{"id":38585,"date":"2023-02-02T22:10:29","date_gmt":"2023-02-02T22:10:29","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/02\/torturamos-ucranianos-a-confissao-de-ex-oficial-do-exercito-russo\/"},"modified":"2023-02-02T22:10:29","modified_gmt":"2023-02-02T22:10:29","slug":"torturamos-ucranianos-a-confissao-de-ex-oficial-do-exercito-russo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/02\/02\/torturamos-ucranianos-a-confissao-de-ex-oficial-do-exercito-russo\/","title":{"rendered":"&#8216;Torturamos ucranianos&#8217;: a confiss\u00e3o de ex-oficial do Ex\u00e9rcito russo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/XhORGCsmGfnUiiYHwD7XR_8puxk=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/P\/p\/jkNUFLQfOTmzXUImqhqQ\/4.png\"><br \/>   O tenente, que foi posteriormente demitido, disse \u00e0 BBC que testemunhou maus-tratos a prisioneiros. Konstantin na Ucr\u00e2nia em mar\u00e7o de 2022<br \/>\nKONSTANTIN YEFREMOV<br \/>\nUm ex-militar russo est\u00e1 acusando as tropas do seu pa\u00eds de usarem t\u00e1ticas violentas de interroga\u00e7\u00e3o contra ucranianos, que incluem homens sendo baleados e amea\u00e7ados com estupro.<br \/>\nKonstantin Yefremov disse \u00e0 BBC em uma entrevista exclusiva que a R\u00fassia agora o considera um traidor e desertor.<br \/>\nEle \u00e9 o oficial militar de mais alta patente a falar abertamente sobre o assunto.<br \/>\nFalando de local secreto no sul da Ucr\u00e2nia, ele disse que &#8220;os interrogat\u00f3rios, a tortura, continuaram por cerca de uma semana. Todos os dias, \u00e0 noite, \u00e0s vezes duas vezes por dia&#8221;.<br \/>\nYefremov tentou se demitir do ex\u00e9rcito v\u00e1rias vezes \u2013 mas acabou sendo demitido. Ele conseguiu fugir da R\u00fassia.<br \/>\nCom as fotos e documentos militares fornecidos por Yefremov, a BBC verificou que ele esteve na Ucr\u00e2nia no in\u00edcio da guerra \u2013 na regi\u00e3o de Zaporizhzhia, que inclui a cidade de Melitopol.<br \/>\nEste artigo cont\u00e9m descri\u00e7\u00f5es sobre viol\u00eancia e tortura.<br \/>\nO rosto de Konstantin Yefremov surge no meu computador e come\u00e7amos a conversar. Ele tem uma hist\u00f3ria importante para contar. At\u00e9 recentemente, ele era militar russo. Ele tentou se demitir do Ex\u00e9rcito, mas foi demitido e fugiu da R\u00fassia.<br \/>\nEnviado \u00e0 Ucr\u00e2nia no ano passado, o ex-tenente aceitou me contar sobre os crimes que diz ter testemunhado \u2014 como tortura e maus-tratos a prisioneiros ucranianos.<br \/>\nEm 10 de fevereiro de 2022, Yefremov diz que chegou \u00e0 Crimeia, a pen\u00ednsula ucraniana anexada pela R\u00fassia h\u00e1 nove anos.<br \/>\nEle chefiava uma unidade de desativa\u00e7\u00e3o de minas terrestres da 42\u00aa Divis\u00e3o de Fuzileiros Motorizados \u2013 que \u00e9 baseada na Chech\u00eania, dentro da R\u00fassia. Ele e seus homens foram enviados para participar de &#8220;exerc\u00edcios militares&#8221;, diz.<br \/>\n&#8220;Na \u00e9poca, ningu\u00e9m acreditava que haveria guerra. Todos pensavam que seria apenas um exerc\u00edcio. Tenho certeza de que nem os oficiais superiores sabiam.&#8221;<br \/>\n&#8216;Eu tinha medo de me demitir&#8217;<br \/>\nYefremov diz ter visto tropas russas colando identifica\u00e7\u00f5es em seus uniformes e pintando a letra &#8220;Z&#8221; em equipamentos e ve\u00edculos militares. Em poucos dias, &#8220;Z&#8221; tornou-se o s\u00edmbolo do que o Kremlin chamava de &#8220;opera\u00e7\u00e3o militar especial&#8221;.