{"id":43944,"date":"2023-02-23T22:11:25","date_gmt":"2023-02-23T22:11:25","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/23\/ucranianos-tentam-salvar-criancas-de-deportacao-e-adocao-por-familias-russas\/"},"modified":"2023-02-23T22:11:25","modified_gmt":"2023-02-23T22:11:25","slug":"ucranianos-tentam-salvar-criancas-de-deportacao-e-adocao-por-familias-russas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/23\/ucranianos-tentam-salvar-criancas-de-deportacao-e-adocao-por-familias-russas\/","title":{"rendered":"Ucranianos tentam salvar crian\u00e7as de deporta\u00e7\u00e3o e ado\u00e7\u00e3o por fam\u00edlias russas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/F9GCViOVXfykeL3ekS2x8jtY7EM=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/k\/2\/Du33vkR7qqcP7wCWrNHg\/1gsd23.png\"><br \/>     A Ucr\u00e2nia afirma que mais de 16.200 crian\u00e7as foram levadas para a R\u00fassia desde a invas\u00e3o da Crimeia, em 2014. Ber\u00e7os vazios em uma ludoteca no p\u00e1tio do lar regional de crian\u00e7as de Kherson, no sul da Ucr\u00e2nia, sexta-feira, 25 de novembro de 2022.<br \/>\nAP &#8211; Bernat Armangue<br \/>\nA Ucr\u00e2nia afirma que mais de 16.200 crian\u00e7as ucranianas foram levadas para a R\u00fassia desde a invas\u00e3o da Crimeia, em 2014. Uma pol\u00edtica de deporta\u00e7\u00f5es que se acelerou com a invas\u00e3o do pa\u00eds em 24 de fevereiro de 2022. A R\u00fassia chegou a adotar uma lei para facilitar a entrega de passaportes russos para \u00f3rf\u00e3os vindos de territ\u00f3rios ucranianos ocupados, simplificando a via para sua ado\u00e7\u00e3o. ONGs e relat\u00f3rios denunciam uma tentativa de &#8220;limpeza \u00e9tnica&#8221; da R\u00fassia.<br \/>\nEm Kherson, onde a popula\u00e7\u00e3o continua a viver sob bombardeios constantes, mesmo ap\u00f3s a retirada das tropas russas, moradores utilizaram v\u00e1rias estrat\u00e9gias para salvar suas crian\u00e7as, mas tiveram que assistir impotentes muitos casos de deporta\u00e7\u00e3o.\u00a0<br \/>\nEm outubro, os russos deixaram a cidade, ap\u00f3s uma contraofensiva do Ex\u00e9rcito ucraniano. Mas antes, eles capturaram e deportaram as crian\u00e7as que estavam em orfanatos. Na institui\u00e7\u00e3o dirigida por Olena Kornienko, 48 crian\u00e7as, de entre 0 a 5 anos, foram retiradas. Em entrevista ao canal France 24 (emissora do mesmo grupo que a RFI), ela afirma que foi demitida e uma empregada pr\u00f3-R\u00fassia foi contratada em seu lugar.<br \/>\n&#8220;Eles me propuseram diversas vezes para trabalhar para eles, mas eu recusei. Eles entenderam que eu impediria seus planos, ent\u00e3o me demitiram&#8221;, denuncia.<br \/>\nEm um v\u00eddeo postado no Youtube em 21 de outubro de 2022, o prefeito adjunto de Kherson, Kirill Stremousov, nomeado pelos russos para dirigir a cidade, descreve a retirada dos menores como uma opera\u00e7\u00e3o de salvamento.\u00a0<br \/>\nAs crian\u00e7as da creche de Olena foram vistas, logo depois, em uma foto postada no perfil Telegram de Maria Lvova-Belova, comiss\u00e1ria para os direitos das crian\u00e7as do presidente russo, respons\u00e1vel pela deporta\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as ucranianas. Nas imagens ela aparece mostrando os menores com suas novas fam\u00edlias russas.\u00a0<br \/>\nCrian\u00e7as brincam num parquinho em uma cidade modular para refugiados de regi\u00f5es ucranianas atingidas pela guerra, em Lviv, Ucr\u00e2nia, quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023.<br \/>\nAP &#8211; Mykola Tys<br \/>\nRespiradores para salvar crian\u00e7as<br \/>\nStanislav Boumbu e Olga Pilarska, m\u00e9dicos que trabalham em um hospital para crian\u00e7as de Kherson, contam como, durante a ocupa\u00e7\u00e3o, esconderam 10 \u00f3rf\u00e3os dos russos no centro de sa\u00fade.