{"id":44980,"date":"2023-03-04T14:27:39","date_gmt":"2023-03-04T14:27:39","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/04\/em-que-lingua-voce-sonha-o-misterio-dos-sonhos-multilingues\/"},"modified":"2023-03-04T14:27:39","modified_gmt":"2023-03-04T14:27:39","slug":"em-que-lingua-voce-sonha-o-misterio-dos-sonhos-multilingues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/03\/04\/em-que-lingua-voce-sonha-o-misterio-dos-sonhos-multilingues\/","title":{"rendered":"Em que l\u00edngua voc\u00ea sonha? O mist\u00e9rio dos sonhos multil\u00edngues"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/oXOsN57oLk1VgEJO91I_Q1VG4HI=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/8\/t\/zgctqaRHmCaPH4Z52BZg\/thumbnail-image001.jpg\"><br \/>     O sono tem um papel mais importante no aprendizado de idiomas do que se pensava anteriormente. Pesquisadores indicam que o sono tem um papel mais importante no aprendizado de idiomas do que se imaginava<br \/>\nGetty Images<br \/>\nPouco depois de come\u00e7ar a trabalhar nesta reportagem, tive um sonho muito conveniente. Eu estava dando uma festa em um quarto de hotel, com convidados dos Estados Unidos, do Paquist\u00e3o e de outros pa\u00edses. A maior parte deles conversava em ingl\u00eas, enquanto um ou dois falavam alem\u00e3o, minha l\u00edngua-m\u00e3e.<br \/>\nAt\u00e9 que houve um momento em que eu n\u00e3o conseguia encontrar meu filho e entrei em p\u00e2nico. Quando o encontrei, suspirei aliviada: \u201cach, da bist du ja!\u201d \u2014 \u201caqui est\u00e1 voc\u00ea\u201d, em alem\u00e3o \u2014 e o abracei.<br \/>\nQuando voc\u00ea fala mais de um idioma, pode ter experi\u00eancias como esta, com as l\u00ednguas se misturando durante o sono. Meus sonhos frequentemente s\u00e3o em ingl\u00eas, que falo no dia a dia aqui em Londres, mas tamb\u00e9m em alem\u00e3o, o idioma da minha inf\u00e2ncia.<br \/>\nMas como e por que o nosso c\u00e9rebro cria esses sonhos multil\u00edngues \u2014 ser\u00e1 que eles podem influenciar nossas t\u00e9cnicas de linguagem na vida real?<br \/>\nDecodificar os idiomas dos sonhos<br \/>\n\u00c0 primeira vista, pode n\u00e3o parecer surpreendente que muitos poliglotas, que fazem malabarismos com diferentes idiomas ao longo do dia, e at\u00e9 pessoas que est\u00e3o come\u00e7ando a aprender um idioma estrangeiro usem essas l\u00ednguas tamb\u00e9m nos seus sonhos. Afinal, o idioma que falamos durante o dia geralmente ressurge durante a noite.<br \/>\nUm estudo com pessoas surdas e com dificuldade de audi\u00e7\u00e3o concluiu que elas se comunicam nos sonhos da mesma forma em que fazem quando est\u00e3o acordadas, pela linguagem de sinais. Mas uma an\u00e1lise detalhada dos sonhos multil\u00edngues revela um quadro mais complexo.<br \/>\nPara come\u00e7ar, em vez de repetir aleatoriamente fragmentos lingu\u00edsticos do dia que passou, nosso c\u00e9rebro aparentemente os mistura com todo tipo de preocupa\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias e problemas diurnos.<br \/>\nEle pode at\u00e9 criar di\u00e1logos inteiros em um idioma fant\u00e1stico e desconhecido ou em um idioma que voc\u00ea encontrou quando estava acordado, mas n\u00e3o fala. Nos meus sonhos, por exemplo, \u00e0s vezes tenho intensas conversas em japon\u00eas, um idioma que estudei, mas n\u00e3o consegui dominar na vida real.<br \/>\nO nosso c\u00e9rebro absorve novas palavras ao longo de toda a vida e pode classific\u00e1-las de acordo com os diferentes idiomas<br \/>\nGetty Images<br \/>\nMuitos de n\u00f3s aparentemente classificamos os idiomas falados nos nossos sonhos de certas formas, por pessoa, local ou etapa da vida.