{"id":36623,"date":"2023-01-26T20:10:57","date_gmt":"2023-01-26T20:10:57","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/26\/exploracao-de-trabalhadores-estrangeiros-ilegais-mancha-organizacao-da-olimpiada-de-paris\/"},"modified":"2023-01-26T20:10:57","modified_gmt":"2023-01-26T20:10:57","slug":"exploracao-de-trabalhadores-estrangeiros-ilegais-mancha-organizacao-da-olimpiada-de-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/26\/exploracao-de-trabalhadores-estrangeiros-ilegais-mancha-organizacao-da-olimpiada-de-paris\/","title":{"rendered":"Explora\u00e7\u00e3o de trabalhadores estrangeiros ilegais mancha organiza\u00e7\u00e3o da Olimp\u00edada de Paris"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/q1H1EFznyJ-8Pm_HWTx2QIjxQQI=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/G\/o\/p2ZyicTAG96bnpbxHfhw\/sem-titulo.png\"><br \/>   Solideo, \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico respons\u00e1vel pelas obras na capital da Fran\u00e7a, acusa empresas terceirizadas de n\u00e3o cumprirem obriga\u00e7\u00f5es. Trabalhador africano sem visto posa com seu crach\u00e1 de acesso no canteiro de obras de um centro de treinamento aqu\u00e1tico para os Jogos Ol\u00edmpicos de Paris, na periferia da capital francesa, 15 de dezembro de 2022.<br \/>\nAFP &#8211; CHRISTOPHE ARCHAMBAULT<br \/>\nDepois de muito criticarem as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos para a organiza\u00e7\u00e3o da Copa do Catar, os franceses descobrem que as obras de prepara\u00e7\u00e3o para os Jogos Ol\u00edmpicos de Paris, em 2024, acontecem com a explora\u00e7\u00e3o de trabalhadores estrangeiros ilegais na Fran\u00e7a. Em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, esses oper\u00e1rios acabam aceitando condi\u00e7\u00f5es inferiores \u00e0s dos colegas legalizados, como acesso a menos direitos e regras de trabalho menos seguras.<br \/>\nAs Olimp\u00edadas de Paris prometiam ser exemplares \u2013 em 2018, o comit\u00ea organizador se comprometeu a \u201cfazer respeitar as normas internacionais do trabalho\u201d e impor condi\u00e7\u00f5es \u201cdecentes&#8221; para aqueles que ajudarem a capital francesa a realizar o evento. Mas os Jogos j\u00e1 s\u00e3o abalados por um primeiro esc\u00e2ndalo no sentido contr\u00e1rio. As den\u00fancias de m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores estrangeiros se acumulam desde o ano passado.<br \/>\nMoussa e seus colegas s\u00e3o um exemplo desses estrangeiros que afirmam estar sendo explorados na constru\u00e7\u00e3o da Vila Ol\u00edmpica do evento, na cidade de Saint-Denis, na periferia norte de Paris.<br \/>\n&#8220;N\u00f3s estamos aqui, n\u00e3o temos visto, e estamos trabalhando numa obra que n\u00e3o \u00e9 qualquer uma: s\u00e3o as Olimp\u00edadas de 2024 em Paris. Se a gente n\u00e3o pode vir por alguma raz\u00e3o, a gente n\u00e3o recebe nada\u201d, alega.<br \/>\n&#8220;Uma vez eu estava doente e perguntei o que aconteceria se eu n\u00e3o viesse. Me disseram que pegariam outra pessoa para o meu lugar. Temos esse medo o tempo todo, porque se eu perco o meu trabalho, como vou fazer para viver? Por causa disso, mesmo se a gente fica revoltado, a gente acaba aceitando\u201d, denuncia, em entrevista \u00e0 reportagem da RFI.<br \/>\nMoussa recebe \u20ac\u00a080 (cerca de R$ 440) por dia trabalhado, durante o qual maneja m\u00e1quinas perigosas, limpa o canteiro de obras e carrega sacos de cimento nas costas quando a grua tem uma pane. Ele vive h\u00e1 15 anos na Fran\u00e7a, onde j\u00e1 trabalhou em servi\u00e7os como limpeza, restaurantes e, por fim, constru\u00e7\u00e3o civil.<br \/>\nNeglig\u00eancia na seguran\u00e7a<br \/>\n\u201cSomos n\u00f3s mesmos que temos que nos preocupar com a seguran\u00e7a, n\u00f3s mesmos que temos que trazer as roupas do trabalho e at\u00e9 o capacete. Em geral, \u00e9 o patr\u00e3o que tem que fornecer todo esse material\u201d, complementa outro oper\u00e1rio, Daouda.<br \/>\n&#8220;Todo mundo sabe o que est\u00e1 acontecendo, mas ningu\u00e9m diz nada. Eles querem pedreiros baratos e pegam pessoas como eu: os negros, os \u00e1rabes, portugueses ou turcos\u201d, afirma Moussa.