{"id":45474,"date":"2023-03-05T14:30:40","date_gmt":"2023-03-05T14:30:40","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/05\/cineasta-brasileira-faz-filmes-sobre-a-cultura-americana-que-hollywood-ignora\/"},"modified":"2023-03-05T14:30:40","modified_gmt":"2023-03-05T14:30:40","slug":"cineasta-brasileira-faz-filmes-sobre-a-cultura-americana-que-hollywood-ignora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/05\/cineasta-brasileira-faz-filmes-sobre-a-cultura-americana-que-hollywood-ignora\/","title":{"rendered":"Cineasta brasileira faz filmes sobre a cultura americana que Hollywood ignora"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/8RCTvn--evxnkJW4qqKB7_9rlWA=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/V\/T\/vT8cY2QlWC1UpqoRYP0w\/327916602-928340518527006-1327958814498392520-n.jpg\"><br \/>     Cineasta paulista Ivete Lucas vive nos Estados Unidos h\u00e1 15 anos, onde faz filmes sobre aspectos da cultura americana que n\u00e3o s\u00e3o mostrados em Hollywood.<br \/>\n Cineasta brasileira faz filmes sobre a cultura americana que Hollywood ignora<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram<br \/>\nFilha de m\u00e3e brasileira e pai mexicano, Ivete Lucas passou a inf\u00e2ncia no Brasil, a adolesc\u00eancia no M\u00e9xico e se mudou para os Estados Unidos aos 24 anos para estudar cinema na Universidade do Texas, em Austin.<br \/>\nCom essa rica bagagem multicultural, ela acabou ficando nos EUA, onde desenvolve um cinema independente admirado em outras regi\u00f5es do mundo.\u00a0<br \/>\nAutora de fic\u00e7\u00e3o e document\u00e1rio em curta e longa-metragem, Ivete faz seus filmes\u00a0em ingl\u00eas.<br \/>\nEla conta que gosta de mostrar &#8220;coisas lindas que o povo dos Estados Unidos n\u00e3o acha lindo&#8221;, mas que para ela\u00a0representam mostras de cultura admir\u00e1veis. &#8220;Esse interesse sobre a cultura dos Estados Unidos faz com que meus filmes tenham proje\u00e7\u00e3o no mundo inteiro&#8221;, afirma.<br \/>\n&#8220;Sempre fa\u00e7o filmes com um esp\u00edrito humano que qualquer pessoa, em qualquer pa\u00eds, em qualquer cultura, pode se identificar. Por exemplo, a vontade que todos temos de fazer coisas, de chegar a um lugar melhor do que as condi\u00e7\u00f5es em que vivemos&#8221;, explica a realizadora.<br \/>\nA pol\u00eamica retirada de termos racistas dos livros de James Bond<br \/>\nMichael B. Jordan reencontra rep\u00f3rter que praticava bullying com ele<br \/>\n Enquanto muitos cineastas que atuam no mercado do filme independente norte-americano fazem produ\u00e7\u00f5es para o mercado interno, Ivete Lucas faz filmes &#8220;para o mundo inteiro&#8221; apreciar.\u00a0<br \/>\nTer morado em tr\u00eas pa\u00edses, falar diversas l\u00ednguas e ter tido a vida impregnada pelas culturas brasileira, mexicana e norte-americana expandiram os sentidos da cineasta.<br \/>\n&#8220;Eu digo que escuto o que est\u00e1 acontecendo ao meu redor e admiro. Fa\u00e7o parte dos lugares onde eu vou e depois traduzo essas coisas em linguagem cinematogr\u00e1fica&#8221;, destaca. Essa sensibilidade foi adquirida ao longo da trajet\u00f3ria de imigra\u00e7\u00e3o. Quando algu\u00e9m com uma hist\u00f3ria de vida semelhante fala que \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o ser de lugar nenhum, Ivete Lucas discorda.<br \/>\n&#8220;Se a gente v\u00ea isso de maneira redutiva, \u00e0s vezes fica triste. Mas se pensarmos que\u00a0somos de todos os lugares, que estamos amalgamando, juntando todas essas culturas em uma pessoa, na verdade n\u00f3s temos muito o que dar ao mundo&#8221;, afirma com convic\u00e7\u00e3o.