{"id":40240,"date":"2023-02-08T22:12:11","date_gmt":"2023-02-08T22:12:11","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/08\/fim-das-bananas-por-que-alguns-vegetais-correm-risco-de-extincao-segundo-livro\/"},"modified":"2023-02-08T22:12:11","modified_gmt":"2023-02-08T22:12:11","slug":"fim-das-bananas-por-que-alguns-vegetais-correm-risco-de-extincao-segundo-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/08\/fim-das-bananas-por-que-alguns-vegetais-correm-risco-de-extincao-segundo-livro\/","title":{"rendered":"Fim das bananas? Por que alguns vegetais correm risco de extin\u00e7\u00e3o, segundo livro"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/5cLCPSJwoIEqYXMmehW9A0B3rcQ=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/q\/5\/oM8XwQTGW21N9tOHnZZA\/thumbnail-image001.jpg\"><br \/>     &#8216;Comemos apenas um tipo de banana, embora existam 2.000 variedades de banana&#8217;, alerta o jornalista Dan Saladino, para quem os alimentos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o s\u00e3o na verdade uma chave para problemas do futuro e devem ser resgatados. &#8216;Comemos apenas um tipo de banana, embora existam 2.000 variedades de banana&#8217;, alerta Dan Saladino<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nLaranjas do entorno do vulc\u00e3o Etna, na It\u00e1lia; cacau criollo da Venezuela; arroz vermelho da China e milho das montanhas de Oaxaca, no M\u00e9xico.<br \/>\nEsses e outros alimentos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito mais do que uma fonte de sobreviv\u00eancia, de acordo com o jornalista da BBC Dan Saladino.<br \/>\nEles s\u00e3o tamb\u00e9m objeto da &#8220;inven\u00e7\u00e3o, imagina\u00e7\u00e3o e sabedoria de centenas de gera\u00e7\u00f5es de agricultores e cozinheiros&#8221;.<br \/>\nIsto \u00e9: nossos ancestrais melhoraram, adaptaram e tornaram comest\u00edveis alguns frutos da terra ao longo de milhares de anos. Mas, em nossos tempos, essa rica diversidade est\u00e1 se perdendo rapidamente.<br \/>\nEm seu livro Eating to Extinction (\u201cComendo at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o\u201d), Saladino viajou para v\u00e1rios cantos do planeta para conhecer comunidades que cultivam e preparam alimentos t\u00e3o \u00fanicos e amea\u00e7ados quanto seus estilos de vida.<br \/>\nO jornalista alerta para &#8220;a imensid\u00e3o do que estamos perdendo&#8221; e afirma que o nosso atual sistema de produ\u00e7\u00e3o alimentar altamente intensivo &#8220;est\u00e1 contribuindo para a destrui\u00e7\u00e3o do planeta&#8221;.<br \/>\nDan Saladino conversou com a BBC News Mundo, o servi\u00e7o em espanhol da BBC,  durante o festival Hay Festival de Cartagena 2023, realizado na Col\u00f4mbia entre 26 e 29 de janeiro.<br \/>\nNa entrevista, ele defendeu que os alimentos amea\u00e7ados comp\u00f5em um verdadeiro tesouro, alertou para os riscos de um mundo cada vez mais uniforme e deu sugest\u00f5es do que fazer para combater a perda da diversidade.<br \/>\nConfira os principais trechos da entrevista.<br \/>\nVariedades do tub\u00e9rculo oca nos Andes bolivianos<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nBBC &#8211; Como voc\u00ea come\u00e7ou a coletar hist\u00f3rias de alimentos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o?<br \/>\nDan Saladino &#8211; Em 2007, comecei a trabalhar em um programa de r\u00e1dio da BBC sobre alimentos chamado Food Programme, que existe h\u00e1 mais de 40 anos e se concentra na cultura, ci\u00eancia e economia dos alimentos.