{"id":5102,"date":"2022-09-27T14:33:16","date_gmt":"2022-09-27T14:33:16","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/09\/27\/como-era-a-vida-das-mulheres-no-ira-antes-da-revolucao-islamica\/"},"modified":"2022-09-27T14:33:16","modified_gmt":"2022-09-27T14:33:16","slug":"como-era-a-vida-das-mulheres-no-ira-antes-da-revolucao-islamica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/09\/27\/como-era-a-vida-das-mulheres-no-ira-antes-da-revolucao-islamica\/","title":{"rendered":"Como era a vida das mulheres no Ir\u00e3 antes da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/vybC6z0nvQY-0pfpxvHO0PT-oHs=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/9\/T\/fPdQ8BTeaxzwchaataMA\/bbc-ira.jpg\"><br \/>   Houve um tempo em que as mulheres iranianas podiam sair \u00e0s ruas sem v\u00e9u e usando roupas como minissaias ou shorts. Estudantes no Ir\u00e3 nos anos 1970.<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\n&#8220;Vi muitas fotos da minha av\u00f3 usando v\u00e9u ao lado da minha m\u00e3e com minissaia, as duas vivendo em harmonia, antes da revolu\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\nQuem recorda \u00e9 Rana Rahimpour, apresentadora iraniano-brit\u00e2nica do Servi\u00e7o Persa da BBC. E esse tipo de lembran\u00e7a n\u00e3o se restringe \u00e0 sua fam\u00edlia.<br \/>\nNo Ir\u00e3, antes da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica de 1979, n\u00e3o existia o rigoroso c\u00f3digo de vestimenta que atualmente obriga as mulheres, por lei, a usar v\u00e9u e roupas &#8220;isl\u00e2micas&#8221; modestas.<br \/>\n&#8220;O Ir\u00e3 era um pa\u00eds liberal. As mulheres podiam usar a roupa que quisessem&#8221;, conta Rahimpour.<br \/>\nSeu testemunho \u00e9 importante, principalmente depois dos protestos que v\u00eam ocorrendo em dezenas de cidades iranianas, ap\u00f3s a recente morte de uma jovem de 22 anos que havia sido detida pela &#8220;pol\u00edcia da moralidade&#8221;, encarregada de fazer cumprir o c\u00f3digo de vestimenta isl\u00e2mico.<br \/>\n Rahimpour nasceu depois da revolu\u00e7\u00e3o, mas a experi\u00eancia dos seus pais e familiares, aliada ao seu trabalho jornal\u00edstico, permitiu a ela aprofundar-se na transforma\u00e7\u00e3o vivida pelo seu pa\u00eds ap\u00f3s a queda do x\u00e1 Mohamed Reza Pahlevi em 1979.<br \/>\nEssa transforma\u00e7\u00e3o, em seus primeiros anos, foi al\u00e9m das roupas, como conta a jornalista iraniana Feranak Amidi, rep\u00f3rter de assuntos das mulheres na regi\u00e3o do Oriente Pr\u00f3ximo do Servi\u00e7o Mundial da BBC.<br \/>\n&#8220;N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos segrega\u00e7\u00e3o de g\u00eanero antes da revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, segundo Amidi. &#8220;Mas, depois de 1979, as escolas foram segregadas e os homens e mulheres sem parentesco entre si eram presos se fossem surpreendidos socializando-se.&#8221;<br \/>\n&#8220;Quando era adolescente no Ir\u00e3, a pol\u00edcia da moralidade me prendeu porque eu estava em uma pizzaria com um grupo de amigos e amigas&#8221;, ela conta. &#8220;Antes de 1979, havia discotecas e locais de entretenimento. \u00c9ramos livres para nos socializarmos como quis\u00e9ssemos.