{"id":41217,"date":"2023-02-12T10:11:31","date_gmt":"2023-02-12T10:11:31","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/12\/fazer-o-que-vamos-pra-rua-sem-renda-sem-teto-e-invisivel-populacao-em-situacao-de-rua-dispara-no-pais\/"},"modified":"2023-02-12T10:11:31","modified_gmt":"2023-02-12T10:11:31","slug":"fazer-o-que-vamos-pra-rua-sem-renda-sem-teto-e-invisivel-populacao-em-situacao-de-rua-dispara-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/12\/fazer-o-que-vamos-pra-rua-sem-renda-sem-teto-e-invisivel-populacao-em-situacao-de-rua-dispara-no-pais\/","title":{"rendered":"&#8216;Fazer o qu\u00ea? Vamos pra rua&#8217;: sem renda, sem teto e &#8216;invis\u00edvel&#8217;, popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua dispara no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/Ivw-EfTF7ZTH6GKD9rIngrzScCI=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/q\/o\/iiLXMNTSSl5hU3n9GBfw\/image00080.jpeg\"><br \/>     Popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil cresceu 38% nos \u00faltimos tr\u00eas anos, e passa de 281 mil pessoas, segundo estimativa do Ipea. Salto foi de 211% em dez anos.  &#8216;Fazer o qu\u00ea? Vamos pra rua&#8217;: popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua dispara no pa\u00eds<br \/>\n\u201cAqui \u00e9 legal de morar. Ningu\u00e9m vai mexer com voc\u00eas. \u00c9 tranquilo.\u201d<br \/>\nA dica recebida pela Regiane Cristina Albuquerque do Nascimento, a Cris, foi decisiva para que ela e o marido se instalassem em uma travessa da Avenida Paulista, uma das principais vias do pa\u00eds.<br \/>\nOs irm\u00e3os Mateus, 23, e Cris, 36, moram em uma barraca improvisada na regi\u00e3o da Avenida Paulista.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nLonas, pl\u00e1sticos e mantas, sustentados por madeiras, canos e bambus, passaram a formar, ent\u00e3o, o que a guarulhense de 36 anos chama hoje de lar.<br \/>\nA barraca de cerca de tr\u00eas metros de extens\u00e3o e no m\u00e1ximo um e meio de largura ganhou forma com colch\u00f5es usados, cobertores, objetos pessoais, itens de cozinha e de higiene.<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M:<br \/>\nPopula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua passa de 48 mil na capital paulista e bate recorde em 2022<br \/>\n\u201cApesar de estar na rua, aqui \u00e9 tudo limpinho. Eu gosto de limpeza. Acabei de lavar a cal\u00e7ada. Pode se sentar\u201d, diz Cris, sol\u00edcita, ao encontrar a reportagem do g1.<br \/>\nLonas, pl\u00e1sticos e mantas, sustentadas por madeiras, canos e bambus, formam o que a guarulhense de 36 anos chama hoje de lar.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nEla est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de rua h\u00e1 dois anos \u2013 metade deles instalada na cal\u00e7ada lateral do parque Prefeito M\u00e1rio Covas, na Paulista. Com o marido, j\u00e1 morou em alguns pontos do centro de S\u00e3o Paulo, como o Largo S\u00e3o Bento e Anhangaba\u00fa.<br \/>\n\u201cQuem me indicou para ficar aqui foram umas amigas trans que conheci na rua. Aqui era mais tranquilo, diferente dos outros lugares em que fiquei\u201d, comenta.<br \/>\nCris e Mateus moram em barraca improvisada em uma travessa da Avenida Paulista.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nCrise financeira<br \/>\nA perda de uma renda fixa fez Cris ir para a rua. Ela e o marido recebiam, at\u00e9 o in\u00edcio da pandemia de Covid-19, pouco mais de um sal\u00e1rio m\u00ednimo cada. Cris, trabalhando como a\u00e7ougueira em uma rede de supermercados. O marido, em um lava-r\u00e1pido.