{"id":39677,"date":"2023-02-07T07:10:45","date_gmt":"2023-02-07T07:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/07\/como-ameaca-chinesa-faz-fuzileiros-navais-dos-eua-se-reinventarem\/"},"modified":"2023-02-07T07:10:45","modified_gmt":"2023-02-07T07:10:45","slug":"como-ameaca-chinesa-faz-fuzileiros-navais-dos-eua-se-reinventarem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/07\/como-ameaca-chinesa-faz-fuzileiros-navais-dos-eua-se-reinventarem\/","title":{"rendered":"Como amea\u00e7a chinesa faz Fuzileiros Navais dos EUA se &#8216;reinventarem&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/7fPIp1fURZ9QYOFQZwaUd8k3BqE=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/C\/Z\/KBAplpQBSeq7nA8VP5AQ\/5sfd.png\"><br \/>   V\u00e1rios ex-comandantes do alto escal\u00e3o do Corpo de Fuzileiros Navais v\u00eam criticando atual lideran\u00e7a sobre planos para &#8216;reinventar&#8217; a corpora\u00e7\u00e3o. Mas por qu\u00ea? Aeronave militar multifun\u00e7\u00e3o dos EUA pousa em exerc\u00edcio conjunto com Jap\u00e3o em Gotemba<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nEm reuni\u00e3o recente na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro japon\u00eas, Fumio Kishida, discutiram o fortalecimento da coopera\u00e7\u00e3o militar entre os dois pa\u00edses e reafirmaram o compromisso para a garantia da seguran\u00e7a na regi\u00e3o do Indo-Pac\u00edfico, em meio aos conflitos com a China e a Coreia do Norte.<br \/>\nMas nos bastidores esse foco na \u00c1sia vem provocando um debate acirrado dentro de uma das for\u00e7as militares mais ic\u00f4nicas dos Estados Unidos, segundo Jonathan Marcus, ex-correspondente de defesa e diplomacia da BBC, e, atualmente, professor honor\u00e1rio do Instituto de Estrat\u00e9gia e Seguran\u00e7a da Universidade de Exeter, na Inglaterra.<br \/>\nNo centro da pol\u00eamica est\u00e1 uma das institui\u00e7\u00f5es mais sagradas das for\u00e7as armadas dos EUA, o Corpo de Fuzileiros Navais.<br \/>\nV\u00e1rios de seus ex-comandantes do alto escal\u00e3o v\u00eam criticando a atual lideran\u00e7a sobre seus planos para &#8220;reinventar&#8221; a corpora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO cerne da quest\u00e3o gira em torno da necessidade de adequar a for\u00e7a para um conflito potencial contra a China \u2014 um plano batizado de Force Design 2030.<br \/>\nPraticamente desde sua concep\u00e7\u00e3o, esse plano foi alvo de cr\u00edticas de v\u00e1rios generais aposentados, que foram \u00e0 imprensa compartilhar suas frustra\u00e7\u00f5es, algo at\u00edpico nesse meio.<br \/>\nOficiais do alto escal\u00e3o aposentados t\u00eam se reunido regularmente; falando em semin\u00e1rios e think tanks; al\u00e9m de elaborar sua pr\u00f3pria alternativa para um plano que consideram um desastre para o futuro do Corpo de Fuzileiros Navais.<br \/>\nUm cr\u00edtico proeminente \u00e9 Jim Webb, ex-secret\u00e1rio da Marinha dos EUA e ex-senador pelo estado da Virg\u00ednia, que serviu como oficial da Marinha na Guerra do Vietn\u00e3 e concorreu \u00e0 indica\u00e7\u00e3o presidencial do Partido Democrata em 2015.<br \/>\nEm artigo no jornal americano Wall Street Journal, ele descreveu o Force Design 2030 como &#8220;insuficientemente testado&#8221; e &#8220;intrinsecamente defeituoso&#8221;. E alertou que o plano &#8220;levantou s\u00e9rias quest\u00f5es sobre a sabedoria e o risco de longo prazo de redu\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas na estrutura da for\u00e7a, sistemas de armas e n\u00edveis de m\u00e3o de obra em unidades que sofreriam baixas constantes na maioria dos cen\u00e1rios de combate&#8221;.<br \/>\nMas por que este plano vem atraindo tantas cr\u00edticas?<br \/>\nLan\u00e7ado em 2020 pelo Comandante General do Corpo de Fuzileiros Navais David H Berger, o plano visa equipar os fuzileiros navais para um conflito potencial com a China na regi\u00e3o do Indo-Pac\u00edfico, em vez de guerras de contra-insurg\u00eancia como Iraque e Afeganist\u00e3o.