{"id":43752,"date":"2023-02-23T05:09:58","date_gmt":"2023-02-23T05:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/23\/guerra-na-ucrania-um-ano-depois-conheca-brasileiros-que-vivem-a-guerra-de-perto\/"},"modified":"2023-02-23T05:09:58","modified_gmt":"2023-02-23T05:09:58","slug":"guerra-na-ucrania-um-ano-depois-conheca-brasileiros-que-vivem-a-guerra-de-perto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/23\/guerra-na-ucrania-um-ano-depois-conheca-brasileiros-que-vivem-a-guerra-de-perto\/","title":{"rendered":"Guerra na Ucr\u00e2nia, um ano depois: conhe\u00e7a brasileiros que vivem a guerra de perto"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/gSzUgPLjb7hDXYmTP_bl5L92NF4=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/Y\/9\/gMhjPATyqkGhgAwDAn0g\/ap23052485629302.jpg\"><br \/>     Dados do governo noruegu\u00eas indicam que conflito j\u00e1 deixou cerca de 180 mil mortos ou feridos no ex\u00e9rcito da R\u00fassia, e 100 mil no da Ucr\u00e2nia \u2014 sem levar em considera\u00e7\u00e3o 30 mil mortes de civis. Um soldado segura uma bandeira ucraniana durante um funeral no cemit\u00e9rio de Lviv, oeste da Ucr\u00e2nia, na ter\u00e7a-feira, 21 de fevereiro de 2023.<br \/>\nAP Photo\/Petros Giannakouris<br \/>\nEm 2022, a RFI conversou com brasileiros que estavam na Ucr\u00e2nia no momento em que a guerra come\u00e7ou e agora, um ano depois, voltou a falar com eles para contar suas hist\u00f3rias. A reportagem tamb\u00e9m entrevistou\u00a0um brasileiro que estava no Brasil em 24 de fevereiro de 2022 e, mesmo sem nenhuma experi\u00eancia anterior no ex\u00e9rcito, resolveu que deveria ajudar o pa\u00eds comandado por Volodymyr Zelensky a vencer esta guerra.<br \/>\nPara boa parte do mundo ocidental, a guerra come\u00e7ou no dia 24 de fevereiro de 2022, quando o presidente russo, Vladimir Putin, ap\u00f3s meses de amea\u00e7a, ordenou a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia. Meses antes, em julho de 2021, no famoso discurso de S\u00e3o Petersburgo, o chefe de Kremlin chegou a declarar que R\u00fassia e Ucr\u00e2nia eram na\u00e7\u00f5es irm\u00e3s: &#8220;Juntos, n\u00f3s sempre tivemos e teremos muito mais for\u00e7a e sucesso. Porque n\u00f3s somos um mesmo povo&#8221;, disse.<br \/>\nPara os ucranianos, no entanto, esta invas\u00e3o come\u00e7ou muito antes, no in\u00edcio de 2014, quando a Federa\u00e7\u00e3o russa invadiu e anexou a pen\u00ednsula da Crim\u00e9ia.\u00a0Naquele ano, a jovem poeta ucraniana Anastasia Dmytruk escreveu: &#8220;N\u00f3s jamais seremos irm\u00e3os; nem de mesma p\u00e1tria, nem de mesma m\u00e3e&#8221;.<br \/>\nPor\u00e9m, apesar das constantes amea\u00e7as, os ucranianos de Kiev e de outras regi\u00f5es mais afastadas da fronteira com a R\u00fassia continuavam levando uma vida normal. David Abu-Gharbil, natural de Minas Gerais, \u00e9 engenheiro eletricista e estava na capital, Kiev, para onde tinha ido quatro meses antes para estudar Medicina. A guerra o pegou o brasileiro de surpresa.\u00a0<br \/>\nNingu\u00e9m falava de guerra<br \/>\n&#8220;Conversando com o pessoal l\u00e1, ningu\u00e9m tinha medo de guerra. Ent\u00e3o a gente estava tranquilo. Inclusive, quando a guerra come\u00e7ou, eu trabalhei at\u00e9 1h da manh\u00e3; na madrugada do dia 23 para o dia 24 de fevereiro. Cheguei em casa \u00e0 1h30 e acordei \u00e0s 4h30 com um barulho de bomba, sem saber o que tinha acontecido. Foi mais ou menos assim. A guerra come\u00e7ou &#8216;do nada&#8217;. Estava todo mundo trabalhando e vivendo a sua vida normalmente; ningu\u00e9m falava em guerra. E da\u00ed simplesmente a guerra come\u00e7ou, isso que foi muito pesado&#8221;, conta o brasileiro.