{"id":49184,"date":"2023-05-06T20:21:23","date_gmt":"2023-05-06T20:21:23","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=49184"},"modified":"2023-05-06T20:21:23","modified_gmt":"2023-05-06T20:21:23","slug":"numero-de-indigenas-no-ensino-superior-e-5-vezes-maior-que-em-2011-aponta-levantamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/05\/06\/numero-de-indigenas-no-ensino-superior-e-5-vezes-maior-que-em-2011-aponta-levantamento\/","title":{"rendered":"N\u00famero de ind\u00edgenas no ensino superior \u00e9 5 vezes maior que em 2011, aponta levantamento"},"content":{"rendered":"\n<p>Segundo dados do IBGE e do Inep, o total de alunos ind\u00edgenas foi de 9.764 em 2011 para 46.252 em 2021. Mas o crescimento destacou a falta de professores ind\u00edgenas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>A patax\u00f3 Deborah Santos Martins, de 28 anos, \u00e9 uma das mais de 46 mil pessoas ind\u00edgenas inscritas em um curso superior em 2021. O n\u00famero \u00e9 quase 5 vezes maior que o registrado em 2011, quando apenas 9.764 alunos do ensino superior se identificavam como ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc8 Contexto: A inclus\u00e3o na universidade faz parte da luta para ampliar a representatividade dos ind\u00edgenas na sociedade. O crescimento representa um salto de quase 374% nas matr\u00edculas de pessoas que se declaravam como descendentes de povos nativos no per\u00edodo de 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf93 Apesar do aumento significativo, os ind\u00edgenas universit\u00e1rios representam 3,3% dos mais de 1,4 milh\u00e3o de pessoas que se identificam como ind\u00edgenas no pa\u00eds, segundo dados parciais do Censo Demogr\u00e1fico de 2022. Em rela\u00e7\u00e3o ao total de alunos no ensino superior, eles s\u00e3o 0,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Na popula\u00e7\u00e3o brasileira em geral, com cerca de 214 milh\u00f5es de habitantes, o percentual de universit\u00e1rios era de 4,1% em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados s\u00e3o de um levantamento do Instituto Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil, com base em dados do Censo Demogr\u00e1fico 2010 e do balan\u00e7o do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), e do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda\ud83d\udcb0 Ensino privado<br>Chama aten\u00e7\u00e3o o percentual destes alunos que est\u00e3o matriculados em institui\u00e7\u00f5es privadas de educa\u00e7\u00e3o. Pelo menos 63,7% dos ind\u00edgenas no ensino superior estudam em universidades particulares. Sem o recorte racial, 76,9% dos universit\u00e1rios brasileiros est\u00e3o no ensino privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Paulo Timbira, ind\u00edgena do Sul do Maranh\u00e3o que integra um grupo em uma rede social formado por alunos de diversas etnias, a presen\u00e7a majorit\u00e1ria em institui\u00e7\u00f5es privadas pode ser explicada pelas pol\u00edticas p\u00fablicas de cotas, bem como por benef\u00edcios oferecidos pelas pr\u00f3prias universidades.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m da Lei de Cotas, muitas universidades aderiram a pol\u00edticas privadas de inclus\u00e3o. Algumas oferecem bolsas de estudo, outras conferem aux\u00edlio-moradia ou aux\u00edlio-passagem. S\u00e3o coisas que ajudam na hora de escolher onde vamos nos matricular&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udff9 Luta por direitos<br>M\u00e1rcia Mura, doutora em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e integrante do povo Mura, de Rond\u00f4nia, acredita que ocupar as universidades \u00e9 um passo importante na luta pelos direitos dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, ressalta que n\u00e3o d\u00e1 para ignorar a dificuldade que enfrentam aqueles que d\u00e3o esse passo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se queremos estudar, pagamos um pre\u00e7o alto. Abandonamos nossas l\u00ednguas, nosso territ\u00f3rio, nos afastamos da fam\u00edlia e dos filhos, pela luta.<br>\u2014 M\u00e1rcia Mura, doutora em Hist\u00f3ria Social pela USP<\/p>\n\n\n\n<p>Ela afirma ainda que faltam professores ind\u00edgenas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem muita coisa ensinada nas universidades que diz respeito aos povos nativos, mas n\u00e3o \u00e9 ensinada, a meu ver, da maneira correta. Os componentes curriculares sobre povos ind\u00edgenas deveriam ser dados por professores ind\u00edgenas. E j\u00e1 temos mestres e doutores formados, mas eles n\u00e3o est\u00e3o nas salas de aula&#8221;, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, \u00e9 necess\u00e1ria uma revis\u00e3o na estrutura\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o do corpo docente das universidades. &#8220;N\u00f3s podemos estar nestes lugares. \u00c9 preciso nos deixar ocup\u00e1-los&#8221;, conclui.