<br \/>\nE o primeiro programa que fiz me levou para a Sic\u00edlia. Fui l\u00e1 esperando contar a colheita de c\u00edtricos em tom de festa. Minha fam\u00edlia vem da Sic\u00edlia e eu sabia que as frutas c\u00edtricas vinham impactando a cultura, a paisagem e a identidade da ilha por milhares de anos.<br \/>\nMas, ao conversar com produtores das t\u00edpicas laranjas da Sic\u00edlia, eles me disseram que estavam colhendo sua \u00faltima safra, porque com a demanda por variedades importadas, os pequenos agricultores n\u00e3o podiam mais continuar.<br \/>\nBBC &#8211; Foi ali que voc\u00ea descobriu a iniciativa que inspirou o seu livro, o projeto Ark of Taste?<br \/>\nSaladino &#8211; Na Sic\u00edlia, tamb\u00e9m fui convidado para uma refei\u00e7\u00e3o em um povoado chamado Lentini, onde todos os pratos tinham laranjas tradicionais como ingrediente. L\u00e1, conheci um dos fundadores do movimento slow food, que tinha vindo do norte da It\u00e1lia.<br \/>\nEle me disse que as t\u00edpicas laranjas sicilianas que crescem nas encostas do vulc\u00e3o Etna seriam inclu\u00eddas no cat\u00e1logo do Ark of Taste (\u201cArca dos Sabores\u201d). Eu nunca tinha ouvido falar naquilo. \u00c9 como uma Arca de No\u00e9, mas com alimentos amea\u00e7ados.<br \/>\nA lista inclui hoje mais de 5.500 alimentos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o em cerca de 150 pa\u00edses, incluindo muitos nas Am\u00e9ricas.<br \/>\nFoi assim que entrei no assunto dos alimentos em extin\u00e7\u00e3o e me apaixonei por esse tesouro de hist\u00f3rias.<br \/>\nBBC &#8211; Algo de que gostei muito no livro \u00e9 que ele nos faz ver os alimentos amea\u00e7ados n\u00e3o apenas como fontes de nutri\u00e7\u00e3o, mas como hist\u00f3rias de inova\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia, de habilidades aprimoradas ao longo de milhares de anos, por centenas de gera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nSaladino &#8211; A comida \u00e9 uma lente incr\u00edvel para entender o mundo.<br \/>\nNo livro, conto a hist\u00f3ria de como surgiram esses alimentos e de como eles permitiram a sobreviv\u00eancia de comunidades em diferentes paisagens e terrenos.<br \/>\nE como a rela\u00e7\u00e3o com esses alimentos influenciou a identidade e a cultura dessas popula\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEnt\u00e3o, eu vejo a comida e a bebida do ponto de vista da inova\u00e7\u00e3o, da ci\u00eancia, da cultura, da sobreviv\u00eancia \u2014 porque a comida representa todas essas coisas.<br \/>\nBBC &#8211; Uma imagem comovente no livro \u00e9 aquela contada por Cary Fowler, o cientista que teve a ideia de criar o banco de sementes de Svalbard, no \u00c1rtico da Noruega. Ele disse que muitos visitantes do banco de sementes saem chorando e dizendo que &#8220;as sementes s\u00e3o resultado do trabalho de meus ancestrais e tamb\u00e9m de seus ancestrais&#8221;. Voc\u00ea v\u00ea a comida dessa maneira quase espiritual?<br \/>\nSaladino &#8211; \u00c9 uma das minhas passagens favoritas do livro. As sementes de Svalbard foram enviadas de todo o mundo, e a incr\u00edvel escala dessa diversidade \u00e9 o que emociona muitas pessoas.<br \/>\nEssas sementes representam o esfor\u00e7o de mais de 12.000 anos de agricultura, com pessoas adaptando o cultivo e passando essas sementes de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nS\u00e3o nosso patrim\u00f4nio, porque dependemos dessa diversidade criada por milhares de anos. Mas poucos conhecem essas hist\u00f3rias.