{"id":44042,"date":"2023-02-24T07:12:41","date_gmt":"2023-02-24T07:12:41","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/24\/guerra-na-ucrania-1-ano-sociologo-brasileiro-viaja-a-russia-e-detalha-em-livro-rotina-de-mulheres-durante-o-conflito\/"},"modified":"2023-02-24T07:12:41","modified_gmt":"2023-02-24T07:12:41","slug":"guerra-na-ucrania-1-ano-sociologo-brasileiro-viaja-a-russia-e-detalha-em-livro-rotina-de-mulheres-durante-o-conflito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/24\/guerra-na-ucrania-1-ano-sociologo-brasileiro-viaja-a-russia-e-detalha-em-livro-rotina-de-mulheres-durante-o-conflito\/","title":{"rendered":"Guerra na Ucr\u00e2nia, 1 ano: soci\u00f3logo brasileiro viaja \u00e0 R\u00fassia e detalha em livro rotina de mulheres durante o conflito"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/ejw6RVsa3KKl2hT2-ScVmOOmCAI=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/b\/4\/yptA8URdyRcyXcADInjg\/whatsapp-image-2023-02-22-at-10.50.38.jpeg\"><br \/>     Em &#8216;Gritos da Guerra &#8211; O conflito R\u00fassia-Ucr\u00e2nia na voz das mulheres que sofrem&#8217;, que ser\u00e1 publicado nesta sexta, Gustavo Gumiero apresenta depoimentos de russas e ucranianas acompanhadas por ele. &#8216;Elas participam da guerra de uma forma silenciosa&#8217;, diz.  Mockup do livro  \u201cGritos da Guerra &#8211; O conflito R\u00fassia-Ucr\u00e2nia na voz das mulheres que sofrem\u201d, de Gustavo Gumiero<br \/>\nAcervo pessoal\/Gustavo Gumiero<br \/>\nEnquanto alguns brasileiros que estavam na R\u00fassia tentavam voltar ao Brasil depois que Vladimir Putin ordenou a invas\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia, o escritor e soci\u00f3logo Gustavo Gumiero decidiu fazer o caminho contr\u00e1rio: viajar ao pa\u00eds russo. A ideia do escritor, que pouco antes j\u00e1 havia estado em Kiev, capital ucraniana, era dar voz \u00e0s mulheres, que, segundo ele, possuem um papel fundamental na guerra, mas n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que se debruce sobre a hist\u00f3ria delas.<br \/>\nCompartilhe no WhatsApp<br \/>\nCompartilhe no Telegram<br \/>\nNesta sexta (24), dia em que o conflito completa um ano, Gumiero lan\u00e7a o livro \u201cGritos da Guerra &#8211; O conflito R\u00fassia-Ucr\u00e2nia na voz das mulheres que sofrem\u201d. Na obra, o escritor relata o que acompanhou da rotina de seis mulheres &#8211; duas ucranianas, tr\u00eas bielorrussas e uma russa &#8211; que tiveram as vidas totalmente transformadas pela guerra.<br \/>\n\u201cA guerra \u00e9 perversa. Na guerra quem sofre s\u00e3o as pessoas que menos tem a ver com a guerra. As mulheres t\u00eam um papel important\u00edssimo nesse quesito e s\u00e3o as que mais sofrem [&#8230;]  Porque as mulheres tiveram que sair das suas terras, cuidar dos filhos; e se perdem o marido ou o irm\u00e3o, elas que v\u00e3o ter que tomar conta de tudo. J\u00e1 eram sobrecarregadas, e s\u00e3o mais ainda, e a gente pensa que elas n\u00e3o participam da guerra, mas elas participam de uma forma muitas vezes silenciosa.\u201d, afirmou o escritor ao g1.