{"id":45764,"date":"2023-03-06T21:26:04","date_gmt":"2023-03-06T21:26:04","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/06\/chile-recomeca-processo-para-mudar-constituicao-de-pinochet\/"},"modified":"2023-03-06T21:26:04","modified_gmt":"2023-03-06T21:26:04","slug":"chile-recomeca-processo-para-mudar-constituicao-de-pinochet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/06\/chile-recomeca-processo-para-mudar-constituicao-de-pinochet\/","title":{"rendered":"Chile recome\u00e7a processo para mudar Constitui\u00e7\u00e3o de Pinochet"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/58jQZJnRDP16BQYEk7caZMeElO4=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/0\/E\/BGJ5COS36y6VmwtrX5UQ\/55394702-906.jpg\"><br \/>     \u00c9 a segunda tentativa para elaborar uma nova Carta Magna, ap\u00f3s os dist\u00farbios sociais de 2019 e um projeto rejeitado em 2022. Desta vez, partidos est\u00e3o mais envolvidos e modelo busca favorecer consensos. Em 2020, chilenos aprovaram a elabora\u00e7\u00e3o de uma nova Constitui\u00e7\u00e3o<br \/>\nRodrigo Garrido\/Reuters<br \/>\nAp\u00f3s uma primeira tentativa fracassada, o Chile recome\u00e7a formalmente nesta segunda-feira (06\/03) o processo para redigir uma nova Carta Magna para substituir a atual Constitui\u00e7\u00e3o, elaborada em 1980 durante a ditadura de Augusto Pinochet.<br \/>\nNesta segunda, o comit\u00ea de especialistas re\u00fane-se para formar a mesa diretora que conduzir\u00e1 os trabalhos. Na quarta-feira, come\u00e7a a elabora\u00e7\u00e3o do anteprojeto.<br \/>\nO processo de cria\u00e7\u00e3o de uma nova Constitui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou no Chile ap\u00f3s os dist\u00farbios sociais de outubro de 2019, que ficaram conhecidos como estallido. Naquela \u00e9poca, a forma\u00e7\u00e3o de uma Assembleia Constituinte que redigisse uma nova Carta Magna foi a sa\u00edda encontrada para acalmar uma revolta social hist\u00f3rica no pa\u00eds.<br \/>\nMas o projeto de texto foi amplamente rejeitado na vota\u00e7\u00e3o de 4 de setembro de 2022. Nele, foram abordados temas como plurinacionalidade, legalidade do aborto, prote\u00e7\u00e3o ambiental e um conjunto de outras reivindica\u00e7\u00f5es que geraram pol\u00eamica e culminaram com o fracasso da primeira tentativa de enterrar a atual Constitui\u00e7\u00e3o, que consagra o sistema neoliberal.<br \/>\nAp\u00f3s o fiasco, as for\u00e7as pol\u00edticas do Chile concordaram em reiniciar o processo, com o entendimento de que, mesmo com a rejei\u00e7\u00e3o do primeiro projeto, continuariam trabalhando em uma nova Constitui\u00e7\u00e3o. Esse pacto estabeleceu a cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea de especialistas, composto por 24 membros (12 homens e 12 mulheres) indicados pelas for\u00e7as pol\u00edticas presentes tanto no Senado quanto na C\u00e2mara dos Deputados.<br \/>\nO grupo conjunto de especialistas \u00e9 formado, na grande maioria, por juristas com idades de 36 a 75 anos. A eles cabe a reda\u00e7\u00e3o de um anteprojeto, sobre o qual trabalhar\u00e1 o conselho constitucional, que contar\u00e1 com 50 representantes (com paridade entre homens e mulheres e com representa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena) que ser\u00e3o eleitos pelos cidad\u00e3os em uma vota\u00e7\u00e3o no dia 7 de maio.<br \/>\nO conselho constitucional come\u00e7ar\u00e1 os trabalhos em 7 de junho e dever\u00e1 entregar em novembro o projeto da nova Constitui\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 submetido a um novo plebiscito em dezembro.