{"id":44262,"date":"2023-02-25T01:13:38","date_gmt":"2023-02-25T01:13:38","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/25\/apos-um-ano-de-guerra-na-ucrania-tendencia-e-ter-menos-empatia-por-vitimas-do-conflito-entenda\/"},"modified":"2023-02-25T01:13:38","modified_gmt":"2023-02-25T01:13:38","slug":"apos-um-ano-de-guerra-na-ucrania-tendencia-e-ter-menos-empatia-por-vitimas-do-conflito-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/25\/apos-um-ano-de-guerra-na-ucrania-tendencia-e-ter-menos-empatia-por-vitimas-do-conflito-entenda\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s um ano de guerra na Ucr\u00e2nia, tend\u00eancia \u00e9 ter menos empatia por v\u00edtimas do conflito; entenda"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/GPotF2jL945YgAvuNUHwdRD-Nc8=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/D\/E\/KOAl6mSGWf7a1RAhZfnQ\/000-339y3y2.jpg\"><br \/>     A fadiga por compaix\u00e3o \u00e9 uma resposta natural \u00e0 superexposi\u00e7\u00e3o ao sofrimento, mas \u00e9 poss\u00edvel reconstruir a empatia. Depende de como a m\u00eddia e os usu\u00e1rios de redes sociais representam as crises. Um casal fica em frente a fotos exibidas em um memorial para os soldados mortos na guerra da Ucr\u00e2nia, centro de Kiev, 24 de fevereiro de 2023.<br \/>\nSERGEI CHUZAVKOV \/ AFP<br \/>\n\u00c9 comum desviarmos o nosso olhar de not\u00edcias ou postagens nas redes sociais sobre guerra e viol\u00eancia. Afinal, somos constantemente bombardeados com imagens de eventos traum\u00e1ticos quando estamos online.<br \/>\nEsse fen\u00f4meno, chamado fadiga por compaix\u00e3o, provoca uma diminui\u00e7\u00e3o gradual da compaix\u00e3o ao longo do tempo. E nos tira a capacidade de reagir e ajudar quem precisa.<br \/>\n&#8220;Senti isso depois da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia&#8221;, disse Jessica Roberts, professora de ci\u00eancias da comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, em Lisboa. &#8220;Quando ouvi falar das atrocidades pela primeira vez, foi horr\u00edvel. Mas, depois, quando ouvi sobre [atrocidades em] outra cidade, a minha rea\u00e7\u00e3o foi menos extrema.&#8221;<br \/>\nA fadiga por compaix\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o precisa ser permanente. Como Susan Sontag escreveu em seu livro Diante da dor dos outros, de 2003, &#8220;a compaix\u00e3o \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel, e precisa ser traduzida em a\u00e7\u00e3o \u2013 ou ela murcha&#8221;.<br \/>\nEnt\u00e3o, como podemos transformar a compaix\u00e3o em a\u00e7\u00e3o? A DW encontrou estudos e conversou com especialistas sobre como a compaix\u00e3o pode tanto se esvair como tamb\u00e9m ser reconstru\u00edda.<br \/>\nFadiga por compaix\u00e3o e insensibilidade \u00e0 viol\u00eancia<br \/>\nBrad Bushman, um pesquisador de m\u00eddia da Ohio State University, nos EUA, conduziu experimentos que ilustram como a viol\u00eancia em m\u00eddias como videogames e filmes pode dessensibilizar as respostas das pessoas ao sofrimento ou \u00e0 viol\u00eancia na vida real.<br \/>\nEm um estudo feito por Bushman e seus colegas, um grupo de alunos jogou um videogame violento, e outro grupo, um jogo n\u00e3o violento, ambos por 20 minutos. Ap\u00f3s o jogo, todos os 320 participantes foram instru\u00eddos a responder um question\u00e1rio. Por\u00e9m, durante esse tempo, eles ouviram uma briga no corredor do lado de fora da sala.<br \/>\n&#8220;Na realidade, era uma grava\u00e7\u00e3o de atores profissionais simulando uma briga. Tamb\u00e9m t\u00ednhamos um assistente de pesquisa do lado de fora da sala chutando uma lata de lixo e, depois, gemendo&#8221;, disse Bushman \u00e0 DW.<br \/>\nAssim, os pesquisadores mediram quanto tempo levou para os participantes ajudarem o assistente que supostamente havia participado de uma briga e gemia do lado de fora: em m\u00e9dia, as pessoas que jogaram o jogo n\u00e3o violento levaram 16 segundos; j\u00e1 os que jogaram o jogo violento, 73 segundos.<br \/>\nBushman disse que os participantes que jogaram o jogo violento relataram que a briga era menos s\u00e9ria do que aqueles que jogaram o jogo n\u00e3o violento.<br \/>\nSeria simpl\u00f3rio concluir que videogames violentos geram viol\u00eancia. Mas, nos experimentos de Bushman, jogos violentos parecem mudar temporariamente as respostas das pessoas \u00e0 viol\u00eancia no mundo real.<br \/>\n&#8220;Ver imagens violentas faz com que as pessoas fiquem insens\u00edveis e pensem que a viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um grande problema. A consequ\u00eancia no mundo real \u00e9 que temos uma probabilidade menor de ajudar algu\u00e9m que \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia&#8221;, contou Bushman.<br \/>\nFadiga por compaix\u00e3o \u00e9 uma forma de prote\u00e7\u00e3o emocional<br \/>\nDe acordo com Bushman, o mecanismo psicol\u00f3gico subjacente por tr\u00e1s da fadiga por compaix\u00e3o \u00e9 a dessensibiliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;\u00c9 realmente uma esp\u00e9cie de filtragem emocional ou de aten\u00e7\u00e3o que nos protege de um sofrimento que se torna estressante ou traum\u00e1tico demais para lidar&#8221;, disse Bushman.