<br \/>\nNos nossos sonhos, as pessoas podem falar os idiomas que falariam na vida real, enquanto os sonhos sobre a casa da inf\u00e2ncia de uma pessoa costumam ser falados no mesmo idioma da inf\u00e2ncia. Mas a ideia de padr\u00f5es comuns precisa ser abordada com cautela, j\u00e1 que existem poucos e pequenos estudos sobre os sonhos multil\u00edngues.<br \/>\nAl\u00e9m disso, os idiomas falados nos sonhos podem ser influenciados por quest\u00f5es de cultura e identidade. Foi o caso de uma mulher tailandesa-americana que sonhou que comprava um vestido para sua irm\u00e3 falecida e discutia a escolha com suas sobrinhas em tailand\u00eas e em ingl\u00eas.<br \/>\nExistem tamb\u00e9m sonhos sobre ansiedade lingu\u00edstica, em que a pessoa tem dificuldade de se fazer entender em um idioma estrangeiro, precisa pegar um trem ou avi\u00e3o de um ambiente lingu\u00edstico para outro ou procura palavras em um dicion\u00e1rio no sonho.<br \/>\nUma participante de um estudo polon\u00eas relatou ter sonhado com uma palavra em ingl\u00eas que ela n\u00e3o conseguia identificar \u2014 \u201chaphazard\u201d \u2014 e procur\u00e1-la depois de acordar. J\u00e1 um participante croata sonhou que tentava, mas n\u00e3o conseguia se comunicar com um estranho em italiano, alem\u00e3o e ingl\u00eas, at\u00e9 que riu de al\u00edvio quando percebeu que ambos falavam polon\u00eas.<br \/>\nOs pesquisadores do sono afirmam que \u00e9 dif\u00edcil determinar a mec\u00e2nica e a fun\u00e7\u00e3o desses sonhos. Em parte, porque os sonhos ainda s\u00e3o um fen\u00f4meno bastante misterioso, de forma geral. Mas o que entendemos muito melhor \u00e9 como e por que o nosso c\u00e9rebro processa os idiomas e at\u00e9 aprende palavras novas durante o sono. Isso lan\u00e7a pelo menos alguma luz sobre o quebra-cabe\u00e7a dos sonhos multil\u00edngues.<br \/>\nRemoendo palavras<br \/>\nPara entender a liga\u00e7\u00e3o entre o sono e os idiomas, vamos come\u00e7ar com apenas uma l\u00edngua: a sua pr\u00f3pria.<br \/>\nVoc\u00ea pode achar que dominou seu idioma nativo muito tempo atr\u00e1s, mas, na verdade, voc\u00ea ainda est\u00e1 atualizando constantemente seus conhecimentos. At\u00e9 os adultos ainda aprendem uma palavra nova a cada cerca de dois dias na sua l\u00edngua-m\u00e3e.<br \/>\n\u201cObviamente, quando somos crian\u00e7as, existe um grande aprendizado de palavras novas, particularmente nos primeiros 10 anos. Mas estamos fazendo isso todo o tempo e simplesmente n\u00e3o percebemos\u201d, afirma o professor de psicologia Gareth Gaskell, chefe do laborat\u00f3rio do sono, linguagem e mem\u00f3ria da Universidade de York, no Reino Unido.<br \/>\nGaskell afirma que, quando aprendemos uma nova palavra, atualizamos continuamente nosso conhecimento sobre ela at\u00e9 a dominarmos.<br \/>\nEle d\u00e1 como exemplo a palavra inglesa \u201cbreakfast\u201d (\u201ccaf\u00e9 da manh\u00e3\u201d), que a maioria das pessoas usa com confian\u00e7a. Mas, quando surge outra palavra com sonoridade similar, ela pode renovar nossa incerteza sobre a express\u00e3o anterior.<br \/>\n\u201cEm algum momento nos \u00faltimos cinco anos, aprendemos a palavra \u2018Brexit\u2019 [a decis\u00e3o do Reino Unido de sair da Uni\u00e3o Europeia], que \u00e9 um forte concorrente para \u2018breakfast\u2019\u201d, explica ele.<br \/>\nQuando a nova palavra \u201cBrexit\u201d come\u00e7ou a concorrer com a palavra existente \u201cbreakfast\u201d na mente das pessoas, vieram as confus\u00f5es. Diversos pol\u00edticos e apresentadores de telejornais criaram frases como \u201cBrexit means breakfast\u201d (\u201cBrexit significa caf\u00e9 da manh\u00e3\u201d, em vez de \u201cBrexit significa Brexit\u201d) e \u201cploughing ahead with a hard breakfast\u201d (\u201cseguir adiante com um caf\u00e9 da manh\u00e3 dif\u00edcil\u201d, em vez de um \u201cBrexit dif\u00edcil\u201d).