{"id":50094,"date":"2023-06-24T18:51:04","date_gmt":"2023-06-24T18:51:04","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=50094"},"modified":"2023-06-24T18:51:05","modified_gmt":"2023-06-24T18:51:05","slug":"o-sol-brilha-para-todos-ex-sem-teto-do-df-entram-em-universidades-e-relatam-mudanca-de-vida-por-meio-da-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/06\/24\/o-sol-brilha-para-todos-ex-sem-teto-do-df-entram-em-universidades-e-relatam-mudanca-de-vida-por-meio-da-educacao\/","title":{"rendered":"&#8216;O sol brilha para todos&#8217;: ex-sem-teto do DF entram em universidades e relatam mudan\u00e7a de vida por meio da educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Tiago Silva, de 36 anos, cursa letras na UnB, mas viveu nas ruas por mais de 10 anos; Leandra de F\u00e1tima, 58, passou em tr\u00eas vestibulares.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem vive nas ruas, nem sempre \u00e9 poss\u00edvel ver esperan\u00e7a enquanto se luta para vencer a invisibilidade. No entanto, h\u00e1 quem encontre uma chance de recome\u00e7ar e um impulso para retomar a pr\u00f3pria jornada.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 18 anos, Tiago Silva Barros quebrou os v\u00ednculos familiares por causa das drogas e acabou indo para as ruas. Por 11 anos, ele enfrentou as dificuldades de viver sem um lar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o amor pela leitura reacendeu a vontade de voltar a estudar. Atualmente, ele est\u00e1 prestes a se formar em letras pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB).<\/p>\n\n\n\n<p>Leandra de F\u00e1tima, hoje com 58 anos, saiu do interior de Minas Gerais em 2017 para tentar trabalhar em Bras\u00edlia. Como n\u00e3o tinha onde ficar, buscou abrigo na Casa Flor, uma unidade de acolhimento para mulheres, onde ficou por tr\u00eas meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, ela se focou nos estudos. O resultado foi passar em tr\u00eas vestibulares diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu diria para as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, que h\u00e1 esperan\u00e7a, que devem acreditar que o sol brilha para todos. Que eles possam se permitir, sonhar e realizar sonhos&#8221;, diz Leandra.<\/p>\n\n\n\n<p>Sonho de ser professor<\/p>\n\n\n\n<p>Tiago Silva Barros contou ao g1 que enquanto estudava n\u00e3o tinha dinheiro para comprar livros, mas frequentava bancas de jornais para ler not\u00edcias diariamente. Foi no Centro de Refer\u00eancia Especializado para Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua (Centro Pop), em Bras\u00edlia, que ele encontrou apoio para concluir o ensino m\u00e9dio e iniciar os estudos para o vestibular.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso foi fundamental para a minha constru\u00e7\u00e3o, para eu conseguir alcan\u00e7ar o que estou tentando alcan\u00e7ar&#8221;, diz Tiago.<br>Hoje, aos 36 anos, Tiago j\u00e1 pensa em fazer mestrado. Casado e pai de dois filhos, ele conta que tem o sonho de se tornar professor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A educa\u00e7\u00e3o me trouxe uma perspectiva de vida. Eu j\u00e1 tinha procurado interna\u00e7\u00e3o 5 vezes, mas o que deu certo mesmo para me livrar das drogas foram os estudos, os livros e a intera\u00e7\u00e3o com o novo mundo que eu estava conhecendo. Quanto mais voc\u00ea vai adquirindo conhecimento, mais voc\u00ea vai crescendo como pessoa tamb\u00e9m&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Retomar e crescer<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por meio da educa\u00e7\u00e3o, eles come\u00e7am a ler, come\u00e7am a lembrar os seus v\u00ednculos que tinham. Porque o livro traz essa sensa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea conversa com o livro, e ele n\u00e3o te contesta, n\u00e3o te xinga, n\u00e3o diz que voc\u00ea est\u00e1 errado. E assim voc\u00ea vai se conectando novamente com a vida&#8221;, diz Jos\u00e9 Vicente, assistente social do Centro Pop.