{"id":37771,"date":"2023-01-31T10:17:42","date_gmt":"2023-01-31T10:17:42","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/31\/quase-aniquilacao-o-massacre-de-bear-river-um-dos-piores-contra-indigenas-da-historia-dos-eua\/"},"modified":"2023-01-31T10:17:42","modified_gmt":"2023-01-31T10:17:42","slug":"quase-aniquilacao-o-massacre-de-bear-river-um-dos-piores-contra-indigenas-da-historia-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/31\/quase-aniquilacao-o-massacre-de-bear-river-um-dos-piores-contra-indigenas-da-historia-dos-eua\/","title":{"rendered":"&#8216;Quase aniquila\u00e7\u00e3o&#8217;: o massacre de Bear River, um dos piores contra ind\u00edgenas da hist\u00f3ria dos EUA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/qL1FxhYfsBoYkNh5SJURROT6TXU=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/3\/U\/4Y3HJYR4iQ1SwPZ74fTQ\/bbc-indigenas-eua.jpg\"><br \/>   Em 29 de janeiro de 1863, ocorreu um dos cap\u00edtulos mais comoventes da hist\u00f3ria dos ind\u00edgenas americanos. O l\u00edder shoshone Sagwitch e sua esposa, Beowachee, com membros da fam\u00edlia.<br \/>\nBrad Parry via BBC<br \/>\nQuando os antepassados de Brad Parry viram os cavalos descendo a colina, eles relembraram a primeira vez em que observaram uma locomotiva em funcionamento.<br \/>\nIsso porque, naquela manh\u00e3 gelada, \u00e0 dist\u00e2ncia, chamava a aten\u00e7\u00e3o o vapor produzido pela respira\u00e7\u00e3o dos soldados e seus cavalos.<br \/>\n\u00c9 certo que havia tens\u00f5es com o Ex\u00e9rcito, mas os l\u00edderes da tribo n\u00e3o acreditavam que a mobiliza\u00e7\u00e3o seria uma amea\u00e7a para o seu povo. Eles orientaram as mulheres e idosos que se encontravam nas tendas para que n\u00e3o se levantassem e voltassem a dormir, como faziam as crian\u00e7as.<br \/>\nMas eles logo descobririam que a inten\u00e7\u00e3o dos soldados n\u00e3o era de dialogar e rapidamente deram orienta\u00e7\u00e3o para escaparem.<br \/>\nO que se seguiu foi um dos cap\u00edtulos mais dolorosos da hist\u00f3ria dos povos origin\u00e1rios norte-americanos. O dia 29 de janeiro de 1863 marcou o que hoje \u00e9 conhecido como o massacre de Bear River. Estimativas indicam que mais de 300 nativos morreram no massacre. Deles, 90 eram mulheres e crian\u00e7as.<br \/>\n&#8220;Eles agarravam as crian\u00e7as pequenas pelas pernas como se fossem coelhos e batiam a cabe\u00e7a delas contra o solo&#8221;, conta Elva Schramm, descendente de um dos caciques. &#8220;Foi assustador, o objetivo era matar e durou quatro horas&#8221;, segundo Brad Parry.<br \/>\nParry \u00e9 vice-presidente do Conselho do grupo do noroeste da na\u00e7\u00e3o Shoshone (Northwestern Band of the Shoshone Nation). Ele contou \u00e0 BBC News Mundo (o servi\u00e7o em espanhol da BBC) o que chegou at\u00e9 n\u00f3s sobre esse dia por meio da tradi\u00e7\u00e3o oral.<br \/>\nExistem registros militares, mas sua av\u00f3 Mae Timbimboo Parry foi fundamental para que conhec\u00eassemos o ponto de vista dos shoshones.<br \/>\nMae Timbimboo Parry insistiu para que a hist\u00f3ria registrasse o ocorrido n\u00e3o como uma &#8216;batalha&#8217;, mas como um &#8216;massacre&#8217;<br \/>\nBrad Parry via BBC<br \/>\n&#8220;Ela foi a primeira a reunir essas hist\u00f3rias. Ela as escreveu e depois divulgou ao p\u00fablico&#8221;, afirma a professora Molly Cannon, da Universidade do Estado de Utah, nos Estados Unidos, onde trabalha como diretora do Museu de Antropologia.<br \/>\nA trag\u00e9dia ocorreu perto do rio Bear, onde hoje fica o Estado de Idaho, no noroeste do pa\u00eds.