{"id":39527,"date":"2023-02-06T21:14:41","date_gmt":"2023-02-06T21:14:41","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/06\/por-que-e-tao-dificil-prever-um-grande-terremoto-como-o-que-atingiu-a-turquia\/"},"modified":"2023-02-06T21:14:41","modified_gmt":"2023-02-06T21:14:41","slug":"por-que-e-tao-dificil-prever-um-grande-terremoto-como-o-que-atingiu-a-turquia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/06\/por-que-e-tao-dificil-prever-um-grande-terremoto-como-o-que-atingiu-a-turquia\/","title":{"rendered":"Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil prever um grande terremoto como o que atingiu a Turquia?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/0ElX38CO5euCCFqoVxkxMxThu10=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/t\/K\/sYvj9AQomMlF9hzs8mJQ\/bbc-terremoto-turquia-01.png\"><br \/>   Milh\u00f5es de tremores, de diferentes intensidades, ocorrem todos os anos, mas n\u00e3o notamos todos eles. Milh\u00f5es de terremotos acontecem todos os anos, apesar de n\u00e3o percebermos todos eles<br \/>\nGetty Images\/Via BBC<br \/>\nTodo ano s\u00e3o registrados oficialmente mais de 200 mil terremotos em nosso planeta, apesar de, na verdade, milh\u00f5es deles ocorrerem nesse mesmo per\u00edodo.<br \/>\nMuitos passam ao largo dos registros oficiais porque s\u00e3o demasiadamente leves para que possamos senti-los ou porque acontecem em zonas remotas que n\u00e3o s\u00e3o monitoradas pelas autoridades.<br \/>\nOutros, como o de magnitude 7,8 que atingiu e deixou v\u00edtimas na Turquia e na S\u00edria nesta segunda-feira (6), deixam milhares de mortos e um rastro de destrui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nConstruir casas e edif\u00edcios \u00e0 prova de terremotos \u00e9, evidentemente, a melhor estrat\u00e9gia para evitar tanto perdas humanas quanto materiais.<br \/>\nMas seria poss\u00edvel retirar pessoas com anteced\u00eancia de \u00e1reas que ser\u00e3o afetadas \u2014 como acontece durante a passagem de um furac\u00e3o, por exemplo?<br \/>\nA resposta \u00e9 n\u00e3o. Isso porque \u00e9 imposs\u00edvel prever quando um terremoto vai acontecer \u2014 salvo por alguns minutos.<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M<br \/>\nJogador brasileiro na Turquia falou com esposa na hora do terremoto: &#8216;estava tudo tremendo em nosso apartamento&#8217;<br \/>\nAntes e depois: terremoto destruiu pr\u00e9dios e monumentos<br \/>\nMenina de 18 meses \u00e9 resgatada ilesa de escombros na S\u00edria, mas sua m\u00e3e gr\u00e1vida e seus dois irm\u00e3os morrem em terremoto<br \/>\nLei f\u00edsica<br \/>\nA raz\u00e3o \u00e9 que a maioria dos terremotos ocorre pela libera\u00e7\u00e3o repentina de uma grande tens\u00e3o na crosta terrestre.<br \/>\nEssa tens\u00e3o vai se acumulando gradualmente devido aos movimentos das placas tect\u00f4nicas, normalmente ao longo de uma falha geol\u00f3gica, explica o site da British Geological Survey.<br \/>\nPor isso, \u00e9 imposs\u00edvel prever quando os terremotos v\u00e3o ocorrer, &#8220;basicamente pela forma como essa energia \u00e9 liberada&#8221;, afirmou \u00e0 BBC News Mundo, o servi\u00e7o em espanhol da BBC, Richard Luckett, sism\u00f3logo da institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Sabemos que a tens\u00e3o est\u00e1 sendo acumulada nas grandes falhas e sabemos onde elas est\u00e3o, mas n\u00e3o temos como saber quando essa energia vai ser liberada&#8221;, diz.<br \/>\nLuckett recorre ao exemplo que normalmente usa para explicar o fen\u00f4meno \u00e0s crian\u00e7as.<br \/>\n&#8220;Se voc\u00ea puser um tijolo sobre uma folha de lixa e lentamente retir\u00e1-la com algo, o tijolo vai se mover. Voc\u00ea pode repetir esse experimento dez vezes: embora aplique todas as vezes a mesma for\u00e7a, ver\u00e1 que o tijolo vai se movimentar repentinamente depois de diferentes intervalos de tempo&#8221;, diz Luckett.<br \/>\n&#8220;Em termos f\u00edsicos, \u00e9 completamente imprevis\u00edvel&#8221;, acrescenta.<br \/>\nSaber se uma placa tect\u00f4nica onde um pa\u00eds onde est\u00e1 situado acumula press\u00e3o &#8220;n\u00e3o ajuda a prever terremotos, pois n\u00e3o sabemos quando essa energia ser\u00e1 liberada&#8221;, diz.<br \/>\nO que especialistas podem saber \u00e9 onde h\u00e1 probabilidade de ocorrer um terremoto de grande intensidade, &#8220;j\u00e1 que eles t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o tamanho da falha&#8221;, esclarece Luckett.<br \/>\nMesmo assim, isso n\u00e3o contribui para prever qual ser\u00e1 a intensidade de um terremoto, j\u00e1 que a press\u00e3o pode ser liberada em uma s\u00e9rie de pequenos tremores ou em um grande e \u00fanico abalo.<br \/>\nNo caso do evento que causou danos na Turquia e na S\u00edria foram dois fortes tremores seguidos.<br \/>\n4 pontos sobre o terremoto na Turquia: onde aconteceu e quais as causas e consequ\u00eancias<br \/>\nSinais?<br \/>\nMas h\u00e1 outros sinais a que devemos ficar atentos? Talvez uma mudan\u00e7a no clima ou comportamento dos animais que podem nos ajudar a prever um terremoto?