequeno P.z<\/p>\n\n\n\n<p>Cultura pop<br>Diretor e roteirista do filme D\u00e1s um banho, Z\u00e9 Perri!, uma fic\u00e7\u00e3o inspirada na passagem do escritor e aviador pelo Brasil, o cineasta e cartunista Z\u00e9 Dassilva acredita que a influ\u00eancia de Saint-Exup\u00e9ry sobre os autores brasileiros poderia ser maior, &#8220;n\u00e3o s\u00f3 pelo aspecto filos\u00f3fico da obra dele, mas tamb\u00e9m pelo fato de ter estado no Brasil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A presen\u00e7a f\u00edsica dele aqui n\u00e3o chegou a construir uma identidade maior dos autores brasileiros com sua obra. E tamb\u00e9m s\u00e3o muito raros, n\u00e3o s\u00f3 aqui, mas no mundo todo, autores que escrevam e ao mesmo tempo desenhem seus livros. Temos aqui a exce\u00e7\u00e3o de Ziraldo&#8221;, compara Dassilva.<br>A professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Leonor Werneck dos Santos, autora do livro Articula\u00e7\u00e3o textual na literatura infantil e juvenil, lembra que, al\u00e9m de influenciar outros autores, a obra tamb\u00e9m passou a ser parte de estudos acad\u00eamicos e foi incorporada \u00e0 ind\u00fastria cultural: &#8220;Principalmente agora que caiu em dom\u00ednio p\u00fablico, aparece em camisetas, adesivos, memes. H\u00e1 desdobramentos incr\u00edveis, tanto no meio acad\u00eamico como na cultura pop.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: g1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e1ssico do tamb\u00e9m aviador franc\u00eas Antoine de Saint-Exup\u00e9ry acompanhou gera\u00e7\u00f5es inteiras por todo o mundo. Filos\u00f3fico, ele inspirou uma nova maneira de escrever para os jovens, colocando-os no centro da narrativa. 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