<br>Entrada no ensino superior<br>Patax\u00f3 do extremo sul da Bahia, Deborah Martins sempre viu o ensino superior como o passo natural seguinte ao ensino m\u00e9dio, e foi assim que viu sua primeira gradua\u00e7\u00e3o em Biologia iniciada em 2012. Entretanto, ela n\u00e3o se adaptou ao curso e trancou a matr\u00edcula.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Meus pais n\u00e3o puderam estudar. Ent\u00e3o, quando eu pude, parecia o caminho natural. Mesmo quando desisti do meu primeiro curso, eu queria e sentia que devia ter um curso superior&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi no curso de Direito que ela retomou a vida acad\u00eamica. Com uma bolsa 100% do Prouni (programa de bolsas do governo federal), Deborah concluiu o curso em dezembro de 2021. Mas, ainda no 7\u00ba semestre, ela j\u00e1 sabia que n\u00e3o queria exercer a profiss\u00e3o e descobriu na gastronomia, que at\u00e9 ent\u00e3o era um hobby, a verdadeira voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComecei a cursar gastronomia em fevereiro de 2022 em um curso EAD da UniCesumar em Teixeira de Freitas, e, se tudo der certo, concluo no fim deste ano\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Haje Kalapalo, de 31 anos, \u00e9 membro da aldeia Tangurinho Kalapalo que habita o Parque Ind\u00edgena do Xingu, no Mato Grosso, e deixou seu povo temporariamente para cursar o ensino superior.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se mudou para Goi\u00e1s e cursa Enfermagem em uma unidade da Est\u00e1cio, mas est\u00e1 ansioso para se formar.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu sonho \u00e9 trabalhar na \u00e1rea da sa\u00fade e conseguir ajudar meu povo e as pessoas. Quando finalizar o curso, quero voltar para a minha aldeia para atuar como enfermeiro, assim vou prestar um servi\u00e7o para a minha comunidade e estar perto da minha fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltam professores ind\u00edgenas<br>Mesmo com uma ampla experi\u00eancia como aluna de ensino superior, Deborah Martins relata que sentiu falta de professores ind\u00edgenas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas minhas aulas, estudo sobre culin\u00e1ria francesa e italiana, que s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o tenho aula sobre culin\u00e1ria ind\u00edgena, sobre a alimenta\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios, e isso tamb\u00e9m \u00e9 importante. E isso n\u00e3o acontece s\u00f3 no meu curso, \u00e9 a realidade do ensino superior no Brasil.<br>\u2014 Deborah Martins, ind\u00edgena Patax\u00f3 estudante de Gastronomia<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, apenas 428 dos mais de 483 mil professores de ensino superior eram ind\u00edgenas, de acordo com o Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Santos \u00e9 Guarani do Jaragu\u00e1, em S\u00e3o Paulo, e rec\u00e9m-formado em Pedagogia por uma universidade particular da zona leste da capital paulista. Mesmo tendo feito um curso para formar professores, ele conta que n\u00e3o tinha nenhum outro ind\u00edgena em sua sala de aula, lecionando ou estudando.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu escolhi ser professor para ensinar e \u00e9 dif\u00edcil pensar que tem coisas que eu sei, que aprendi com meu povo, que poderiam ser ensinadas por outros professores, mas n\u00e3o s\u00e3o. Porque nossa hist\u00f3ria ainda \u00e9 vista como uma hist\u00f3ria menor, desimportante&#8221;, diz ele.<br>Apesar do crescimento no n\u00famero de ind\u00edgenas como alunos do ensino superior, n\u00e3o existem dados atualizados sobre quantos s\u00e3o os professores ind\u00edgenas nestes espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedagogo considera que isso refor\u00e7a um falso estere\u00f3tipo dos povos origin\u00e1rios como afastados do cotidiano de pessoas n\u00e3o ind\u00edgenas ou inacess\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sofremos um ex\u00edlio em nossa pr\u00f3pria terra. Somos, sim, um n\u00famero crescente de alunos, mas s\u00f3 vai ser suficiente quando formos tamb\u00e9m professores e ocuparmos cargos de lideran\u00e7a nessas institui\u00e7\u00f5es&#8221;, finaliza.<br>Perguntados sobre quantos s\u00e3o os professores ind\u00edgenas em atividade no pa\u00eds, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e o Inep n\u00e3o deram retorno at\u00e9 a mais recente atualiza\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: CNN Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo dados do IBGE e do Inep, o total de alunos ind\u00edgenas foi de 9.764 em 2011 para 46.252 em 2021. Mas o crescimento destacou a falta de professores ind\u00edgenas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino. 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