<br \/>\nTamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel detectar a dessensibiliza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a imagens violentas nas respostas fisiol\u00f3gicas das pessoas ao estresse.<br \/>\n&#8220;Se medirmos as respostas cardiovasculares ou as ondas cerebrais [usando eletroencefalografia], veremos que as respostas de choque fisiol\u00f3gico a imagens violentas ser\u00e3o atenuadas nas pessoas que acabaram de jogar um videogame violento&#8221;, disse Bushman.<br \/>\nEntretanto, ele argumentou que a dessensibiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e ao trauma pode ser uma estrat\u00e9gia de adapta\u00e7\u00e3o importante para profissionais cujo trabalho envolve a exposi\u00e7\u00e3o frequente a eventos traum\u00e1ticos, como soldados, trabalhadores humanit\u00e1rios e m\u00e9dicos.<br \/>\nO problema surge quando essa dessensibiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 detectada na popula\u00e7\u00e3o &#8220;comum&#8221;.<br \/>\n&#8220;Essa adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos mecanismos que estimulam mais agress\u00e3o e viol\u00eancia na sociedade&#8221;, afirmou Bushman, referindo-se a uma pesquisa que mostra como o conflito em Israel e na Palestina intensifica a viol\u00eancia em crian\u00e7as.<br \/>\nMuitas pessoas j\u00e1 n\u00e3o mais se sensibilizam com as imagens do sofrimento na Ucr\u00e2nia<br \/>\nAndriy Andriyenko\/AP Photo<br \/>\nFadiga por compaix\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a refugiados<br \/>\nYasmin Aldamen, da Universidade Ibn Haldun, em Istambul, enfatizou os perigos de como a fadiga por compaix\u00e3o pode levar a uma maior viol\u00eancia e discurso de \u00f3dio na sociedade. A pesquisa de Aldamen se concentra no impacto que a fadiga por compaix\u00e3o e as representa\u00e7\u00f5es negativas da m\u00eddia t\u00eam sobre os refugiados s\u00edrios na Turquia e na Jord\u00e2nia.<br \/>\n&#8220;Descobrimos que destacar imagens e mensagens negativas sobre refugiados na m\u00eddia abre as portas para que o p\u00fablico perca a empatia por eles \u2013 ou at\u00e9 mesmo tenha \u00f3dio pelos refugiados&#8221;, disse Aldamen \u00e0 DW.<br \/>\nInfelizmente, essas conclus\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o novas ou surpreendentes: a viol\u00eancia contra refugiados e migrantes existe desde que os humanos t\u00eam fugido de conflitos para outros lugares. A novidade \u00e9 a rapidez com que a m\u00eddia e as redes sociais podem estimular a fadiga por compaix\u00e3o e, consequentemente, o discurso de \u00f3dio e o racismo.<br \/>\n\u00c9 algo que vemos repetidas vezes, por exemplo, ap\u00f3s parte da popula\u00e7\u00e3o fugir da tomada do Afeganist\u00e3o pelo Talib\u00e3, e com os refugiados fugindo da guerra na Ucr\u00e2nia e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no norte da \u00c1frica.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 evid\u00eancias mostrando que, ap\u00f3s um desastre, as pessoas d\u00e3o menos dinheiro ao longo do tempo. E isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo com as v\u00edtimas do terremoto na Turquia e na S\u00edria&#8221;, disse Roberts, da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa.<br \/>\nA fadiga por compaix\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1ria e pode ser revertida<br \/>\nA fadiga por compaix\u00e3o pode ser revertida, de acordo com Roberts e Aldamen. Elas dizem que as pessoas podem reconstruir a capacidade de compaix\u00e3o ao longo do tempo.<br \/>\n&#8220;Podemos usar as redes sociais para criar empatia e compaix\u00e3o entre as pessoas. Em nossa pesquisa, analisamos o [fotoblog e livro de relatos de rua e entrevistas] Humans of New York, que se concentra nas hist\u00f3rias positivas sobre a vida das pessoas, em vez de seus traumas. E isso ajudou a criar grande empatia&#8221;, contou Roberts \u00e0 DW.<br \/>\nAldamen tem uma miss\u00e3o semelhante: ela pede aos meios de comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0s pessoas nas redes sociais que mudem a forma como representam os refugiados e outras popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.<br \/>\n&#8220;Meu estudo recomenda reportar a crise dos refugiados s\u00edrios [e outras crises] com uma perspectiva mais humanista. Os ve\u00edculos de m\u00eddia precisam exibir algumas das hist\u00f3rias mais positivas sobre a crise dos refugiados, para garantir que o p\u00fablico n\u00e3o sofra a fadiga por compaix\u00e3o devido \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a hist\u00f3rias tr\u00e1gicas&#8221;, disse Aldamen \u00e0 DW.<br \/>\nEla tamb\u00e9m contou que \u00e9 importante que as not\u00edcias incluam chamados \u00e0 a\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos ou formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas para que os leitores possam ajudar os necessitados, em vez de apenas observar uma crise que acham que n\u00e3o pode ser resolvida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fadiga por compaix\u00e3o \u00e9 uma resposta natural \u00e0 superexposi\u00e7\u00e3o ao sofrimento, mas \u00e9 poss\u00edvel reconstruir a empatia. Depende de como a m\u00eddia e os usu\u00e1rios de redes sociais representam as crises. 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