<br \/>\nVemos as pinturas, esculturas e catedrais como os melhores exemplos da criatividade e vis\u00e3o humana, mas tamb\u00e9m devemos olhar para os alimentos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o de que falo no livro.<br \/>\nBBC &#8211; Voc\u00ea poderia nos dar uma ideia de quanta diversidade perdemos na alimenta\u00e7\u00e3o atualmente?<br \/>\nSaladino &#8211; \u00c9 dif\u00edcil ter dados precisos. \u00c9 por isso que bancos de sementes como a de Svalbard s\u00e3o uma forma de medir a diversidade que ainda existe.<br \/>\nSvalbard cont\u00e9m milhares de amostras, por exemplo, de arroz, milho e muitas plantas comest\u00edveis. Tem mais de 200.000 amostras de trigo. Mas os agricultores da Europa recebem uma lista com apenas dez variedades de trigo \u2014 que s\u00e3o muito semelhantes geneticamente.<br \/>\nO mundo tornou-se dependente de uma quantidade relativamente pequena de alimentos. Existem basicamente nove culturas principais consumidas globalmente. E cerca de 50% das calorias que consumimos s\u00e3o fornecidas por apenas tr\u00eas: trigo, arroz e milho.<br \/>\nBBC &#8211; No in\u00edcio do livro, h\u00e1 uma cita\u00e7\u00e3o de Rachel Carson, a famosa bi\u00f3loga americana. Ela diz que a natureza criou uma grande diversidade, mas o ser humano sempre tentou simplificar essa diversidade. E voc\u00ea enfatiza que vivemos em um mundo marcado pela uniformidade.<br \/>\nSaladino &#8211; Rachel Carson \u00e9 merecidamente famosa por seu trabalho pioneiro alertando contra o uso de pesticidas no livro Primavera silenciosa. Ela era uma bi\u00f3loga marinha, mas reconhecia a interconex\u00e3o de todas as coisas.<br \/>\nEm todo o seu trabalho, ela quis transmitir aos leitores a beleza e a necessidade de toda a complexidade da natureza. Os seres humanos, no entanto, t\u00eam essa tend\u00eancia de simplificar a natureza.<br \/>\nMuitas pessoas podem dizer: &#8220;Mas a minha alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais variada que a dos meus av\u00f3s, vou ao supermercado e compro comida de todo o mundo.&#8221;<br \/>\nO problema \u00e9 que estamos todos tendo a mesma experi\u00eancia globalmente, comendo o mesmo tipo de sushi ou abacate, da mesma forma que usamos as mesmas vestimentas. Comemos, por exemplo, apenas um tipo de banana, a Cavendish, embora existam 2.000 variedades de banana.<br \/>\nPodemos ter acesso a mais tipos de alimentos que nossos av\u00f3s, mas todo o mundo est\u00e1 comendo de forma muito homog\u00eanea, segundo alerta jornalista<br \/>\nGetty Images<br \/>\nBBC &#8211; Por que \u00e9 t\u00e3o crucial preservar a diversidade e salvar alimentos amea\u00e7ados?<br \/>\nSaladino &#8211; Na segunda metade do s\u00e9culo 20, gerou-se essa cren\u00e7a de que quest\u00f5es alimentares eram resolvidas com solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, com a gen\u00e9tica, com sistemas de irriga\u00e7\u00e3o que utilizam muita \u00e1gua, insumos qu\u00edmicos e fertilizantes.<br \/>\nMas, agora, percebemos que esse sistema alimentar homog\u00eaneo que criamos tem um custo alto e gera muitas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, as quais impactam as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br \/>\nAcho que precisamos ser mais humildes e reconhecer que a ci\u00eancia e a tecnologia funcionam em um n\u00edvel, mas tamb\u00e9m criaram muitos problemas. E um primeiro argumento para salvar a diversidade \u00e9 que talvez, no futuro, muitas solu\u00e7\u00f5es podem ser encontradas na diversidade gen\u00e9tica de alimentos cultivados h\u00e1 milhares de anos.<br \/>\nBBC &#8211; Voc\u00ea tamb\u00e9m traz no livro argumentos relativos \u00e0 sa\u00fade.