{"id":42431,"date":"2023-02-16T21:10:06","date_gmt":"2023-02-16T21:10:06","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/16\/mulheres-contam-como-sobreviveram-a-ataque-russo-na-ucrania\/"},"modified":"2023-02-16T21:10:06","modified_gmt":"2023-02-16T21:10:06","slug":"mulheres-contam-como-sobreviveram-a-ataque-russo-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/16\/mulheres-contam-como-sobreviveram-a-ataque-russo-na-ucrania\/","title":{"rendered":"Mulheres contam como sobreviveram a ataque russo na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/FBK-zxtDYjDO8LLH6xm9MsPG_9g=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/x\/4\/mJvVtuRM2RvAjGWVPYiQ\/fg56.jpg\"><br \/>     Bombardeio a pr\u00e9dio residencial em Dnipro deixou 46 mortos e mais de 80 feridos. Parte do edif\u00edcio ficou em ru\u00ednas. Duas sobreviventes falam sobre a trag\u00e9dia e como ela mudou suas vidas. Foto de Anastasia Shwez em meio ao que restou de seu apartamento em Dnipro rodou o mundo<br \/>\nDW\/Arsen Dzodzayev\/Hromadske<br \/>\nO ataque russo contra a cidade de Dnipro, no sudeste da Ucr\u00e2nia, em meados de janeiro foi um dos mais sangrentos neste quase um ano de guerra. Um m\u00edssil supers\u00f4nico Kh-22 atingiu um pr\u00e9dio residencial, deixando ao menos 46 mortos e 80 feridos. Um m\u00eas ap\u00f3s o ataque, cinco das v\u00edtimas continuam internadas. Dezenas perderam amigos, parentes e suas casas.<br \/>\nAnastasia Shwez, de 24 anos, \u00e9 uma das sobreviventes do ataque que ocorreu em 14 de janeiro. Nesse dia, sua vida mudou para sempre: foi quando ela perdeu os pais, seu gato e seu lar \u2013 tudo ao mesmo tempo. Ainda \u00e9 dif\u00edcil para ela voltar ao local onde morou e que hoje est\u00e1 em escombros, mas ela quer contar o que passou.<br \/>\n&#8220;Sempre quando se fala sobre isso, alivia o cora\u00e7\u00e3o, apesar de n\u00e3o ser poss\u00edvel mudar nada e ter que viver com isso&#8221;, afirma Schwez.<br \/>\nDesde crian\u00e7a, a jovem morava com os pais no pr\u00e9dio atacado. Sua m\u00e3e, Natalja, trabalhava num banco, e seu pai, Maksym, era mec\u00e2nico. Schwez e a m\u00e3e eram ativistas para a prote\u00e7\u00e3o de animais, especialmente gatos de rua. Elas alimentavam os gatos e buscavam lares para eles. Com o in\u00edcio da guerra, o pai perdeu o emprego e se voluntariou para construir bloqueios em estradas.<br \/>\nM\u00edssil russo derrubou parte de pr\u00e9dio residencial na quarta maior cidade da Ucr\u00e2nia<br \/>\nDW<br \/>\nVida devastada ap\u00f3s estrondo violento<br \/>\nSchwez conta que, no dia 14 de janeiro, depois do almo\u00e7o, seus pais estavam na cozinha fazendo velas para enviar aos soldados que estavam nas trincheiras. Ela queria descansar, pois tinha que trabalhar numa padaria de noite.<br \/>\n&#8220;Somente dez minutos depois de ter colocado o meu celular ao meu lado para dormir, ouvi um estrondo violento, foi como um terremoto&#8221;, relata a jovem.<br \/>\nQuase toda a escadaria do pr\u00e9dio de nove andares ficou destru\u00edda, com exce\u00e7\u00e3o do t\u00e9rreo. Do apartamento de Schwez, que ficava no sexto andar, restou apenas o corredor e uma parte do quarto onde ficava a cama na qual ela estava deitada. &#8220;Comecei a telefonar para os meus pais, embora eu soubesse que n\u00e3o restava nada da cozinha&#8221;, conta.<br \/>\nSchwez, ent\u00e3o, rastejou a at\u00e9 a beira do buraco aberto no quarto e tentou chamar a aten\u00e7\u00e3o dos socorristas. A imagem desse momento circulou nas redes sociais. Ela ainda tinha esperan\u00e7as de que os pais tivessem sobrevivido, mas, no dia seguinte, seus corpos foram encontrados nos escombros.<br \/>\nDesde a trag\u00e9dia, Schwez vive como a av\u00f3 e a tia. Ela continua afastada do trabalho, mas espera poder voltar logo. Ela conta que ru\u00eddos altos, o bater de portas e alarmes de alerta a assustam ao ponto de, \u00e0s vezes, precisar de calmantes.<br \/>\nA perda dos pais n\u00e3o foi a sua primeira na guerra. Em setembro, seu namorado, Vladislav, que era soldado, morreu numa contraofensiva ucraniana na regi\u00e3o de Kharkiv.  &#8220;Ainda n\u00e3o tinha digerido essa perda, e agora meus pais n\u00e3o est\u00e3o mais aqui tamb\u00e9m. Agora carrego a tristeza por eles dentro de mim o tempo todo&#8221;, conta a jovem, com os olhos cheios de l\u00e1grimas.<br \/>\nSegundo nascimento<br \/>\nA psic\u00f3loga Olha Botvinova sorri quando ouve &#8220;bom dia&#8221;. Ela tamb\u00e9m morava com o marido, Jevhen, no pr\u00e9dio atacado em Dnipro, em seu apartamento no nono andar.<br \/>\n&#8220;Naquele dia, curiosamente, fizemos planos para os pr\u00f3ximos seis meses. Foi um sinal de que n\u00e3o dever\u00edamos morrer&#8221;, acredita Botvinova hoje.<br \/>\nPara ela, o dia do ataque \u00e9 como um segundo nascimento. Ela diz que \u00e9 um milagre ter sobrevivido. &#8220;Estava no quarto, que n\u00e3o existe mais, trabalhando no meu laptop. De repente, meu marido me chama no c\u00f4modo ao lado. Vou at\u00e9 l\u00e1, e poucos minutos depois, acontece o que aconteceu.&#8221;<br \/>\nQuando Botvinova e o marido voltaram a si, primeiro, quiseram descer as escadas, mas viram apenas um precip\u00edcio atr\u00e1s da porta do c\u00f4modo que ficou em p\u00e9. Ela tinha machucado a cabe\u00e7a, e o marido, que \u00e9 cirurgi\u00e3o, fez um curativo com uma camiseta. Ent\u00e3o, eles pegaram uma lanterna para sinalizar aos socorristas que estavam vivos. Poucas horas depois, foram resgatados.<br \/>\nPara Olha Botvinova, milagre ocorreu no dia do ataque<br \/>\nDW<br \/>\nA agress\u00e3o russa j\u00e1 mudou completamente a vida de Botvinova e Jevhen v\u00e1rias vezes. Eles s\u00e3o de Donetsk, e, em 2014, quando a guerra come\u00e7ou na regi\u00e3o do Donbass, se mudaram para Kherson. Quando essa cidade foi ocupada pela R\u00fassia, eles precisaram procurar novamente um novo lar. O casal fugiu para a regi\u00e3o do pa\u00eds que estava sob controle de Kiev e se instalou no pr\u00e9dio que acabou destru\u00eddo em Dnipro.<br \/>\nUm dia depois do bombardeio, Botvinova e Jevhen descobriram que sua antiga casa em Kherson foi destru\u00edda num ataque russo.<br \/>\n&#8220;Esse \u00e9 o nosso terceiro recome\u00e7o, mas estamos vivos, e a parte material vir\u00e1 com o tempo.&#8221;<br \/>\nEles vivem agora num apartamento disponibilizado por um casal que ofereceu ajuda \u00e0s v\u00edtimas da trag\u00e9dia. As roupas que vestem vieram de doa\u00e7\u00f5es. Botvinova elogia a uni\u00e3o e boa vontade da popula\u00e7\u00e3o. Seu marido voltou a trabalhar no hospital, e ela pretende dar em breve cursos de psicologia.<br \/>\nVida que precisa seguir<br \/>\nTanto Schwez quanto Botvinova dizem n\u00e3o querer desperdi\u00e7ar seus pensamentos com quem disparou o m\u00edssil que atingiu seus lares. Botvinova ressalta que prefere pensar positivo para n\u00e3o &#8220;se vitimizar a vida inteira&#8221;. Ela est\u00e1 desenvolvendo agora um projeto de apoio psicol\u00f3gico para v\u00edtimas da guerra.<br \/>\nSchwez diz que a raiva que sente n\u00e3o pode trazer seus pais de volta. A jovem est\u00e1 recolhendo doa\u00e7\u00f5es para o Ex\u00e9rcito ucraniano, &#8220;para que nossos jovens aniquilem esse lixo do nosso territ\u00f3rio&#8221;, afirma, se referindo aos invasores russos.<br \/>\nAs duas sobreviventes do bombardeio em Dnipro dizem que suas vidas precisam seguir de alguma forma.<br \/>\n&#8220;Preciso continuar a viver n\u00e3o s\u00f3 por mim, mas pelos meus pais, para que a sua vida n\u00e3o tenha sido em v\u00e3o&#8221;, destaca Schwez.<br \/>\nJ\u00e1 Botvinova sublinha que, o fato de ser uma sobrevivente deixou claro que ela n\u00e3o tem o direito moral de desistir. &#8220;Cada dia \u00e9 um grande milagre e uma chance de continuar e viver. Eu tenho essa chance, ao contr\u00e1rio daqueles que estavam no nosso pr\u00e9dio, que tinham planos e crian\u00e7as, mas n\u00e3o sobreviveram. Eu tenho essa chance e n\u00e3o posso desperdi\u00e7\u00e1-la.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bombardeio a pr\u00e9dio residencial em Dnipro deixou 46 mortos e mais de 80 feridos. Parte do edif\u00edcio ficou em ru\u00ednas. Duas sobreviventes falam sobre a trag\u00e9dia e como ela mudou suas vidas. 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