<br \/>\n&#8220;Para os ucranianos com quem eu conversava, n\u00e3o ia haver guerra, era s\u00f3 uma amea\u00e7a mesmo. Se eles estavam tranquilos, por que eu n\u00e3o estaria?&#8221;, relata David, que, depois de meses no Brasil, mudou-se neste m\u00eas para a Rep\u00fablica Tcheca.\u00a0<br \/>\nO engenheiro David Abu-Gharbil voltou ao Brasil, depois de dias tentando fugir de Kiev. Em fevereiro, ele voltou para a Europa e agora mora e trabalha na Rep\u00fablica Tcheca<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nSe a decis\u00e3o de Putin foi abrupta ou n\u00e3o, talvez nunca tenhamos a confirma\u00e7\u00e3o. Mas ela foi anunciada ao mundo desta forma, pelo chefe do Kremlin: &#8220;Tomei a decis\u00e3o de realizar uma opera\u00e7\u00e3o militar especial&#8221;. Com estas palavras, o presidente russo iniciou, em 24 de fevereiro de 2022, a invas\u00e3o da vizinha Ucr\u00e2nia, desencadeando o pior conflito no continente europeu desde a Segunda Guerra Mundial.<br \/>\nEm um contexto de tens\u00f5es crescentes com o Ocidente, o presidente russo fez o an\u00fancio surpresa pela televis\u00e3o pouco antes das 6h da manh\u00e3, hora local, (meia-noite de Bras\u00edlia).\u00a0O objetivo, dizia Putin, era a &#8220;desmilitariza\u00e7\u00e3o e desnazifica\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia&#8221;, reiterando as acusa\u00e7\u00f5es infundadas de um &#8220;genoc\u00eddio&#8221; orquestrado pela Ucr\u00e2nia no leste russ\u00f3fono do pa\u00eds e denunciando uma pol\u00edtica &#8220;agressiva&#8221; da Otan.<br \/>\nV\u00eddeos da guerra no Facebook<br \/>\nEnquanto David vivenciou a guerra desde a sua primeira hora, em Kiev, um outro brasileiro acordou no Esp\u00edrito Santo e se deparou com a not\u00edcia do conflito por meio de v\u00eddeos no Facebook.\u00a0Tamb\u00e9m pego de surpresa, o ent\u00e3o vendedor amapaense Ezequiel Silva fez o caminho inverso de David e seus amigos, que precisaram voltar para o Brasil.\u00a0<br \/>\n&#8220;Em 24 de fevereiro de 2022, eu estava na minha casa, deitado, curtindo a minha vida. Ent\u00e3o eu abri o Facebook e vi um v\u00eddeo mostrando que a R\u00fassia estava invadindo a Ucr\u00e2nia. A partir daquele momento, eu j\u00e1 comecei a me planejar para vir pra c\u00e1.&#8221;<br \/>\n&#8220;Eu decidi lutar pela Ucr\u00e2nia porque, na minha concep\u00e7\u00e3o como ser humano, todos n\u00f3s temos o direito de viver em paz e trabalhar na terra que foi dada por Deus. Eu n\u00e3o concordo com esta invas\u00e3o e por isso resolvi lutar pela Ucr\u00e2nia&#8221;, conta o hoje soldado do ex\u00e9rcito ucraniano.\u00a0<br \/>\nO amapaense Ezequiel Silva, hoje com 22 anos, saiu do Brasil para ir lutar pela Ucr\u00e2nia pouco depois do come\u00e7o da guerra. Ele participou da linha de frente em Kharhiv. Na farda militar, ele exibe as bandeiras ucraniana e brasileira.<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nEzequiel, que tinha apenas 21 anos e nunca havia servido ao Ex\u00e9rcito brasileiro nem tinha sa\u00eddo do pa\u00eds. O jovem viajou para a Europa sem contatos, sem convoca\u00e7\u00e3o nem contrato, mas com um \u00fanico objetivo: ajudar o povo ucraniano a vencer esta guerra, que ele considera injusta. Na Pol\u00f4nia, ele encontrou, por meio de um grupo de Whatsapp, outros dois brasileiros que queriam ser volunt\u00e1rios na guerra e, juntos, seguiram para a Ucr\u00e2nia.\u00a0<br \/>\n&#8220;Foi muito complicado entrar na Ucr\u00e2nia, porque a gente n\u00e3o tinha nenhum papel de convoca\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas ucranianas, nada. Na fronteira entre a Pol\u00f4nia e a Ucr\u00e2nia, os militares nos pararam, pegaram os nossos passaportes, fizeram um monte de perguntas, por pelo menos uma hora. A gente falou que estava indo se apresentar na legi\u00e3o internacional. Eles pediram um documento de comprova\u00e7\u00e3o e a gente falou que n\u00e3o tinha. Para a nossa sorte, eles nos deixaram passar&#8221;, disse.