<br \/>\nO novo plano prev\u00ea fuzileiros navais combatendo em opera\u00e7\u00f5es dispersas em cadeias de ilhas. Unidades, menores e mais espalhadas, ter\u00e3o um impacto muito maior por meio de uma ampla gama de novos sistemas de armas.<br \/>\nDesembarques anf\u00edbios em larga escala como na Segunda Guerra Mundial ou mesmo mobiliza\u00e7\u00f5es gigantescas de tropas em terra \u2014 como no Iraque \u2014 provavelmente ser\u00e3o coisa do passado.<br \/>\nReduzir o contingente de soldados e renunciar a todos os tanques s\u00e3o os pontos mais impopulares at\u00e9 agora desse novo plano, de tal forma que alguns cr\u00edticos chegaram a dizer que a for\u00e7a est\u00e1 dando as costas ao seu passado.<br \/>\nEmbora tenha la\u00e7os estreitos com a Marinha dos EUA, o Corpo de Fuzileiros Navais \u00e9 uma for\u00e7a separada que cresceu dramaticamente na Segunda Guerra Mundial e assumiu um papel proeminente nas recentes campanhas no Iraque e no Afeganist\u00e3o.<br \/>\nAs percep\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Corpo de Fuzileiros Navais s\u00e3o fortemente influenciadas pela experi\u00eancia da Segunda Guerra Mundial. Qualquer um que tenha visto John Wayne no longa-metragem de 1949, &#8216;Iwo Jima, o Portal da Gl\u00f3ria&#8217;, ou a miniss\u00e9rie mais recente, The Pacific, produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks, se lembrar\u00e1 das opera\u00e7\u00f5es anf\u00edbias em larga escala; homens atacando em terra a partir de desembarques e assim por diante.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 isso o que o novo plano prev\u00ea para os fuzileiros navais.<br \/>\nSeu papel tradicional como primeira resposta militar da Am\u00e9rica, capaz de enfrentar desafios d\u00edspares em todo o mundo, \u00e9 o que os cr\u00edticos acreditam que pode ser comprometido pelo novo plano com seu foco claro na China e no Indo-Pac\u00edfico.<br \/>\nEnt\u00e3o, o que exatamente o plano vislumbra?<br \/>\nCortar alguns batalh\u00f5es de infantaria &#8211; os soldados de infantaria;<br \/>\nSubstituir cerca de tr\u00eas quartos de suas artilharias rebocadas por sistemas de foguetes de longo alcance;<br \/>\nReduzir v\u00e1rios esquadr\u00f5es de helic\u00f3pteros;<br \/>\nAbolir todos os tanques.<br \/>\nO dinheiro para os novos sistemas de armas, totalizando US$ 15,8 bilh\u00f5es, ser\u00e1 financiado pelos cortes que totalizam cerca de US$ 18,2 bilh\u00f5es.<br \/>\nAl\u00e9m dos novos sistemas de artilharia de foguetes, haver\u00e1 novos m\u00edsseis antinavio que podem ser disparados de terra e novos sistemas a\u00e9reos n\u00e3o tripulados. O objetivo \u00e9 equipar e treinar o Corpo de Fuzileiros Navais para um novo tipo de guerra que os combates na Ucr\u00e2nia j\u00e1 prenunciaram.<br \/>\nO principal fator orientador do Force Design 2030 \u00e9 o que o comandante dos fuzileiros navais chama de &#8220;opera\u00e7\u00f5es distribu\u00eddas&#8221;, dividindo grandes for\u00e7as em unidades menores amplamente espalhadas, mas garantindo que tenham for\u00e7a militar suficiente para fazer uma diferen\u00e7a real.<br \/>\nEsses princ\u00edpios j\u00e1 est\u00e3o sendo colocados em pr\u00e1tica nas ilhas japonesas de Okinawa, perto de Taiwan, onde os fuzileiros navais ali estacionados passar\u00e3o por uma reformula\u00e7\u00e3o, segundo autoridades americanas.<br \/>\nO especialista militar Mike O&#8217;Hanlon, diretor de pol\u00edtica externa do think tank Brookings Institution em Washington DC, rejeita a cr\u00edtica central de que o novo foco na China pode prejudicar as opera\u00e7\u00f5es da Marinha em outros lugares. Os fuzileiros navais ir\u00e3o para onde forem ordenados, diz ele, e a nova estrat\u00e9gia provavelmente n\u00e3o ter\u00e1 tanto impacto nas opera\u00e7\u00f5es quanto alguns pensam.<br \/>\n&#8220;O que realmente importa a esse respeito \u00e9 a retirada do Iraque e do Afeganist\u00e3o nos \u00faltimos anos \u2014 essa \u00e9 a grande mudan\u00e7a, independentemente (e principalmente antes) da vis\u00e3o do general Berger ser desenvolvida.