&#8221;<br \/>\nOs filmes de antes da revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o o testemunho de uma \u00e9poca em que as mulheres podiam optar por vestir roupas ocidentais ou mais conservadoras. &#8220;Voc\u00ea via variedade na forma de vestir-se. Algumas mulheres usavam o v\u00e9u negro ou xador, mas n\u00e3o da forma exigida pelo governo atual&#8221;, afirma Amidi.<br \/>\nDinastia<br \/>\nAntes da revolu\u00e7\u00e3o de 1979, o Ir\u00e3 era governado pela dinastia Pahlevi, que subiu ao poder ap\u00f3s um golpe de Estado.<br \/>\nCelebra\u00e7\u00e3o do anivers\u00e1rio do x\u00e1 Mohamed Reza Pahlevi na d\u00e9cada de 1970, no Estado iraniano de Abadan.<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nEm 1926, o l\u00edder do golpe, Reza Khan, foi coroado Reza X\u00e1 Pahlevi. Seu filho, Mohamed Reza Pahlevi, foi proclamado pr\u00edncipe herdeiro e viria a tornar-se o \u00faltimo x\u00e1 em 1941.<br \/>\nEm um artigo de 1997, o think tank (centro de pesquisa e debates) norte-americano Wilson Center reproduziu uma entrevista com Haleh Esfandiari, autora do livro Reconstructed Lives: Women and Iran&#8217;s Islamic Revolution (&#8220;Vidas reconstru\u00eddas: as mulheres e a Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica do Ir\u00e3&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<br \/>\nEsfandiari saiu do Ir\u00e3 em 1978 e regressou 14 anos depois para pesquisar o impacto da revolu\u00e7\u00e3o sobre as mulheres. Nessa entrevista, a jornalista contou que &#8220;o movimento de mulheres no Ir\u00e3 come\u00e7ou no final do s\u00e9culo 19, quando elas sa\u00edram \u00e0s ruas durante a revolu\u00e7\u00e3o constitucional&#8221;.<br \/>\nDepois disso, muitas delas iniciaram projetos sociais, como abrir escolas para meninas e publicar revistas para mulheres. Essa rede come\u00e7ou na capital, Teer\u00e3, come\u00e7ou a espalhar-se para outras prov\u00edncias e levou ao &#8220;desenvolvimento do movimento das mulheres&#8221;.<br \/>\nO v\u00e9u<br \/>\nAs roupas das mulheres foram inclu\u00eddas na agenda da lideran\u00e7a do pa\u00eds no in\u00edcio do s\u00e9culo 20. &#8220;O v\u00e9u s\u00f3 foi abolido oficialmente no Ir\u00e3 em 1936, na era do Reza X\u00e1 Pahlevi, o pai do Ir\u00e3 moderno&#8221;, conta Esfandiari.<br \/>\nComemora\u00e7\u00f5es do anivers\u00e1rio do x\u00e1 nos anos 1970.<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nAnos antes, o l\u00edder havia incentivado as mulheres a n\u00e3o usar o v\u00e9u em p\u00fablico ou &#8220;usar um cachecol no lugar do v\u00e9u longo tradicional&#8221;.<br \/>\n&#8220;Quando o v\u00e9u foi finalmente abolido oficialmente, sem d\u00favida, foi uma vit\u00f3ria para as mulheres \u2014 mas tamb\u00e9m uma trag\u00e9dia, pois foi extinto seu direito \u00e0 escolha, como ocorreu quando o v\u00e9u foi oficialmente reintroduzido em 1979, durante a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica&#8221;, explica ela.<br \/>\nCom isso, &#8220;muitas mulheres se viram obrigadas a abandonar o v\u00e9u e sair \u00e0 rua sentindo-se humilhadas e expostas&#8221;, segundo Esfandiari. Mas, mesmo assim, ela reconhece que o pai do \u00faltimo x\u00e1 realizou mudan\u00e7as que tiveram impacto positivo sobre as mulheres.<br \/>\nA Revolu\u00e7\u00e3o Branca<br \/>\nEm 1941, o filho do Reza X\u00e1, Mohamed Reza, assumiu o poder. E, durante seu reinado, ele &#8220;come\u00e7ou a moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds&#8221;, segundo Amidi.<br \/>\nRua de Teer\u00e3, capital iraniana, em 23 de julho de 1964.