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele foi uma das pessoas que incentivaram Tiago a retomar os estudos e n\u00e3o desistir. Vicente conta que outras pessoas assistidas tamb\u00e9m est\u00e3o em processo de entrar na universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s temos agora quatro pessoas no processo de se inscrever no vestibular. Alguns eu j\u00e1 inscrevi no Enem&#8221;, diz o assistente social.<\/p>\n\n\n\n<p>Leandra de F\u00e1tima foi uma das v\u00edtimas da vulnerabilidade socioecon\u00f4mica. Mesmo tendo passado em v\u00e1rios processos seletivos para entrar em universidades, ela teve que recusar as primeiras oportunidades por falta de suporte financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Continuei s\u00f3 trabalhando e dei prioridade \u00e0 minha fam\u00edlia&#8221;, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ela n\u00e3o desistiu. Depois de juntar dinheiro vendendo revistas nas ruas, Leandra estudou novamente para o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) e, com a nota, conseguiu bolsa em uma faculdade privada de Bras\u00edlia no in\u00edcio do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Leandra est\u00e1 no terceiro semestre do curso de pedagogia. O sonho dela \u00e9 levar educa\u00e7\u00e3o para jovens e adultos de \u00e1reas rurais em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O meu sonho para o futuro, primeiro, \u00e9 me formar e poder ir para \u00e1rea rural, concretizar o projeto educacional. Al\u00e9m de estar mais perto dos meus familiares e ajudar as pessoas de alguma forma&#8221;, diz Leandra.<\/p>\n\n\n\n<p>Escolariza\u00e7\u00e3o e pessoas sem-teto no Distrito Federal<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pelo g1, a Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes) informou que n\u00e3o existem dados sobre o ingresso de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua no ensino superior em Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa realizada pelo Projeto Renovando a Cidadania, desenvolvido por professoras e pesquisadoras da UnB, realizada em 2011, \u00e9 o mais pr\u00f3ximo que se chegou em rela\u00e7\u00e3o a escolariza\u00e7\u00e3o das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua na capital do pa\u00eds:<\/p>\n\n\n\n<p>86,4% afirmaram n\u00e3o ter conclu\u00eddo o Ensino Fundamental<br>15,4% n\u00e3o acreditavam na educa\u00e7\u00e3o como meio para promover mudan\u00e7as<br>15,4% sa\u00edram da escola em fun\u00e7\u00e3o da necessidade de trabalhar e contribuir para o sustento da fam\u00edlia<br>10,3% n\u00e3o puderam se matricular por n\u00e3o terem endere\u00e7o fixo<br>9% precisavam cuidar dos filhos<br>Outros motivos s\u00e3o: a falta de documentos pessoais ou de comprovante de resid\u00eancia, desinforma\u00e7\u00e3o sobre seus direitos, situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o, uso de subst\u00e2ncias psicoativas l\u00edcitas e il\u00edcitas, al\u00e9m de problemas de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Fernanda Sobral, soci\u00f3loga da UnB e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), houve avan\u00e7os no Brasil quanto ao acesso ao ensino superior, mas ainda h\u00e1 muitos problemas a resolver.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 apenas dar direito ao acesso, \u00e9 preciso tamb\u00e9m uma pol\u00edtica de assist\u00eancia, seja com bolsas ou outros mecanismos para acolher melhor essas pessoas, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vulnerabilidade socioecon\u00f4mica, mas tamb\u00e9m \u00e0 vulnerabilidade a partir de problemas de sa\u00fade mental&#8221;, diz Fernanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a soci\u00f3loga, para que pessoas de n\u00edvel socioecon\u00f4mico baixo \u2013 como os sem-teto \u2013 tenham acesso ao ensino superior \u00e9 preciso, antes de tudo, melhorar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: g1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago Silva, de 36 anos, cursa letras na UnB, mas viveu nas ruas por mais de 10 anos; Leandra de F\u00e1tima, 58, passou em tr\u00eas vestibulares. 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