{"id":45686,"date":"2023-03-06T15:28:35","date_gmt":"2023-03-06T15:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/06\/conheca-a-historia-do-joao-escravizado-por-quase-40-anos-sofri-e-sofri-muito\/"},"modified":"2023-03-06T15:28:35","modified_gmt":"2023-03-06T15:28:35","slug":"conheca-a-historia-do-joao-escravizado-por-quase-40-anos-sofri-e-sofri-muito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/06\/conheca-a-historia-do-joao-escravizado-por-quase-40-anos-sofri-e-sofri-muito\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria do Jo\u00e3o, escravizado por quase 40 anos: \u2018Sofri e sofri muito\u2019"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Ribeiro foi resgatado no fim de janeiro de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o na fazenda de caf\u00e9 Boa Vista, em Bueno Brand\u00e3o, Minas Gerais. \u2018Ele era uma pessoa que praticamente n\u00e3o existia para o Brasil&#8217;, diz auditora-fiscal do Trabalho Elvira Tomazin. Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria do Jo\u00e3o, escravizado por quase 40 anos: \u2018Sofri e sofri muito\u2019<br \/>\nNeste domingo (5), o Fant\u00e1stico conta a hist\u00f3ria de um homem sem identidade, escravizado por quase 40 anos. Jo\u00e3o era indocumentado. Pouco se sabe sobre a hist\u00f3ria dele. S\u00f3 que era conhecido como \u201cJo\u00e3o do Brejo\u201d. Ele foi resgatado no fim de janeiro de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o na fazenda de caf\u00e9 Boa Vista, em Bueno Brand\u00e3o, Minas Gerais.<br \/>\n\u201cTudo come\u00e7ou porque ele foi atendido no final do ano passado. Ele foi levado ao hospital com suspeita de pneumonia. E no hospital, verificaram que ele n\u00e3o tinha documento nenhum\u201d, conta a auditora-fiscal do Trabalho, Elvira Tomazin.<br \/>\nA equipe de profissionais da sa\u00fade desconfiou e avisou \u00e0 Assist\u00eancia Social do munic\u00edpio, que fez a den\u00fancia ao Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego. Os auditores-fiscais fizeram uma opera\u00e7\u00e3o e encontraram Jo\u00e3o capinando a terra, descal\u00e7o.<br \/>\nSpray de pimenta, espancamento e comida estragada: veja relatos de pessoas resgatadas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o no RS: &#8216;Pesadelo&#8217;<br \/>\nO que \u00e9 trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o, segundo a lei brasileira<br \/>\nCana, carv\u00e3o, alho&#8230; As atividades rurais com mais resgates por trabalho escravo em 2022<br \/>\nOs auditores encontraram Jo\u00e3o vivendo em uma casa sem a m\u00ednima condi\u00e7\u00e3o de dignidade humana. Segundo os auditores, Jo\u00e3o dormia em uma espuma suja, encardida. L\u00e1 n\u00e3o tinha geladeira, n\u00e3o tinha televis\u00e3o, n\u00e3o tinha r\u00e1dio, n\u00e3o tinha nada. O \u00fanico dinheiro encontrado com Jo\u00e3o era um punhado de notas antigas do Brasil, como o cruzeiro.<br \/>\n\u201c\u00c9 quase dif\u00edcil de acreditar. Eu fico inconformada como \u00e9 que algu\u00e9m consegue submeter um ser humano nas condi\u00e7\u00f5es em que a gente encontrou esse senhor? Ele era uma pessoa que praticamente n\u00e3o existia para o Brasil\u201d, lamenta Elvira Tomazin.<br \/>\nO Jo\u00e3o chegou \u00e0 fazenda em 1984, de acordo com o relato do empregador \u00e0s autoridades. Segundo ele, Jo\u00e3o estava perdido e procurava uma oportunidade de trabalho, e ali ele ficou vivendo em condi\u00e7\u00f5es degradantes, trabalhando sem sal\u00e1rio registrado, durante 39 anos. Jo\u00e3o n\u00e3o era algu\u00e9m nem para o sistema de sa\u00fade.<br \/>\n&#8220;Ele \u00e9 um paciente diab\u00e9tico e hipertenso, n\u00e3o fazia uso das medica\u00e7\u00f5es de uso cont\u00ednuo. J\u00e1 providenciamos tamb\u00e9m toda a vacina\u00e7\u00e3o. A gente desconhece cart\u00e3o vacinal desse paciente\u201d, diz o m\u00e9dico S\u00e9rgio Ribeiro Goulart.<br \/>\nAgora, Jo\u00e3o vive em um lar de idosos. Perguntado pela equipe do Fant\u00e1stico se recebe sal\u00e1rio, Jo\u00e3o respondeu:<br \/>\n\u201cRecebi nada, nada s\u00f3 trabalho. S\u00f3 trabalho\u201d.<br \/>\nA conversa com Jo\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. A palavra que ele mais usa \u00e9 \u201ctrabalho\u201d.<br \/>\nRep\u00f3rter: \u201cO que que o senhor gosta de fazer?\u201d<br \/>\nJo\u00e3o: \u201cEu gosto de trabalhar.\u201d<br \/>\nRep\u00f3rter: \u201cTem algo que d\u00ea prazer para o senhor?