<br \/>\nAcredita-se que os animais possam sentir as primeiras ondas que s\u00e3o geradas pelo terremoto &#8211; e que n\u00f3s n\u00e3o percebemos.<br \/>\nTurquia est\u00e1 localizada em cima de falhas geol\u00f3gicas que deixam o pa\u00eds suscet\u00edvel a terremotos<br \/>\nGetty Images\/Via BBC<br \/>\n&#8220;Os terremotos n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o estado do tempo e certamente n\u00e3o h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;, esclarece o especialista.<br \/>\n&#8220;S\u00e3o sistemas completamente diferentes&#8221;, acrescenta.<br \/>\nMas, segundo ele, o caso dos animais \u00e9 interessante.<br \/>\nH\u00e1 uma s\u00e9rie de estudos sobre como alguns bichos exibem um comportamento distinto ante a imin\u00eancia de um terremoto.<br \/>\nDiz-se, por exemplo, que os cachorros latem mais ou que os animais de forma geral fazem mais barulho.<br \/>\nSegundo Luckett, &#8220;quando um forte terremoto acontece, provoca ondas distintas que viajam atrav\u00e9s da terra. As primeiras s\u00e3o muito pequenas, n\u00e3o causam dano, e muitas vezes em sequer percebemos&#8221;, explica.<br \/>\n&#8220;Mas os animais, sim&#8221;, ressalva.<br \/>\nAinda assim, eles n\u00e3o ajudam a prever um terremoto.<br \/>\n&#8220;Os animais sentem essas vibra\u00e7\u00f5es, mas isso ocorre uma vez que o terremoto j\u00e1 aconteceu&#8221;, assegura o especialista.<br \/>\n&#8220;Eles nos avisam do perigo um pouco antes (o tempo depende do intervalo entre as ondas pequenas e as grandes), da mesma forma que os alarmes&#8221;, explica.<br \/>\nMapa mostra onde ocorreram os tremores mais fortes<br \/>\nBBC<br \/>\n&#8220;Neste sentido, os dispositivos s\u00e3o mais sens\u00edveis que os animais&#8221;, completa.<br \/>\nLuckett diz n\u00e3o acreditar que ser\u00e1 poss\u00edvel prever terremotos.<br \/>\n&#8220;O que poderemos fazer \u00e9 aprimorar nossas formas de detect\u00e1-los.&#8221;<br \/>\nOutras t\u00e9cnicas analisadasEspecialistas em geof\u00edsica t\u00eam se concentrado, entre outras \u00e1reas, nos chamados &#8220;terremotos lentos&#8221;.<br \/>\nS\u00e3o &#8220;deslizamentos que ocorrem em uma falha geol\u00f3gica, em geral, e em particular nas zonas de subduc\u00e7\u00e3o entre duas placas que est\u00e3o em contato&#8221;, explica V\u00edctor Cruz-Atienza, pesquisador do Instituto de Geof\u00edsica da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico.<br \/>\nEle e seus colegas publicaram em 2021 um estudo sobre esse tipo de terremoto que ocorre em certas regi\u00f5es s\u00edsmicas, como a do sudeste mexicano, onde duas placas interagem.<br \/>\nDiferentemente dos tremores que sacodem a superf\u00edcie, os terremotos lentos liberam energia pouco a pouco durante semanas ou meses, o que os torna impercept\u00edveis e nada destrutivos.<br \/>\nMas especialistas afirmam que estud\u00e1-los \u00e9 muito importante para entender melhor como os terremotos s\u00e3o gerados. Embora um tremor lento nem sempre antecipe um &#8220;normal&#8221;, \u00e9 um fator a ser levado em considera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm 2018, outros pesquisadores usaram com sucesso na Isl\u00e2ndia um cabo de comunica\u00e7\u00f5es de fibra \u00f3tica para avaliar a atividade s\u00edsmica.<br \/>\nO m\u00e9todo testado pela equipe de pesquisadores, liderada por Philippe Jousset, do Centro Alem\u00e3o de Pesquisas em Geoci\u00eancias (GFZ), com sede em Potsdam, usou 15 km de cabo de fibra \u00f3tica originalmente instalado em 1994 entre duas usinas de energia geot\u00e9rmica na Isl\u00e2ndia.<br \/>\nUm pulso de laser enviado por uma \u00fanica fibra do cabo foi o suficiente para determinar se havia alguma interfer\u00eancia.<br \/>\nQuando o solo e, consequentemente, o cabo se esticou ou comprimiu, os pesquisadores conseguiram grav\u00e1-lo.<br \/>\nEles detectaram o tr\u00e1fego local, a atividade s\u00edsmica e at\u00e9 mesmo os pedestres que passavam. Tamb\u00e9m captaram o sinal de um forte terremoto na Indon\u00e9sia.<br \/>\nO instrumento que deve ser anexado a cada cabo para tornar o monitoramento poss\u00edvel ainda \u00e9 caro, mas os pesquisadores trabalhavam em alternativas acess\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milh\u00f5es de tremores, de diferentes intensidades, ocorrem todos os anos, mas n\u00e3o notamos todos eles. Milh\u00f5es de terremotos acontecem todos os anos, apesar de n\u00e3o percebermos todos eles Getty Images\/Via BBC Todo ano s\u00e3o registrados oficialmente mais de 200 mil terremotos em nosso planeta, apesar de, na verdade, milh\u00f5es deles ocorrerem nesse mesmo per\u00edodo. Muitos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39528,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-39527","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39527"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39527\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39528"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}