<br \/>\nJuntos, levantavam cerca de R$ 3 mil por m\u00eas, o suficiente para o aluguel de R$ 750, que inclu\u00eda \u00e1gua e luz. Os dois perderam emprego na mesma \u00e9poca, e viram as economias derreterem.<br \/>\n\u201cA gente tinha economizado um dinheiro, mas zerou. A gente gostava de passear, at\u00e9 pegou um cachorro. Mas, com a pandemia, acabaram nossas economias. A\u00ed ele me falou: \u2018Vamos fazer o qu\u00ea?\u2019. Eu respondi: \u2018Vamos pra rua\u2019. E fomos\u201d, conta.<br \/>\nApesar de n\u00e3o ser o \u00fanico motivo, a falta de renda \u00e9 a principal causa a levar uma pessoa a viver em situa\u00e7\u00e3o de rua, afirma Marco Natalino, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea).<br \/>\n&#8220;O fator econ\u00f4mico inclui falta de renda e de oportunidade de trabalho nos locais de moradia. Isso se manifesta tamb\u00e9m no caso de pessoas que at\u00e9 t\u00eam uma habita\u00e7\u00e3o longe dos grandes centros, mas passam a semana ou v\u00e1rios dias dormindo de forma improvisada nas ruas e trabalhando como lavador de carro, ambulante e outras coisas\u201d, diz.<br \/>\nPelo menos 281.472 pessoas est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no pa\u00eds, uma alta de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nCen\u00e1rio nacional<br \/>\nO pa\u00eds carece de dados oficiais sobre pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Essa popula\u00e7\u00e3o ficou de fora inclusive do Censo Demogr\u00e1fico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que contempla apenas pessoas domiciliadas.<br \/>\nNatalino explica que mapeamentos s\u00e3o essenciais para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas a essas pessoas. O estudo conduzido por ele \u2013 justamente com esse objetivo \u2013 estima o tamanho da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua com base em dados de prefeituras e do Cadastro \u00danico, do governo federal.<br \/>\nOs n\u00fameros consolidados de 2022 apontam pelo menos 281.472 pessoas vivendo nas ruas pelo pa\u00eds, o que representa uma alta de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019, per\u00edodo pr\u00e9-pandemia.<br \/>\nO salto foi de 211% em uma d\u00e9cada \u2013 em 2012, eram 90.480 pessoas sem um teto no Brasil.<br \/>\n\u201cA partir de 2015, houve crescimento da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua motivado pelo fator econ\u00f4mico, com aumento do desemprego, da informalidade, queda da renda e da alta da pobreza\u201d, analisa o pesquisador, apontando o agravamento da situa\u00e7\u00e3o com a crise sanit\u00e1ria de Covid-19.<br \/>\nCom a dificuldade de consolida\u00e7\u00e3o de dados por parte do poder p\u00fablico, os n\u00fameros reais, no entanto, podem ser ainda maiores.<br \/>\nBarraca ganha forma com colch\u00f5es usados, cobertores, mantas, objetos pessoais, itens de cozinha e de higiene.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nSalto em um ano<br \/>\nA crise financeira tamb\u00e9m atingiu em cheio Mateus Albuquerque da Silva, de 23 anos, irm\u00e3o de Cris. Ele tinha uma renda m\u00e9dia mensal de R$ 2 mil, mas perdeu os bicos e n\u00e3o conseguiu se recolocar.<br \/>\n\u201cA\u00ed veio a pandemia. Eu ganhava dinheiro, e guardava. S\u00f3 que, depois, quando fechou tudo e deu lockdown, n\u00e3o consegui mais guardar, porque n\u00e3o tinha como fazer. S\u00f3 fui gastando, gastando, e n\u00e3o consegui mais ganhar\u201d, relembra.<br \/>\nSem renda, n\u00e3o deu conta do aluguel, e se viu sem sa\u00edda. Em 2022, decidiu pedir ajuda \u00e0 irm\u00e3, que o recebeu na barraca. Hoje, a estrutura montada na regi\u00e3o da Paulista abriga Mateus, Cris, o marido e um rapaz adotado na rua, al\u00e9m dos oito cachorros deles.