<br \/>\nImagens que comunicam<br \/>\nA escolha de se expressar por meio da linguagem cinematogr\u00e1fica acabou sendo uma decorr\u00eancia natural de tantas mudan\u00e7as.<br \/>\n&#8220;Quando eu descobri as imagens, descobri uma maneira de me comunicar instantaneamente entre todas as minhas culturas, porque eu sou brasileira, mexicana e americana agora. Foi a maneira mais natural de p\u00f4r numa conversa as coisas que eu n\u00e3o estava vendo&#8221;, recorda.<br \/>\nMas o que a cineasta n\u00e3o via e tinha vontade de mostrar?<br \/>\n&#8220;Quando eu via o cinema de Hollywood, eu falava \u2013 mas essas pessoas n\u00e3o parecem a minha m\u00e3e, n\u00e3o parecem a minha av\u00f3. Essas pessoas t\u00eam muita cirurgia pl\u00e1stica, t\u00eam uns corpos que a gente nunca vai ter, e eu preciso criar imagens que mostrem pessoas como a minha m\u00e3e, como a minha av\u00f3 brasileira que trabalhava no campo, que trabalhava numa fazenda de caf\u00e9, que s\u00f3 estudou at\u00e9 a segunda s\u00e9rie, mas que era uma pessoa maravilhosa, com muita cultura&#8221;, ressalta Ivete.<br \/>\n &#8220;Meus filmes falam de pessoas que vivem em outras faixas econ\u00f4micas e culturais, mas que est\u00e3o criando cultura&#8221;, resume.\u00a0<br \/>\nEntre as produ\u00e7\u00f5es selecionadas para festivais internacionais est\u00e3o um grupo de curtas sobre a juventude americana realizados em Pahokee, cidade nos pantanais da Fl\u00f3rida.<br \/>\nNeste cen\u00e1rio, Ivete Lucas e seu companheiro, Patrick Bresnan, filmaram The Send-Off, The Rabbit Hunt, document\u00e1rio sobre a ca\u00e7a de coelhos, e Skip Day, vencedor em 2018 da Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes, entre outros. No site da diretora, a maioria dos curtas-metragens pode ser visualizada gratuitamente.<br \/>\nImers\u00e3o em comunidade nudista<br \/>\nIvete Lucas faz atualmente uma turn\u00ea internacional para exibir o document\u00e1rio Naked Gardens, filme sobre uma comunidade de nudistas que vivem em fam\u00edlia no sul\u00a0da Fl\u00f3rida. Para documentar esse modo de vida original, ela fez uma imers\u00e3o entre as fam\u00edlias.<br \/>\nParticipar de festivais na Europa \u00e9 sempre enriquecedor para a cineasta pela diversidade de culturas representadas nas telas.<br \/>\nNa avalia\u00e7\u00e3o de Ivete Lucas, a linguagem cinematogr\u00e1fica de Hollywood n\u00e3o \u00e9 ruim, \u00e9 boa. &#8220;Mas \u00e9 uma linguagem quase que publicit\u00e1ria, que busca vender o que \u00e9 bonito e legal nos Estados Unidos&#8221;, diz sem muito entusiasmo. Ela prefere fazer filmes que possam &#8220;participar de um di\u00e1logo sobre nossa humanidade&#8221;.<br \/>\nA motiva\u00e7\u00e3o da brasileira \u00e9 contrariar as for\u00e7as que tentam separar as pessoas umas das outras.<br \/>\n&#8220;Eu n\u00e3o quero vender nada, quero mostrar coisas verdadeiras. Acho que \u00e9 uma coisa espiritualmente mais elevada do que a linguagem publicit\u00e1ria. Ent\u00e3o, me interessa mais a conversa cinematogr\u00e1fica que existe aqui na Europa, porque \u00e9 tanto sobre isso como sobre evoluir. Como utilizamos o cinema para nos expressar de uma maneira mais profunda&#8221;, conclui a diretora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cineasta paulista Ivete Lucas vive nos Estados Unidos h\u00e1 15 anos, onde faz filmes sobre aspectos da cultura americana que n\u00e3o s\u00e3o mostrados em Hollywood. 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