<br \/>\n&#8220;\u00c9 triste que o maior massacre de nativos americanos da hist\u00f3ria dos Estados Unidos n\u00e3o seja realmente conhecido&#8221;, afirma Darren Parry, ex-presidente do grupo do noroeste da na\u00e7\u00e3o Shoshone, no document\u00e1rio Remembering Bear River: Tragedy for Idaho&#8217;s Shoshone Tribe (&#8220;Recordando Bear River: trag\u00e9dia para a tribo Shoshone, de Idaho&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre&#8221;), apresentado pela PBS, o servi\u00e7o p\u00fablico de r\u00e1dio e televis\u00e3o dos Estados Unidos.<br \/>\nEm &#8216;sil\u00eancio&#8217;<br \/>\nInicialmente, o ocorrido foi descrito como uma &#8220;batalha&#8221; entre o ex\u00e9rcito e os guerreiros shoshones. Mas Cannon destaca que Mae Parry fez com que essa defini\u00e7\u00e3o fosse questionada.<br \/>\n&#8220;Essa ideia de que se tratou de uma batalha perdurou por muito tempo na nossa hist\u00f3ria e na mente dos norte-americanos, mas acredito que a narrativa esteja lentamente desmoronando, em grande parte gra\u00e7as ao trabalho dos grupos tribais&#8221;, segundo a antrop\u00f3loga.<br \/>\nYeager Timbimboo, av\u00f4 de Mae Parry, era adolescente quando ocorreu o massacre, em 1863.<br \/>\nBrad Parry via BBC<br \/>\nPara Brad Parry, esta \u00e9 uma hist\u00f3ria que foi mantida em &#8220;sil\u00eancio&#8221; por mais de 100 anos. Muitas pessoas que moravam perto daquela regi\u00e3o preferiram n\u00e3o se aproximar, enquanto outras &#8220;n\u00e3o quiseram escrever sobre uma matan\u00e7a de mulheres, crian\u00e7as e idosos&#8221;.<br \/>\nAl\u00e9m disso, o massacre ocorreu durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), e a maioria dos jornalistas estava cobrindo os acontecimentos do conflito no leste do pa\u00eds. E, quanto aos nativos americanos, &#8220;n\u00e3o sab\u00edamos escrever, s\u00f3 pod\u00edamos contar [verbalmente] o que havia acontecido&#8221;, afirma Parry.<br \/>\nMas tudo mudou gra\u00e7as a Mae Parry, av\u00f3 de Brad, que, segundo ele, &#8220;foi uma estudante excepcional&#8221;.<br \/>\n&#8220;Sua educa\u00e7\u00e3o foi extremamente boa&#8221;, afirma ele. &#8220;Ela escrevia e falava muito bem e, quando se formou no ensino m\u00e9dio, seu av\u00f4 ainda estava vivo. Ela ent\u00e3o come\u00e7ou a escrever o que ele contava.&#8221;<br \/>\nOs testemunhos dele e de outros sobreviventes alimentaram o registro hist\u00f3rico dos shoshones sobre o acontecido naquele tr\u00e1gico dia.<br \/>\n&#8220;Somente nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, minha av\u00f3 come\u00e7ou a insistir na mudan\u00e7a do nome da &#8216;Batalha de Bear River&#8217; para &#8216;massacre de Bear River'&#8221;, conta Brad Parry. &#8220;Ela enfrentou o ex\u00e9rcito dos Estados Unidos, foi ao Congresso e se reuniu com todas essas pessoas para conseguir o verdadeiro reconhecimento dos fatos.&#8221;<br \/>\nAs tens\u00f5es<br \/>\nO epis\u00f3dio n\u00e3o pode ser observado como um fato isolado. No s\u00e9culo 19, os shoshones e outras tribos tiveram suas terras invadidas por colonos e grupos de m\u00f3rmons, al\u00e9m de enfrentarem garimpeiros em busca de ouro.<br \/>\nIlustra\u00e7\u00e3o de Sacagawea, membro da tribo dos shoshones que ajudou os exploradores Meriwether Lewis e William Clark em sua expedi\u00e7\u00e3o pelo oeste dos Estados Unidos, entre 1804 e 1806.<br \/>\nMPI\/ Getty Images via BBC<br \/>\nO massacre foi &#8220;o \u00e1pice de quase duas d\u00e9cadas de incidentes que surgiram da intera\u00e7\u00e3o entre \u00edndios e brancos&#8221;, segundo a editora da Universidade de Utah na apresenta\u00e7\u00e3o do livro The Shoshoni Frontier and the Bear River massacre (&#8220;A fronteira shoshone e o massacre de Bear River&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), do historiador Brigham Madsen.