<br \/>\nMateus \u00e9 mais um entre os brasileiros que fizeram disparar o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua de 2021 para 2022, quando houve o maior avan\u00e7o anual desde o in\u00edcio a s\u00e9rie hist\u00f3rica compilada pelo pesquisador Marco Natalino.<br \/>\nO salto foi de 21% \u2013 232.147 pessoas \u2013 para os atuais 281.472 brasileiros vivendo nessas condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u2018Fazer o qu\u00ea? Ir pra rua\u2019: crise deixa brasileiros sem renda e sem teto.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nRede de apoio e sa\u00fade mental<br \/>\nAl\u00e9m do fator econ\u00f4mico, Natalino aponta outros dois conjuntos de elementos que levam a essa realidade: a quebra de v\u00ednculos familiares e comunit\u00e1rios, que formam a primeira rede de apoio, e os aspectos ligados \u00e0 sa\u00fade mental, que incluem o v\u00edcio em drogas l\u00edcitas ou il\u00edcitas.<br \/>\nA pandemia afetou as rela\u00e7\u00f5es na base, que incluem fam\u00edlia e amigos, afirma o pesquisador.<br \/>\n\u201cMesmo antes do Estado, n\u00f3s contamos com pessoas do nosso c\u00edrculo mais \u00edntimo para nos apoiarem em situa\u00e7\u00f5es adversas. A verdade \u00e9 que a pandemia esgar\u00e7ou alguns desses v\u00ednculos. Houve muitas brigas, separa\u00e7\u00f5es, v\u00ednculos rompidos. E algumas pessoas tamb\u00e9m acabaram nas ruas por causa disso.\u201d<br \/>\nCris e Mateus, irm\u00e3os por parte de m\u00e3e, n\u00e3o t\u00eam uma rede de apoio consolidada. Apesar do contato com o pai de Mateus, padrasto de Cris, eles preferem \u201cse virar\u201d.<br \/>\n\u201cParente? Parente \u00e9 nossos dentes\u201d, diz Cris. \u201cNa verdade, os \u00fanicos que tenho certeza de que n\u00e3o v\u00e3o me trair s\u00e3o os meus cachorros. O resto&#8230;\u201d, questiona. Mateus \u00e9 sucinto sobre o tema: \u201cA gente prefere seguir nossas vidas\u201d.<br \/>\nEntre \u2018manguear\u2019 e receber aux\u00edlio<br \/>\nConseguir dinheiro \u00e9 um desafio para os dois, seja catando itens recicl\u00e1veis pelas ruas ou vendendo produtos como esmaltes, canetas e garrafinhas d\u2019\u00e1gua \u2013 essas \u00faltimas, recebidas em doa\u00e7\u00f5es. \u201cNo lugar de tomar as \u00e1guas, a gente guarda e vende. A\u00ed consegue tirar um dinheiro\u201d, diz Cris.<br \/>\nCris mostra o &#8216;porta bic&#8217; feito por Mateus e vendido por ela.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nEles tamb\u00e9m contam com a ajuda de estabelecimentos, moradores da regi\u00e3o e de quem passa por ali. \u201cComecei a vender esmalte, a pedir \u2013 o que o pessoal na rua chama de \u2018manguear\u2019. Tamb\u00e9m vendo a caneta personalizada que o meu irm\u00e3o faz, al\u00e9m de porta bic [isqueiro].\u201d<br \/>\nCris recebe o Aux\u00edlio Brasil, renda que ajuda a comprar a comida preparada utilizando um pequeno fogareiro \u00e0 \u00e1lcool. \u201cNo almo\u00e7o, teve macarr\u00e3o [ao] alho e \u00f3leo.\u201d<br \/>\nJ\u00e1 Mateus n\u00e3o teve a mesma sorte com o benef\u00edcio. \u201cEu tentei, mas n\u00e3o consegui at\u00e9 hoje. Eles falavam que eu n\u00e3o preenchia os pr\u00e9-requisitos. Mas n\u00e3o explicaram quais eram. N\u00e3o deram aten\u00e7\u00e3o\u201d, relata. \u201cAgora j\u00e1 desisti.\u201d<br \/>\nMateus mostra as canetas personalizadas que eles vendem.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nComo frear esse cen\u00e1rio?