<br \/>\nDe acordo com Olga, todas as manh\u00e3s, ap\u00f3s o an\u00fancio da evacua\u00e7\u00e3o das tropas de Moscou, o comando russo exigia do hospital listas das crian\u00e7as que poderiam ser retiradas. Os m\u00e9dicos prepararam documentos falsos e colocaram aparelhos de assist\u00eancia respirat\u00f3ria ao lado das camas para fingir que os pacientes n\u00e3o podiam ser transportados.\u00a0 \u00a0<br \/>\n&#8220;Claro que t\u00ednhamos medo. Era um grande risco para todo o pessoal e todo o hospital. Mas cada um, dentro de suas possibilidades, defende a Ucr\u00e2nia. Era nossa maneira de defend\u00ea-la&#8221;, disse Boumbu \u00e0 France 24.\u00a0<br \/>\n&#8220;Um pa\u00eds normal n\u00e3o vem at\u00e9 voc\u00ea com tanques. E para todos os pa\u00edses, o mais importante s\u00e3o as crian\u00e7as, ent\u00e3o claro, temos que fazer tudo para defend\u00ea-los&#8221;, diz Olga.\u00a0<br \/>\nMesmo destino dos t\u00e1rtaros da Crimeia<br \/>\nVolodymyr Saihak, diretor de um orfanato e institui\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as sob tutela, tamb\u00e9m escondeu menores em sua casa e de seus empregados durante a ocupa\u00e7\u00e3o russa. Ele mostra as fotos das 52 crian\u00e7as que tinha em sua institui\u00e7\u00e3o.\u00a0<br \/>\n&#8220;A guerra na Ucr\u00e2nia j\u00e1 dura 8 anos, e n\u00f3s vimos o que aconteceu em Donetsk e Lugansk, como levaram as crian\u00e7as de l\u00e1&#8221;, diz.<br \/>\n&#8220;Conhecemos tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a da deporta\u00e7\u00e3o dos t\u00e1rtaros da Crimeia e dos ucranianos do oeste na Sib\u00e9ria. Por isso sabemos que poder\u00edamos ter o mesmo destino&#8221;, diz Sihak, se referindo \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de limpeza \u00e9tnica que aconteceram durante a ditadura sovi\u00e9tica.\u00a0<br \/>\nEm junho de 2022, os russos foram \u00e0 casa de Volodymyr pela primeira vez. &#8220;Eles perguntavam onde estavam as crian\u00e7as&#8221;, conta. Ele mentiu, e os soldados acreditaram. Mas um m\u00eas depois, eles levaram mais \u00f3rf\u00e3os, que tinham sido retirados de um abrigo na linha de frente da guerra.\u00a0\u00a0<br \/>\n&#8220;Eles nos trouxeram as crian\u00e7as a bordo de ve\u00edculos militares. Eles estavam assustados, pensavam que seriam levados para a R\u00fassia. Ficaram aqui durante um m\u00eas, mas em 19 de outubro, quando os russos se retiraram de Kherson, eles levaram as crian\u00e7as. N\u00e3o tivemos escolha. Eu disse, &#8216;por favor, deixem-os aqui, n\u00e3o s\u00e3o soldados, s\u00e3o apenas crian\u00e7as'&#8221;, conta.<br \/>\n&#8220;Eles nos deram duas horas e disseram que se n\u00e3o os entreg\u00e1ssemos, eles voltariam com mais soldados&#8221;, conta.<br \/>\nCom a ajuda de ONGs internacionais, algumas destas crian\u00e7as puderam ser retiradas da R\u00fassia. De acordo com a Ucr\u00e2nia, apenas 307 crian\u00e7as foram devolvidas, para mais de 16.200 deportadas.\u00a0<br \/>\nMaria Lvova-Belova, pe\u00e7a central das deporta\u00e7\u00f5es<br \/>\nA comiss\u00e1ria de Vladimir Putin para os direitos da crian\u00e7a, Maria Lvova-Belova, \u00e9 uma agente central do dispositivo russo implementado para deportar crian\u00e7as ucranianas para ado\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm seu canal Telegram e na televis\u00e3o russa, ela mant\u00e9m um discurso de &#8220;salvadora&#8221; das crian\u00e7as. No entanto, ela deporta centenas delas, obrigando-as a deixar os territ\u00f3rios anexados da Ucr\u00e2nia para se estabelecerem em um pa\u00eds estranho: a R\u00fassia.