<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M<br \/>\nA guerra da Ucr\u00e2nia vai acabar logo? Veja os fatores que podem determinar o rumo da invas\u00e3o<br \/>\nNascido em Valinhos (SP), Gustavo Gumiero era jogador de futebol at\u00e9 2007. Na carreira, atuou por times como Ponte Preta, Rio Claro, XV de Ja\u00fa, Gua\u00e7uano, Primavera e Uni\u00e3o Barbarense. Em 2012, a paix\u00e3o pela sociologia surgiu ap\u00f3s ler uma entrevista de Zygmunt Bauman, soci\u00f3logo polon\u00eas.<br \/>\nAp\u00f3s concluir mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas (SP), dedicou-se \u00e0 carreira de escritor com mais de 200 artigos publicados em jornais brasileiros e seis livros lan\u00e7ados.<br \/>\n\u2018Eu preciso dar voz a ela!\u2019<br \/>\nA primeira mulher ouvida por Gustavo foi a ucraniana Oksana Klashnikova, de 33 anos. Os dois se conheceram quando o soci\u00f3logo esteve em Kiev.<br \/>\nA ele, Klashnikova destacou, depois do in\u00edcio da guerra, que j\u00e1 havia precisado recome\u00e7ar a vida do zero por duas vezes por causa de outros conflitos, em 2014 e em 2021, abandonando fam\u00edlia, emprego e amigos.<br \/>\n\u201cEla era uma refugiada dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds, porque ela fugiu daquela regi\u00e3o que foi anexada pela R\u00fassia [em 2014]. Ela deixou pai e irm\u00e3o, e perdeu a m\u00e3e para o c\u00e2ncer nesse mesmo per\u00edodo, ent\u00e3o imagina a dificuldade, e ela teve que recome\u00e7ar do zero. Ela me deu esse depoimento 1 m\u00eas depois de ter fugido da Ucr\u00e2nia [ap\u00f3s novo conflito em 2021]. Ela foi duplamente refugiada, e hoje est\u00e1 vivendo na Rom\u00eania. Esse \u00e9, dos seis depoimentos, o mais forte.\u201d, explica.<br \/>\nFoi essa primeira hist\u00f3ria que o motivou a buscar outras mulheres que poderiam estar vivendo algo parecido. No entanto, Gustavo relata que teve dificuldades de conversar e conhecer outras narrativas.<br \/>\n&#8220;Eu procurei ouvir esses tr\u00eas pa\u00edses do Leste Europeu que s\u00e3o envolvidos [R\u00fassia, Ucr\u00e2nia e Bielorr\u00fassia]. As outras depoentes eu encontrei por meio de amizades que eu j\u00e1 tinha preestabelecido ou em redes sociais. Eu entrava em grupos de refugiados, e [conversava com] as que falavam ingl\u00eas e\/ou que queriam depor, isso porque muitas n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00e3o, falavam: \u2018eu at\u00e9 gostaria, mas eu n\u00e3o consigo expressar em palavras o que eu estou vivendo\u2019. &#8220;, diz.<br \/>\nE, mesmo ap\u00f3s ouvir cinco mulheres com vidas diferentes, Gustavo encontrou algo que as une: o medo do futuro.<br \/>\n&#8220;O p\u00e2nico continua, apesar de voc\u00ea estar vivendo em um pa\u00eds que \u2018n\u00e3o est\u00e1 sofrendo\u2019 a guerra em seu territ\u00f3rio, no caso da Bielorr\u00fassia, mas tem esse p\u00e2nico, essa incerteza do futuro. Uma outra bielorrussa falou: &#8216;Eu n\u00e3o planejo mais o futuro, eu vivo o hoje, porque amanh\u00e3 \u00e9 s\u00f3 incerteza. Me roubaram essa possibilidade de planejar o futuro\u2019.\u201d, afirma.<br \/>\nAntes da guerra, Gustavo Gumiero esteve em Kiev, capital da Ucr\u00e2nia, em frente ao Memorial do Holocausto. Est\u00e1tua foi utilizada na capa do livro.<br \/>\nAcervo pessoal\/Gustavo Gumiero<br \/>\n&#8216;S\u00e3o relatos de for\u00e7a, de resili\u00eancia, de coragem&#8217;<br \/>\nSegundo o soci\u00f3logo, h\u00e1 mais de 50 mil mulheres atuando nas For\u00e7as Armadas da Ucr\u00e2nia. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um outro &#8220;ex\u00e9rcito feminino&#8221; atuando no conflito, formado por mulheres que tiveram que sair do pa\u00eds.<br \/>\n&#8220;Ent\u00e3o s\u00e3o relatos de for\u00e7a, de resili\u00eancia, de coragem, que eu quis colocar as mulheres no patamar devido, que elas merecem.\u201d, afirma Gustavo, como sendo um dos motivos para o desenvolvimento da obra.<br \/>\nAl\u00e9m disso, Gumiero tem como objetivo levar ao leitor o contexto hist\u00f3rico do conflito de uma forma mais acess\u00edvel.<br \/>\n\u201cTamb\u00e9m procuro inteirar o leitor e a leitora da geopol\u00edtica e do hist\u00f3rico do conflito, contextualizar para que se possa entender melhor, porque aqui no Brasil muitas vezes as not\u00edcias s\u00e3o escassas, ou s\u00e3o incompletas. Ent\u00e3o como um brasileiro, que j\u00e1 viveu l\u00e1 nos tr\u00eas pa\u00edses que est\u00e3o sendo mais afetados pela guerra, eu quis trazer esse relato para traduzir em uma linguagem acess\u00edvel, sem ser acad\u00eamica, e que ele [o leitor] conhe\u00e7a mais da hist\u00f3ria desses pa\u00edses, que \u00e9 uma hist\u00f3ria muito rica.&#8221;<br \/>\nRede de apoio<br \/>\nAp\u00f3s eclodir a guerra, Gustavo relata que, atrav\u00e9s dos mesmos grupos de redes sociais para refugiados, uma rede de psic\u00f3logos e psic\u00f3logas tentava ajudar essas mulheres, mas a tarefa n\u00e3o era t\u00e3o simples.<br \/>\n&#8220;Eu falei com alguns psic\u00f3logos, e eles falaram que muitas mulheres, n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o querem ajuda, elas querem, mas n\u00e3o conseguem ser ajudadas exatamente porque n\u00e3o conseguem falar, n\u00e3o conseguem relatar, ent\u00e3o eles n\u00e3o tem como ajudar. Eles se oferecem, mas \u00e9 muito ocioso, est\u00e3o ajudando muito menos pessoas que eles gostariam e pensaram que pudessem ajudar, pela incapacidade da comunica\u00e7\u00e3o, pelo trauma, pela dor e pelo sofrimento.\u201d, afirma.<br \/>\nGustavo Gumiero<br \/>\nJanilson Paiva<br \/>\nServi\u00e7o<br \/>\nLan\u00e7amento \u201cGritos da Guerra &#8211; O conflito R\u00fassia-Ucr\u00e2nia na voz das mulheres que sofrem\u201d, de Gustavo Gumiero<br \/>\nData: sexta-feira, 24 de fevereiro, \u00e0s 19h30<br \/>\nLocal:  Livraria Leitura do Parque Dom Pedro Shopping<br \/>\nEndere\u00e7o: Av. Guilherme Campos, 500 &#8211; Jardim Santa Genebra<br \/>\n*Sob supervis\u00e3o de Helio Carvalho<br \/>\nV\u00cdDEOS: Tudo sobre Campinas e regi\u00e3o<br \/>\nVeja mais not\u00edcias da regi\u00e3o no g1 Campinas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em &#8216;Gritos da Guerra &#8211; O conflito R\u00fassia-Ucr\u00e2nia na voz das mulheres que sofrem&#8217;, que ser\u00e1 publicado nesta sexta, Gustavo Gumiero apresenta depoimentos de russas e ucranianas acompanhadas por ele. &#8216;Elas participam da guerra de uma forma silenciosa&#8217;, diz. Mockup do livro \u201cGritos da Guerra &#8211; O conflito R\u00fassia-Ucr\u00e2nia na voz das mulheres que sofrem\u201d,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":44043,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-44042","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44042\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}