<br \/>\nYefremov diz que decidiu que n\u00e3o queria se envolver com isso.<br \/>\n&#8220;Eu decidi me demitir. Conversei com meu comandante e expliquei minha posi\u00e7\u00e3o. Ele me levou a um oficial superior que me chamou de traidor e covarde.&#8221;<br \/>\n&#8220;Deixei minha arma, peguei um t\u00e1xi e fui embora. Eu queria voltar para minha base na Chech\u00eania e me demitir oficialmente. Ent\u00e3o meus companheiros me telefonaram com um aviso.&#8221;<br \/>\n&#8220;Um coronel havia amea\u00e7ado me prender por at\u00e9 10 anos por deser\u00e7\u00e3o. E ele havia alertado a pol\u00edcia.&#8221;<br \/>\nYefremov diz que telefonou para um advogado militar, que o aconselhou a voltar para o Ex\u00e9rcito.<br \/>\n&#8220;Agora eu entendo que deveria ter ignorado seu conselho e seguido em frente&#8221;, diz ele. &#8220;Mas eu estava com medo de ser preso.&#8221;<br \/>\nEle acabou voltando para a Ucr\u00e2nia.<br \/>\nYefremov insiste que \u00e9 uma pessoa &#8220;anti-guerra&#8221;. Ele diz que n\u00e3o participou da anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia pela R\u00fassia, nem lutou no leste da Ucr\u00e2nia quando a guerra eclodiu em Donbass, h\u00e1 nove anos.<br \/>\nEm 2014, a R\u00fassia n\u00e3o s\u00f3 foi acusada de orquestrar um levante separatista, mas tamb\u00e9m de enviar suas pr\u00f3prias tropas ao pa\u00eds. Konstantin tamb\u00e9m diz que n\u00e3o participou da opera\u00e7\u00e3o militar da R\u00fassia na S\u00edria.<br \/>\n&#8220;Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, estive envolvido na remo\u00e7\u00e3o de minas na Chech\u00eania, um lugar que passou por duas guerras. Acho que o trabalho que fiz l\u00e1 beneficiou as pessoas.&#8221;<br \/>\nSaqueando bicicletas e cortadores de grama<br \/>\nYefremov foi colocado no comando tempor\u00e1rio de um pelot\u00e3o de fuzileiros. Em 27 de fevereiro, tr\u00eas dias ap\u00f3s a invas\u00e3o russa, ele diz ter recebido ordens para se deslocar para o norte da Crimeia. Eles foram para a cidade de Melitopol.<br \/>\nPor dez dias, eles ficaram em um aer\u00f3dromo que j\u00e1 havia sido capturado por tropas russas. Ele descreve os saqueios que viu por l\u00e1.<br \/>\n&#8220;Soldados e oficiais agarravam tudo o que conseguiam. Eles entraram em todos os avi\u00f5es e todos os pr\u00e9dios. Um soldado pegou um cortador de grama. Ele disse com orgulho: &#8216;Vou levar isso para cortar a grama perto de nosso quartel&#8217;.&#8221;<br \/>\n&#8220;Baldes, machados, bicicletas&#8230; eles enfiaram tudo em seus caminh\u00f5es. Era tanta coisa que eles precisavam que se abaixar para caber dentro dos ve\u00edculos.&#8221;<br \/>\nYefremov enviou fotos para a BBC que ele diz ter tirado na base a\u00e9rea de Melitopol. As imagens mostram avi\u00f5es de transporte e um pr\u00e9dio em chamas.<br \/>\nA BBC conseguiu confirmar a autenticidade de imagens e documentos que mostram a identidade, patente e os movimentos de Yefremov na Ucr\u00e2nia na primavera de 2022.<br \/>\nFerramentas de mapeamento online confirmaram as imagens da base a\u00e9rea de Melitopol.<br \/>\nPor um m\u00eas e meio, ele liderou oito soldados para proteger uma unidade de artilharia russa no local.