{"id":41970,"date":"2023-02-15T07:12:20","date_gmt":"2023-02-15T07:12:20","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/15\/as-mulheres-jovens-dependentes-de-opioides-em-pais-africano\/"},"modified":"2023-02-15T07:12:20","modified_gmt":"2023-02-15T07:12:20","slug":"as-mulheres-jovens-dependentes-de-opioides-em-pais-africano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/15\/as-mulheres-jovens-dependentes-de-opioides-em-pais-africano\/","title":{"rendered":"As mulheres jovens dependentes de opioides em pa\u00eds africano"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/HKaXSaLWMn8wmaP6BftOXAOKbxo=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/N\/X\/4KqcJYRk6kL8zucSppRQ\/1.jpg\"><br \/>     Mulheres falam sobre depend\u00eancia de drogas na Som\u00e1lia ap\u00f3s morte de influenciadora do TikTok por overdose. Amino Abdi conversou com a BBC sobre sua depend\u00eancia na esperan\u00e7a de reduzir o tabu sobre a quest\u00e3o<br \/>\nFATHI MOHAMED AHMED<br \/>\nA descoberta do corpo de uma jovem de 22 anos nas ruas de Mogad\u00edscio, capital da Som\u00e1lia, no ano passado, chamou a aten\u00e7\u00e3o para o problema da depend\u00eancia de drogas entre mulheres na cidade.<br \/>\nProfissionais da sa\u00fade afirmam que a v\u00edtima, uma influenciadora de redes sociais, morreu em decorr\u00eancia de uma overdose de opioides.<br \/>\n De acordo com relatos de amigos, ela vinha usando drogas injet\u00e1veis h\u00e1 muito tempo \u2014 e estava drogada quando gravou alguns dos seus populares v\u00eddeos no TikTok.<br \/>\nA pol\u00edcia registrou um aumento do uso abusivo de subst\u00e2ncias em Mogad\u00edscio e em outras partes da Som\u00e1lia, inclusive entre as mulheres. Eles afirmam que as pessoas est\u00e3o procurando novos tipos de drogas.<br \/>\nO costume local era mascar a folha narc\u00f3tica de khat (que n\u00e3o \u00e9 ilegal), consumir bebida alco\u00f3lica, cheirar cola e fumar haxixe. Mas cada vez mais gente vem abusando de opioides injetados diretamente na veia. Entre eles, morfina, tramadol, petidina e code\u00edna.<br \/>\nNo in\u00edcio de dezembro de 2022, a pol\u00edcia apreendeu uma grande quantidade de rem\u00e9dios controlados, sobretudo opioides, no aeroporto internacional de Mogad\u00edscio. Os importadores foram presos.<br \/>\nMuitas subst\u00e2ncias s\u00e3o vendidas sem receita nas farm\u00e1cias de Mogad\u00edscio, capital da Som\u00e1lia<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\n&#8220;Comprimidos e drogas injet\u00e1veis s\u00e3o muito populares entre as mulheres jovens e as meninas&#8221;, diz um m\u00e9dico de Mogad\u00edscio, que pediu para n\u00e3o ser identificado por se tratar de um tema sens\u00edvel.<br \/>\n&#8220;Muitas dessas subst\u00e2ncias causam depend\u00eancia e s\u00e3o facilmente encontradas \u00e0 venda sem receita m\u00e9dica em farm\u00e1cias por toda a cidade.&#8221;<br \/>\n&#8216;Comecei a dormir nos carros&#8217;<br \/>\nOutra droga popular consumida pelas mulheres jovens \u00e9 um tipo de fumo de mascar conhecido como &#8220;tabbuu&#8221;, que pode causar c\u00e2ncer de boca e de garganta.<br \/>\nAmino Abdi, de 23 anos, usa drogas h\u00e1 cinco anos. A depend\u00eancia entre as mulheres \u00e9 um tabu na Som\u00e1lia, mas ela decidiu falar abertamente com a BBC, na esperan\u00e7a de poder ajudar a romper o sil\u00eancio e diminuir o preconceito.<br \/>\nA Som\u00e1lia n\u00e3o tem centros de reabilita\u00e7\u00e3o adequados para ajudar as pessoas a deixar a depend\u00eancia das drogas<br \/>\nFATHI MOHAMED AHMED<br \/>\n&#8220;Comecei a mascar tabbuu com as meninas com quem morava&#8221;, ela conta.<br \/>\n&#8220;Elas exerciam uma m\u00e1 influ\u00eancia sobre mim. Fiquei dependente do fumo e ent\u00e3o comecei a usar drogas mais pesadas, especialmente as que eu podia injetar por via intravenosa, principalmente tramadol e petidina.