<br \/>\nAl\u00e9m dos especialistas designados, o Legislativo tamb\u00e9m nomeou 14 \u00e1rbitros, no que foi chamado de comit\u00ea t\u00e9cnico de admissibilidade. Eles far\u00e3o a media\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o houver consenso no processo de reda\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFalta de interesse dos cidad\u00e3os<br \/>\nAs diferen\u00e7as deste segundo processo em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro s\u00e3o evidentes, principalmente no que diz respeito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos. A primeira tentativa decidiu deixar tudo nas m\u00e3os dos cidad\u00e3os e se inclinou para os independentes de esquerda, enquanto agora os partidos est\u00e3o no centro das aten\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&#8220;\u00c9 dif\u00edcil dizer se os atores pol\u00edticos t\u00eam se sa\u00eddo bem ou mal neste segundo processo. Nesse sentido, acredito que a quest\u00e3o dos especialistas p\u00f5e um pouco em risco o novo processo porque, ao serem eleitos pelo Parlamento, optou-se por uma representatividade indireta&#8221;, disse Crist\u00f3bal Bellolio, doutor em filosofia pol\u00edtica pela University College London, \u00e0 DW.<br \/>\nPor isso, nesta fase, os cidad\u00e3os n\u00e3o t\u00eam demonstrado muito interesse. De fato, em algumas pesquisas como a do Pulso Ciudadano, o desinteresse por essa segunda tentativa supera os 50%.<br \/>\n&#8220;Vai ser dif\u00edcil as pessoas se entusiasmarem com esse novo processo porque o veem como algo dos pol\u00edticos. At\u00e9 os especialistas s\u00e3o identificados politicamente. Ent\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil para mim acreditar que as pessoas tenham confian\u00e7a em um processo dirigido e protagonizado pela mesma classe pol\u00edtica que dizem odiar. Ser\u00e1 preciso ver se os membros que forem escolhidos para o conselho [constitucional] conseguir\u00e3o mudar essa percep\u00e7\u00e3o&#8221;, aponta Bellolio.<br \/>\nFrancisco Soto, advogado e membro do comit\u00ea de especialistas, diz que est\u00e1 atento ao sentimento dos cidad\u00e3os.<br \/>\n&#8220;Esta f\u00f3rmula, evidentemente, n\u00e3o \u00e9 vista como uma legitimidade origin\u00e1ria, e obriga-nos a construir uma legitimidade de exerc\u00edcio, que seja baseada em uma proposta que consiga gerar um grande consenso, que seja validada por um \u00f3rg\u00e3o representativo e acabe aprovada em plebiscito&#8221;, diz.<br \/>\nReceita para o sucesso<br \/>\nEmbora n\u00e3o esteja claro como garantir o sucesso do processo, \u00e9 poss\u00edvel aprender com o que aconteceu com a primeira tentativa. Bellolio aponta que, agora, deve haver uma consci\u00eancia de que fazer uma Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 &#8220;um jogo que se tem de ganhar, mas um jogo que tem de refletir o mais amplo acordo poss\u00edvel, e isso significa que n\u00e3o pode ser sect\u00e1rio ou partid\u00e1rio&#8221;.<br \/>\n&#8220;As constitui\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser feitas pensando no que os pa\u00edses s\u00e3o. \u00c9 fundamental que seja o acordo b\u00e1sico de uma sociedade politicamente diversa. Voc\u00ea n\u00e3o precisa embandeirar a Constitui\u00e7\u00e3o, acho que esse foi o grande erro da Constitui\u00e7\u00e3o de Pinochet. A esquerda durante anos alegou, e com raz\u00e3o, que era uma Constitui\u00e7\u00e3o que impedia outro setor de cumprir seu programa ao governar, e bem, quando a esquerda teve maioria, fez exatamente o mesmo&#8221;, acrescenta.<br \/>\nNo mesmo sentido, Francisco Soto explica que &#8220;as constitui\u00e7\u00f5es podem ser escritas de duas formas: por imposi\u00e7\u00e3o ou por identifica\u00e7\u00e3o de pontos de encontro entre os diferentes grupos, que fa\u00e7am sentido para os cidad\u00e3os&#8221;.<br \/>\nPara o representante do progressista Partido para a Democracia (PPD), \u00e9 claro que &#8220;nossa tarefa ser\u00e1 identificar pontos de encontro e que possam articular um texto que d\u00ea sentido aos incr\u00e9dulos at\u00e9 agora&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 a segunda tentativa para elaborar uma nova Carta Magna, ap\u00f3s os dist\u00farbios sociais de 2019 e um projeto rejeitado em 2022. 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