<br \/>\nSaladino \u2013 As descobertas mais recentes da nutri\u00e7\u00e3o enfatizam que os seres humanos evolu\u00edram consumindo diversos alimentos. Precisamos da diversidade para a sa\u00fade da nossa microbiota intestinal.<br \/>\nE h\u00e1 tamb\u00e9m outro argumento, que para mim \u00e9 igualmente v\u00e1lido: queremos mesmo viver num planeta onde a experi\u00eancia humana se torna cada vez mais uniforme?<br \/>\nBBC &#8211; No livro, voc\u00ea garante que o atual sistema de produ\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e1 contribuindo para a destrui\u00e7\u00e3o do planeta. Poderia nos explicar isso?<br \/>\nSaladino &#8211; Houve v\u00e1rias mudan\u00e7as na agricultura no s\u00e9culo 20, por exemplo, com a inven\u00e7\u00e3o do processo chamado Haber-Bosch para produzir fertilizantes sint\u00e9ticos, ou o surgimento das monoculturas.<br \/>\nVastas faixas de biodiversidade est\u00e3o sendo perdidas \u00e0 medida que essa forma de agricultura se espalha pelo mundo. Os solos foram esgotados e os aqu\u00edferos, lagos e rios foram contaminados. Por isso, eu digo que nosso atual sistema de produ\u00e7\u00e3o de alimentos tem um custo muito alto.<br \/>\nO positivo, claro, \u00e9 que a fome foi afastada enquanto a popula\u00e7\u00e3o mundial dobrou desde a d\u00e9cada de 1970. Mas n\u00e3o podemos continuar da mesma maneira. At\u00e9 os protagonistas da chamada Revolu\u00e7\u00e3o Verde, como Norman Borlaug, reconheceram isso.<br \/>\nBorlaug disse que esse sistema muito intensivo teve uma vida \u00fatil relativamente curta e nos deu tempo para elaborar uma estrat\u00e9gia de longo prazo. E acho que \u00e9 onde estamos agora.<br \/>\nGrandes mentes da agricultura e da ci\u00eancia est\u00e3o tentando criar sistemas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos em maior harmonia com a natureza, em prol da nossa sa\u00fade e da sa\u00fade do planeta.<br \/>\nBBC \u2013 Falemos de alguns exemplos de alimentos amea\u00e7ados citados em seu livro, como o milho oloton de Oaxaca, no M\u00e9xico.<br \/>\nSaladino &#8211; Este milho \u00e9 um exemplo fascinante de qu\u00e3o diversas s\u00e3o as plantas e qu\u00e3o grande \u00e9 a plasticidade gen\u00e9tica deste cultivo. Quando bot\u00e2nicos de outros pa\u00edses exploraram as partes montanhosas de Oaxaca desde o final dos anos 1970, possivelmente antes, encontraram esse milho extremamente incomum, muito alto e com ra\u00edzes a\u00e9reas que pingavam algo como um muco.<br \/>\nEste milho \u00e9 cultivado h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es pela comunidade Mixe em altitudes elevadas e em terrenos pouco promissores para a agricultura.<br \/>\nS\u00f3 nos \u00faltimos tr\u00eas ou quatro anos surgiu a tecnologia para analisar o muco desse milho. Foi poss\u00edvel constatar que ele cont\u00e9m bact\u00e9rias que ajudam a fixar o nitrog\u00eanio do ar.<br \/>\nEste milho mostra como uma comunidade pode cultivar alimentos sem fertilizantes. E a produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes requer a queima de grandes quantidades de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<br \/>\n\u00c9 uma hist\u00f3ria que mostra como a diversidade pode ajudar na seguran\u00e7a alimentar futura.<br \/>\nBBC &#8211; No livro, voc\u00ea tamb\u00e9m fala sobre a perda de variedades de milho em decorr\u00eancia do Tratado Norte-Americano de Livre Com\u00e9rcio (Nafta, na sigla em ingl\u00eas).