<br \/>\nTrabalhadores em situa\u00e7\u00e3o ilegal viraram tabu nas obras dos Jogos Ol\u00edmpicos de 2024<br \/>\nAFP &#8211; EMMANUEL DUNAND<br \/>\nAo perceberem a desigualdade de condi\u00e7\u00f5es de trabalho em rela\u00e7\u00e3o aos colegas com o visto em dia, os dois procuraram um sindicato local, em setembro passado. O sindicalista que os recebeu, Jean-Albert Guidou, alertou as autoridades respons\u00e1veis e a imprensa \u2013 mas desde ent\u00e3o, pouco mudou, afirma.<br \/>\n&#8220;Essa \u00e9 a realidade da maioria dos trabalhadores que s\u00e3o terceirizados nas obras pela Fran\u00e7a, seja para os Jogos Ol\u00edmpicos ou outras. \u00c9 dessa maneira que o setor da constru\u00e7\u00e3o civil est\u00e1 estruturada hoje\u201d, garante.<br \/>\n\u201cAs grandes empreiteiras pegam uma parte da m\u00e3o de obra dessa forma, em especial os oper\u00e1rios menos qualificados.\u201d<br \/>\nSegundo Guidou, ao optarem pela ilegalidade, as construtoras acabam tendo vantagens como n\u00e3o pagar indeniza\u00e7\u00f5es por acidentes de trabalho e pagar menos encargos sociais. &#8220;Ao empregar trabalhadores sem documentos, eles colocam nas costas deles todas as responsabilidades. E assim, aumentam seus lucros\u201d, aponta o sindicalista, afirmando que a fiscaliza\u00e7\u00e3o e multas existentes n\u00e3o parecem ser suficientes para dissuadir essa pr\u00e1tica.<br \/>\n\u00c0 espera da regulariza\u00e7\u00e3o<br \/>\nDepois da divulga\u00e7\u00e3o dos casos de Moussa e Daouda, em dezembro, os dois foram simplesmente dispensados do trabalho e encontram-se atualmente desempregados, \u00e0 espera da legaliza\u00e7\u00e3o. Outros 16 trabalhadores conseguiram ser regularizados, mas os crit\u00e9rios para essa decis\u00e3o foram vagos.<br \/>\nProcurada, a Solideo, \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico respons\u00e1vel pelas obras dos Jogos de Paris, acusa as empresas terceirizadas de n\u00e3o cumprirem as suas obriga\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u201cN\u00f3s fazemos contratos com empresas que t\u00eam os seus funcion\u00e1rios. O mestre de obras tem uma obriga\u00e7\u00e3o de vigil\u00e2ncia, mas quando a empresa terceirizada oferece informa\u00e7\u00f5es incompletas ou erradas sobre os trabalhadores, \u00e9 extremamente dif\u00edcil para o mestre de obras ficar por dentro da realidade\u201d, alega Antoine du Souich, diretor de estrat\u00e9gia e inova\u00e7\u00e3o do estabelecimento.<br \/>\nA inspe\u00e7\u00e3o do trabalho criou uma unidade especializada, que verifica quase um local por dia, h\u00e1 dois anos. Em junho, nove trabalhadores irregulares foram identificados em uma obra cuja entidade contratante era a pr\u00f3pria Solideo.<br \/>\nO Minist\u00e9rio P\u00fablico de Bobigny abriu uma investiga\u00e7\u00e3o preliminar por &#8220;trabalho clandestino&#8221; e &#8220;emprego de estrangeiro sem visto em quadrilha organizada\u201d.<br \/>\n\u201cEscrevemos ao procurador de Bobigny para informar que queremos entrar com processo contra esses patr\u00f5es sem escr\u00fapulos\u201d, declarou na semana passada o diretor-geral da Solideo, Nicolas Ferrand, destacando a miss\u00e3o das Olimp\u00edadas de Paris de \u201cserem um exemplo&#8221;.<br \/>\nO governo franc\u00eas pretende criar uma autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia para \u201cprofiss\u00f5es sob tens\u00e3o&#8221;, que poderia ajudar a por um fim a este mecanismo de explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra estrangeira. Jean-Albert Guidou j\u00e1 acompanhou cerca de 30 trabalhadores nos Jogos em processos de regulariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Solideo, \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico respons\u00e1vel pelas obras na capital da Fran\u00e7a, acusa empresas terceirizadas de n\u00e3o cumprirem obriga\u00e7\u00f5es. Trabalhador africano sem visto posa com seu crach\u00e1 de acesso no canteiro de obras de um centro de treinamento aqu\u00e1tico para os Jogos Ol\u00edmpicos de Paris, na periferia da capital francesa, 15 de dezembro de 2022. 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