&#8221;<br \/>\nMuitos analistas insistem que a mudan\u00e7a \u00e9 essencial para que os fuzileiros navais enfrentem os desafios do campo de batalha moderno.<br \/>\nFrank Hoffman, da Universidade de Defesa Nacional dos Estados Unidos, ele pr\u00f3prio um ex-oficial da Marinha, opina: &#8220;Acho que os cr\u00edticos est\u00e3o olhando para tr\u00e1s, para um passado glorioso, e falham em ver a imagem estrat\u00e9gica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China e \u00e0 tecnologia de uma forma realmente decepcionante&#8221;.<br \/>\nEmbora a retirada dos tanques dos fuzileiros navais tenha atra\u00eddo cr\u00edticas espec\u00edficas, Hoffman acredita que este \u00e9 o caminho certo. Ainda haver\u00e1 muitos ve\u00edculos blindados, argumenta, mas n\u00e3o &#8220;os tanques pesados e seus reabastecedores&#8221;.<br \/>\n&#8220;\u00c9 uma adapta\u00e7\u00e3o para cobrir uma \u00e1rea mais profunda com uma combina\u00e7\u00e3o mais precisa de poder de fogo, como estamos vendo na Ucr\u00e2nia. A for\u00e7a usou seu elemento de avia\u00e7\u00e3o para ter esse alcance no passado e agora ter\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o de artilharia tradicional e uma ampla gama de m\u00edsseis que aumentar\u00e1 a letalidade e a extens\u00e3o de seu poder de fogo.&#8221;<br \/>\nTodos esses s\u00e3o passos que muitos diriam ser justificados pelas li\u00e7\u00f5es da Ucr\u00e2nia.<br \/>\nA utilidade e import\u00e2ncia dos ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados (UAVs); artilharia de foguetes; e a capacidade de atacar a grande dist\u00e2ncia com grande precis\u00e3o foram enfatizadas na guerra R\u00fassia-Ucr\u00e2nia e fazem parte dos novos planos dos fuzileiros navais. Mas o campo de batalha previsto \u00e9 muito diferente \u2014 n\u00e3o as florestas e as estepes da Ucr\u00e2nia, mas cadeias de ilhas que se estendem pela vasta extens\u00e3o do Oceano Pac\u00edfico.<br \/>\nO Force Design 2030 \u00e9 um programa em evolu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 houve mudan\u00e7as e haver\u00e1 mais. E embora a dire\u00e7\u00e3o deste programa tenha sido estabelecido, ainda h\u00e1 enormes problemas a resolver, principalmente os desafios log\u00edsticos impostos por uma for\u00e7a que provavelmente ser\u00e1 distribu\u00edda por uma vasta \u00e1rea.<br \/>\nO transporte anf\u00edbio desempenhar\u00e1 um papel fundamental aqui. E como explica Nick Childs, membro s\u00eanior das For\u00e7as Navais e Seguran\u00e7a Mar\u00edtima do think thank Instituto Internacional de Estudos Estrat\u00e9gicos (IISS, na sigla em ingl\u00eas) em Londres, no Reino Unido, novos tipos de navios ser\u00e3o necess\u00e1rios.<br \/>\n&#8220;Confiar apenas em seus grandes navios anf\u00edbios tradicionais os deixaria muito vulner\u00e1veis aos tipos de armamento moderno que provavelmente enfrentar\u00e3o&#8221;, diz ele. &#8220;Portanto, novos tipos de navios menores em maior n\u00famero ser\u00e3o vitais, para que o Corpo de Fuzileiros Navais possa operar de maneira mais \u00e1gil e dispersa&#8221;.<br \/>\nMas ter mais navios \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Os menores podem ser constru\u00eddos rapidamente e em uma ampla gama de estaleiros, mas n\u00e3o necessariamente no ritmo necess\u00e1rio.<br \/>\nA Marinha dos EUA tamb\u00e9m precisa de um n\u00famero significativo de novos navios de guerra, e n\u00e3o se sabe se haver\u00e1 os fundos ou a capacidade necess\u00e1ria de produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 o velho problema de equilibrar recursos financeiros e prioridades estrat\u00e9gicas. E a crise na Ucr\u00e2nia mostra que velhas amea\u00e7as podem reaparecer no momento em que uma for\u00e7a trilhar um caminho inteiramente novo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e1rios ex-comandantes do alto escal\u00e3o do Corpo de Fuzileiros Navais v\u00eam criticando atual lideran\u00e7a sobre planos para &#8216;reinventar&#8217; a corpora\u00e7\u00e3o. Mas por qu\u00ea? 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