{"id":43836,"date":"2023-02-23T12:10:27","date_gmt":"2023-02-23T12:10:27","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/23\/costa-da-morte-como-um-pescador-descobriu-mais-de-1-000-barcos-naufragados-no-litoral-da-espanha\/"},"modified":"2023-02-23T12:10:27","modified_gmt":"2023-02-23T12:10:27","slug":"costa-da-morte-como-um-pescador-descobriu-mais-de-1-000-barcos-naufragados-no-litoral-da-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/23\/costa-da-morte-como-um-pescador-descobriu-mais-de-1-000-barcos-naufragados-no-litoral-da-espanha\/","title":{"rendered":"Costa da morte: como um pescador descobriu mais de 1.000 barcos naufragados no litoral da Espanha"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/dnJv59wi-P6bmXCvNjy1V50rjKo=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/O\/9\/G1g7bQRiymyywPeqrpLQ\/bbc-espanha.jpg\"><br \/>     Antes da populariza\u00e7\u00e3o do GPS, Pepe de Olegario descobriu mais de mil destro\u00e7os de embarca\u00e7\u00f5es no fundo do mar. Pepe de Olegario documenta h\u00e1 40 anos os destro\u00e7os de naufr\u00e1gios perdidos no litoral da Gal\u00edcia.<br \/>\nRaquel Cintra Pryzant\/ BBC<br \/>\nAcidentada e trai\u00e7oeira. Assim \u00e9 a Costa da Morte, testemunha de in\u00fameros naufr\u00e1gios que foram, anos depois, encontrados por um pescador no noroeste da Espanha.<br \/>\nAntes da populariza\u00e7\u00e3o do GPS, um pescador nascido em Sardi\u00f1eiro, litoral da Gal\u00edcia, em 1941 foi respons\u00e1vel por descobrir mais de mil escombros de embarca\u00e7\u00f5es no fundo do mar.<br \/>\nEle \u00e9 Jos\u00e9 L\u00f3pez Redonda, mais conhecido como Pepe de Olegario. Uma figura importante, principalmente entre os galegos que vivem perto do mar.<br \/>\n\u201cAp\u00f3s quarenta anos no mar e mais de mil naufr\u00e1gios, ainda me faltaram barcos por encontrar\u201d conta \u00e0 BBC Brasil.<br \/>\nTrabalho de Pepe ajud. a a reconstituir partes da hist\u00f3ria da Gal\u00edcia<br \/>\nRaque Cintra Pryzant\/ BBC<br \/>\nAo contr\u00e1rio de outras hist\u00f3rias fant\u00e1sticas de pescador, as de Pepe costumam ser bastante realistas e est\u00e3o muito bem documentadas. S\u00e3o mais de 1.000 naufr\u00e1gios cartografados, formando um mapa de tesouros e de trag\u00e9dias.<br \/>\nAlguns dos acidentes mar\u00edtimos mais conhecidos do mundo, como o do barco brit\u00e2nico HMS Serpent e o do navio petroleiro Prestige ocorreram na Costa da Morte e, antes de pesquisadores e cientistas mapearem esta regi\u00e3o do Atl\u00e2ntico Norte, ela j\u00e1 havia sido estudada por um Pepe de Olegario.<br \/>\n\u201cMe ofereciam trabalhos na terra para ganhar mais, mas eu n\u00e3o aceitava. E, quando tinha que voltar para casa aos domingos, ficava triste\u201d, conta \u00e0 BBC News Brasil.<br \/>\nS\u00e3o mais de 1.000 naufr\u00e1gios cartografados.<br \/>\nRaquel Cintra Pryzant via BBC<br \/>\nMas Pepe de Olegario nunca foi um pescador de til\u00e1pias. Ele dedicou sua vida a encontrar uma esp\u00e9cie \u00fanica: o carrancudo e misterioso mero. Este peixe era t\u00e3o dif\u00edcil de ser encontrado que se tornou quase uma lenda.<br \/>\nO quilo do mero era um dos mais caros nas feiras galegas, o que aumentava sua fama. Ent\u00e3o, pescadores impressionados decidiram seguir Pepe em um de seus dias de trabalho e descobriram o segredo de seu sucesso.