<br \/>\nGetty Images<br \/>\nEste processo ficou conhecido como a Revolu\u00e7\u00e3o Branca, que concedeu \u00e0s mulheres o direito ao voto em 1963 e os mesmos direitos pol\u00edticos dos homens.<br \/>\nO novo x\u00e1 tamb\u00e9m tratou de ampliar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o nas prov\u00edncias perif\u00e9ricas. E, em seu reinado, foi aprovada a lei de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia em diferentes \u00e1reas, incluindo o casamento e o div\u00f3rcio.<br \/>\nAmidi explica que a legisla\u00e7\u00e3o expandiu os direitos das mulheres: &#8220;a lei de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia aumentou a idade m\u00ednima para o casamento das meninas, de 13 para 18 anos, e tamb\u00e9m concedeu \u00e0s mulheres mais influ\u00eancia para pedir o div\u00f3rcio&#8221;. A lei estabeleceu ainda que os homens s\u00f3 poderiam ter uma esposa.<br \/>\n&#8220;Tudo isso foi muito progressista em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses da regi\u00e3o&#8221;, afirma Amidi.<br \/>\nOcorre que o x\u00e1 era autocrata, mas era um l\u00edder progressista e gostava da cultura ocidental. Por isso, ele formou um programa de seculariza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO dia a dia<br \/>\nDurante o governo do x\u00e1 Mohamed Reza Pahlevi, as mulheres chegaram a ocupar posi\u00e7\u00f5es de poder. &#8220;Tivemos mulheres ministras e ju\u00edzas&#8221;, relembra Rahimpour.<br \/>\nCom\u00e9rcio de roupas nas ruas de Teer\u00e3 em 26 de agosto de 1978.<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nMas, mesmo com as promessas da Revolu\u00e7\u00e3o Branca, &#8220;as mulheres ainda estavam confinadas aos pap\u00e9is tradicionais&#8221;, segundo Amidi.<br \/>\nEmbora &#8220;houvesse mulheres no Parlamento&#8221;, ela considera que &#8220;as mulheres n\u00e3o tinham grande participa\u00e7\u00e3o na esfera pol\u00edtica. Mas precisamos levar em conta que isso foi h\u00e1 quase meio s\u00e9culo e as mulheres de todo o mundo, naquele per\u00edodo, n\u00e3o tinham muito poder pol\u00edtico.&#8221;<br \/>\nMas Amidi reconhece que suas compatriotas estavam come\u00e7ando a desempenhar um papel cada vez mais social: &#8220;elas tinham presen\u00e7a vibrante na sociedade&#8221;.<br \/>\nPreocupa\u00e7\u00f5es das mulheres<br \/>\nAmidi destaca o &#8220;grande impacto&#8221; que teve a imperatriz Farah Pahlevi, esposa do x\u00e1 Mohamed Reza Pahlevi, nas artes e na cultura.<br \/>\nA conhecida ilustradora iraniana Nahid Hagigat em Nova York, nos Estados Unidos, em 2012.<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nDe fato, h\u00e1 um estudo de Maryam Ekhtiar e Julia Rooney, do Departamento de Arte Isl\u00e2mica do Museu Metropolitano de Arte de Nova York, nos Estados Unidos, que aborda &#8220;o florescimento art\u00edstico do Ir\u00e3&#8221;, iniciado nos anos 1950 e que durou at\u00e9 os anos 1970. Segundo o estudo, &#8220;essas d\u00e9cadas presenciaram a abertura do Ir\u00e3 \u00e0 cena art\u00edstica internacional&#8221;.<br \/>\nGrande parte desse crescimento da atividade art\u00edstica deveu-se \u00e0 prosperidade econ\u00f4mica que vivia o pa\u00eds. O Ir\u00e3 tinha muito petr\u00f3leo, mas a ampla maioria dos iranianos n\u00e3o se beneficiava dessa riqueza.<br \/>\nApesar do apoio do x\u00e1 e sua esposa ao campo das artes, os artistas n\u00e3o ignoravam essa realidade, nem a repress\u00e3o do regime contra seus opositores.