\u00a0<br \/>\nSe a entrada na Ucr\u00e2nia em guerra n\u00e3o era f\u00e1cil, o caminho inverso era muito mais dif\u00edcil.\u00a0<br \/>\nLi\u00e7\u00e3o de vida<br \/>\nEm mar\u00e7o de 2022, a RFI entrevistou um grupo de brasileiros que ficaram presos em Kiev, porque n\u00e3o conseguiam um meio de transporte para deixar o pa\u00eds. At\u00e9 que, depois de muitas tentativas, a Embaixada do Brasil na capital conseguiu um carro particular que os levou a Lviv, na fronteira com a Pol\u00f4nia.\u00a0<br \/>\nO jogador de futsal Matheus Ramires fazia parte deste grupo e voltou para o Brasil no v\u00f4o de repatria\u00e7\u00e3o da FAB, que saiu de Vars\u00f3via, capital da Pol\u00f4nia, no dia 9 de mar\u00e7o, depois de ter vivido apenas 40 dias na Ucr\u00e2nia, onde tinha ido para jogar no clube Skyup de Kiev.<br \/>\nMatheus Ramires, de camisa laranja, quando jogava em Kiev. Ele voltou ao Brasil no voo da FAB em mar\u00e7o de 2022.<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\n&#8220;J\u00e1 faz um ano, mas parece que foi h\u00e1 pouco tempo que est\u00e1vamos tentando sair de Kiev. Eu acompanho pela televis\u00e3o e fico triste de ver que o conflito segue. Eu estou bem, tive que reiniciar a vida aqui no Brasil. Gra\u00e7as a Deus as perdas foram somente materiais, ent\u00e3o consegui recome\u00e7ar aqui&#8221;, conta.\u00a0<br \/>\nApesar do trauma de ser rec\u00e9m-chegado num pa\u00eds que acabava de ser atacado, Matheus Ramires conseguiu guardar boas lembran\u00e7as da Ucr\u00e2nia.<br \/>\n&#8220;Eu deixei muitos amigos em Kiev e voltaria para l\u00e1 no futuro. Todos os ucranianos da minha equipe eram pessoas do bem, com quem tenho contato at\u00e9 hoje. Fico muito triste por eles. O que me ficou na mem\u00f3ria foi, principalmente, o jeito como o povo ucraniano lidou com a guerra. O mundo de muitas fam\u00edlias estava se acabando e ainda assim as pessoas com gestos bonitos, de solidariedade, que v\u00e3o ficar sempre na minha mem\u00f3ria. No momento mais dif\u00edcil, eles ainda tinham estes gestos&#8221;, disse.<br \/>\n&#8220;Esse foi o maior aprendizado que eu tive desta guerra, de ver que pessoas, nos piores momentos de suas vidas, continuaram sendo gentis, educadas. Eu tirei muitas li\u00e7\u00f5es daquele momento. Claro que \u00e9 uma pena por ser uma guerra, ent\u00e3o a gente n\u00e3o fica feliz. Mas eu queria de cora\u00e7\u00e3o agradecer todos os momentos que passei ali e todos os aprendizados que tive com os ucranianos. Foi uma li\u00e7\u00e3o de vida&#8221;, continua.\u00a0<br \/>\nLuta para ficar<br \/>\nEnquanto alguns de seu grupo voltaram para o Brasil no voo da FAB, com 45 brasileiros a bordo, outros resolveram ficar na Europa para tentar recome\u00e7ar a vida em outros pa\u00edses.<br \/>\nFoi o caso de David Abu-Gharbil, que ficou entre a Pol\u00f4nia e a Rep\u00fablica Tcheca, e tamb\u00e9m do jogador de futsal Moreno Santiago, que jogava no time Skyup de Kiev, e conseguiu um time na Alemanha, onde ficou por nove meses, antes de se mudar para Montpellier, no sul da Fran\u00e7a, onde est\u00e1 at\u00e9 hoje.\u00a0<br \/>\n&#8220;Foi uma loucura aquilo ali, mudou todos os nossos planos, eu fiquei meio sem saber o que fazer [quando a guerra come\u00e7ou], porque foi tudo muito r\u00e1pido. Como eu jogo futsal, fiquei meio sem ter o que fazer. A gente foi retirado do pa\u00eds, foi para a Pol\u00f4nia, para ser repatriado, mas eu decidi ficar porque tinha a possibilidade de jogar aqui na Europa. A janela de transfer\u00eancia ia ser aberta para os jogadores que sa\u00edam da Ucr\u00e2nia e eu aproveitei esta oportunidade e fui para a Alemanha&#8221;, conta ele.