<br \/>\n&#8220;A terra-natal dos shoshones englobava uma grande extens\u00e3o de territ\u00f3rio e foi atravessada pelas principais rotas de viagem no oeste, o que fez com que houvesse encontros entre \u00edndios e brancos&#8221;, ele conta.<br \/>\n&#8220;Inicialmente, [os nativos] foram amig\u00e1veis e complacentes com os viajantes brancos na d\u00e9cada de 1840, [mas] no final da d\u00e9cada de 1850, o ressentimento se agravou entre os \u00edndios quando houve assassinatos e suas reservas de alimentos foram consumidas pelos imigrantes e seus animais.&#8221;<br \/>\nMichael Andersen \u00e9 o autor do estudo Bear River Massacre and the Ethical Implications for Large Scale Combat Operations (&#8220;O massacre de Bear River e as implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas para opera\u00e7\u00f5es de combate em larga escala&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), publicado pelo Centro Simons para a Lideran\u00e7a \u00c9tica e Coopera\u00e7\u00e3o Interinstitucional, uma organiza\u00e7\u00e3o dedicada, entre outros temas, a pesquisar sobre assuntos de seguran\u00e7a nos Estados Unidos.<br \/>\nO autor destaca que, embora se costume considerar os sioux e os apaches como &#8220;as tribos mais violentas daquele per\u00edodo da hist\u00f3ria norte-americana, de fato, os shoshones foram respons\u00e1veis por mais ataques a colonos e viajantes, em compara\u00e7\u00e3o com outras tribos&#8221;.<br \/>\nGrupo de shoshones de Utah, nos Estados Unidos, em foto de cerca de 1872.<br \/>\nHulton Archive\/ Getty Images via BBC<br \/>\nNo dia 6 de janeiro de 1863, a tens\u00e3o aumentou quando um grupo de viajantes que transitava pelo vale Cache relatou que um dos seus membros havia sido assassinado e que seu gado havia sido roubado.<br \/>\nUm dos viajantes forneceu \u00e0s autoridades uma declara\u00e7\u00e3o juramentada que fez com que um juiz emitisse ordem de pris\u00e3o contra tr\u00eas l\u00edderes shoshones. Foi solicitada a assist\u00eancia do coronel irland\u00eas Patrick Connor, que dirigiu a expedi\u00e7\u00e3o militar ao vale Cache, onde havia um assentamento shoshone perto do rio Bear.<br \/>\nO encontro<br \/>\n&#8220;Todos os anos, no inverno, n\u00f3s \u00edamos at\u00e9 l\u00e1 e nos reun\u00edamos com outras na\u00e7\u00f5es shoshones que vinham de outras partes&#8221;, segundo Brad Parry.<br \/>\nA regi\u00e3o \u00e9 chamada de &#8220;casa dos pulm\u00f5es&#8221;. Nela, seus antepassados encontravam recursos e fontes termais com propriedades curativas.<br \/>\nColina por onde desceram os soldados em dire\u00e7\u00e3o ao acampamento shoshone em 1863.<br \/>\nBrad Parry via BBC<br \/>\n&#8220;Era um lugar espiritual sagrado, mas tamb\u00e9m brinc\u00e1vamos, faz\u00edamos corridas e havia pr\u00eamios. Muitas vezes, voc\u00ea conhecia seu c\u00f4njuge e havia casamentos. Era como um grande encontro familiar&#8221;, ele conta.<br \/>\n&#8220;Em janeiro, come\u00e7ava o que chamamos de dan\u00e7a quente, para ajudar a M\u00e3e Terra e o grande esp\u00edrito a trazer a primavera&#8221;, segundo ele.<br \/>\nAs fam\u00edlias dos outros grupos shoshones come\u00e7avam a voltar para os seus territ\u00f3rios.<br \/>\n&#8220;Nosso pequeno grupo, do noroeste, ficava ali porque \u00e9ramos os anfitri\u00f5es&#8221;, afirma Parry. &#8220;Pouco antes de 29 de janeiro, os jovens e os homens mais fortes foram buscar comida, ca\u00e7ando cervos ou alces para passar o resto do inverno.&#8221;<br \/>\n&#8220;Muito poucos guerreiros&#8221; ficaram no acampamento e, quando o chefe shoshone Sagwitch viu os soldados descendo a colina em cavalos, falou com os outros l\u00edderes da tribo.