{"id":37185,"date":"2023-01-28T17:09:55","date_gmt":"2023-01-28T17:09:55","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/28\/russia-transforma-presidiarios-em-herois-de-guerra-contra-ucrania\/"},"modified":"2023-01-28T17:09:55","modified_gmt":"2023-01-28T17:09:55","slug":"russia-transforma-presidiarios-em-herois-de-guerra-contra-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/28\/russia-transforma-presidiarios-em-herois-de-guerra-contra-ucrania\/","title":{"rendered":"R\u00fassia transforma presidi\u00e1rios em &#8216;her\u00f3is&#8217; de guerra contra Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/G5v0ZC6OPGl6-GPTwG127QEuICM=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/L\/p\/6KLOFxQcCU5ubomhifrg\/thumbnail-image001.jpg\"><br \/>   Por anos, o grupo mercen\u00e1rio russo Wagner ficou fora dos holofotes e era negado pela elite governante. Depois do in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia, para a qual contribuiu com o recrutamento de ex-prisioneiros, a organiza\u00e7\u00e3o foi al\u00e7ada ao prest\u00edgio. Vladimir Putin entrega honraria a Aikom Gasparyan, membro do grupo Wagner<br \/>\nKREMLIN.RU<br \/>\nPor anos, o grupo mercen\u00e1rio russo Wagner, fundado pelo empres\u00e1rio Yevgeny Prigozhin, ficou fora dos holofotes. A elite governante negava a sua exist\u00eancia. Mas, com a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, o grupo passou a desempenhar um papel cada vez mais importante para a R\u00fassia no campo de batalha.<br \/>\nNo \u00faltimo dia de 2022, o presidente russo, Vladimir Putin, viajou para entregar as medalhas mais importantes do pa\u00eds a combatentes que lutaram na Ucr\u00e2nia. Um deles era um jovem barbudo com um uniforme diferente do restante do grupo. Era do tipo usado pelos mercen\u00e1rios russos.<br \/>\nUm de 40.000 homens<br \/>\nO jovem foi identificado como Aikom Gasparyan, um f\u00e3 de artes marciais que foi preso em outubro de 2019 por tentativa de roubo em um caf\u00e9 de Moscou. Ele foi condenado a sete anos de pris\u00e3o.<br \/>\nMas, em dezembro passado, o jovem foi visto em um v\u00eddeo no Telegram, postado em uma conta ligada ao grupo Wagner. Nas imagens, Gasparyan dizia que havia deixado a pris\u00e3o na cidade de Ryazan e estava lutando na Ucr\u00e2nia.<br \/>\nEle se tornou um dos 40.000 ex-prisioneiros russos que, segundo estimativas dos Estados Unidos, est\u00e3o atuando na Ucr\u00e2nia. Eles lutam ao lado de 10.000 agentes contratados regulares do grupo.<br \/>\nO escrit\u00f3rio do grupo Wagner em S\u00e3o Petersburgo<br \/>\nReuters<br \/>\nSegundo o jornal americano Washington Post, esses dados foram coletados pelo grupo de direitos humanos &#8220;Russia Behind Bars&#8221;, que est\u00e1 rastreando o envolvimento dos prisioneiros na guerra.<br \/>\nO fundador do grupo, Yevgeny Prigozhin, fez rodadas de recrutamento no sistema penitenci\u00e1rio russo no ano passado. Ele prometeu uma ficha criminal limpa aos condenados que se juntaram \u00e0 sua organiza\u00e7\u00e3o e foram enviados \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia. Mais tarde, descobriu-se que esses homens foram enviados para os pontos mais perigosos da linha de frente e muitos foram mortos.<br \/>\nO ex\u00e9rcito ucraniano afirmou que os ex-presidi\u00e1rios afiliados ao Wagner foram usados como bucha de canh\u00e3o e que a grande maioria deles morreu.<br \/>\nAlto sal\u00e1rio e promessa de aventura<br \/>\nO grupo nem sempre contou com prisioneiros para preencher suas fileiras.<br \/>\nFundada em 2014 e cada vez mais ativa entre 2015 e 2016, a organiza\u00e7\u00e3o mercen\u00e1ria foi criada para ajudar os separatistas apoiados pela R\u00fassia no leste da Ucr\u00e2nia.