{"id":37429,"date":"2023-01-30T00:11:17","date_gmt":"2023-01-30T00:11:17","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/30\/quais-as-formas-mais-eficientes-de-estudar-para-prova-e-o-que-nao-funciona-tanto\/"},"modified":"2023-01-30T00:11:17","modified_gmt":"2023-01-30T00:11:17","slug":"quais-as-formas-mais-eficientes-de-estudar-para-prova-e-o-que-nao-funciona-tanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/30\/quais-as-formas-mais-eficientes-de-estudar-para-prova-e-o-que-nao-funciona-tanto\/","title":{"rendered":"Quais as formas mais eficientes de estudar para prova (e o que n\u00e3o funciona tanto)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/csOGLeix8X-RzbmDb0EMK4PxagU=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/A\/r\/JzBlkXRHAX32djYept7A\/provas-1.png\"><br \/>   Reler e grifar textos, deixar estudos para a v\u00e9spera da prova ou estudar em meio a distra\u00e7\u00f5es acabam desperdi\u00e7ando o esfor\u00e7o e desmotivando estudantes, explica especialista em ci\u00eancias do aprendizado. Reler e grifar n\u00e3o necessariamente vai fazer o estudante aprender o conte\u00fado, segundo estudos cient\u00edficos<br \/>\nGetty Images\/BBC<br \/>\nN\u00e3o raro estudantes se frustram ao n\u00e3o conseguir boas notas mesmo tendo estudado bastante para uma prova. Tem tamb\u00e9m aqueles que sentem que rapidamente esquecem o que aprenderam apenas poucas semanas antes.<br \/>\nS\u00e3o desafios particularmente grandes para estudantes rec\u00e9m-chegados \u00e0 universidade, que se deparam com um conte\u00fado bem mais volumoso e complexo do que o da escola e, muitas vezes, t\u00eam de conciliar os estudos com o trabalho.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 estudantes que se esfor\u00e7am tremendamente, mas de modo errado e acumulam muito conhecimento superficial ou declarat\u00f3rio, sem conseguir alcan\u00e7ar um n\u00edvel mais conceitual&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil Matthew Bernacki, professor-associado na Escola de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade da Carolina do Norte (UNC) em Chapel Hill (EUA).<br \/>\nBernacki se dedica \u00e0 ci\u00eancia do aprendizado, o que na pr\u00e1tica se traduz em ajudar estudantes a obter o m\u00e1ximo retorno do tempo e do esfor\u00e7o investidos nos estudos. Ele explica quais t\u00e9cnicas t\u00eam se mostrado mais ou menos eficientes, segundo pesquisas cient\u00edficas dele pr\u00f3prio e de outros cientistas da \u00e1rea.<br \/>\n Confira a seguir as t\u00e9cnicas comuns que ele e seus colegas na Universidade da Carolina do Norte consideram pouco eficientes &#8211; e como substitu\u00ed-las na pr\u00e1tica.<br \/>\nO que costuma ser pouco eficaz:<br \/>\nReler e grifar: Embora ler e grifar textos sejam uma parte importante do aprendizado, n\u00e3o costumam bastar para o estudante ganhar dom\u00ednio do conte\u00fado estudado. Reler, em especial, requer esfor\u00e7o e tempo que nem sempre compensam, porque &#8220;d\u00e1 uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de familiaridade com o conte\u00fado&#8221;. &#8220;Quando voc\u00ea sai do texto, n\u00e3o consegue reproduzir o que leu&#8221;, diz Bernacki.<br \/>\n&#8220;Quanto a grifar, h\u00e1 evid\u00eancias mistas: se voc\u00ea usa (a t\u00e9cnica) como um processo intencional, reflete sobre o que est\u00e1 destacando no texto, faz anota\u00e7\u00f5es e usa-as para avan\u00e7ar na sua estrat\u00e9gia (de estudos), pode ser muito produtivo&#8221;, diz o pesquisador.<br \/>\n&#8220;Mas se voc\u00ea grifa sem nenhum prop\u00f3sito em particular, ou se est\u00e1 apenas como forma de se manter atento ao texto, pode obter menos benef\u00edcios.