{"id":36348,"date":"2023-01-25T22:11:28","date_gmt":"2023-01-25T22:11:28","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/25\/a-vida-em-bakhmut-na-linha-de-frente-da-guerra-na-ucrania\/"},"modified":"2023-01-25T22:11:28","modified_gmt":"2023-01-25T22:11:28","slug":"a-vida-em-bakhmut-na-linha-de-frente-da-guerra-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/25\/a-vida-em-bakhmut-na-linha-de-frente-da-guerra-na-ucrania\/","title":{"rendered":"A vida em Bakhmut, na linha de frente da guerra na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/zckxPPZN8rNCOxzJcBEq31_U7Q0=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/8\/g\/BQSGTVTbmsTOjcE0fA4A\/ap22315644202601.jpg\"><br \/>   Dos 73 mil habitantes da cidade, cerca de oito mil ainda sobrevivem entre ru\u00ednas do que restou do lugar, dependentes da ajuda de volunt\u00e1rios e militares. Um soldado ucraniano passa por casas destru\u00eddas pelo bombardeio russo em Bakhmut, regi\u00e3o de Donetsk, Ucr\u00e2nia, quinta-feira, 10 de novembro de 2022.<br \/>\nAP Photo\/LIBKOS<br \/>\nA cada poucos minutos, proj\u00e9teis rasgam o ar e explodem em algum lugar pr\u00f3ximo. As vias de Bakhmut est\u00e3o desertas. Apenas Yevgeny Tkachev e outros volunt\u00e1rios da organiza\u00e7\u00e3o de ajuda social Proliska est\u00e3o nas ruas para levar alimentos e itens de higiene aos moradores.<br \/>\nA parte ocidental da cidade localizada na regi\u00e3o do Donbass est\u00e1 praticamente irreconhec\u00edvel. De muitas casas, restam apenas pilhas de tijolos. Os pr\u00e9dios est\u00e3o repletos de perfura\u00e7\u00f5es. Restos de placas publicit\u00e1rias e sem\u00e1foros danificados pairam sobre ruas e cal\u00e7adas, onde jazem carros capotados e queimados. A maioria das vidra\u00e7as est\u00e1 quebrada, as aberturas das janelas parcamente cobertas. Portas danificadas abrem e fecham com o vento.<br \/>\nBakhmut: ajuda humanit\u00e1ria sob balas<br \/>\n&#8220;Claro que \u00e9 perigoso. Mas o que podemos fazer? As pessoas precisam de ajuda porque as lojas aqui n\u00e3o abrem mais e nem todo mundo tem dinheiro&#8221;, diz Yevgeny, enquanto sai do carro. Ele para num p\u00e1tio cercado por v\u00e1rios edif\u00edcios residenciais.<br \/>\nMuitas janelas est\u00e3o quebradas. Um homem tenta cobrir um dos v\u00e3os com papel alum\u00ednio. Em seguida, explos\u00f5es ecoam nas proximidades. O homem se abaixa para se proteger, mas poucos segundos depois ele est\u00e1 de volta \u00e0 sua miss\u00e3o de cobrir a janela danificada.<br \/>\nAlgumas pessoas se aproximam do carro dos volunt\u00e1rios. Com gritos de &#8220;ajuda humanit\u00e1ria, ajuda humanit\u00e1ria!&#8221;, Yevgeny tenta avisar e atrair outros residentes daquelas resid\u00eancias. Assim como a moradora Nina, todos est\u00e3o com suas carteiras de identidade em m\u00e3os, pois precisam preencher um formul\u00e1rio com dados pessoais e assin\u00e1-lo quando recebem ajuda.<br \/>\nDe repente, outro proj\u00e9til sobrevoa rente aos telhados e explode n\u00e3o muito longe. Mas as pessoas sequer se agacham \u2013 preenchem os formul\u00e1rios como se nada tivesse acontecido. Apenas um homem se mostra surpreso por ter sido algum som novo.<br \/>\n&#8220;J\u00e1 estamos acostumados com os diversos assobios das balas e explos\u00f5es&#8221;, explica Nina.<br \/>\nApesar do perigo, volunt\u00e1rios circulam por Bakhmut entregando alimentos e itens de higiene aos moradores remanescentes<br \/>\nOleksandra Indukhova\/DW<br \/>\nSem eletricidade, sem \u00e1gua, sem g\u00e1s<br \/>\nO entorno de Bakhmut \u00e9 palco de uma desgastante batalha entre agressores russos e for\u00e7as ucranianas. A linha de frente est\u00e1 cada vez mais pr\u00f3xima da cidade. H\u00e1 v\u00e1rios meses n\u00e3o h\u00e1 eletricidade, \u00e1gua pot\u00e1vel ou g\u00e1s em Bakhmut. Os habitantes usam velas para economizar a energia armazenada em baterias e carregadores port\u00e1teis.<br \/>\nNina relata que os cerca de 100 moradores de sua vizinhan\u00e7a receberam geradores a diesel de militares ucranianos e volunt\u00e1rios. Mas estes geradores s\u00e3o ligados ocasionalmente para carregar muitos telefones celulares ao mesmo tempo ou para ligar uma m\u00e1quina de lavar roupas.<br \/>\n&#8220;Para economizar combust\u00edvel para os geradores, a maioria das pessoas lava a roupa \u00e0 m\u00e3o, como faziam nossos av\u00f3s&#8221;, explica Nina.<br \/>\nO posto de gasolina mais pr\u00f3ximo fica na cidade vizinha de Chasiv Yar, a cerca de 12 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. &#8220;N\u00f3s vamos de carro, que tamb\u00e9m precisa de gasolina. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais economizamos energia.