<br \/>\nO primeiro passo para aprimorar as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua \u00e9 melhorando os indicadores, diz Natalino. \u201cPrecisamos, primeiro, conhecer melhor essa realidade, para a\u00ed podermos tratar adequadamente.\u201d<br \/>\nEm seguida, ele elenca alguns pontos considerados essenciais para amenizar a situa\u00e7\u00e3o:<br \/>\nPol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda<br \/>\nS\u00e3o uma esp\u00e9cie de \u201cvacina\u201d contra os efeitos delet\u00e9rios da pobreza sobre a vida das pessoas, afirma. \u201cH\u00e1 uma pol\u00edtica de seguro desemprego. Mas, muitas vezes, como n\u00e3o h\u00e1 emprego formal pra essa popula\u00e7\u00e3o, o ideal s\u00e3o pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda como o Bolsa Fam\u00edlia.\u201d<br \/>\n\u201cSeria interessante pensarmos em transfer\u00eancias de renda pontuais para as situa\u00e7\u00f5es de choque econ\u00f4mico. \u00c0s vezes \u00e9 o desemprego ou a morte da pessoa provedora econ\u00f4mica da fam\u00edlia que leva a essa situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. E pode resultar n\u00e3o s\u00f3 em uma situa\u00e7\u00e3o de rua, mas uma s\u00e9rie de outros problemas derivados da pobreza\u201d, alerta.<br \/>\n&#8216;No almo\u00e7o, teve macarr\u00e3o [ao] alho e \u00f3leo&#8217;, diz Cris.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nMelhora na infraestrutura da assist\u00eancia social<br \/>\nIsso inclui um atendimento mais digno em espa\u00e7os de conviv\u00eancia e atendimento psicossocial, al\u00e9m da melhora dos albergues e dos abrigos sociais, com ambientes mais limpos e tratamento de melhor qualidade.<br \/>\n\u201cEu chamo esse aspecto de reordenamento institucional das pol\u00edticas de assist\u00eancia social\u201d, diz o pesquisador.<br \/>\nPol\u00edticas de sa\u00fade<br \/>\nO destaque negativo vai para a exclus\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o dos equipamentos de sa\u00fade. \u201c\u00c0s vezes a pessoa chega l\u00e1 sem documento e n\u00e3o \u00e9 atendida. Ou chega em uma situa\u00e7\u00e3o em que \u00e9 estigmatizada e n\u00e3o consegue atendimento. Isso tem que mudar.&#8221;<br \/>\nCris mostra o fogareiro \u00e0 \u00e1lcool utilizado para cozinhar.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<br \/>\nPol\u00edticas habitacionais<br \/>\n\u00c9 um aspecto que vem ganhando for\u00e7a, afirma Natalino. Ele explica que existe uma tend\u00eancia entre especialistas, sociedade civil e governos municipais, estaduais e federal de adotar uma metodologia de &#8216;moradia primeiro&#8217;.<br \/>\n\u201cOu seja, identificar a situa\u00e7\u00e3o de rua como um problema, antes de tudo, de falta de moradia. E, a partir da\u00ed, pensar em pol\u00edticas habitacionais.\u201d<br \/>\n\u201c\u00c9 interessante porque alia o acesso \u00e0 moradia a servi\u00e7os de assist\u00eancia social e servi\u00e7os psicossociais, para que a pessoa consiga botar sua vida nos eixos. E \u00e9 o que a experi\u00eancia internacional mostra que tem melhor resultado\u201d, conclui.<br \/>\nPrimeiro passo para aprimorar as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua \u00e9 melhorando os indicadores, diz pesquisador.<br \/>\nAndr\u00e9 Catto\/g1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil cresceu 38% nos \u00faltimos tr\u00eas anos, e passa de 281 mil pessoas, segundo estimativa do Ipea. Salto foi de 211% em dez anos. &#8216;Fazer o qu\u00ea? Vamos pra rua&#8217;: popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua dispara no pa\u00eds \u201cAqui \u00e9 legal de morar. 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