&#8221;<br \/>\nAbdi conta que seu consumo de drogas disparou quando come\u00e7ou a ter problemas com o marido. Agora, ela \u00e9 divorciada e mora com a filha pequena.<br \/>\n&#8220;Meu ex \u00e9 a raz\u00e3o pela qual me tornei dependente de drogas pesadas&#8221;, diz ela.<br \/>\n&#8220;Minha depend\u00eancia ficou t\u00e3o forte que perdi a cabe\u00e7a. Comecei a dormir em carros e nas ruas.&#8221;<br \/>\nAbdi est\u00e1 tentando deixar as drogas, mas diz que \u00e9 muito dif\u00edcil porque n\u00e3o existem centros de reabilita\u00e7\u00e3o adequados na Som\u00e1lia para gerenciar a abstin\u00eancia.<br \/>\nSegundo ela, \u00e9 imposs\u00edvel parar de usar todas as subst\u00e2ncias ao mesmo tempo. Abdi conseguiu reduzir a inje\u00e7\u00e3o de opioides, mas ainda masca tabaco e fuma narguil\u00e9.<br \/>\nOs pais, especialmente as m\u00e3es, est\u00e3o extremamente preocupados com o aumento do consumo de drogas entre as filhas \u2014 muitas ainda em idade escolar.<br \/>\nKhadijo Adan percebeu que a filha de 14 anos vinha se comportando de forma incomum:<br \/>\n&#8220;Ela dormia em hor\u00e1rios estranhos e estava agindo de forma diferente&#8221;.<br \/>\n&#8220;Um dia, encontrei comprimidos de tramadol e fumo de mascar na bolsa dela. Eu a confrontei, e ela me disse que havia come\u00e7ado a usar drogas devido \u00e0 press\u00e3o das colegas&#8221;, relata a m\u00e3e.<br \/>\nAdan encaminhou a filha para morar em um centro administrado por xeques mu\u00e7ulmanos. Ela n\u00e3o usa mais drogas porque n\u00e3o consegue ter acesso a elas no centro.<br \/>\nMuitos pais encaminham filhos &#8220;problem\u00e1ticos&#8221; para essas institui\u00e7\u00f5es, especialmente quando t\u00eam problemas de sa\u00fade mental, quando se envolvem em crimes ou com drogas e quando h\u00e1 suspeita de homossexualidade.<br \/>\nJ\u00e1 foram registrados abusos s\u00e9rios em alguns desses centros, incluindo casos de pacientes que foram acorrentados e agredidos.<br \/>\nCrian\u00e7as de rua em risco<br \/>\nTudo isso acontece enquanto a Som\u00e1lia luta para enfrentar a pior seca dos \u00faltimos 40 anos e mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de conflitos. Diante deste cen\u00e1rio, os recursos limitados do pa\u00eds s\u00e3o insuficientes para cobrir as necessidades humanas mais b\u00e1sicas, que dir\u00e1 combater problemas como a depend\u00eancia de drogas.<br \/>\nAlgumas pequenas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o tentando preencher essa lacuna, promovendo conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os perigos das drogas.<br \/>\nAs folhas frescas de khat s\u00e3o populares na Som\u00e1lia \u2014 elas possuem um suave efeito estimulante quando mascadas<br \/>\nAFP<br \/>\nA Green Crescent Society visita escolas e universidades para alertar os alunos sobre os diferentes tipos de depend\u00eancia, incluindo o uso abusivo de subst\u00e2ncias, jogos de azar, games e redes sociais.<br \/>\nSirad Mohamed Nur dirige a Funda\u00e7\u00e3o Mama Ugaaso, dedicada ao uso abusivo de drogas entre jovens, incluindo meninas.<br \/>\n&#8220;Fazemos o melhor que podemos para desestimular o consumo de drogas pelos jovens, mantendo programas de conscientiza\u00e7\u00e3o que destacam os riscos \u00e0 sa\u00fade associados ao uso abusivo de subst\u00e2ncias.&#8221;<br \/>\n&#8220;Tamb\u00e9m fazemos lobby para que o governo se apresente e fa\u00e7a alguma coisa&#8221;, acrescenta Nur.<br \/>\n&#8220;Mas n\u00e3o \u00e9 suficiente. S\u00e3o necess\u00e1rias medidas dr\u00e1sticas para evitar que esse flagelo saia de controle, especialmente entre as crian\u00e7as de rua.