{"id":36669,"date":"2023-01-26T22:15:24","date_gmt":"2023-01-26T22:15:24","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/26\/americanas-as-duvidas-dos-44-mil-funcionarios-sobre-seu-futuro-em-meio-a-recuperacao-judicial\/"},"modified":"2023-01-26T22:15:24","modified_gmt":"2023-01-26T22:15:24","slug":"americanas-as-duvidas-dos-44-mil-funcionarios-sobre-seu-futuro-em-meio-a-recuperacao-judicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/26\/americanas-as-duvidas-dos-44-mil-funcionarios-sobre-seu-futuro-em-meio-a-recuperacao-judicial\/","title":{"rendered":"Americanas: as d\u00favidas dos 44 mil funcion\u00e1rios sobre seu futuro em meio \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/1iTzR6-xA-CV21G6lAbPtYwEaj0=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/t\/8\/0D3a7OS7qdmAfSUPNbig\/thumbnail-image009.jpg\"><br \/>   A empresa entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial ap\u00f3s identificar rombo bilion\u00e1rio. Redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, demiss\u00f5es e descontos nas d\u00edvidas trabalhistas est\u00e3o entre as medidas que a empresa pode propor para evitar fal\u00eancia. &#8216;Provavelmente, ser\u00e3o anos para os credores [da Americanas] receberem&#8217;, diz advogado especialista em recupera\u00e7\u00e3o judicial<br \/>\nReuters<br \/>\nIncertezas e o medo da demiss\u00e3o passaram a fazer parte da rotina de trabalho dos 44 mil funcion\u00e1rios da Americanas.<br \/>\nA empresa, uma das maiores varejistas do pa\u00eds, anunciou um rombo bilion\u00e1rio e entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial para tentar evitar a fal\u00eancia.<br \/>\n A Americanas n\u00e3o descartou em um comunicado aos funcion\u00e1rios que vai fazer demiss\u00f5es, e o esperado \u00e9 que ela fa\u00e7a isso.<br \/>\nMas ningu\u00e9m &#8211; nem a pr\u00f3pria empresa &#8211; sabe dizer ao certo quanta gente vai ser mandada embora.<br \/>\nLEIA MAIS<br \/>\nENTENDA: O que \u00e9 recupera\u00e7\u00e3o judicial<br \/>\nRombo na Americanas: quem perdeu e quem ganhou com o caso<br \/>\nAmericanas: veja a cronologia do caso, das &#8216;inconsist\u00eancias cont\u00e1beis&#8217; \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial<br \/>\nOutra d\u00favida \u00e9 o que acontecer\u00e1 com os empregados que n\u00e3o forem demitidos. Uma possibilidade \u00e9 que os sal\u00e1rios sejam reduzidos.<br \/>\nA Americanas tem ainda R$ 64,8 milh\u00f5es em d\u00edvidas trabalhistas com ex-funcion\u00e1rios, que tamb\u00e9m v\u00e3o entrar na recupera\u00e7\u00e3o judicial.<br \/>\nTudo ter\u00e1 de ser negociado com os sindicatos e ex-funcion\u00e1rios. A lei d\u00e1 algumas garantias aos trabalhadores, como receber todos os direitos trabalhistas em caso de demiss\u00e3o e ser os primeiros da fila na hora de receber o que a empresa deve.<br \/>\nMas sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada delicada, porque os credores com quem a Americanas tem d\u00edvidas maiores ter\u00e3o mais voz neste processo e a situa\u00e7\u00e3o dos empregados pode ficar ainda mais complicada se a empresa falir.<br \/>\nA maior preocupa\u00e7\u00e3o dos sindicatos no momento \u00e9 com uma demiss\u00e3o em massa e que a companhia n\u00e3o pague o que \u00e9 devido aos funcion\u00e1rios que venham a ser dispensados e ex-funcion\u00e1rios.<br \/>\n Eles dizem que a d\u00edvida total da Americanas, de R$ 41,2 bilh\u00f5es, a coloca \u00e0 beira da fal\u00eancia e pediram \u00e0 Justi\u00e7a na quarta-feira (25\/1) o bloqueio de bens dos seus principais acionistas, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.