{"id":46415,"date":"2023-03-09T00:27:21","date_gmt":"2023-03-09T00:27:21","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/09\/ou-morremos-ou-vencemos-dizem-mulheres-iranianas-apos-seis-meses-de-protestos-e-repressao\/"},"modified":"2023-03-09T00:27:21","modified_gmt":"2023-03-09T00:27:21","slug":"ou-morremos-ou-vencemos-dizem-mulheres-iranianas-apos-seis-meses-de-protestos-e-repressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/09\/ou-morremos-ou-vencemos-dizem-mulheres-iranianas-apos-seis-meses-de-protestos-e-repressao\/","title":{"rendered":"&#8216;Ou morremos, ou vencemos&#8217;, dizem mulheres iranianas ap\u00f3s seis meses de protestos e repress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/H51lHdgIgHnKn4tOct2zXm_yx4U=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/k\/b\/LKyvo5RNGdpu8NLYlpYA\/lfjasd.png\"><br \/>     Protestos no Ir\u00e3 aumentaram desde a morte em setembro de 2022 da jovem curda iraniana Mahsa Amini, detida pela pol\u00edcia moral em Teer\u00e3 por usar um v\u00e9u de forma considerada impr\u00f3pria. Protesto no Ir\u00e3, em setembro de 2022 (imagem ilustrativa)<br \/>\nREUTERS &#8211; NACHO DOCE<br \/>\nH\u00e1 seis meses as iranianas encampam um movimento de contesta\u00e7\u00e3o in\u00e9dito contra o regime de Teer\u00e3. Apesar da repress\u00e3o e das amea\u00e7as constantes, elas continuam uma luta que vai bem al\u00e9m do uso obrigat\u00f3rio do v\u00e9u, como contam as testemunhas ouvidas pela RFI nesse Dia Internacional das Mulheres.<br \/>\n\u201cEu posso estar tremendo de frio, mas me recuso a colocar um len\u00e7o ou um chap\u00e9u! Mesmo se o inverno \u00e9 intenso, n\u00e3o quero que eles [as for\u00e7as de seguran\u00e7a] pensem que eu cedi ou que estou com medo.\u201d<br \/>\nA declara\u00e7\u00e3o de Haleh, uma iraniana de 58 anos, resume a postura de boa parte de suas compatriotas desde a morte em setembro de 2022 da jovem curda iraniana Mahsa Amini, detida pela pol\u00edcia moral em Teer\u00e3 por usar um v\u00e9u de forma considerada impr\u00f3pria.<br \/>\nComo muitas de suas compatriotas, Haleh mant\u00e9m a cabe\u00e7a erguida, descoberta, e n\u00e3o esconde a sua \u201cavers\u00e3o\u201d ao regime. Moradora de Teer\u00e3, ela diz que nunca apoiou o v\u00e9u obrigat\u00f3rio, nem tampouco &#8220;as outras leis draconianas da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica&#8221;. E desde a morte de Mahsa Amini, passou a atuar em v\u00e1rios grupos de oposi\u00e7\u00e3o, participando em com\u00edcios, distribuindo panfletos e militando a favor da desobedi\u00eancia civil.<br \/>\n\u201cNossas reivindica\u00e7\u00f5es obviamente n\u00e3o se limitam \u00e0 exig\u00eancia da liberdade de nos vestirmos como queremos\u201d, insiste Morvarid, 27 anos.<br \/>\n\u201cMas como o v\u00e9u \u00e9 a principal ferramenta do regime isl\u00e2mico para reprimir as mulheres, esse acess\u00f3rio se tornou para elas o principal s\u00edmbolo da luta. Por isso que, desde o in\u00edcio das tens\u00f5es, resolvemos retir\u00e1-lo, rejeit\u00e1-lo, queim\u00e1-lo\u201d, completa Haleh.<br \/>\nUma luta hist\u00f3rica<br \/>\nDesde que T\u00e2hereh, uma poetisa executada no s\u00e9culo 19 ap\u00f3s ter retirado seu v\u00e9u em p\u00fablico, as iranianas nunca pararam de lutar contra o extremismo religioso. No entanto, com o estabelecimento da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica em 1979, as restri\u00e7\u00f5es passaram a ser regidas pela lei de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia.<br \/>\nO texto \u201cpromove o casamento de meninas, independentemente da idade, e incentiva a abund\u00e2ncia de gesta\u00e7\u00f5es, sempre com o objetivo de colocar as mulheres em uma esp\u00e9cie de pris\u00e3o domiciliar. A obrigatoriedade do v\u00e9u foi apenas um dos instrumentos de poder para atingir esse objetivo geral\u201d, relembra Atena Daemi.<br \/>\n\u201cO movimento atual exige a mudan\u00e7a completa do regime&#8221;, resume Pooran Nazemi, ex-presa pol\u00edtica e defensora dos direitos humanos. Ela foi uma das signat\u00e1rias, em 2019, de uma carta aberta chamada &#8220;Call of 14&#8221; exigindo a ren\u00fancia do l\u00edder supremo, Ali Khamanei, e a mudan\u00e7a do sistema pol\u00edtico no Ir\u00e3. Atualmente, Nazemi aguarda a decis\u00e3o do Tribunal Revolucion\u00e1rio em um novo julgamento. Mas isso n\u00e3o a impede de continuar sua luta, se manifestar na m\u00eddia e postar mensagens e v\u00eddeos nas redes sociais para reafirmar sua determina\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cAs mulheres iranianas conhecem seus direitos, sabem o que lhes foi roubado e lutam para recuper\u00e1-los. Mesmo que o poder reprima de diversas formas, elas resistem e, no meu ponto de vista, isso \u00e9 muito importante\u201d, diz Atena Daemi, ativista dos direitos humanos que, aos 34 anos, j\u00e1 cumpriu cinco anos de pris\u00e3o por sua a\u00e7\u00e3o militante.