{"id":54300,"date":"2023-12-25T17:19:03","date_gmt":"2023-12-25T17:19:03","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=54300"},"modified":"2023-12-25T17:19:04","modified_gmt":"2023-12-25T17:19:04","slug":"estudantes-mortos-na-ditadura-sao-diplomados-pela-usp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/12\/25\/estudantes-mortos-na-ditadura-sao-diplomados-pela-usp\/","title":{"rendered":"Estudantes mortos na ditadura s\u00e3o diplomados pela USP"},"content":{"rendered":"\n<p>Alunos homenageados eram militantes pol\u00edticos que desapareceram na d\u00e9cada de 70<\/p>\n\n\n\n<p>Cinquenta anos depois de serem assassinados na ditadura militar brasileira, dois estudantes da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) foram homenageados pela universidade com diplomas honor\u00edficos neste m\u00eas. Mortos em 1973, Alexandre Vannucchi Leme e Ronaldo Mouth Queiroz foram alunos do Instituto de Geoci\u00eancias (IGc) na d\u00e9cada de 1970 e tamb\u00e9m militantes do movimento estudantil da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>A homenagem faz parte do projeto Diploma\u00e7\u00e3o da Resist\u00eancia, uma iniciativa da Pr\u00f3-Reitoria de Inclus\u00e3o e Pertencimento (PRIP) e da vereadora paulistana Luna Zarattini (PT), em parceira com o Instituto de Geoci\u00eancias da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Not\u00edcias relacionadas:Decreto do AI-5, que endureceu a ditadura militar, completa 55 anos.As duas diploma\u00e7\u00f5es p\u00f3stumas s\u00e3o as primeiras entre 33 homenagens que a universidade deve promover por meio do projeto para estudantes que foram assassinados pela ditadura militar. O objetivo, informou a institui\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u201creparar as injusti\u00e7as e honrar a mem\u00f3ria dos ex-alunos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDiplomar estudantes que foram assassinados na ditadura significa reparar uma d\u00edvida hist\u00f3rica que a universidade tem com esses estudantes. Muitos deles se destacaram academicamente, politicamente e, por raz\u00f5es \u00f3bvias, n\u00e3o puderam finalizar seus estudos porque estavam mortos\u201d, disse Renato Cymbalista, coordenador da Diretoria de Direitos Humanos e Pol\u00edticas de Mem\u00f3ria, Justi\u00e7a e Repara\u00e7\u00e3o da Pr\u00f3-Reitoria de Inclus\u00e3o e Pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2013, a universidade criou a sua pr\u00f3pria Comiss\u00e3o da Verdade para examinar e esclarecer as graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos que foram praticadas contra docentes, alunos e funcion\u00e1rios da universidade durante a ditadura militar brasileira. No relat\u00f3rio final, a Comiss\u00e3o da Verdade concluiu que a ditadura militar foi respons\u00e1vel pela morte de 39 alunos, seis professores e dois funcion\u00e1rios da universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma das recomenda\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o da Verdade da USP foi justamente a diploma\u00e7\u00e3o honor\u00edfica. Algo que n\u00f3s agora estamos seguindo\u201d, disse Cymbalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Alexandre Vannucchi Leme<br>Alexandre Vannucchi Leme tinha apenas 22 anos e estudava Geologia da USP. quando foi preso, torturado e morto por agentes do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00e3o \u2013 Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-Codi) paulista, um \u00f3rg\u00e3o subordinado ao Ex\u00e9rcito.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido em Sorocaba, era filho de professores e militava na A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN) na \u00e9poca de sua pris\u00e3o. Segundo a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, ocorrida na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, Leme foi visto pela \u00faltima vez no dia 15 de mar\u00e7o de 1973, assistindo aulas na USP. No dia 16 de mar\u00e7o, ele foi preso por agentes do DOI-Codi e submetido a intensas sess\u00f5es de tortura. Um inqu\u00e9rito policial instaurado na \u00e9poca informava que ele foi preso \u201cpara apurar atividades subversivas da ALN\u201d. No dia seguinte \u00e0 sua pris\u00e3o, Leme morreu em decorr\u00eancia das torturas.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudante foi enterrado como indigente e a causa da morte divulgada pelo governo foi atropelamento, que teria ocorrido, segundo a vers\u00e3o militar, enquanto Vannucchi tentava fugir da pol\u00edcia. Apenas em 2014 sua certid\u00e3o de \u00f3bito foi retificada, com a informa\u00e7\u00e3o de que havia sido morto no DOI-Codi por tortura.<\/p>\n\n\n\n<p>Ronaldo Mouth Queiroz<br>Ronaldo Mouth Queiroz tamb\u00e9m era estudante de Geologia e vinculado \u00e0 ALN. Foi presidente do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE) da USP e, sob o pseud\u00f4nimo de Mc Coes, produziu um jornal independente que fazia cr\u00edticas pol\u00edticas bem-humoradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Queiroz foi morto a tiros por agentes do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), em 6 de abril de 1973, tr\u00eas semanas ap\u00f3s a morte de Vannucchi, enquanto estava em um ponto de \u00f4nibus. A vers\u00e3o oficial dizia que Queiroz teria morrido ap\u00f3s uma troca de tiros com militares, mas testemunhas que estavam no mesmo ponto de \u00f4nibus disseram ter visto ele ser executado.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: CNN Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alunos homenageados eram militantes pol\u00edticos que desapareceram na d\u00e9cada de 70 Cinquenta anos depois de serem assassinados na ditadura militar brasileira, dois estudantes da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) foram homenageados pela universidade com diplomas honor\u00edficos neste m\u00eas. 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