<br \/>\n&#8220;No final de 2022, eu tive um convite para voltar para a Ucr\u00e2nia, para o mesmo time em que eu jogava quando a guerra come\u00e7ou. Eles voltaram a jogar e est\u00e1 tendo campeonato. Mas eu botei na balan\u00e7a e achei meio arriscado ainda. Eu tenho amigos que est\u00e3o morando l\u00e1, passando por situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Um tomou um tiro e na virada do ano houve muitos ataques&#8230; Ent\u00e3o decidi n\u00e3o voltar ainda, por mais que eu goste muito deste pa\u00eds&#8221;.\u00a0<br \/>\nM\u00e9dico em tempos de guerra<br \/>\nO m\u00e9dico brasileiro Rony de Moura, num hospital em Kiev.<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nSe Moreno ficou na Europa, o m\u00e9dico goiano Rony de Moura, que estava no final da Faculdade de Medicina em Kiev quando a guerra come\u00e7ou, faltando apenas uma prova para se formar, n\u00e3o conseguiu transferir seu curso para nenhuma outra faculdade europeia e teve de voltar para o Brasil. Mas alguns meses atr\u00e1s ele fez o caminho inverso\u00a0: voltou para \u00a0a Ucr\u00e2nia, se formou em Medicina, e hoje trabalha como cirurgi\u00e3o em dois hospitais em Kiev, onde presta assist\u00eancia em cirurgias executadas por seus ex-professores. Seu cotidiano agora \u00e9 operar os feridos de guerra.<br \/>\n&#8220;A maioria dos pacientes chega a mim j\u00e1 anestesiados e sedados, prontos para a cirurgia, ent\u00e3o dou uma assist\u00eancia para os doutores que comandam a cirurgia. A grande maioria dos pacientes veio da guerra, com ferimento por bala, explos\u00f5es, precisando de amputa\u00e7\u00e3o&#8230;&#8221;.\u00a0<br \/>\nAssim como Moreno Santiago, que j\u00e1 morou em Moscou e tem uma filha e uma ex-mulher que ainda vivem na capital russa, Rony de Moura come\u00e7ou o seu curso no pa\u00eds que viria a invadir a Ucr\u00e2nia. Ele inclusive presenciou isso desde o in\u00edcio, em 2014.<br \/>\n&#8220;Eu comecei a estudar na R\u00fassia, em 16 de mar\u00e7o de 2014. No caminho de Moscou para Kursk, eu vi v\u00e1rios comboios de tanques, helic\u00f3pteros e material militar. Em 18 de mar\u00e7o daquele ano, a R\u00fassia tomou a Crimeia, ent\u00e3o eu comecei neste conflito j\u00e1 naquela \u00e9poca, no pa\u00eds invasor&#8221;, relembra.\u00a0<br \/>\nUm dos pacientes de Rony, a quem ele acompanha \u00e0 dist\u00e2ncia, porque se tornaram amigos, \u00e9 tamb\u00e9m brasileiro. O soldado Ezequiel Silva, lutou por meses na linha de frente em Kharkiv, no nordeste do pa\u00eds, quando o carro em que ele estava, com outros cinco soldados, saiu da rota no meio da noite e passou por cima de uma mina terrestre colocada pelos russos. O carro explodiu e deixou todos feridos.\u00a0<br \/>\n&#8220;No dia 7 de setembro de 2022, a gente estava em campo, em Kharkiv, com o nosso ve\u00edculo e, em algum momento, a\u00a0gente saiu de rota e o nosso carro passou por cima de uma mina. Nosso carro explodiu e a gente teve alguns ferimentos graves. Eu estou em Kiev, tive de passar por duas cirurgias e estou h\u00e1 meses no hospital, mas j\u00e1 estou bem melhor&#8221;, relata o soldado.\u00a0<br \/>\nInverno rigoroso e perdas humanas<br \/>\nAl\u00e9m disso, Ezequiel passou por muitos momentos dif\u00edceis na guerra, como um frio de 20 graus negativos:\u00a0&#8220;O inverno aqui \u00e9 complicado, castiga a gente, ainda mais os brasileiros. Na linha de frente, peguei o maior frio da minha vida&#8221;, conta.