&#8221;<br \/>\nSubstituir por:<br \/>\nAprendizado &#8220;ativo&#8221;: O Centro de Aprendizado da UNC enxerga a leitura como uma etapa anterior ao aprendizado. Para de fato aprender o conte\u00fado, \u00e9 mais eficaz interagir ativamente com ele. Aqui, algumas ideias do centro para fazer isso:<br \/>\nCriar perguntas, problemas ou &#8220;quizzes&#8221; para voc\u00ea mesmo responder. \u00c9 o que Bernacki chama de &#8220;pr\u00e1tica de reaquisi\u00e7\u00e3o&#8221; de conte\u00fado;<br \/>\nAo testar a si mesmo, voc\u00ea aumenta sua capacidade de reter o conte\u00fado estudado, explica o pesquisador;<br \/>\nExplicar a si mesmo o conte\u00fado, em voz alta, nas suas pr\u00f3prias palavras;<br \/>\nPara conte\u00fados t\u00e9cnicos, como matem\u00e1tica, vale detalhar o problema e os passos para resolv\u00ea-lo.<br \/>\nConhecimento acumulado na v\u00e9spera da prova muitas vezes n\u00e3o vira uma mem\u00f3ria de longa dura\u00e7\u00e3o; por isso, pesquisadores sugerem estudos mais espa\u00e7ados<br \/>\nGetty Images\/BBC<br \/>\nO que costuma ser pouco eficaz:<br \/>\nEstudar de \u00faltima hora: Passar a v\u00e9spera da prova estudando \u00e9 uma pr\u00e1tica comum para tentar se sair bem. Mas o esfor\u00e7o costuma servir para ir bem s\u00f3 naquela prova e n\u00e3o para memorizar de fato o conte\u00fado.<br \/>\n&#8220;Costumamos aglutinar todo o estudo em um intervalo muito pequeno, o que pode servir de imediato, mas n\u00e3o para o uso de longo prazo&#8221;, explica Bernacki.<br \/>\nSubstituir por:<br \/>\nSess\u00f5es curtas e espa\u00e7adas de estudos: Em vez de estudar v\u00e1rias horas apenas na v\u00e9spera da prova, vale mais a pena fazer sess\u00f5es de estudo curtas, por\u00e9m espa\u00e7adas ao longo de v\u00e1rios dias, do conte\u00fado que voc\u00ea quer aprender.<br \/>\n&#8220;O importante \u00e9 como voc\u00ea usa o seu tempo de estudo e n\u00e3o a dura\u00e7\u00e3o do seu tempo de estudo&#8221;, diz o Centro de Aprendizado. &#8220;Sess\u00f5es longas levam \u00e0 perda de concentra\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a menos aprendizado e reten\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\nNa pr\u00e1tica, voc\u00ea talvez v\u00e1 estudar pela mesma quantidade de tempo (ou menos) do que se deixasse tudo para a v\u00e9spera. A vantagem \u00e9 que dar\u00e1 ao c\u00e9rebro tempo para fortalecer as conex\u00f5es neurais daquele aprendizado, que ter\u00e1 mais chance de se converter em uma mem\u00f3ria de longa dura\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO que costuma ser pouco eficaz:<br \/>\n&#8220;Multitasking&#8221;: J\u00e1 h\u00e1 m\u00faltiplas pesquisas indicando que estudar com distra\u00e7\u00f5es &#8211; por exemplo de mensagens de WhatsApp ou v\u00eddeos no TikTok &#8211; \u00e9 ineficiente n\u00e3o s\u00f3 porque voc\u00ea est\u00e1 dividindo sua aten\u00e7\u00e3o, mas porque o pr\u00f3prio ato de ficar trocando de tela ou aparelho gasta tempo e energia.<br \/>\nSubstituir por:<br \/>\nT\u00e9cnica &#8220;pomodoro&#8221;, ou estudo em blocos: A recomenda\u00e7\u00e3o de Bernacki para n\u00e3o sofrer com as distra\u00e7\u00f5es \u00e9 estabelecer blocos de estudo. Por exemplo, marque 35 minutos no rel\u00f3gio e, nesse per\u00edodo, dedique-se exclusivamente a estudar um conte\u00fado, desligando-se de todas as distra\u00e7\u00f5es.<br \/>\nDepois disso, voc\u00ea tem cinco minutos para recompensar o seu c\u00e9rebro com alguma distra\u00e7\u00e3o &#8211; por exemplo, fazendo um lanche ou checando suas mensagens. E, da\u00ed, voc\u00ea volta para mais um bloco de 35 minutos de estudo.<br \/>\nEsse m\u00e9todo \u00e9 conhecido como &#8220;pomodoro&#8221;, em refer\u00eancia \u00e0queles temporizadores em formato de tomate. Essa t\u00e9cnica ajuda n\u00e3o s\u00f3 a evitar o tempo perdido com a distra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a manter o c\u00e9rebro motivado com a perspectiva da &#8220;recompensa&#8221;.