&#8221;<br \/>\nOs remanescentes em Bakhmut tamb\u00e9m recebem \u00e1gua pot\u00e1vel dos militares ucranianos ou de ajudantes de organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. Ou eles pr\u00f3prios procuram por fontes pluviais nos p\u00e1tios de casas particulares. Eles cozinham em grelhas caseiras na rua ou em fog\u00f5es de ferro fundido.<br \/>\nHomens cortam lenha em frente de dois edif\u00edcios. Um deles \u2013 Dmytro, de 35 anos \u2013 leva a madeira cortada para um apartamento onde vive um familiar doente.<br \/>\n&#8220;Temos fog\u00e3o no apartamento e o esquentamos com lenha. D\u00e1 para colocar uma panela ou frigideira em cima e cozinhar os alimentos&#8221;, conta.<br \/>\nDo p\u00e1tio \u00e9 poss\u00edvel ver v\u00e1rias janelas com canos, dos quais saem fuma\u00e7a.<br \/>\nSoldados ucranianos fazem a vistoria de um edif\u00edcio em Bakhmut danificado por proj\u00e9teis e bombardeios<br \/>\nMykola Synelnykov\/REUTERS<br \/>\nA vida em Bakhmut \u2013 cotidiano no por\u00e3o<br \/>\nPor causa de idosos doentes ou que n\u00e3o podem ou n\u00e3o querem ser realocados, fam\u00edlias inteiras permanecem em Bakhmut.<br \/>\nUm homem se aproxima com sua filha. A adolescente evita o contato com os jornalistas e esconde o rosto. &#8220;N\u00e3o podemos deixar nossa av\u00f3 doente sozinha em Bakhmut&#8221;, diz o pai. A garota \u00e9 a \u00fanica crian\u00e7a que a reportagem v\u00ea por estas bandas. De meados do ano passado at\u00e9 setembro, quase todas as crian\u00e7as de Bakhmut deixaram a cidade.<br \/>\nNo primeiro semestre de 2022, quando a linha de frente se aproximava da cidade, muitos moradores de Bakhmut limparam seus por\u00f5es e os decoraram com m\u00f3veis, alguns dos quais eles mesmos constru\u00edram. Destes por\u00f5es, praticamente n\u00e3o h\u00e1 conex\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNina mostra o seu por\u00e3o. Um corredor escuro leva aos &#8220;quartos&#8221;. Uma vez l\u00e1, Nina acende sua lanterna. Prateleiras com ch\u00e1s e cereais revestem as paredes de concreto. As seis camas est\u00e3o ordeiramente arrumadas. A temperatura est\u00e1 agrad\u00e1vel porque no canto tem um fog\u00e3o, no qual est\u00e1 fervendo \u00e1gua. As mulheres presentes oferecem ch\u00e1.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 ventila\u00e7\u00e3o no por\u00e3o. As pessoas costumam ir at\u00e9 a porta de entrada para tomar um pouco de ar fresco. Tamb\u00e9m por isso, tentam acender menos velas. Durante o dia, as pessoas costumam ficar principalmente em seus apartamentos. Mas como o bombardeio persiste \u00e0 noite, eles geralmente v\u00e3o dormir em seus &#8220;bunkers&#8221;, como Nina os chama.<br \/>\n&#8220;Mas este por\u00e3o n\u00e3o pode nos proteger de um foguete&#8221;, diz.<br \/>\nNina e seu marido tomam um ch\u00e1 no por\u00e3o mobiliado e onde buscam ref\u00fagio na maioria das noites<br \/>\nOleksandra Indukhova\/DW<br \/>\n&#8220;Os moradores de Bakhmut h\u00e1 muito sabem o que a guerra significa&#8221;<br \/>\nAs pessoas est\u00e3o cientes de que vivem perigosamente. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, enfatizam que n\u00e3o est\u00e3o prontas para &#8220;rendi\u00e7\u00e3o ou evacua\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\n&#8220;Os moradores de Bakhmut h\u00e1 muito sabem o que significam guerra e bombardeio&#8221;, diz Mykyta.<br \/>\n&#8220;As pessoas aqui n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 muito chocadas com essa guerra.&#8221;<br \/>\nO jovem recorda que os combates no Donbass come\u00e7aram muito antes da maci\u00e7a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, que ocorreu em 24 de fevereiro de 2022. Desde 2014, corriqueiramente algo \u00e9 &#8220;atingido na cidade&#8221;.<br \/>\nMykyta explica que n\u00e3o poderia deixar seus pais. Eles s\u00e3o apegados demais a sua resid\u00eancia para concordar com uma fuga. Ele diz que somente pode torcer para que &#8220;as for\u00e7as armadas da Ucr\u00e2nia expulsem o inimigo para fora da cidade&#8221;.<br \/>\nNina tamb\u00e9m n\u00e3o perdeu as esperan\u00e7as. Suas filhas fugiram &#8220;para a Europa&#8221;, mas ela quer ficar em Bakhmut com o marido \u2013 por enquanto.<br \/>\n&#8220;Vou ficar aqui enquanto o Ex\u00e9rcito ucraniano estiver aqui&#8221;, enfatiza.<br \/>\nMas o casal concorda que os civis devem ser realocados se a situa\u00e7\u00e3o piorar. Segundo eles, n\u00e3o se deve ficar no caminho dos militares ucranianos quando o inimigo estiver se protegendo escondido atr\u00e1s de edif\u00edcios residenciais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos 73 mil habitantes da cidade, cerca de oito mil ainda sobrevivem entre ru\u00ednas do que restou do lugar, dependentes da ajuda de volunt\u00e1rios e militares. Um soldado ucraniano passa por casas destru\u00eddas pelo bombardeio russo em Bakhmut, regi\u00e3o de Donetsk, Ucr\u00e2nia, quinta-feira, 10 de novembro de 2022. 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