<br \/>\nYevgeny Prigozhin se despede de ex-presidi\u00e1rios que lutaram na Ucr\u00e2nia e retornaram \u00e0 R\u00fassia. N\u00e3o se sabe se as condena\u00e7\u00f5es deles realmente foram perdoadas<br \/>\nT.ME\/PRIGOZHIN_HAT<br \/>\nSuas opera\u00e7\u00f5es rapidamente se estenderam al\u00e9m da Europa Oriental: mercen\u00e1rios do Wagner foram vistos no Sud\u00e3o, S\u00edria, L\u00edbia e em todo o continente africano.<br \/>\nPara atrair recrutas, o grupo prometia altos sal\u00e1rios e aventuras. Como um ex-combatente disse \u00e0 BBC, &#8220;homens que s\u00e3o rom\u00e2nticos de cora\u00e7\u00e3o se juntaram a esta organiza\u00e7\u00e3o para defender os interesses da R\u00fassia al\u00e9m de suas fronteiras&#8221;.<br \/>\nA maioria dos homens que se juntava ao grupo antes da guerra na Ucr\u00e2nia vinha de cidades pequenas, onde as perspectivas de encontrar um emprego bem remunerado eram limitadas.<br \/>\nUm agente trabalhando para o grupo Wagner poderia receber cerca de US$ 1.500 por m\u00eas, ou at\u00e9 US$ 2.000 se fosse em combate. E frequentemente era combate: os mercen\u00e1rios da organiza\u00e7\u00e3o lutaram ao lado das tropas do presidente Assad na S\u00edria e contra o governo apoiado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas na L\u00edbia, dando apoio ao general Haftar.<br \/>\nAinda que se estime que, entre 2014 e 2021, at\u00e9 15.000 homens tenham sido contratados pelo grupo, esse n\u00famero ainda era limitado. Na R\u00fassia, muitas pessoas n\u00e3o conheciam a organiza\u00e7\u00e3o mercen\u00e1ria. Sua influ\u00eancia e status aumentaram com o in\u00edcio da invas\u00e3o russa em grande escala na Ucr\u00e2nia.<br \/>\nYevgeny Prigozhin<br \/>\nAntes da guerra, funcion\u00e1rios do governo russo negavam a exist\u00eancia de Wagner. Relatos de que Moscou estava usando mercen\u00e1rios para ampliar sua influ\u00eancia em outras partes do mundo foram veementemente rejeitados. As autoridades diziam que mercen\u00e1rios eram proibidos na R\u00fassia e que ingressar em organiza\u00e7\u00f5es dessa natureza poderia configurar crime.<br \/>\nO empres\u00e1rio Yevgeny Prigozhin processou muitos jornalistas por apontarem que ele era ligado ao grupo.<br \/>\nEm 2019, quando questionado sobre os combatentes russos na S\u00edria, o presidente Putin disse que tinha conhecimento de algumas empresas de seguran\u00e7a privada que atuavam l\u00e1, mas que elas n\u00e3o estavam ligadas ao Estado russo. O presidente fez declara\u00e7\u00f5es semelhantes quando questionado sobre mercen\u00e1rios russos na L\u00edbia em 2020.<br \/>\nYevgeny Prigozhin foi visto em um v\u00eddeo conversando com prisioneiros na R\u00fassia<br \/>\nBBC<br \/>\nDepois que a R\u00fassia atacou a Ucr\u00e2nia, isso mudou. Como o ex\u00e9rcito russo n\u00e3o conseguiu atingir seus objetivos na Ucr\u00e2nia rapidamente, Yevgeny Prigozhin se tornou um cr\u00edtico do comando militar e passou a se abrir mais sobre suas conex\u00f5es com o grupo Wagner. Finalmente, em setembro do ano passado, ele admitiu que havia fundado a organiza\u00e7\u00e3o em 2014.<br \/>\nMais recentemente, ele insistiu que os combatentes do Wagner foram os respons\u00e1veis pela tomada da cidade ucraniana de Soledar, duramente disputada. Come\u00e7aram a circular na internet v\u00eddeos gravados por mercen\u00e1rios atacando o general Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior russo e atual comandante da opera\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia.<br \/>\nPara especialistas, a imagem de um agente do grupo Wagner recebendo um pr\u00eamio e apertando a m\u00e3o do presidente Putin n\u00e3o apenas causou ondas de entusiasmo entre os seguidores da organiza\u00e7\u00e3o, como representou uma tentativa de normalizar esse grupo sombrio \u2014 acusado de crimes de guerra na Ucr\u00e2nia e, anteriormente, na L\u00edbia e na Rep\u00fablica Centro-Africana.