<br \/>\nPara usar a nova palavra de forma adequada e diferenci\u00e1-la de outras com sonoridade similar, precisamos relacion\u00e1-la ao nosso conhecimento existente, segundo Gaskell. \u201cE, para fazer isso, voc\u00ea precisa de um pouco de sono.\u201d<br \/>\n\u00c9 durante o sono que acontece essa integra\u00e7\u00e3o entre o novo e o velho conhecimento.<br \/>\nDurante o dia, nosso hipocampo, que se especializa em absorver rapidamente as informa\u00e7\u00f5es, internaliza as novas palavras. \u00c0 noite, ele passa as novas informa\u00e7\u00f5es para outras partes do c\u00e9rebro, onde elas podem ser armazenadas e conectadas a outras informa\u00e7\u00f5es relevantes. Isso nos ajuda a escolher a palavra certa em qualquer situa\u00e7\u00e3o, eliminando as express\u00f5es concorrentes.<br \/>\nEtiquetando o \u2018l\u00e9xico mental\u2019<br \/>\nEste processo \u00e9 essencialmente o mesmo, independentemente se a palavra est\u00e1 em um primeiro ou segundo idioma, segundo Gaskell. No caso de pessoas poliglotas, as palavras estrangeiras tamb\u00e9m s\u00e3o armazenadas naquele enorme invent\u00e1rio mental e s\u00e3o selecionadas ou suprimidas de forma similar.<br \/>\n\u201cVoc\u00ea pode imaginar que existe algum tipo de etiqueta nas suas mem\u00f3rias\u201d, afirma Gaskell. \u201cPor isso, se voc\u00ea tiver seu l\u00e9xico mental para alem\u00e3o ou ingl\u00eas, cada palavra que voc\u00ea conhece estar\u00e1 marcada para o seu idioma e voc\u00ea suprime a metade dessas palavras, concentrando-se na outra metade quando est\u00e1 falando.\u201d<br \/>\nSer\u00e1 que era isso o que eu estava fazendo no meu sonho com um quarto de hotel cheio de pessoas falando ingl\u00eas e alem\u00e3o \u2014 selecionando o meu estoque de idiomas e acrescentando etiquetas de identifica\u00e7\u00e3o?<br \/>\nSeria uma bela explica\u00e7\u00e3o, mas, infelizmente, o processo de integra\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o acontece durante uma fase conhecida como sono profundo, ou sono de ondas lentas.<br \/>\nEsta fase \u00e9 caracterizada por lentas ondas cerebrais e picos de frequ\u00eancia mais alta. Sonhos complexos, como meu sonho no hotel, costumam acontecer durante outra fase, conhecida como a fase do Movimento R\u00e1pido dos Olhos (REM, na sigla em ingl\u00eas).<br \/>\n\u201cAlgumas pessoas defendem que o sono REM desempenha um papel em todo este processo de consolida\u00e7\u00e3o e que o seu papel \u00e9 acomodar as coisas e talvez suavizar as asperezas existentes\u201d, explica Gaskell.<br \/>\nDurante o meu sono, eu sa\u00ed da festa em certo momento para entrar em uma reuni\u00e3o virtual da equipe da BBC. Ele afirma que \u201cesta \u00e9 realmente uma situa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, na qual algumas das suas mem\u00f3rias recentes est\u00e3o ligadas a conhecimentos muito mais antigos. Realmente se enquadra bem naquela hist\u00f3ria [de sonhos que ajudam a consolidar as mem\u00f3rias]. Mas, no momento, \u00e9 algo bem hipot\u00e9tico.\u201d<br \/>\nO que realmente sabemos \u00e9 que, al\u00e9m de processar as informa\u00e7\u00f5es do dia, nosso c\u00e9rebro tamb\u00e9m pode aprender novas palavras enquanto dormimos.<br \/>\nMarc Z\u00fcst \u00e9 o l\u00edder de um grupo de pesquisa do Hospital Universit\u00e1rio de Psiquiatria e Psicoterapia de Idosos de Berna, na Su\u00ed\u00e7a, especializado na neuroci\u00eancia do envelhecimento, sono e mem\u00f3ria.