\u00a0<br \/>\nA partir de outubro, a R\u00fassia atacou sistematicamente usinas e transformadores ucranianos com seus m\u00edsseis e drones, mergulhando a popula\u00e7\u00e3o no frio e na escurid\u00e3o.<br \/>\nMas, para ele, o pior desta guerra n\u00e3o \u00e9 o seu ferimento nem as dificuldades da linha de frente.<br \/>\n&#8220;A parte mais dif\u00edcil, na guerra, \u00e9 perder os meus irm\u00e3os&#8221;, diz, referindo-se aos colegas soldados.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o \u00e9 um bombardeio, n\u00e3o \u00e9 uma ofensiva, \u00e9 perder os nossos irm\u00e3os.&#8221;<br \/>\nNo in\u00edcio de setembro, o ex\u00e9rcito ucraniano anunciou uma contra-ofensiva no sul, antes de fazer um avan\u00e7o surpresa e rel\u00e2mpago contra as linhas russas no nordeste, o que for\u00e7a o ex\u00e9rcito de Moscou a se retirar da regi\u00e3o de Kharkiv, palco de combates violentos.<br \/>\nNo sul, a opera\u00e7\u00e3o visava retomar Kherson, a \u00fanica capital regional que caiu nas m\u00e3os das for\u00e7as russas no in\u00edcio da invas\u00e3o. Passo a passo, o ex\u00e9rcito ucraniano, com sistemas de armas ocidentais, tomou dezenas de cidades, bombardeando incansavelmente dep\u00f3sitos de muni\u00e7\u00e3o e linhas de abastecimento russas na regi\u00e3o.<br \/>\nA ponte da Crimeia, um s\u00edmbolo forte, foi danificada por uma explos\u00e3o poderosa em 8 de outubro.<br \/>\nFim do conflito?<br \/>\nDavid relembra as cenas tristes que viu nos seus \u00faltimos dias na Ucr\u00e2nia.\u00a0&#8220;Espero que esta guerra acabe o quanto antes, porque os ucranianos n\u00e3o t\u00eam nada a ver com isso e \u00e9 s\u00f3 tristeza.&#8221;<br \/>\n&#8220;Eu vi escombros, vi crian\u00e7as atravessando a fronteira sem fam\u00edlia, crian\u00e7a de cinco anos, s\u00f3 com um ursinho na m\u00e3o, chorando. Eu passei por fases em bunkers, onde via beb\u00eas, pessoas inocentes, vi soldados que diziam que n\u00e3o queriam estar nesta guerra.&#8221;<br \/>\n&#8220;Foi muito dif\u00edcil&#8230; Foi um ano em que eu aprendi muito tamb\u00e9m.&#8221;<br \/>\nO soldado Ezequiel, que pretende continuar na Ucr\u00e2nia quando sair do hospital, aposta em um fim para o conflito, com vit\u00f3ria para a Ucr\u00e2nia, ainda este ano, com a promessa de envio de tanques por pa\u00edses membros da Otan.<br \/>\n&#8220;Est\u00e1 um pouco dif\u00edcil, para n\u00f3s, agora, porque os russos est\u00e3o muito bem instalados nas regi\u00f5es que eles tomaram, mas creio que, com este envio de equipamentos, as nossas chances de vit\u00f3ria aumentam. N\u00e3o em um curto prazo, mas creio que at\u00e9 o final deste ano a guerra tenha acabado&#8221;, prev\u00ea.\u00a0<br \/>\nDiante dos repetidos pedidos do presidente ucraniano e depois de terem hesitado durante muito tempo por medo de provocar uma escalada, os americanos e os europeus autorizaram o envio de dezenas de tanques pesados para Kiev, despertando a ira de Moscou.<br \/>\nR\u00fassia e Ucr\u00e2nia n\u00e3o apresentam um balan\u00e7o confi\u00e1vel de suas perdas h\u00e1 meses. Segundo a Noruega, a guerra na Ucr\u00e2nia causou cerca de 180.000 mortos ou feridos nas fileiras do ex\u00e9rcito russo, e 100.000 ucranianos, sem levar em considera\u00e7\u00e3o as 30.000 mortes de civis.<br \/>\nTodos os entrevistados disseram \u00e0 reportagem da RFI que sonham com o fim desta guerra, que j\u00e1 deixou milhares de mortos e milh\u00f5es de refugiados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do governo noruegu\u00eas indicam que conflito j\u00e1 deixou cerca de 180 mil mortos ou feridos no ex\u00e9rcito da R\u00fassia, e 100 mil no da Ucr\u00e2nia \u2014 sem levar em considera\u00e7\u00e3o 30 mil mortes de civis. 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