<br \/>\n(Leia mais sobre essa e outras t\u00e9cnicas de aprendizado aqui)<br \/>\nExplicar a si mesmo o conte\u00fado e testar os pr\u00f3prios conhecimentos s\u00e3o mais m\u00e9todos eficazes de realmente aprender<br \/>\nGetty Images\/BBC<br \/>\n&#8216;Autorregula\u00e7\u00e3o&#8217; nos estudos<br \/>\nBernacki destaca, por\u00e9m, que n\u00e3o basta aplicar as t\u00e9cnicas acima como se fossem f\u00f3rmulas m\u00e1gicas que funcionam em todos os momentos, mas sim identificar quais t\u00e9cnicas se adequam mais a cada objetivo de aprendizado. Isso passa pelo que o especialista chama de autorregula\u00e7\u00e3o nos estudos.<br \/>\n&#8220;Trata-se de analisar a tarefa, entender qual o objetivo do aprendizado, quais recursos tenho dispon\u00edveis, e escolher a estrat\u00e9gia que combina com isso&#8221;, explica.<br \/>\n&#8220;\u00c0s vezes, o conhecimento \u00e9 muito concreto e expl\u00edcito &#8211; por exemplo, um fato, uma defini\u00e7\u00e3o, uma f\u00f3rmula, que podem ser estudados mais brevemente. Mas outras coisas s\u00e3o mais complexas, t\u00eam m\u00faltiplas etapas ou exigem um entendimento mais conceitual. S\u00e3o mais dif\u00edceis de se estudar de uma vez s\u00f3. Ent\u00e3o, voc\u00ea precisa gerar seu pr\u00f3prio conhecimento e suas pr\u00f3prias respostas e se autoavaliar: &#8216;O quanto eu entendi isto?&#8217;.&#8221;<br \/>\nBernacki tem aplicado essas t\u00e9cnicas e monitorado seus resultados principalmente entre grupos de estudantes de cursos STEM (sigla em ingl\u00eas para ci\u00eancias, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica) e tamb\u00e9m universit\u00e1rios de primeira gera\u00e7\u00e3o, ou seja, jovens que s\u00e3o os primeiros de suas fam\u00edlias a entrar na universidade &#8211; que costumam ter um repert\u00f3rio menor de t\u00e9cnicas de estudo para desbravar esse per\u00edodo desafiador.<br \/>\nAo melhorar a efici\u00eancia dos estudos e a autorregula\u00e7\u00e3o, melhora-se tamb\u00e9m a motiva\u00e7\u00e3o e engajamento<br \/>\nGetty Images\/BBC<br \/>\nEm estudo publicado em 2022 no Journal of Educational Psychology, Bernacki e seus colegas investigaram como um programa de estudos focado nas ci\u00eancias de aprendizado e na estrat\u00e9gia de autorregula\u00e7\u00e3o impactou estudantes de Biologia identificados, por meio de um algoritmo, como sob risco de ter desempenho ruim no curso.<br \/>\nOs estudantes se sa\u00edram 12% melhor do que o grupo de controle nas provas finais do curso.<br \/>\nBernacki diz que as t\u00e9cnicas t\u00eam embasamento cient\u00edfico e podem ser usadas por qualquer pessoa, inclusive estudantes brasileiros que queiram melhorar seu desempenho. H\u00e1 planos para oferecer um curso espec\u00edfico para estudantes internacionais que queiram se inscrever em universidades americanas.<br \/>\nOutro foco de estudos do pesquisador \u00e9 na outra ponta do aprendizado: Bernacki est\u00e1 pesquisando formas de ajudar professores e autores de material did\u00e1tico a formular com clareza que tipo de expectativas eles t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o aos estudantes.<br \/>\nPor exemplo, &#8220;Qual n\u00edvel de entendimento \u00e9 preciso alcan\u00e7ar (em determinado curso)? E quais as ferramentas relevantes para isso? (&#8230;) Deixar isso mais transparente aos estudantes \u00e9 muito importante&#8221;, ele explica.<br \/>\n&#8220;A maioria de n\u00f3s \u00e9 capaz de lembrar de alguma mat\u00e9ria que era desafiadora, mas que sab\u00edamos qual percurso seguir, mas tamb\u00e9m mat\u00e9rias em que pens\u00e1vamos: &#8216;Queria muito ter aprendido aquilo, mas nunca sabia qual era o objetivo nem entendia o que est\u00e1vamos aprendendo&#8217;. Isso costuma ser muito desafiador para os alunos e pode mudar o percurso de alguns deles.&#8221;<br \/>\nEste texto foi publicado originalmente em bbc.com\/portuguese\/geral-64354629<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reler e grifar textos, deixar estudos para a v\u00e9spera da prova ou estudar em meio a distra\u00e7\u00f5es acabam desperdi\u00e7ando o esfor\u00e7o e desmotivando estudantes, explica especialista em ci\u00eancias do aprendizado. 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