<br \/>\nCarlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles s\u00e3o os maiores acionistas do neg\u00f3cio<br \/>\n3G Capital<br \/>\nAs centrais sindicais apontaram que h\u00e1 quase 17 mil a\u00e7\u00f5es trabalhistas em andamento contra empresas do grupo Americanas, que somam R$ 1,53 bilh\u00e3o, e querem que esse valor seja bloqueado das contas pessoais dos maiores s\u00f3cios.<br \/>\nElas dizem que houve uma &#8220;fraude cont\u00e1bil que se desenrolou durante anos na empresa&#8221; e da qual &#8220;s\u00e3o os tr\u00eas bilion\u00e1rios os maiores benefici\u00e1rios da fraude&#8221;.<br \/>\nA Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios, que regula o mercado de a\u00e7\u00f5es, est\u00e1 investigando se houve fraude e a responsabilidade dos acionistas.<br \/>\nLemann, Telles e Sicupira disseram em uma nota conjunta que n\u00e3o sabiam do rombo da Americanas e n\u00e3o permitiriam fraudes ou manobras cont\u00e1beis. As declara\u00e7\u00f5es dos acionistas indignaram l\u00edderes sindicais.<br \/>\n&#8220;\u00c9 inacredit\u00e1vel. Eles est\u00e3o faltando com a verdade, porque est\u00e3o envergonhados por terem sido pegos com a boca na botija. Acho que eles se consideravam acima de Deus&#8221;, diz Ricardo Patah, presidente da Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Sindicato dos Comerci\u00e1rios de S\u00e3o Paulo (SECSP).<br \/>\nM\u00e1rcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerci\u00e1rios do Rio de Janeiro, diz que as justificativas apresentadas por Lemann, Telles e Sicupira s\u00e3o um &#8220;absurdo&#8221;.<br \/>\n&#8220;Como essas figuras, que comandavam a empresa at\u00e9 o ano passado, n\u00e3o tinham no\u00e7\u00e3o do que estava acontecendo? Eles precisam ser responsabilizados. N\u00e3o \u00e9 justo o trabalhador pagar essa conta&#8221;, diz M\u00e1rcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerci\u00e1rios do Rio de Janeiro (SECRJ).<br \/>\nOs sindicatos est\u00e3o se articulando nacionalmente para negociar com a empresa, que est\u00e1 presente em quase mil cidades, em todas as regi\u00f5es.<br \/>\nTamb\u00e9m planejam uma manifesta\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos dias para chamar aten\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e cobrar que seus direitos sejam respeitados.<br \/>\n&#8220;Tem se falado muito dos acionistas e dos bancos, mas n\u00e3o dos trabalhadores. Parece que somos invis\u00edveis. Mas o mais importante de tudo isso s\u00e3o as milhares de pessoas que trabalham para a empresa&#8221;, diz Patah.<br \/>\nA Americanas disse \u00e0 BBC News Brasil que &#8220;se mant\u00e9m comprometida com a transpar\u00eancia e as obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas, como prev\u00ea a legisla\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\nTamb\u00e9m afirmou que est\u00e1 elaborando &#8220;um plano estrat\u00e9gico de otimiza\u00e7\u00e3o dos recursos para que decis\u00f5es que garantam a sua sustentabilidade tenham efeitos em curto prazo&#8221;.<br \/>\nA empresa disse que &#8220;\u00e9 comum que haja reestrutura\u00e7\u00e3o&#8221; e refor\u00e7ou &#8220;que manter\u00e1 todos os seus colaboradores e p\u00fablicos de interesse informados&#8221;.<br \/>\nAmericanas pede recupera\u00e7\u00e3o judicial; entenda como funciona<br \/>\nDemiss\u00f5es<br \/>\nNa ter\u00e7a-feira (25\/1), 300 l\u00edderes sindicais de todo o pa\u00eds tiveram uma primeira reuni\u00e3o com a empresa.