<br \/>\nEle e seus colaboradores criaram pseudopalavras, como \u201ctofer\u201d, e relacionaram cada uma delas a uma palavra em alem\u00e3o, como \u201cBaum\u201d (\u201c\u00e1rvore\u201d), alterando o significado entre os participantes para garantir que as rela\u00e7\u00f5es fossem aleat\u00f3rias e livres de associa\u00e7\u00f5es sonoras acidentais. E eles tocaram uma grava\u00e7\u00e3o com os pares de palavras para os participantes enquanto eles dormiam.<br \/>\nNa manh\u00e3 seguinte, os pesquisadores perguntaram aos participantes se \u201ctofer\u201d caberia em uma caixa de sapatos. Esta pergunta reconhecia a exist\u00eancia de uma limita\u00e7\u00e3o conhecida do aprendizado de informa\u00e7\u00f5es novas quando estamos dormindo: geralmente, n\u00e3o conseguimos usar essas informa\u00e7\u00f5es de forma expl\u00edcita e consciente quando acordamos.<br \/>\n\u201cEles n\u00e3o conseguiam reproduzir de forma consciente aquele conhecimento, dizendo que \u2018tofer certamente quer dizer \u00e1rvore\u2019\u201d, afirma Z\u00fcst sobre os participantes. \u201cEles tinham mais uma sensa\u00e7\u00e3o interna de que era um objeto grande ou pequeno.\u201d E cerca de 60% responderam corretamente que \u201ctofer\u201d n\u00e3o caberia em uma caixa de sapatos.<br \/>\nFundamentalmente, as duas palavras \u2013 \u201ctofer\u201d e \u201cBaum\u201d \u2013 precisavam ser ouvidas durante o sono de ondas lentas e, especificamente, durante um pico de ondas cerebrais lentas. Quando os pesquisadores perdiam o pico, a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o era assimilada.<br \/>\nO pesquisador de p\u00f3s-doutorado Matthieu Koroma, da Universidade de Liege, na B\u00e9lgica, \u00e9 especializado em sono e cogni\u00e7\u00e3o e \u00e9 um dos autores de uma s\u00e9rie de estudos que ampliam esse quadro sutil de como e quando nos dedicamos \u00e0 linguagem durante o sono.<br \/>\n\u201cBasicamente, a mensagem \u00e9 que voc\u00ea consegue aprender [palavras em outros] idiomas durante o sono e at\u00e9 novos idiomas que nunca havia ouvido antes, mas de forma muito diferente do que quando est\u00e1 acordado\u201d, segundo ele.<br \/>\nPrimeiramente, ele e sua equipe descobriram que, quando estamos dormindo, podemos ainda diferenciar a linguagem falsa da verdadeira.<br \/>\nParticipantes do estudo ouviram simultaneamente durante o sono uma grava\u00e7\u00e3o de fala real no seu idioma nativo em um ouvido e pseudolinguagem sem sentido, no outro. Os pesquisadores registraram sua atividade cerebral, utilizando eletroencefalografia (EEG) enquanto isso acontecia.<br \/>\nOs resultados de EEG demonstraram que o c\u00e9rebro dos participantes durante o sono costumava suprimir a fala sendo ouvida. Koroma sugere que isso pode ter ocorrido porque o c\u00e9rebro estava concentrado nos processos internos.<br \/>\n\u201cQuando estamos profundamente imersos nos sonhos, n\u00f3s nos desligamos de coisas que possam perturb\u00e1-los\u201d, explica ele.<br \/>\nEm um estudo separado da mesma equipe, os participantes ouviram palavras em japon\u00eas durante o sono, al\u00e9m de sons que davam indica\u00e7\u00f5es do seu significado. Por exemplo, a palavra japonesa \u201cinu\u201d (\u201ccachorro\u201d) foi executada junto com um som de latido e a palavra \u201ckane\u201d (\u201csino\u201d) soou ao lado de sinos tocando.<br \/>\nPouco depois de come\u00e7ar a trabalhar nesta reportagem, a autora, que \u00e9 poliglota, teve um sonho no qual ela conversava em alem\u00e3o com seu filho, durante uma festa<br \/>\nGetty Images<br \/>\nDiferentes palavras foram apresentadas durante duas fases diferentes do sono: sono leve e a fase REM de sonhos intensos. E, novamente, os pesquisadores utilizaram EEG para registrar a atividade cerebral dos participantes.