<br \/>\nIsolamento do Ir\u00e3 no cen\u00e1rio internacional<br \/>\nPooran Nazemi ressalta que o isolamento do Ir\u00e3 no cen\u00e1rio internacional \u00e9 apenas a consequ\u00eancia &#8220;da pol\u00edtica e do comportamento de suas autoridades incompetentes&#8221;, que &#8220;desde o in\u00edcio se impuseram ao pa\u00eds a base de engana\u00e7\u00e3o e hipocrisia\u201d. Segundo ela, a popula\u00e7\u00e3o &#8220;n\u00e3o \u00e9 boba&#8221; e sabe agora que &#8220;a situa\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel do pa\u00eds resulta da estrutura do regime atual e n\u00e3o, como afirmam as autoridades, da a\u00e7\u00e3o de \u2018inimigos\u2019 [externos]\u201d.<br \/>\nEssa \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o compartilhada por muitos jovens. \u201cAl\u00e9m das restri\u00e7\u00f5es aos direitos das mulheres e da aus\u00eancia de liberdades, tudo est\u00e1 desmoronando\u201d, lan\u00e7a Hedieh, de 27 anos.<br \/>\n\u201cA situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 desastrosa. Em algumas cidades, a distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e eletricidade \u00e9 racionada, como durante uma guerra. Faltam rem\u00e9dios, o n\u00famero de suic\u00eddios, que j\u00e1 era alto, aumentou, a depress\u00e3o avan\u00e7a e todos est\u00e3o convencidos de que para ter uma vida simplesmente normal \u00e9 preciso acabar com o regime da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica\u201d, defende. Segundo ela, &#8220;a popula\u00e7\u00e3o sabe muito bem que quem nos governa \u00e9 incompetente e nem se importa com o agravamento da situa\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\nAp\u00f3s um longo sil\u00eancio, com a voz embargada, ela continua: \u201cO que temos a perder? Nada! De que adianta viver se voc\u00ea n\u00e3o pode ser livre e se n\u00e3o tem futuro?\u201d, se questiona.<br \/>\n\u201cEnt\u00e3o vamos at\u00e9 o fim. Ou morremos, ou vencemos. A Rep\u00fablica Isl\u00e2mica sempre foi sin\u00f4nimo de terror. As mulheres hoje andam de m\u00e3os dadas. O medo se foi e o regime isl\u00e2mico vai embora com ele, em breve!\u201d, anuncia.<br \/>\nManifesta\u00e7\u00f5es diminu\u00edram, mas mobiliza\u00e7\u00e3o continua<br \/>\nEmbora as manifesta\u00e7\u00f5es de rua pare\u00e7am menos frequentes, a determina\u00e7\u00e3o dessas mulheres segue intacta e mais forte do que nunca.<br \/>\n\u201c\u00c9 verdade que os grandes protestos foram suspensos, mas todos est\u00e3o prontos para retomar o movimento assim que puderem. Enquanto isso, lutamos de formas diferentes. As pessoas est\u00e3o expressando sua raiva e tamb\u00e9m seu desespero nas redes sociais\u201d, relata Morvarid, uma iraniana de 27 anos.<br \/>\n\u201cA vida parece continuar [normalmente] no Ir\u00e3, mas todos est\u00e3o convencidos de que essa revolta ter\u00e1 resultados\u201d, diz Hedieh.<br \/>\n\u201cAinda que haja menos manifesta\u00e7\u00f5es, a avers\u00e3o aos valores promovidos pelo regime \u00e9 cada dia mais evidente. Est\u00e1 crescendo o n\u00famero de mulheres que andam nas ruas sem v\u00e9u em Teer\u00e3, mas tamb\u00e9m em muitas cidades do interior. \u00c9, em si, um ato permanente de protesto\u201d, explica.<br \/>\nMenina relata o que sentiu em novo ataque no Ir\u00e3<br \/>\nJN<br \/>\nAlunas envenenadas<br \/>\nOutra forma de agir atualmente \u00e9 por meio de greves, como as paralisa\u00e7\u00f5es registradas no setor da educa\u00e7\u00e3o, principalmente ap\u00f3s o envenenamento de meninas em dezenas de escolas pelo pa\u00eds, em um epis\u00f3dio que indignou a popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cMuitos acreditam que o envenenamento das estudantes \u00e9 um ato de intimida\u00e7\u00e3o e vingan\u00e7a por parte do poder. Porque as alunas tamb\u00e9m estiveram na linha de frente dos protestos tirando seus v\u00e9us, rasgando as fotos [dos l\u00edderes religiosos] Khomeini e Khamenei\u201d, insiste Atena Daemi.<br \/>\nPara Ronak, uma moradora de Kermanchah, \u201ca aus\u00eancia de uma rea\u00e7\u00e3o efetiva das autoridades [ap\u00f3s os casos de envenenamento] demonstra seu envolvimento neste ato que deve ser qualificado como terrorista. O que mais me entristece \u00e9 que desta vez as crian\u00e7as tamb\u00e9m s\u00e3o alvo do poder. Crian\u00e7as que ignoram totalmente nossas lutas. Esse crime n\u00e3o pode ficar impune\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Protestos no Ir\u00e3 aumentaram desde a morte em setembro de 2022 da jovem curda iraniana Mahsa Amini, detida pela pol\u00edcia moral em Teer\u00e3 por usar um v\u00e9u de forma considerada impr\u00f3pria. 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