<br \/>\nSaladino &#8211; O Nafta existe desde a d\u00e9cada de 1990 e \u00e9 um exemplo de acordo comercial que foi importante, mas n\u00e3o incluiu na sua agenda pequenos agricultores ou alimentos nativos.<br \/>\nA entrada do milho dent maize, dos Estados Unidos, teve um impacto devastador na diversidade do milho no M\u00e9xico.<br \/>\nN\u00e3o se sabe quais tra\u00e7os gen\u00e9ticos importantes desapareceram sem nunca terem sido analisados.<br \/>\n\u00c9 por isso que quero contar essas hist\u00f3rias, para dizer que devemos dar mais valor \u00e0 diversidade.<br \/>\nBBC &#8211; Outro exemplo de alimento amea\u00e7ado abordado no livro \u00e9 o cacau criollo da Venezuela.<br \/>\nSaladino &#8211; Fui \u00e0 Venezuela para conhecer Mar\u00eda Fernanda di Giacobbe, que est\u00e1 fazendo um trabalho pioneiro para resgatar esse cultivo.<br \/>\nO primeiro cacau que chegou \u00e0 Europa veio da Venezuela e mudou o paladar de grande parte do mundo.<br \/>\nMas, devido \u00e0 ascens\u00e3o da ind\u00fastria do petr\u00f3leo no s\u00e9culo 20, os investimentos no cacau criollo pararam, os agricultores n\u00e3o recebiam mais bons pagamentos e a diversidade gen\u00e9tica come\u00e7ou a ser perdida. Mar\u00eda Fernanda embarcou ent\u00e3o em uma miss\u00e3o, em um contexto de colapso econ\u00f4mico, para resgatar tradi\u00e7\u00f5es e variedades gen\u00e9ticas do cacau.<br \/>\nEla trabalha com agricultores e ajuda as fam\u00edlias no processo de transforma\u00e7\u00e3o do cacau em barras de chocolate para aumentar a renda delas.<br \/>\nAssim, o reconhecimento da diversidade pode ser um importante recurso econ\u00f4mico.<br \/>\nBBC &#8211; E o sabor desse chocolate \u00e9 diferente?<br \/>\nSaladino &#8211; Sim, esse cacau foi muito valorizado quando chegou na Europa por ter um sabor mais delicado, menos amargo. Hoje muito a\u00e7\u00facar \u00e9 adicionado na produ\u00e7\u00e3o de chocolate.<br \/>\nMas o cacau criollo permite um produto com perfil \u00fanico, sabor equilibrado e harmonioso.<br \/>\nBBC &#8211; As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o tornando mais urgente a necessidade de preservar alimentos amea\u00e7ados?<br \/>\nSaladino &#8211; Uma hist\u00f3ria que conto no livro \u00e9 a do caf\u00e9. Em 2014, muitas planta\u00e7\u00f5es da variedade ar\u00e1bica foram devastadas por um fungo.<br \/>\nFoi uma li\u00e7\u00e3o sobre a fragilidade das duas principais esp\u00e9cies cultivadas: ar\u00e1bica e robusta.<br \/>\nA solu\u00e7\u00e3o, apontam, \u00e9 uma maior diversidade nos tipos de caf\u00e9 cultivados. Por exemplo, uma esp\u00e9cie da \u00c1frica chamada Coffea stenophylla [que tolera temperaturas mais altas do que outras esp\u00e9cies] mostra como a diversidade pode nos ajudar a enfrentar os desafios do futuro.<br \/>\nBBC &#8211; No ep\u00edlogo de seu livro, voc\u00ea mostra o que pode ser feito para salvar alimentos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o e impedir a perda de diversidade. Uma das recomenda\u00e7\u00f5es trata do problema dos subs\u00eddios agr\u00edcolas. O qu\u00e3o ruim eles s\u00e3o?<br \/>\nSaladino &#8211; N\u00e3o digo no livro que os cerca de trinta alimentos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o que eu analiso alimentar\u00e3o o mundo. Mas eu digo que precisamos de m\u00faltiplos sistemas agr\u00edcolas. Existe lugar para a tecnologia, mas ao mesmo tempo precisamos de um sistema onde a diversidade possa prosperar.<br \/>\nE \u00e9 extremamente dif\u00edcil que isso aconte\u00e7a por causa dos bilh\u00f5es de d\u00f3lares em subs\u00eddios agr\u00edcolas que sustentam o sistema atual e favorecem as tr\u00eas culturas dominantes que mencionei anteriormente.