<br \/>\nQuando acordados, os participantes conseguiram associar corretamente as palavras ouvidas durante o sono leve com as ilustra\u00e7\u00f5es relevantes. O resultado foi superior ao que seria conseguido ao acaso \u2013 associando \u201cinu\u201d \u00e0 foto de um cachorro, por exemplo.<br \/>\nMas, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s palavras executadas durante a fase REM, o resultado foi id\u00eantico ao que se esperaria ao acaso.<br \/>\n\u201cSempre que pesquisamos o sono REM, que \u00e9 a fase em que temos a atividade de sonhos mais intensa, n\u00e3o conseguimos encontrar evid\u00eancias s\u00f3lidas de que havia aprendizado\u201d, afirma Koroma. Ele acrescenta que isso n\u00e3o significa que n\u00e3o podemos aprender durante aquela fase, mas sim que mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias para entender se isso \u00e9 poss\u00edvel.<br \/>\nIncentivar o aprendizado di\u00e1rio<br \/>\nTudo isso ent\u00e3o significa que podemos aprender japon\u00eas sem esfor\u00e7o durante o sono, desde que toquemos uma aula do idioma por toda a noite para ter certeza de ouvir na fase do sono correta?<br \/>\nN\u00e3o necessariamente. O tiro, na verdade, pode sair pela culatra, perturbando o seu descanso, segundo Koroma.<br \/>\nEle tamb\u00e9m indica que, no estudo, os participantes aprenderam as palavras com muito mais rapidez quando estavam acordados do que durante o sono.<br \/>\n\u201c\u00c9 muito mais eficiente quando voc\u00ea est\u00e1 acordado\u201d, segundo Koroma. E eles conseguiram usar as palavras com mais confian\u00e7a, porque haviam aprendido conscientemente.<br \/>\n\u201c\u00c9 bom aprender acordado e o sono serve mais para revisar, n\u00e3o para adquirir novos idiomas\u201d, afirma ele. \u201c\u00c9 um processo interativo, \u00e9 complementar, ou seja, voc\u00ea aprende durante o dia e, durante o sono, voc\u00ea classifica essas informa\u00e7\u00f5es, consolida algumas das suas mem\u00f3rias e tenta coloc\u00e1-las em novos contextos.\u201d<br \/>\nE existem outras formas em que podemos usar o sono para aprender idiomas?<br \/>\n\u201cA melhor forma provavelmente \u00e9 aprender um novo idioma antes de ir dormir e depois tocar algumas das palavras que voc\u00ea acabou de ouvir enquanto estiver dormindo\u201d, segundo Koroma.<br \/>\n\u201cAqui, os principais resultados s\u00e3o que, se voc\u00ea as tocar em volume suficientemente baixo, as suas capacidades de aprendizado ser\u00e3o estimuladas\u201d, explica ele. \u201cMas, se voc\u00ea tocar alto demais, na verdade, sua capacidade de aprendizado ser\u00e1 reduzida. Por isso, existe alguma sintonia fina.\u201d<br \/>\nZ\u00fcst, da Universidade de Berna, recomenda estudar novas palavras durante o dia, mas \u201cconcentrar-se para ter sono suficiente\u201d \u00e0 noite. \u201cO c\u00e9rebro ent\u00e3o far\u00e1 o que precisa fazer.\u201d<br \/>\nSolucionando problemas durante o sonoQuando o assunto \u00e9 o potencial papel dos sonhos multil\u00edngues neste processo de aprendizado noturno, os pesquisadores s\u00e3o cautelosos.<br \/>\nMarc Z\u00fcst afirma que \u201c\u00e9 realmente muito dif\u00edcil determinar como os sonhos multil\u00edngues podem encaixar-se nesse papel\u201d.<br \/>\nIsso ocorre, em parte, porque o prop\u00f3sito cognitivo mais amplo dos sonhos ainda \u00e9 incerto. Uma ideia, segundo Z\u00fcst, \u00e9 que eles sejam mais um subproduto \u201cda atividade cerebral e da sele\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os de mem\u00f3ria\u201d.<br \/>\nIsso n\u00e3o significa que os sonhos estejam completamente separados do processo de aprendizado de idiomas, mas sim que talvez sejam uma consequ\u00eancia e n\u00e3o o evento principal.