<br \/>\nOs meros s\u00e3o peixes com mais de 100 quilos que podem viver em profundidades superiores a 200 metros. Estas condi\u00e7\u00f5es impedem a forma\u00e7\u00e3o de ref\u00fagios naturais, como algas e corais. Ent\u00e3o, estes animais acabam vivendo dentro de cascos, \u00e2ncoras e peda\u00e7os de barcos naufragados.<br \/>\n&#8220;Eu trocava dias de pesca para ca\u00e7ar naufr\u00e1gios. Naquela \u00e9poca, j\u00e1 sabia que, se encontrasse algum, encontraria tamb\u00e9m os meros\u201d, afirma.<br \/>\nOs mais de quarenta anos cartografando os destro\u00e7os perdidos no litoral da Gal\u00edcia renderam a Pepe uma forte parceria com embarca\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o.<br \/>\nCapit\u00e3es franceses, espanh\u00f3is e portugueses avisavam diretamente o pescador quando voltavam com suas redes rasgadas do mar.<br \/>\n\u201cTodos me conheciam, eles me ligavam e diziam \u2018Pepe, enganchei minha rede\u2019, mas, mesmo com as indica\u00e7\u00f5es, eu demorava dias para encontrar [os naufr\u00e1gios]\u201d.<br \/>\nSeguindo dire\u00e7\u00f5es entre far\u00f3is e praias, Pepe de Olegario encontrou pontos que passaram a ser desviados pelos navios e desejados por pescadores de meros.<br \/>\nPor\u00e9m, por mais que o pescador ganhasse a vida buscando destro\u00e7os, nunca deixou de se lembrar que se tratavam de grandes trag\u00e9dias, com muitas v\u00edtimas.<br \/>\n\u201cQuando estava pescando, pensava na trag\u00e9dia desse barco e, quando chegava na costa, perguntava sobre a hist\u00f3ria por tr\u00e1s e assim fui aprendendo\u201d, conta \u00e0 BBC.<br \/>\nDetalhe da cartografia.<br \/>\nRaquel Cintra Pryzant\/ BBC<br \/>\nO cemit\u00e9rio dos ingleses na Costa da Morte<br \/>\nA regi\u00e3o mais perigosa da Costa da Morte \u00e9 a chamada Ponta do Boi, em Camari\u00f1as. Nestas \u00e1guas, tr\u00eas grandes naufr\u00e1gios marcaram para sempre a mem\u00f3ria dos galegos. O Iris de Hull (1883), o HMS Serpent (1890) e o SS Trinacria (1893).<br \/>\nIris de Hull era um navio ingl\u00eas que havia sa\u00eddo de Cardiff (Reino Unido) com destino \u00e0 \u00cdndia, passando ao largo do estreito de Gibraltar. Por\u00e9m, em novembro daquele ano, o barco de carga a vapor tripulado por mais de 30 homens se chocou com os chamados Baixos de Ant\u00f3n, o que iniciou uma trag\u00e9dia que deixaria um \u00fanico sobrevivente: Geoge Chirgwin.<br \/>\nOs meses de outubro e novembro marcam o fim do outono na Europa e, neles, o mar na Costa da Morte fica mais perigoso. Al\u00e9m do vento nordeste que empurra os barcos de volta para a terra, suas estruturas rochosas s\u00e3o como icebergs &#8211; mais perigosas do que aparentam ser \u00e0 primeira vista.<br \/>\nFoi tamb\u00e9m em novembro, mas de 1890, que outro acidente terr\u00edvel ocasionaria um naufr\u00e1gio na Ponta do Boi. O navio militar brit\u00e2nico HMS Serpent se dirigia \u00e0 Serra Leoa, mas teve seu trajeto interrompido e terminou com a morte de 172 dos seus 175 tripulantes.<br \/>\n\u201cA tripula\u00e7\u00e3o era jovem, tr\u00eas deles conseguiram nadar com muita dificuldade e avisar a vizinhan\u00e7a que, infelizmente, n\u00e3o conseguiu ajudar\u201d, conta Virginia Barros, guia tur\u00edstica no local.<br \/>\nCemit\u00e9rio foi constru\u00eddo para oferecer enterro digno \u00e0s v\u00edtimas.