<br \/>\nAs autoras do estudo indicam que a ilustradora Nahid Hagigat &#8220;foi uma das poucas artistas a expressar as preocupa\u00e7\u00f5es das mulheres durante os anos que antecederam a revolu\u00e7\u00e3o. Nas suas gravuras, ela capturou o sentimento de tens\u00e3o e medo em uma sociedade dominada por homens sob o escrut\u00ednio do governo.&#8221;<br \/>\nPouco a pouco<br \/>\nEm 1971, Mohamed Reza Pahlevi \u2014 que havia se autodeclarado shahanshah, o &#8220;Rei dos Reis&#8221; \u2014 n\u00e3o s\u00f3 era um dos homens mais ricos do mundo, mas tamb\u00e9m o l\u00edder absoluto do Ir\u00e3. Seu regime era cada vez mais repressivo contra os dissidentes pol\u00edticos.<br \/>\nCena de Estado no pal\u00e1cio do x\u00e1 Mohamed Reza Pahlevi, em Teer\u00e3, com a presen\u00e7a do ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon e sua esposa Pat (de rosa), que aparece conversando com a imperatriz Farah.<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\n &#8220;No regime anterior [\u00e0 revolu\u00e7\u00e3o], as pessoas tinham liberdades sociais, mas nenhuma liberdade pol\u00edtica&#8221;, relembra Rahimpour.<br \/>\n&#8220;Foi um grande problema. Todos os partidos eram controlados pelo rei, era uma sociedade vigiada, n\u00e3o havia liberdade de imprensa e qualquer tipo de ativismo pol\u00edtico poderia terminar em cadeia&#8221;, segundo ela.<br \/>\nO descontentamento social tomou as ruas e, em 1978, houve imensos protestos contra o regime do x\u00e1. Esfandiari explica que o progresso conseguido pelas mulheres durante o seu reinado se desestabilizou no final do regime.<br \/>\n&#8220;Em rea\u00e7\u00e3o aos elementos tradicionalistas cada vez mais expressos na sociedade, o x\u00e1 retirou drasticamente seu apoio \u00e0 maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres nos cargos de tomada de decis\u00f5es&#8221;, segundo ela.<br \/>\nA Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica foi apoiada por muitos iranianos que &#8220;n\u00e3o eram necessariamente religiosos&#8221;, afirma Rahimpour. Muitos s\u00f3 clamavam por uma &#8220;verdadeira democracia&#8221;: &#8220;ela contou com o apoio de todos os grupos, liberais, comunistas e religiosos&#8221;.<br \/>\nAs mulheres, independentemente do que quisessem vestir ou do seu grau de religiosidade, foram parte dessa for\u00e7a que acabou provocando a queda do x\u00e1 em 1979.<br \/>\n&#8220;Nas passeatas que levaram \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o, havia mulheres profissionais sem cachecol e mulheres de origens conservadoras com o v\u00e9u negro tradicional; havia mulheres de fam\u00edlias de classe baixa e m\u00e9dia com seus filhos&#8221;, segundo Esfandiari.<br \/>\n&#8220;Todas essas mulheres caminharam ombro a ombro, esperando que a revolu\u00e7\u00e3o trouxesse melhorias para a sua posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social. E, sobretudo, melhorias para seu status legal&#8221;, afirma ela.<br \/>\nVis\u00f5es diferentes<br \/>\nAmidi n\u00e3o acredita que as mulheres &#8220;se sentissem necessariamente mais independentes&#8221; antes da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica.<br \/>\n&#8220;O Ir\u00e3 ainda era uma sociedade religiosa muito conservadora&#8221;, segundo ela. &#8220;Mas, naquela \u00e9poca, havia vontade pol\u00edtica para romper esses moldes tradicionais e conservadores, permitindo que as mulheres florescessem e ocupassem mais espa\u00e7os na sociedade.