<br \/>\n&#8220;O tempo todo n\u00f3s dormimos do lado de fora&#8221;, lembra ele. &#8220;N\u00f3s est\u00e1vamos com tanta fome que come\u00e7amos a ca\u00e7ar coelhos e fais\u00f5es. Uma vez nos deparamos uma mans\u00e3o. Havia um soldado russo l\u00e1 dentro. &#8216;N\u00f3s somos da 100\u00aa Brigada e moramos aqui agora&#8217;, nos disse o soldado.&#8221;<br \/>\n&#8220;Havia muita comida. As geladeiras estavam lotadas. Havia comida suficiente para sobreviver a uma guerra nuclear. Mas os soldados que viviam l\u00e1 estavam pegando as carpas japonesas no lago do lado de fora para com\u00ea-las.&#8221;<br \/>\n&#8216;Eu vi interrogat\u00f3rios e tortura&#8217;<br \/>\nEm abril, o grupo de Konstantin Yefremov estava protegendo o que ele descreve como um &#8220;quartel-general de log\u00edstica&#8221; na cidade de Bilmak, a nordeste de Melitopol. L\u00e1, ele diz ter testemunhado interrogat\u00f3rios e maus-tratos a prisioneiros ucranianos.<br \/>\nEle se lembra de um dia em que tr\u00eas prisioneiros foram trazidos.<br \/>\n&#8220;Um deles admitiu ser atirador de elite. Ao ouvir isso, o coronel russo enlouqueceu. Bateu nele, abaixou as cal\u00e7as do ucraniano e perguntou se ele era casado.&#8221;<br \/>\n&#8220;&#8216;Sim, respondeu o prisioneiro. &#8216;Ent\u00e3o algu\u00e9m me traga uma vassoura&#8217;, disse o coronel. &#8216;Vamos transformar voc\u00ea em uma menina e enviar o v\u00eddeo para sua esposa&#8217;.&#8221;<br \/>\nEm outra ocasi\u00e3o, diz Yefremov, o coronel pediu ao prisioneiro que desse o nome de todos os nacionalistas ucranianos de sua unidade.<br \/>\n&#8220;O ucraniano n\u00e3o entendeu a pergunta. Ele respondeu que os soldados eram da infantaria naval das For\u00e7as Armadas ucranianas. Por causa dessa resposta, eles quebraram alguns de seus dentes.&#8221;<br \/>\nO Kremlin quer que os russos acreditem que, na Ucr\u00e2nia, a R\u00fassia est\u00e1 lutando contra fascistas, neonazistas e ultranacionalistas.<br \/>\nEssa falsa narrativa serve para desumanizar os ucranianos perante o p\u00fablico russo e tamb\u00e9m junto aos militares.<br \/>\nYefremov diz que o prisioneiro ucraniano estava com os olhos vendados.<br \/>\n&#8220;O coronel colocou uma pistola na testa do preso e disse &#8216;Vou contar at\u00e9 tr\u00eas e depois vou atirar na sua cabe\u00e7a&#8217;. Ele fez a contagem e depois disparou ao lado da cabe\u00e7a, dos dois lados. O coronel come\u00e7ou a gritar com ele. Eu disse: &#8216;Companheiro coronel! Ele n\u00e3o consegue ouvi-lo, voc\u00ea o deixou surdo!'&#8221;<br \/>\nYefremov diz que o coronel deu ordens para que os ucranianos n\u00e3o recebessem comida normal \u2013 apenas \u00e1gua e biscoitos. Mas Yefremov diz: &#8220;Tent\u00e1vamos dar tamb\u00e9m ch\u00e1 quente e cigarros&#8221;.<br \/>\nPara que os prisioneiros n\u00e3o dormissem no ch\u00e3o, Yefremov tamb\u00e9m lembra que seus homens jogavam feno para eles \u2013 &#8220;sempre \u00e0 noite, para que ningu\u00e9m nos visse&#8221;.<br \/>\nDurante outro interrogat\u00f3rio, Yefremov disse que o coronel atirou em um prisioneiro no bra\u00e7o \u2013 e na perna direita abaixo do joelho, atingindo o osso.<br \/>\nKonstantin diz que seus homens enfaixaram o prisioneiro e procuraram outros comandantes russos \u2013 &#8220;n\u00e3o ao coronel, ele era louco&#8221; \u2013 e disseram que o prisioneiro precisava ir ao hospital, caso contr\u00e1rio morreria devido \u00e0 perda de sangue.