\u201d<br \/>\nJo\u00e3o: \u201cPrazer para mim \u00e9 ro\u00e7ar, levanta cedo, j\u00e1 vai no canto, j\u00e1 pega uma ferramenta de segunda a s\u00e1bado&#8230;\u201d<br \/>\nRep\u00f3rter: \u201cO senhor me d\u00e1 a impress\u00e3o de uma vida sofrida. O senhor sofreu?\u201d<br \/>\nJo\u00e3o: \u201cSofri e sofri muito, eu vou falar para voc\u00eas\u201d.<br \/>\nO empregador se chama David Aparecido de Oliveira. Ele n\u00e3o respondeu ao nosso pedido de entrevista do Fant\u00e1stico, nem o advogado dele.<br \/>\nNo dia 27 de fevereiro, em Bueno Brand\u00e3o, Jo\u00e3o do Brejo recebeu as verbas rescis\u00f3rias do antigo patr\u00e3o. Na sexta (3), ele recebeu seus documentos \u2013 como certid\u00e3o de nascimento, identidade, CPF e cart\u00e3o do SUS. Ele conta que nunca gostou de ser conhecido como Jo\u00e3o do Brejo.<br \/>\n\u201cEu nunca gostei desse apelido. \u00c9 Jo\u00e3o Ribeiro\u201d.<br \/>\nProblema cr\u00f4nico<br \/>\nA hist\u00f3ria do Jo\u00e3o revela como o trabalho escravo \u00e9 um problema cr\u00f4nico no Brasil. Em 2022, 2,5 mil pessoas foram resgatadas de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. S\u00f3 nos dois primeiros meses de 2023, j\u00e1 foram 523. Duzentas e sete delas foram resgatadas de um alojamento em Bento Gon\u00e7alves, no Rio Grande do Sul, em um caso que escandalizou o pa\u00eds.<br \/>\nMinist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho prop\u00f5e acordo para vin\u00edcolas do RS que usaram m\u00e3o de obra an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o<br \/>\nEmpres\u00e1rio \u00e9 preso por manter 150 trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em Bento Gon\u00e7alves<br \/>\nTrabalhadores resgatados em situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o no RS: o que se sabe e o que falta saber<br \/>\nEm nota, a vin\u00edcola Aurora pediu desculpas aos trabalhadores vitimados pela situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA vin\u00edcola Garibaldi diz que est\u00e1 colaborando com as autoridades para a elucida\u00e7\u00e3o dos fatos e amadurecendo suas pr\u00e1ticas institucionais.<br \/>\nA Salton disse que nenhum trabalhador da empresa ou prestador de servi\u00e7os foi resgatado em suas depend\u00eancias e que n\u00e3o tinha recebido nenhuma den\u00fancia sobre maus tratos e viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<br \/>\nA F\u00eanix, empresa respons\u00e1vel pelo recrutamento dos trabalhadores, informou que pagou a rescis\u00e3o devida que alcan\u00e7ou a soma de R$ 1,1 milh\u00e3o, mas n\u00e3o aceitou fazer o pagamento adicional de R$ 600 mil de indeniza\u00e7\u00e3o por n\u00e3o reconhecer que impuseram aos trabalhadores condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0s de escravos.<br \/>\nSpray de pimenta, espancamento e comida estragada: veja relatos de pessoas resgatadas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o no RS. Assista \u00e0 mat\u00e9ria no trecho abaixo.<br \/>\nSpray de pimenta, espancamento e comida estragada: veja relatos de pessoas resgatadas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o no RS: &#8216;Pesadelo&#8217;<br \/>\nOu\u00e7a os podcasts do Fant\u00e1stico:<br \/>\nISSO \u00c9 FANT\u00c1STICO<br \/>\nO podcast Isso \u00c9 Fant\u00e1stico est\u00e1 dispon\u00edvel no g1, Globoplay, Deezer, Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts e Amazon Music trazendo grandes reportagens, investiga\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fant\u00e1stico: profundidade, contexto e informa\u00e7\u00e3o. Siga, curta ou assine o Isso \u00c9 Fant\u00e1stico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um epis\u00f3dio novo.<br \/>\nPRAZER, RENATA<br \/>\nO podcast &#8216;Prazer, Renata&#8217; est\u00e1 dispon\u00edvel no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. Siga, assine e curta o &#8216;Prazer, Renata&#8217; na sua plataforma preferida. Toda segunda-feira tem epis\u00f3dio novo.<br \/>\nBICHOS NA ESCUTA<br \/>\nO podcast &#8216;Bichos Na Escuta&#8217; est\u00e1 dispon\u00edvel no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. Siga, assine e curta o &#8216;Bichos na Escuta&#8217; na sua plataforma preferida. Toda quinta-feira tem epis\u00f3dio novo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Ribeiro foi resgatado no fim de janeiro de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o na fazenda de caf\u00e9 Boa Vista, em Bueno Brand\u00e3o, Minas Gerais. \u2018Ele era uma pessoa que praticamente n\u00e3o existia para o Brasil&#8217;, diz auditora-fiscal do Trabalho Elvira Tomazin. 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