<br \/>\nRaquel Cintra Pryzant\/ BBC<br \/>\nPor v\u00e1rios dias, o mar devolveu os corpos \u00e0 terra e foram aproximadamente 140 recuperados. Para que tivessem um enterro digno, construiu-se uma necr\u00f3pole. O Cemit\u00e9rio dos Ingleses, hoje, faz parte da Rota Europeia de Cemit\u00e9rios Singulares, e est\u00e1 cercado de uma paisagem composta pelo som das ondas e n\u00e9voa, sobre um descampado rochoso.<br \/>\n\u201cAt\u00e9 meados do s\u00e9culo passado, sempre que um navio da marinha brit\u00e2nica passava pela Costa da Morte, soltava salvas em honra \u00e0s v\u00edtimas destes grandes naufr\u00e1gios\u201d, conta Virginia.<br \/>\nO desastre ambiental do Prestige<br \/>\nA trag\u00e9dia mais midi\u00e1tica da Costa da Morte foi, sem d\u00favidas, a do navio petroleiro Prestige, em 2002.<br \/>\nMesmo com novos far\u00f3is e cartografias, o litoral galego segue, at\u00e9 os dias de hoje, exigindo respeito.<br \/>\nEste desastre foi marcado por uma cortina negra de fuma\u00e7a e pela contamina\u00e7\u00e3o de mais de 2 mil quil\u00f4metros de costa por grande parte das 77 mil toneladas de petr\u00f3leo que o Prestige carregava.<br \/>\nCenas de aves e peixes cobertos por petr\u00f3leo circularam o mundo e, como resposta, o governo espanhol decidiu construir o complexo hoteleiro Parador Costa da Morte, que foi inaugurado quase 20 anos depois do desastre, em 2020.<br \/>\n&#8220;O conselho de ministros de A Coru\u00f1a decidiu, entre as a\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para recuperar o litoral, investir no turismo\u201d, conta Julio C\u00e9sar Castro Marcote, diretor do Parador Costa da Morte.<br \/>\nAl\u00e9m de fomentar o turismo na regi\u00e3o galega, que \u00e9 t\u00e3o bonita quanto perigosa, o Parador tamb\u00e9m assumiu o papel de contar hist\u00f3rias regionais.<br \/>\nA fotografia de Xurxo Lobato, que captura o momento exato do acidente do petroleiro Prestige, est\u00e1 pendurada logo na entrada do Parador, al\u00e9m de outros retratos de pescadores.<br \/>\nAtrav\u00e9s do olhar de Ram\u00f3n Caama\u00f1o e Virxilio Vi\u00e9tez, \u00e9 poss\u00edvel admirar os rostos curtidos de sol de uma gera\u00e7\u00e3o de 1930, que chamava o mar de \u201cla mar\u201d, no feminino, como sinal de respeito.<br \/>\n\u201cO quinto andar do edif\u00edcio projetado por Alfonso Peneda foi o escolhido para a exposi\u00e7\u00e3o perene das cartas n\u00e1uticas de Pepe de Olegario\u201d afirma o diretor.<br \/>\nO galego que descobriu mais de mil restos de naufr\u00e1gios ao longo de d\u00e9cadas no mar apresenta com orgulho suas cartografias feitas \u00e0 m\u00e3o, agora emolduradas. Mesmo aposentado, ainda se lembra dos nomes da tripula\u00e7\u00e3o, tipos de carga, destino do navio, ano e motivos dos acidentes. O trabalho de Pepe de Olegario ajuda, assim, a reconstituir partes da mem\u00f3ria da Gal\u00edcia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes da populariza\u00e7\u00e3o do GPS, Pepe de Olegario descobriu mais de mil destro\u00e7os de embarca\u00e7\u00f5es no fundo do mar. Pepe de Olegario documenta h\u00e1 40 anos os destro\u00e7os de naufr\u00e1gios perdidos no litoral da Gal\u00edcia. Raquel Cintra Pryzant\/ BBC Acidentada e trai\u00e7oeira. 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