<br \/>\n&#8220;Ele disse: &#8216;vamos ver o que querem, se precisam prender algu\u00e9m, seguiremos as regras&#8217;. De forma geral, eles tentavam, entre os l\u00edderes, negociar uma sa\u00edda.&#8221;<br \/>\nPara Brad Parry, era evidente que os shoshones n\u00e3o queriam o combate: &#8220;eles tinham mulheres, crian\u00e7as e anci\u00e3os nas tendas&#8221;.<br \/>\nSegundo Andersen, Sagwitch deu ordens de &#8220;n\u00e3o disparar contra o ex\u00e9rcito&#8221;, pois achava que s\u00f3 estavam interessados nas pris\u00f5es e &#8220;logo iriam embora&#8221;.<br \/>\nA agonia<br \/>\nA antrop\u00f3loga Cannon ressalta que os colonos europeus e o Ex\u00e9rcito sabiam que, naquele assentamento, estariam &#8220;todos os membros&#8221; daquele povo shoshone e n\u00e3o apenas &#8220;guerreiros&#8221;.<br \/>\nConnor dirigiu cerca de 300 soldados. &#8220;Eles cavalgaram at\u00e9 o acampamento, enquanto n\u00f3s t\u00ednhamos nossa primeira linha de defesa&#8221;, segundo Brad Parry. E o enfrentamento come\u00e7ou.<br \/>\nBrad Parry (de camisa branca). Com ele, da esquerda para a direita, Patty Timbimboo-Madsen, Gwen Davis, Rios Pacheco e Brian Parry &#8211; historiadores descendentes dos sobreviventes do massacre.<br \/>\nBrad Parry via BBC<br \/>\nQuando os shoshones ficaram sem muni\u00e7\u00e3o, &#8220;a batalha terminou e come\u00e7ou o massacre de homens, mulheres e crian\u00e7as&#8221;, afirma Andersen, com base nos testemunhos coletados no seu estudo.<br \/>\n&#8220;V\u00e1rias ind\u00edgenas foram assassinadas porque n\u00e3o se submeteram silenciosamente a serem violentadas e outras foram violentadas na agonia da morte&#8221;, segundo contou um m\u00f3rmon da regi\u00e3o.<br \/>\nParry indica que houve testemunhas que viram os soldados &#8220;agarrarem crian\u00e7as pequenas pelas tran\u00e7as e faz\u00ea-las rodopiar at\u00e9 romper o couro cabeludo&#8221;.<br \/>\nOs l\u00edderes e os homens da tribo trataram de manter os soldados no sul, &#8220;para que o nosso povo pudesse escapar pelo norte, mas o coronel percebeu e destacou suas tropas pelo norte, sobre uma colina. Eles come\u00e7aram a atirar e todas as pessoas precisaram correr em dire\u00e7\u00e3o ao sul&#8221;, ele conta.<br \/>\nBrad Parry conta o caso de Anzie Chee, uma mulher que conseguiu escapar, mesmo ferida. Ela saltou com seu beb\u00ea para uma parte do rio que n\u00e3o estava congelada e se escondeu em uma das margens. Ali, ela percebeu que havia outras mulheres.<br \/>\n&#8220;Mas seu beb\u00ea come\u00e7ou a chorar&#8230;&#8221;, ele conta. &#8220;Ela precisou solt\u00e1-lo. O beb\u00ea se afogou para poder salvar todas as outras pessoas.&#8221;<br \/>\nFingir-se de mortos<br \/>\nSagwitch ficou ferido e flutuava no rio at\u00e9 que &#8220;um amigo branco o ajudou&#8221; e ele sobreviveu.<br \/>\nSeu filho Yeager Timbimboo (av\u00f4 de Mae Parry) tinha cerca de 14 anos de idade. Junto com sua av\u00f3, ele se deitou sobre o solo gelado e eles fingiram estar mortos.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o abra os olhos, n\u00e3o olhe para cima&#8221;, sussurrou a av\u00f3. Mas o menino logo desobedeceu.<br \/>\n&#8220;Um soldado percebeu, aproximou-se e colocou uma pistola na sua cabe\u00e7a, sem disparar. Ele retirou a arma e voltou a apont\u00e1-la. Riu e foi embora&#8221;, conta Brad Parry.<br \/>\nYeager cresceu com essas recorda\u00e7\u00f5es. Ele e outros sobreviventes n\u00e3o queriam que elas desaparecessem.<br \/>\n&#8220;Todos os invernos, eles se reuniam e contavam a hist\u00f3ria do massacre. Eles pegavam uma folha de uma \u00e1rvore, dobravam e abriam furos com um prego: &#8216;assim ficaram nossas tendas&#8217;, diziam eles.&#8221; Outras foram queimadas.