<br \/>\n\u201c\u00c9 totalmente poss\u00edvel que, durante os sonhos multil\u00edngues, o c\u00e9rebro esteja tentando conectar esses dois idiomas\u201d, segundo Z\u00fcst. Mas a natureza individual e ca\u00f3tica dos sonhos e da linguagem natural dificulta uma conclus\u00e3o mais definitiva.<br \/>\nApesar dos ind\u00edcios do papel do sono no aprendizado de idiomas, ainda \u00e9 muito mais eficiente aprender acordado<br \/>\nGetty Images<br \/>\nMatthieu Koroma destaca que o sono REM \u00e9 associado a solu\u00e7\u00e3o de problemas e regulagem emocional. Ele indica que os sonhos podem tamb\u00e9m nos permitir experimentar novas palavras ou frases em diferentes cen\u00e1rios ou explorar emo\u00e7\u00f5es em torno dos idiomas que falamos.<br \/>\nA professora de psicolingu\u00edstica Danuta Gabry\u015b-Barker, da Universidade da Sil\u00e9sia, na Pol\u00f4nia, chegou a uma conclus\u00e3o parecida em uma an\u00e1lise dos sonhos das pessoas poliglotas. Ela indica que esses sonhos podem expressar \u201cmedos e desejos\u201d sobre o aprendizado de um idioma estrangeiro, incluindo o anseio de falar como um nativo.<br \/>\nEsta ideia apresenta boa correla\u00e7\u00e3o com estudos que demonstram que debater-se com palavras ou tarefas durante os sonhos pode ajudar a lidar com as palavras de forma criativa e solucionar problemas quando estamos acordados, al\u00e9m do processamento emocional. Mas Koroma e os outros pesquisadores enfatizam que esta \u00e9 uma possibilidade e n\u00e3o um fato comprovado.<br \/>\nMeus sonhos multil\u00edngues continuam sendo um certo mist\u00e9rio, pelo menos em termos da sua fun\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica.<br \/>\nMas entender as acrobacias noturnas do meu c\u00e9rebro certamente me levou a admirar os esfor\u00e7os ocultos necess\u00e1rios para aprender at\u00e9 mesmo uma palavra isolada. E, de fato, aprendi uma nova palavra estrangeira enquanto escrevia esta reportagem \u2014 embora eu n\u00e3o esteja sonhando.<br \/>\nA palavra \u00e9 \u201chypnop\u00e9die\u201d, um termo franc\u00eas que designa o ato de aprender durante o sono. Eu a aprendi com Koroma, o pesquisador belga, que usa essa palavra em um dos seus artigos.<br \/>\nJ\u00e1 se passaram algumas noites desde que a encontrei pela primeira vez. Fico imaginando quais etiquetas e conex\u00f5es meu c\u00e9rebro noturno ter\u00e1 criado para ela \u2014 \u201cFran\u00e7a\u201d, \u201cB\u00e9lgica\u201d, \u201csono\u201d e \u201cprazo\u201d, talvez?<br \/>\nEste pode ser o in\u00edcio de um sonho interessante.<br \/>\n* Sophie Hardach \u00e9 autora do livro \u201cLanguages are Good for Us\u201d (\u201cIdiomas s\u00e3o bons para n\u00f3s\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), sobre formas estranhas e maravilhosas em que os seres humanos usaram os idiomas ao longo da hist\u00f3ria.<br \/>\n&#8211; Texto originalmente publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cyxq4v8wek7o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sono tem um papel mais importante no aprendizado de idiomas do que se pensava anteriormente. Pesquisadores indicam que o sono tem um papel mais importante no aprendizado de idiomas do que se imaginava Getty Images Pouco depois de come\u00e7ar a trabalhar nesta reportagem, tive um sonho muito conveniente. Eu estava dando uma festa em<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":44981,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-44980","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44980","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44980"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44980\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44981"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}