&#8221;<br \/>\nAmidi esclarece que esse florescimento nunca chegou a ocorrer completamente.<br \/>\nJ\u00e1 para Rahimpour, existem ideias opostas sobre a sensa\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia e empoderamento das mulheres iranianas antes da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica. &#8220;As mulheres religiosas diriam que se sentiam mais c\u00f4modas na hora de sair depois da revolu\u00e7\u00e3o, mas as mulheres liberais n\u00e3o estariam de acordo&#8221;, segundo ela.<br \/>\n&#8220;\u00c9 preciso n\u00e3o esquecer que uma parte da sociedade iraniana \u00e9 muito religiosa&#8221;, acrescenta Rahimpour. E, por isso, existem mulheres que est\u00e3o de acordo com alguns aspectos do sistema.<br \/>\nObservando fotos de arquivo de mulheres no Ir\u00e3 com roupas ocidentais e sem v\u00e9u, uma senhora iraniana comentava que essas imagens n\u00e3o s\u00e3o representativas da vida das mulheres em geral antes da revolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMuitas mulheres de diferentes idades preferiam usar o jihab ou v\u00e9u e roupas mais conservadoras porque &#8220;a sociedade possivelmente era muito mais conservadora e religiosa em compara\u00e7\u00e3o com a atual&#8221;, segundo ela.<br \/>\nProtestos<br \/>\nMuitos iranianos participaram da revolu\u00e7\u00e3o com a ideia de ter liberdade, mas Rahimpour afirma que suas ilus\u00f5es foram rapidamente frustradas.<br \/>\n&#8220;Depois da revolu\u00e7\u00e3o, percebemos que muitas pessoas religiosas sentiam-se incomodadas com as minissaias e as liberdades que tinham homens e mulheres&#8221;, afirma ela. &#8220;Por isso, tamb\u00e9m estiveram de acordo com a revolu\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\nMas ela conta que muitas pessoas &#8220;profundamente religiosas&#8221; no Ir\u00e3 acreditam que usar o v\u00e9u &#8220;precisa ser uma escolha. Deixa de ser religi\u00e3o quando \u00e9 obrigat\u00f3rio.&#8221;<br \/>\n O Ir\u00e3 vive uma onda de protestos em todo o pa\u00eds ap\u00f3s a morte, em cust\u00f3dia policial, de uma mulher de 22 anos, supostamente por n\u00e3o cumprir com as regras do hijab. As autoridades afirmam que Mahsa Amini morreu por problemas de sa\u00fade pr\u00e9-existentes, mas sua fam\u00edlia e muitos iranianos acreditam que ela tenha morrido depois de ter sido agredida.<br \/>\nOs protestos parecem ser o desafio mais s\u00e9rio enfrentado pelos l\u00edderes iranianos nos \u00faltimos anos \u2014 e um novo cap\u00edtulo no hist\u00f3rico de mobiliza\u00e7\u00f5es populares no Ir\u00e3.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-63038853<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que as mulheres iranianas podiam sair \u00e0s ruas sem v\u00e9u e usando roupas como minissaias ou shorts. Estudantes no Ir\u00e3 nos anos 1970. Getty Images via BBC &#8220;Vi muitas fotos da minha av\u00f3 usando v\u00e9u ao lado da minha m\u00e3e com minissaia, as duas vivendo em harmonia, antes da revolu\u00e7\u00e3o.&#8221; Quem<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5103,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-5102","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5102\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5103"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}