<br \/>\nDepois que os soldados foram embora, &#8220;os membros da comunidade branca do condado de Franklin [Idaho] correram at\u00e9 os \u00edndios para ajud\u00e1-los. Muitos foram assistidos muito bem no assentamento. Balas foram retiradas, feridas foram tratadas, crian\u00e7as foram adotadas.&#8221;<br \/>\nOs n\u00fameros<br \/>\nForam 25 os soldados que morreram, mas calcular com precis\u00e3o o n\u00famero de mortes entre os shoshones ainda \u00e9 dif\u00edcil. Os soldados contaram 224 corpos, mas deixaram claro que este n\u00e3o era o n\u00famero total.<br \/>\nO imigrante dinamarqu\u00eas Hans Jasperson indicou na sua autobiografia de 1911 que, depois de percorrer o acampamento, contou 493 shoshones mortos. &#8220;Dei meia volta, voltei a contar e cheguei ao mesmo n\u00famero&#8221;, escreveu ele, segundo o jornal Salt Lake Tribune.<br \/>\nMae Timbimboo Parry e seu irm\u00e3o Frank.<br \/>\nBrad Parry via BBC<br \/>\nBrad Parry afirma que os membros da comunidade pr\u00f3xima que ajudou as v\u00edtimas contaram 368 mortos.<br \/>\n&#8220;N\u00f3s estimamos que morreram 350 a 500 pessoas&#8221;, segundo ele. &#8220;Nosso grupo [os shoshones do noroeste] provavelmente tinha cerca de 650 integrantes. Eles nos deixaram com cerca de 125 pessoas.&#8221;<br \/>\n&#8220;Nossa tribo ainda n\u00e3o superou 600 membros desde ent\u00e3o. Acredito que sejamos agora cerca de 578 ou 580. \u00c9 o n\u00famero mais alto que atingimos h\u00e1 muito, muito tempo&#8221;, ele conta.<br \/>\n&#8220;Ainda n\u00e3o recuperamos os n\u00fameros anteriores ao massacre&#8221;, afirma Brad Parry. &#8220;Foi quase uma aniquila\u00e7\u00e3o completa, fomos t\u00e3o dizimados que levamos 160 anos para voltar \u00e0 mesma popula\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\nAntes de irem embora, os soldados se apropriaram dos cavalos, &#8220;saquearam o acampamento, roubaram a carne, os gr\u00e3os e nos deixaram sem nada&#8221;. E, territorialmente, aqueles shoshones sentiam que n\u00e3o tinham para onde ir.<br \/>\nDesumanizados<br \/>\nAo refletir sobre a matan\u00e7a de nativos americanos no s\u00e9culo 19, o historiador militar Jonathan Deiss declarou \u00e0 jornalista Dana Hedgpeth, do jornal The Washington Post, que, naquela \u00e9poca, &#8220;as pessoas achavam que os \u00ednd\u00edgenas realmente n\u00e3o eram humanos, de forma que era f\u00e1cil justificar sua matan\u00e7a ou maus tratos&#8221;.<br \/>\nCom essa percep\u00e7\u00e3o desumanizadora dos nativos americanos, segundo Cannon, &#8220;os massacres n\u00e3o pareciam massacres, mas sim a\u00e7\u00f5es militares, parte de um processo de ocupa\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o&#8221;.<br \/>\nDe fato, ao regressar, o coronel Connor foi elogiado pelos seus superiores e promovido a general de brigada. E, um ano depois, foi solicitado seu assessoramento para lidar com um acampamento da tribo arapaho e dos cheyennes no Estado norte-americano do Colorado.<br \/>\n&#8220;O coronel [John] Chivington usou uma estrat\u00e9gia similar &#8211; um ataque no inverno, de manh\u00e3 cedo &#8211; e massacrou 130 homens, mulheres e crian\u00e7as&#8221;, afirma Andersen.<br \/>\nJ\u00e1 se passaram 160 anos do massacre de Bear River, e, todos os anos, os shoshones recordam o inverno em que suas terras se tingiram de vermelho.<br \/>\nPara eles, os esp\u00edritos dos mortos continuam ali.<br \/>\n-Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-64420247<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 29 de janeiro de 1863, ocorreu um dos cap\u00edtulos mais comoventes da hist\u00f3ria dos ind\u00edgenas americanos. O l\u00edder shoshone Sagwitch e sua esposa, Beowachee, com membros da fam\u00edlia. 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