<br \/>\nFotografada a bordo de avi\u00f5es, trens ou rodovi\u00e1rias, ela diz com orgulho, nas redes sociais e na m\u00eddia estatal, que gra\u00e7as a ela, centenas \u2013 at\u00e9 milhares, \u00e9 dif\u00edcil precisar \u2013 de crian\u00e7as ucranianas s\u00e3o \u201cprotegidas\u201d pela &#8220;grande R\u00fassia&#8221;. Ela n\u00e3o fala de &#8220;deporta\u00e7\u00e3o&#8221;, mas sim de &#8220;resgate&#8221; e prefere &#8220;tutela&#8221; \u00e0 &#8220;ado\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\nProvenientes de orfanatos, hospitais, centros sociais ou lares de acolhimento em regi\u00f5es anexadas, \u00f3rf\u00e3s ou separadas das suas fam\u00edlias devido aos combates, estas crian\u00e7as s\u00e3o oferecidas a fam\u00edlias russas, mediante pagamento do Estado.<br \/>\nTotalmente contr\u00e1ria ao direito internacional e \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o dos Direitos da Crian\u00e7a, a pr\u00e1tica foi denunciada ao Tribunal Penal Internacional em dezembro pela associa\u00e7\u00e3o francesa \u201cPela Ucr\u00e2nia, pela sua liberdade e pela nossa\u201d. A ONG Anistia Internacional tamb\u00e9m apontou para um \u201ccrime de guerra\u201d e um poss\u00edvel \u201ccrime contra a humanidade\u201d, num relat\u00f3rio publicado em novembro passado.<br \/>\nMas, longe de ser escondida, a pol\u00edtica de deporta\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as alimenta a propaganda russa e acompanha a &#8220;desucraniza\u00e7\u00e3o&#8221; desejada por Vladimir Putin.<br \/>\nA R\u00fassia afirma ter recebido cinco milh\u00f5es de refugiados de regi\u00f5es anexadas, enquanto a Ucr\u00e2nia declarou no in\u00edcio de dezembro que 13.000 crian\u00e7as foram deportadas para a R\u00fassia, embora seja dif\u00edcil avaliar seu n\u00famero real.<br \/>\nO presidente russo Vladimir Putin (de costas) em encontro com Maria Lvova-Belova, comiss\u00e1ria russa para os direitos das crian\u00e7as, na resid\u00eancia Novo-Ogaryovo, nas proximidades de Moscou, em 16 de fevereiro de 2023.<br \/>\nAFP &#8211; MIKHAIL METZEL<br \/>\nLimpeza \u00e9tnica<br \/>\nO Laborat\u00f3rio de Pesquisa Humanit\u00e1ria da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica de Yale (HRL), avalia que a estrat\u00e9gia poderia fazer parte de um plano de limpeza \u00e9tnica do Kremlin na Ucr\u00e2nia.<br \/>\nEm um relat\u00f3rio divulgado em 14 de fevereiro, o HRL afirma que identificou 43 instala\u00e7\u00f5es com pelo menos 6.000 crian\u00e7as ucranianas, a maioria focada em esfor\u00e7os de reeduca\u00e7\u00e3o pr\u00f3-R\u00fassia, algumas for\u00e7ando crian\u00e7as \u00e0 ado\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO relat\u00f3rio afirma que quatro destas institui\u00e7\u00f5es impediram que crian\u00e7as ucranianas voltassem para seu pa\u00eds de origem. De acordo com o Instituto pelo Estudo da Guerra, um think thank americano, as autoridades russas estariam tentando deportar crian\u00e7as sob o disfarce de esquemas de recrea\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO relat\u00f3rio detalha que o governo federal russo est\u00e1 coordenando centralmente esse esfor\u00e7o.<br \/>\nAl\u00e9m disso, as autoridades de ocupa\u00e7\u00e3o russas continuam os esfor\u00e7os para intimidar os pais ucranianos a enviarem seus filhos para escolas russas em territ\u00f3rios ocupados.\u00a0<br \/>\nO Centro de Resist\u00eancia Ucraniana informou, em 15 de fevereiro, que as autoridades de ocupa\u00e7\u00e3o russas criaram \u201ccomiss\u00f5es de assuntos juvenis\u201d para emitir multas aos pais ucranianos que educam seus filhos em escolas ucranianas por meio do ensino online.<br \/>\nO Centro tamb\u00e9m informou que as autoridades russas est\u00e3o realizando incurs\u00f5es para inspecionar resid\u00eancias particulares e identificar crian\u00e7as que faltaram muitas aulas nas escolas russas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ucr\u00e2nia afirma que mais de 16.200 crian\u00e7as foram levadas para a R\u00fassia desde a invas\u00e3o da Crimeia, em 2014. 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