<br \/>\nEm um encontro virtual com o gerente de Recursos Humanos e Rela\u00e7\u00f5es Sindicais da Americanas, L\u00facio Marques, eles pediram que a empresa apresente uma rela\u00e7\u00e3o de todas as lojas e dos funcion\u00e1rios da companhia para entender melhor quem pode ser afetado.<br \/>\nA Americanas disse em seu \u00faltimo balan\u00e7o, publicado em junho do ano passado, que tem 44.481 funcion\u00e1rios. Quase dois ter\u00e7os est\u00e3o na regi\u00e3o Sudeste. A empresa tamb\u00e9m tem uma presen\u00e7a relevante no Nordeste e no Sul e um pouco menor no Centro-Oeste e Norte.<br \/>\nO executivo da Americanas voltou a afirmar na reuni\u00e3o com os sindicatos que pode fazer demiss\u00f5es, mas n\u00e3o cravou e se justificou dizendo que a empresa ainda est\u00e1 avaliando sua situa\u00e7\u00e3o financeira e elaborando o plano de recupera\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Eles falaram que podem fechar lojas deficit\u00e1rias. N\u00e3o somos ing\u00eanuos, a gente sabe que isso vai acontecer, mas vamos fazer press\u00e3o para preservar o m\u00e1ximo de empregos e para que todos os direitos sejam respeitados&#8221;, diz M\u00e1rcio Ayer, do SECRJ.<br \/>\nL\u00edderes sindicais dizem que o encontro foi amistoso e que ficou combinada uma nova reuni\u00e3o na pr\u00f3xima semana. A data ainda n\u00e3o foi marcada.<br \/>\n&#8220;Foi aberto um canal para a negocia\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo, o que \u00e9 positivo, mas n\u00e3o podemos esquecer que na ponta tem muitos trabalhadores preocupados porque a inseguran\u00e7a e a incerteza s\u00e3o muito grandes&#8221;, afirma Ayer.<br \/>\nO Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho foi chamado para mediar as conversas, mas diz que vai primeiro acompanhar o andamento da recupera\u00e7\u00e3o e ver o que a empresa ir\u00e1 propor.<br \/>\n&#8220;Est\u00e1 tudo muito recente, n\u00e3o existe neste momento nada que possa ser negociado. Precisa levantar os d\u00e9bitos da empresa e o quadro de credores&#8221;, diz Bernardo Le\u00f4ncio de Moura Coelho, coordenador da Divis\u00e3o Sindical e da Media\u00e7\u00e3o da Procuradoria Regional do Trabalho da 2\u00aa Regi\u00e3o.<br \/>\nA empresa tem dois meses a partir da entrada em recupera\u00e7\u00e3o judicial, que aconteceu em 19 de janeiro, para apresentar o plano de recupera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs sindicatos dizem que querem evitar uma grande onda de demiss\u00f5es e garantir que os funcion\u00e1rios dispensados receber\u00e3o tudo o que devem o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<br \/>\nAs fal\u00eancias emblem\u00e1ticas das redes Mappin e Mesbla e, mais recentemente, o caso da Ricardo Eletro, que entrou em recupera\u00e7\u00e3o, fechou todas as lojas, demitiu mais de 70% dos empregados e ainda \u00e9 cobrada na Justi\u00e7a por direitos trabalhistas, s\u00e3o citados como exemplos preocupantes do que pode acontecer na crise da Americanas.<br \/>\n&#8220;Quando eles anunciaram a inconsist\u00eancia cont\u00e1bil de R$ 20 bilh\u00f5es, o alerta vermelho acendeu para os comerci\u00e1rios por causa de experi\u00eancias do passado. Teve empresas que foram \u00e0 fal\u00eancia, e o funcion\u00e1rio demorou mais de 20 anos para receber. Estamos lutando para que isso n\u00e3o aconte\u00e7a&#8221;, diz Ricardo Patah, do SECSP.<br \/>\nG1 Explica: o rombo nas contas das Lojas Americanas<br \/>\nRedu\u00e7\u00e3o de jornada e sal\u00e1rio<br \/>\nOs milhares de funcion\u00e1rios da Americanas seguir\u00e3o dando expediente normalmente por enquanto, at\u00e9 a empresa anunciar o que far\u00e1, explica o advogado trabalhista Ot\u00e1vio Pinto e Silva, professor da Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<br \/>\n&#8220;Os contratos de trabalho est\u00e3o mantidos, \u00e9 claro que com todas as incertezas sobre o futuro da empresa, mas a vida continua&#8221;, diz.