<br \/>\nHer\u00f3is glorificados<br \/>\nEm agosto passado, a TV estatal russa transmitiu uma reportagem sobre um homem &#8220;que implorou para ir para a linha de frente&#8221; e acabou sendo morto na Ucr\u00e2nia. A mat\u00e9ria descreveu um her\u00f3i que se explodiu, matando tr\u00eas soldados ucranianos com ele.<br \/>\nA reportagem afirmou que o homem morto era Konstantin Tulinov, de 26 anos, que tinha condena\u00e7\u00f5es anteriores por &#8220;roubo de carro, assalto e drogas&#8221; e estava na pris\u00e3o quando a guerra come\u00e7ou. Segundo a TV estatal, ele implorou para ir para a guerra, mesmo n\u00e3o tendo experi\u00eancia militar.<br \/>\nSegundo TV estatal russa, Konstantin Tulinov teria implorado para ir para a guerra<br \/>\nBESOGON TV<br \/>\nEm 2019, o site de direitos humanos Gulagu.net publicou um v\u00eddeo vazado da pris\u00e3o no qual Tulinov \u00e9 visto abusando outro prisioneiro.<br \/>\nA BBC pediu posicionamento da pris\u00e3o em que Tulinov estava, mas n\u00e3o recebeu resposta.<br \/>\nNesta foto e em alguns v\u00eddeos, Tulinov (\u00e0 dir.) n\u00e3o esconde seus la\u00e7os com a administra\u00e7\u00e3o de seu centro de deten\u00e7\u00e3o<br \/>\nGULAGU.NET<br \/>\nA BBC conversou com a m\u00e3e de Tulinov, que confirmou estar ciente de que seu filho se ofereceu para ir \u00e0 guerra.<br \/>\n&#8220;Sim, ele me disse que iria defender nossa p\u00e1tria, que escolheu se juntar a esta guerra, a esta opera\u00e7\u00e3o especial.&#8221;<br \/>\n&#8216;O ex\u00e9rcito mais experiente do mundo&#8217;<br \/>\nQuando Yevgeny Prigozhin, at\u00e9 ent\u00e3o um empres\u00e1rio russo da cidade natal do presidente Putin, S\u00e3o Petersburgo, admitiu que fundou o grupo Wagner, alegou que o fez para &#8220;defender os russos&#8221;. Para ele, a organiza\u00e7\u00e3o criada era &#8220;um pilar da R\u00fassia&#8221;.<br \/>\nNo in\u00edcio de outubro, o Kremlin descreveu Prigozhin como um verdadeiro cidad\u00e3o e um homem cujo cora\u00e7\u00e3o do\u00eda pela R\u00fassia.<br \/>\nUm m\u00eas depois, um escrit\u00f3rio do grupo Wagner abriu em S\u00e3o Petersburgo. Trata-se de um complexo de escrit\u00f3rios de alto padr\u00e3o no qual s\u00e3o realizados cursos e eventos para crian\u00e7as e jovens &#8220;na esfera da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, m\u00eddia e treinamento militar b\u00e1sico, visando aumentar a capacidade de combate da R\u00fassia&#8221;.<br \/>\nAs ag\u00eancias de not\u00edcias estatais russas n\u00e3o costumavam se referir ao grupo Wagner, mas agora o fazem v\u00e1rias vezes ao dia. A m\u00eddia estatal tamb\u00e9m aborda abertamente o recrutamento de prisioneiros. O canal estatal NTV publicou recentemente uma reportagem afirmando que o grupo \u00e9 &#8220;o ex\u00e9rcito mais experiente do mundo&#8221;.<br \/>\nNa semana passada, Yevgeny Prigozhin escreveu uma carta ao presidente do parlamento russo, Vyacheslav Volodin, reclamando de jornalistas que est\u00e3o &#8220;procurando informa\u00e7\u00f5es in\u00fateis sobre os prisioneiros recrutados, apresentando-os como criminosos&#8221;.<br \/>\nPrigozhin sugeriu endurecer ainda mais a lei e proibir a m\u00eddia de escrever sobre o passado criminoso dos novos recrutas do Wagner.<br \/>\nVolodin aceitou a sugest\u00e3o e pediu que comiss\u00f5es parlamentares examinem poss\u00edveis emendas ao c\u00f3digo penal russo.<br \/>\n&#8220;Todos os que est\u00e3o defendendo nosso pa\u00eds \u2014 militares, volunt\u00e1rios, novos recrutas, membros do grupo Wagner \u2014 s\u00e3o her\u00f3is&#8221;, disse o chefe do parlamento russo.<br \/>\nReportagem publicada originalmente em- https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-64434556<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por anos, o grupo mercen\u00e1rio russo Wagner ficou fora dos holofotes e era negado pela elite governante. 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