&#8221;<br \/>\nSegundo o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento das Mulheres e dos Direitos Humanos, mais de 40% das crian\u00e7as de rua consomem drogas. Cerca de um quinto das crian\u00e7as de rua na Som\u00e1lia s\u00e3o meninas e aproximadamente 10% t\u00eam menos de seis anos \u2014 algumas, chegam a ter apenas tr\u00eas anos.<br \/>\nO khat, a cola e o fumo de mascar s\u00e3o as subst\u00e2ncias mais comuns consumidas pelas crian\u00e7as de rua. Mas um estudo realizado pelo minist\u00e9rio concluiu que cerca de 10% delas usam opioides \u2014 e aproximadamente 17% tomam comprimidos para dormir.<br \/>\nO aumento do uso de drogas entre os jovens marginalizados fez aumentar a criminalidade, incluindo a viol\u00eancia contra meninas e mulheres.<br \/>\nE, segundo a organiza\u00e7\u00e3o de pesquisa Somali Public Agenda, tamb\u00e9m gerou o recente fen\u00f4meno das gangues de rua, conhecidas como &#8220;Ciyal Weero&#8221;, que v\u00eam espalhando o terror em Mogad\u00edscio.<br \/>\nEm alguns casos, as drogas s\u00e3o usadas para se aproveitar das mulheres, como na cidade de Baidoa, no sudoeste da Som\u00e1lia, onde uma mulher teria sido violentada depois de receber um opioide.<br \/>\nExiste tamb\u00e9m o risco de que o aumento do uso de drogas intravenosas possa reverter a incid\u00eancia relativamente baixa de HIV e Aids na Som\u00e1lia.<br \/>\n&#8220;O recente aumento das pessoas que injetam drogas, especialmente opioides, est\u00e1 colocando todo um novo grupo de somalis em risco de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus&#8221;, afirma a diretora do programa de HIV do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade da Som\u00e1lia, Sadia Abdisamad Abdulahi.<br \/>\nRepress\u00e3o \u00e0s farm\u00e1cias<br \/>\nOs profissionais da sa\u00fade afirmam que uma das formas mais eficazes de combater o problema dos opioides \u00e9 mirar nas pessoas que vendem os medicamentos \u2014 em sua maioria, farmac\u00eauticos.<br \/>\nE a pol\u00edcia come\u00e7ou a reprimi-los.<br \/>\nAs farm\u00e1cias vinham ganhando um bom dinheiro com a venda de analg\u00e9sicos e opioides para os jovens<br \/>\nFATHI MOHAMED AHMED<br \/>\nUm farmac\u00eautico que n\u00e3o quis se identificar afirma que ele e seus colegas n\u00e3o est\u00e3o nem um pouco satisfeitos com a interven\u00e7\u00e3o policial.<br \/>\n&#8220;Administrei uma farm\u00e1cia em Mogad\u00edscio por muitos anos&#8221;, ele conta.<br \/>\n&#8220;Costumava ser muito f\u00e1cil vender drogas para os jovens, incluindo as meninas, em parte porque ningu\u00e9m sabia que tipo de efeito as drogas teriam sobre eles.&#8221;<br \/>\n&#8220;N\u00f3s costum\u00e1vamos vender para todo mundo e ganh\u00e1vamos um bom dinheiro&#8221;, acrescenta o farmac\u00eautico.<br \/>\n&#8220;Mas os pais agora est\u00e3o trabalhando com a pol\u00edcia, que come\u00e7ou a nos vigiar e a nos prender, em alguns casos. Agora, temos medo de vender drogas para os jovens e, por isso, estamos perdendo dinheiro.&#8221;<br \/>\nAo falar abertamente sobre a quest\u00e3o da depend\u00eancia entre as mulheres, jovens corajosas, como Amino Abdi, e m\u00e3es, como Khadijo Adan, deram o primeiro (e importante) passo para trazer \u00e0 tona este problema.<br \/>\nA interven\u00e7\u00e3o policial e os programas de conscientiza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas tamb\u00e9m v\u00e3o ajudar \u2014 mas, sem novos recursos e aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 improv\u00e1vel que o problema seja solucionado no curto prazo.<br \/>\n* Fathi Mohamed Ahmed \u00e9 editora-chefe da ag\u00eancia de not\u00edcias Bilan Media, formada s\u00f3 por mulheres, na Som\u00e1lia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres falam sobre depend\u00eancia de drogas na Som\u00e1lia ap\u00f3s morte de influenciadora do TikTok por overdose. 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