<br \/>\nEle explica que a recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 um processo que busca manter uma companhia funcionando e preservar os empregos.<br \/>\nA empresa pode propor em uma situa\u00e7\u00e3o desse tipo uma redu\u00e7\u00e3o de jornada de trabalho e de sal\u00e1rios. Isso teria de ser aprovado pelos empregados em assembleias sindicais.<br \/>\n&#8220;A Constitui\u00e7\u00e3o prev\u00ea que os sal\u00e1rios s\u00e3o irredut\u00edveis salvo negocia\u00e7\u00e3o coletiva, ent\u00e3o, eles v\u00e3o ter que levar a proposta para os trabalhadores e conversar com os sindicatos de cada localidade&#8221;, diz Pinto e Silva.<br \/>\nQuem for demitido ter\u00e1 de receber os mesmos direitos trabalhistas a que teria direito se fosse mandado embora por uma empresa que n\u00e3o est\u00e1 em crise.<br \/>\nIsso significa que a Americanas vai precisar pagar aviso pr\u00e9vio, 13\u00ba terceiro proporcional, liberar o FGTS, pagar a multa de 40% sobre o valor do fundo e tudo mais a lei trabalhista prev\u00ea em caso de demiss\u00f5es sem justa causa.<br \/>\nA lei de recupera\u00e7\u00e3o judicial determina ainda que os cr\u00e9ditos trabalhistas devem ser os primeiros a ser pagos, explica o promotor Bernardo Le\u00f4ncio Moura Coelho.<br \/>\n&#8220;Se o dinheiro acabar com as d\u00edvidas trabalhistas, ningu\u00e9m recebe mais&#8221;, diz.<br \/>\nO plano n\u00e3o pode prever um prazo maior do que 30 dias para o pagamento de cr\u00e9ditos trabalhistas devidos em sal\u00e1rios no valor de at\u00e9 cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos, contra\u00eddos pela empresa at\u00e9 tr\u00eas meses antes de ela entrar em recupera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs d\u00edvidas trabalhistas acima deste valor devem ser pagas em at\u00e9 um ano ap\u00f3s a entrada em recupera\u00e7\u00e3o judicial, mas a empresa poder\u00e1 pagar em at\u00e9 dois se der ao juiz garantias de que conseguir\u00e1 fazer isso e a extens\u00e3o do prazo for aprovada pelos credores.<br \/>\nA lei estabelece que ter\u00e3o essa prioridade na fila de credores os empregados e ex-empregados com at\u00e9 150 sal\u00e1rios m\u00ednimos para receber. O que exceder isso ser\u00e1 pago junto com as d\u00edvidas de outros credores comuns, conforme o plano que vier a ser aprovado.<br \/>\nMas h\u00e1 uma ressalva importante aqui: se o prazo for de dois anos, a empresa precisa pagar os cr\u00e9ditos trabalhistas integralmente, sem a possibilidade de descontos.<br \/>\nDe lojinha de rua a imp\u00e9rio varejista: veja hist\u00f3rico da Americanas no pa\u00eds<br \/>\nDesconto nas d\u00edvidas trabalhistas<br \/>\nEste \u00e9 um ponto delicado no processo da recupera\u00e7\u00e3o judicial, porque a empresa pode negociar um abatimento de suas d\u00edvidas com seus credores, inclusive com os funcion\u00e1rios demitidos.<br \/>\nEsse des\u00e1gio significa que, na pr\u00e1tica, quem for demitido muito provavelmente n\u00e3o receber\u00e1 tudo que a empresa deve, uma possibilidade que desagrada os sindicatos.<br \/>\nNo caso da Ricardo Eletro, por exemplo, esse desconto foi de 60% a 90%, de acordo com o valor que o trabalhador tinha para receber. Quanto maior o valor, maior foi o desconto.<br \/>\nO promotor Bernardo Coelho explica que a l\u00f3gica da lei nesse ponto \u00e9 que \u00e9 preciso dar alguns benef\u00edcios para a companhia para que ela consiga se recuperar, tendo em vista a manuten\u00e7\u00e3o dos empregos.