<br \/>\nTemos que ser mais criativos na produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<br \/>\nH\u00e1 outras hist\u00f3rias no livro que s\u00e3o exemplos de alimentos que podem ter um enorme potencial, mas este sucesso s\u00f3 vai se concretizar com investimentos.<br \/>\nBBC \u2013 Outra recomenda\u00e7\u00e3o que voc\u00ea d\u00e1 \u00e9 que as pessos pensem &#8220;como um hadza&#8221;. Voc\u00ea poderia nos explicar isso?<br \/>\nSaladino \u2013 Os hadza, na Tanz\u00e2nia, representam uma parte importante da nossa hist\u00f3ria como humanos. Eles s\u00e3o ca\u00e7adores-coletores de um dos locais onde o Homo sapiens evoluiu na \u00c1frica.<br \/>\nEles t\u00eam uma grande diversidade na dieta, com um card\u00e1pio que pode incluir at\u00e9 800 esp\u00e9cies de plantas e animais.<br \/>\nEles ilustram que a diversidade \u00e9 crucial. E, al\u00e9m disso, sobrevivem porque t\u00eam um conhecimento \u00edntimo da natureza.<br \/>\nClaro que nunca mais seremos ca\u00e7adores-coletores, mas acho que eles podem nos inspirar a construir uma conex\u00e3o mais forte com a natureza, a ter mais consci\u00eancia de que somos extremamente dependentes dela.<br \/>\nOs hadza entendem isso e n\u00f3s devemos entender tamb\u00e9m.<br \/>\nBBC &#8211; O que voc\u00ea gostaria que os leitores tivessem em mente na pr\u00f3xima vez que cozinhassem alguma coisa ou se sentassem diante de um prato de comida?<br \/>\nSaladino &#8211; Quaisquer que sejam os ingredientes que voc\u00ea esteja usando, gostaria de convid\u00e1-lo a parar por um momento e pensar que h\u00e1 uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s desse ingrediente, uma hist\u00f3ria de milhares e milhares de anos de agricultores que adaptaram o cultivo para que ele chegasse ao seu prato. Conhecer essa hist\u00f3ria \u00e9 importante.<br \/>\nTamb\u00e9m os convidaria a comprar outra variedade deste ingrediente, com visual e sabor diferentes, em uma pr\u00f3xima oportunidade.<br \/>\nE convido todos tamb\u00e9m a estabelecer contato com quem produz seus alimentos.<br \/>\nNo livro, conto a hist\u00f3ria de um agricultor chin\u00eas de mais de 70 anos que cultiva uma variedade amea\u00e7ada de arroz vermelho.<br \/>\nQuando perguntei como ele conseguia vender o produto, ele pegou o celular e me mostrou como se comunicava com os consumidores em Pequim por meio do Wechat, que \u00e9 como o WhatsApp na China.<br \/>\nCom a tecnologia moderna, \u00e9 poss\u00edvel conectar-se com as pessoas que cultivam nossos alimentos e incentiv\u00e1-las a fornecer mais diversidade no futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Comemos apenas um tipo de banana, embora existam 2.000 variedades de banana&#8217;, alerta o jornalista Dan Saladino, para quem os alimentos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o s\u00e3o na verdade uma chave para problemas do futuro e devem ser resgatados. &#8216;Comemos apenas um tipo de banana, embora existam 2.000 variedades de banana&#8217;, alerta Dan Saladino Divulga\u00e7\u00e3o Laranjas do<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":40241,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[],"class_list":{"0":"post-40240","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-economia"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40240","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40240"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40240\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}