<br \/>\n&#8220;N\u00f3s o vestimos com um uniforme russo e o levamos ao hospital. Dissemos a ele: &#8216;N\u00e3o diga que voc\u00ea \u00e9 um prisioneiro de guerra ucraniano, porque ou os m\u00e9dicos se recusar\u00e3o a trat\u00e1-lo. Ou os soldados russos feridos vir\u00e3o atirar em voc\u00ea e n\u00e3o conseguiremos impedi-los&#8217;.&#8221;<br \/>\nO Escrit\u00f3rio de Direitos Humanos da ONU tem documentado casos de maus tratos a prisioneiros na guerra na Ucr\u00e2nia. Foram ouvidos mais de 400 prisioneiros de guerra \u2013 tanto ucranianos como russos.<br \/>\n&#8220;Infelizmente, descobrimos que h\u00e1 tortura e maus-tratos a prisioneiros de guerra em ambos os lados&#8221;, diz Matilda Bogner, chefe da equipe de monitoramento da ONU na Ucr\u00e2nia.<br \/>\n&#8220;Se compararmos as viola\u00e7\u00f5es, a tortura ou maus-tratos de prisioneiros ucranianos de guerra tende a acontecer em quase todas as fases do confinamento. E, na maioria das vezes, as condi\u00e7\u00f5es de confinamento s\u00e3o piores em muitas \u00e1reas da R\u00fassia ou da Ucr\u00e2nia ocupada.&#8221;<br \/>\nAs piores formas de tortura ou maus-tratos para os prisioneiros de guerra ucranianos geralmente ocorrem durante o interrogat\u00f3rio, diz Bogner. Eles podem ser submetidos a m\u00e9todos como eletrocu\u00e7\u00e3o, enforcamento e espancamento.<br \/>\n&#8220;Quando eles chegam aos locais de confinamento, muitas vezes acontecem os chamados &#8216;espancamentos de boas-vindas&#8217;. Eles tamb\u00e9m recebem comida e \u00e1gua inadequadas&#8221;, diz ela.<br \/>\nPrisioneiros de guerra russos tamb\u00e9m relataram espancamentos e eletrocu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQualquer forma de tortura ou maus-tratos \u00e9 proibida pela lei internacional\u201d, diz Bogner. \u201c\u00c9 inaceit\u00e1vel que qualquer um dos lados fa\u00e7a isso.&#8221;<br \/>\nA BBC n\u00e3o conseguiu confirmar as alega\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de Konstantin Yefremov, mas elas s\u00e3o consistentes com outras alega\u00e7\u00f5es sobre abusos contra prisioneiros ucranianos.<br \/>\nO Minist\u00e9rio da Defesa da R\u00fassia n\u00e3o respondeu a um pedido de coment\u00e1rio feito pela BBC.<br \/>\n&#8216;Traidor e desertor&#8217;<br \/>\nYefremov acabou conseguindo voltar para sua unidade que lidava com minas terrestres, mas n\u00e3o por muito tempo.<br \/>\n&#8220;Sete de n\u00f3s tomamos a decis\u00e3o [de deixar o Ex\u00e9rcito]&#8221;, ele me conta.<br \/>\nNo final de maio, de volta \u00e0 Chech\u00eania, ele escreveu sua carta de demiss\u00e3o. Alguns superiores n\u00e3o gostaram.<br \/>\n&#8220;Eles come\u00e7aram a me amea\u00e7ar. Oficiais que n\u00e3o haviam passado um dia na Ucr\u00e2nia estavam me dizendo que eu era um covarde e um traidor. Eles n\u00e3o permitiriam que eu me demitisse. Eu fui demitido.&#8221;<br \/>\nYefremov nos mostrou algumas das cartas que recebeu dos militares.<br \/>\nNo primeiro documento, ele \u00e9 acusado de &#8220;fugir de seus deveres&#8221; e de descumprir uma ordem de retorno \u00e0 Ucr\u00e2nia \u2014 o que \u00e9 descrito como &#8220;uma viola\u00e7\u00e3o disciplinar grave &#8220;.