<br \/>\n&#8220;A empresa \u00e9 beneficiada por causa do seu poder de gerar empregos. Se a Americanas mandar 20 mil pessoas embora e pagar com des\u00e1gio, ainda ser\u00e3o mantidos 20 mil empregos. Se todos forem demitidos, \u00e9 pior&#8221;, diz.<br \/>\nNo entanto, explica Coelho, o des\u00e1gio pode n\u00e3o ser admitido pela Justi\u00e7a para os valores at\u00e9 cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos, por causa da garantia de irredutibilidade salarial prevista na Constitui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas, acima disso, sim. &#8220;Porque entra em conflito com os princ\u00edpios da lei de recupera\u00e7\u00e3o Em casos assim, eu digo que a pessoa vai receber, mas com des\u00e1gio&#8221;, diz o promotor.<br \/>\nOt\u00e1vio Pinto e Silva diz que quem n\u00e3o concordar com esse desconto, mesmo que ele seja aprovado na assembleia sindical, pode acionar judicialmente a empresa para cobrar que ela pague tudo que deve.<br \/>\n&#8220;A l\u00f3gica da recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 que todos teriam que colaborar para a empresa se recuperar, mas um trabalhador pode buscar a Justi\u00e7a individualmente e alegar que a Constitui\u00e7\u00e3o prev\u00ea a irredutibilidade para tentar receber integralmente&#8221;, diz o professor da USP.<br \/>\nO plano de recupera\u00e7\u00e3o precisa ser aprovado pelos credores da empresa, em uma assembleia-geral, e isso inclui os funcion\u00e1rios que forem demitidos.<br \/>\nMas Coelho explica, no entanto, que os votos dos trabalhadores t\u00eam em geral um peso menor na delibera\u00e7\u00e3o sobre o plano.<br \/>\n&#8220;O trabalhador n\u00e3o tem muita voz, porque cada credor tem poder de voto de acordo com o tamanho da sua d\u00edvida. Se um banco tem um valor para receber que supera em dez, cem vezes os cr\u00e9ditos trabalhistas, o seu voto ter\u00e1 um peso maior&#8221;, afirma.<br \/>\nA posi\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios demitidos tamb\u00e9m \u00e9 fr\u00e1gil porque, apesar de os valores que eles t\u00eam para receber serem em geral muito menores do que os de empresas e bancos, esse dinheiro faz muito mais falta no dia-a-dia de uma pessoa.<br \/>\nUma empresa pode compensar a d\u00edvida n\u00e3o paga com outras receitas. O trabalhador em geral tem s\u00f3 o sal\u00e1rio, e sem ele pode n\u00e3o ter como pagar as contas ou colocar comida na mesa.<br \/>\nPor isso, eles t\u00eam mais pressa, e sua margem de negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 mais estreita do que a de outros credores.<br \/>\nAl\u00e9m disso, aceitar uma redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio ou receber menos do que deveria em uma rescis\u00e3o comum pode ser uma perspectiva melhor do que se a empresa falir.<br \/>\nEm casos assim, todos os empregados s\u00e3o demitidos e entram no quadro geral de credores. Os bens da empresa s\u00e3o arrecadados e vendidos para pagar os credores.<br \/>\n&#8220;Os ativos da empresa podem ser insuficientes para remunerar todo mundo, e um trabalhador pode ficar sem receber ou receber daqui a 10, 15 anos e quem vai ver a cor desse dinheiro vai ser o filho ou o neto&#8221;, diz Pinto e Silva.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-64418807<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A empresa entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial ap\u00f3s identificar rombo bilion\u00e1rio. 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