<br \/>\nA segunda carta fala da &#8220;demiss\u00e3o precoce do servi\u00e7o militar (&#8230;) por quebra de contrato&#8221; por parte de Yefremov.<br \/>\n&#8220;Depois de 10 anos de servi\u00e7o fui acusado de ser traidor, desertor, s\u00f3 porque n\u00e3o queria matar pessoas&#8221;, diz. &#8220;Mas fiquei feliz por agora ser uma pessoa livre, por n\u00e3o ter que matar ou ser morto.&#8221;<br \/>\nYefremov est\u00e1 fora do Ex\u00e9rcito. Mas ainda corre o risco de ser enviado de volta para a guerra.<br \/>\nEm setembro de 2022, o presidente Putin declarou o que chamou de &#8220;mobiliza\u00e7\u00e3o parcial&#8221;. Centenas de milhares de cidad\u00e3os russos seriam convocados para o servi\u00e7o militar e enviados para a Ucr\u00e2nia.<br \/>\nYefremov diz que sabia disso &#8211; porque j\u00e1 havia servido nas for\u00e7as armadas na Ucr\u00e2nia. Ele ent\u00e3o elaborou um plano de fuga.<br \/>\n&#8220;Na casa onde eu morava, fiz uma escotilha no teto do s\u00f3t\u00e3o para o caso de policiais e oficiais de alistamento invadirem o local para me entregar a convoca\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\n&#8220;Oficiais de alistamento estavam indo \u00e0 minha casa e me esperando dentro de seus carros. Ent\u00e3o, eu resolvi alugar um apartamento, onde fiquei escondido.&#8221;<br \/>\n&#8220;Eu tamb\u00e9m me escondi dos vizinhos, porque ouvi falar de casos em que os vizinhos contaram \u00e0 pol\u00edcia sobre jovens que haviam sido convocados e estavam escondidos. Essa situa\u00e7\u00e3o foi humilhante e inaceit\u00e1vel.&#8221;<br \/>\nYefremov contatou o grupo russo de direitos humanos Gulagu.net, que o ajudou a fugir da R\u00fassia.<br \/>\nO que Yefremov pensa sobre os russos &#8211; e h\u00e1 muitos deles &#8211; que apoiam a decis\u00e3o de Vladimir Putin de invadir a Ucr\u00e2nia?<br \/>\n&#8220;N\u00e3o sei o que se passa na cabe\u00e7a deles&#8221;, diz. \u201cComo eles podem se deixar enganar? Os russos s\u00e3o desconfiados at\u00e9 quando v\u00e3o ao supermercado, pois sabem que podem ser enganados. Eles n\u00e3o confiam nem mesmo em suas esposas, seus maridos.&#8221;<br \/>\n&#8220;Mas o homem que os engana h\u00e1 20 anos, \u00e9 s\u00f3 ele abrir a boca que essas pessoas est\u00e3o dispostas para matar e morrer. N\u00e3o consigo entender.&#8221;<br \/>\nAo terminarmos a conversa, Yefremov pede desculpas ao povo da Ucr\u00e2nia.<br \/>\n&#8220;Pe\u00e7o desculpas a toda a na\u00e7\u00e3o ucraniana por ter entrado na sua casa sem ser convidado com uma arma em minhas m\u00e3os.&#8221;<br \/>\n&#8220;Gra\u00e7as a Deus n\u00e3o machuquei ningu\u00e9m. N\u00e3o matei ningu\u00e9m. Gra\u00e7as a Deus n\u00e3o fui morto.&#8221;<br \/>\n&#8220;Eu nem tenho o direito moral de pedir perd\u00e3o aos ucranianos. N\u00e3o consigo me perdoar, ent\u00e3o n\u00e3o posso esperar que eles me perdoem.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tenente, que foi posteriormente demitido, disse \u00e0 BBC que testemunhou maus-tratos a prisioneiros. Konstantin na Ucr\u00e2nia em mar\u00e7o de 2022 KONSTANTIN YEFREMOV Um ex-militar russo est\u00e1 acusando as tropas do seu pa\u00eds de usarem t\u00e1ticas violentas de interroga\u00e7\u00e3o contra ucranianos, que incluem homens sendo baleados e amea\u00e7ados com estupro. 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