{"id":35935,"date":"2023-01-24T14:12:24","date_gmt":"2023-01-24T14:12:24","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/24\/as-falhas-que-podem-ter-levado-ao-rombo-bilionario-na-americanas\/"},"modified":"2023-01-24T14:12:24","modified_gmt":"2023-01-24T14:12:24","slug":"as-falhas-que-podem-ter-levado-ao-rombo-bilionario-na-americanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/24\/as-falhas-que-podem-ter-levado-ao-rombo-bilionario-na-americanas\/","title":{"rendered":"As falhas que podem ter levado ao rombo bilion\u00e1rio na Americanas"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s CEO divulgar inconsist\u00eancias nos balan\u00e7os, gigante do varejo entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial com d\u00edvidas de R$ 43 bilh\u00f5es. Para especialistas, responsabilidade pode recair sobre auditoria, contabilidade e at\u00e9 bancos. G1 Explica: o rombo nas contas das Lojas Americanas<br \/>\nA crise da Americanas levantou d\u00favidas sobre os mecanismos de controle e contabilidade utilizados pela gigante do varejo brasileira. No \u00faltimo dia 11 de janeiro, o ent\u00e3o CEO S\u00e9rgio Rial anunciou a investidores inconsist\u00eancias nos balan\u00e7os da empresa que, segundo ele, chegavam a R$ 20 bilh\u00f5es. Em meio ao esc\u00e2ndalo, Rial pediu demiss\u00e3o apenas nove dias depois de assumir o cargo. O caso teve o efeito de um terremoto no mercado financeiro, com as a\u00e7\u00f5es da varejista caindo cerca de 80% no dia seguinte ao an\u00fancio do rombo.<br \/>\nAs d\u00edvidas, que poucos dias depois atingiram a ordem dos R$ 43 bilh\u00f5es, n\u00e3o haviam sido lan\u00e7adas nos resultados financeiros da Americanas, ou seja, estavam &#8220;escondidas&#8221;.<br \/>\nSegundo Rial, o preju\u00edzo veio, em grande parte, de opera\u00e7\u00f5es de &#8220;risco sacado&#8221;, ou forfait, em que s\u00e3o utilizados empr\u00e9stimos banc\u00e1rios para o pagamento de fornecedores. Esses valores tampouco foram identificados pela auditoria, feita pela consultoria multinacional PwC.<br \/>\nNa semana passada, a Americanas teve o pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial atendido pela 4\u00aa Vara Empresarial do Rio. Fundada em 1929, em Niter\u00f3i (RJ), e tendo como s\u00f3cios majorit\u00e1rios, desde 1982, o grupo 3G Capital, dos bilion\u00e1rios Jorge Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira, a varejista tem atualmente mais de 3.600 lojas f\u00edsicas e cerca de 40 mil funcion\u00e1rios. S\u00f3 de credores, s\u00e3o mais de 16 mil.<br \/>\nA DW Brasil conversou com especialistas em finan\u00e7as e enumerou algumas falhas que podem ter levado ao colossal rombo nas contas da gigante do varejo nacional.<br \/>\n1. Contabilizar &#8220;risco sacado&#8221; como d\u00edvida ao fornecedor<br \/>\nO chamado &#8220;risco sacado&#8221;, ou forfait, \u00e9 uma forma de antecipar os pagamentos aos fornecedores, utilizada no ramo do varejo, que normalmente trabalha com parcelamentos e pagamentos em cr\u00e9dito aos clientes, em longos prazos.<br \/>\nComo os fornecedores exigem pagamentos dos produtos em um prazo apertado, a revendedora recorre a empr\u00e9stimos de bancos para quitar esses valores. Assim, o credor da varejista passa a ser a institui\u00e7\u00e3o financeira que fez o pagamento aos fornecedores.<br \/>\nNo entanto, o que pode ter acontecido no caso da Americanas \u00e9 esse passivo com os bancos n\u00e3o ser lan\u00e7ado como d\u00edvidas financeiras, mas, em vez disso, como d\u00edvidas com fornecedores, o que n\u00e3o aparece nos resultados enviados ao mercado pelas empresas de capital aberto, como a varejista.<br \/>\nCom isso, os juros do empr\u00e9stimo com os bancos podem n\u00e3o ter sido indicados como aumento de d\u00edvida, mas como despesa, explica o professor de contabilidade e finan\u00e7as do Insper Eric Barreto. &#8220;Num primeiro momento, isso n\u00e3o muda o tamanho da d\u00edvida, porque \u00e9 o valor presente. \u00c0 medida que passa o tempo, ela deveria contabilizar o juros desse passivo, cuja contrapartida seria um aumento da d\u00edvida&#8221;, destaca.<br \/>\nSegundo Barreto, as normas sobre o &#8220;risco sacado&#8221; s\u00e3o recentes. &#8220;Esse produto era vendido pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras at\u00e9 com esse apelo, de que n\u00e3o aparecia na d\u00edvida&#8221;, aponta.<br \/>\nO especialista acrescenta que, a partir de 2016, a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) come\u00e7ou a alertar sobre os riscos dessa pr\u00e1tica com circulares enviadas ao mercado. &#8220;Para a CVM colocar isso, ela j\u00e1 tinha percebido o problema em algumas empresas&#8221;, diz.<br \/>\nDe acordo com David Massara, especialista em direito societ\u00e1rio e s\u00f3cio da Gotlib Massara Rocha Advogados, a divulga\u00e7\u00e3o de resultados financeiros transparentes \u00e9 essencial para um bom funcionamento do mercado financeiro. &#8220;Todo o mercado tem que ter acesso \u00e0s mesmas informa\u00e7\u00f5es para que todos possam tomar decis\u00f5es de investimento, de comprar e vender, de uma maneira justa. Se a empresa divulga uma informa\u00e7\u00e3o falsa ou inconsistente, ela est\u00e1 prejudicando os investidores&#8221;, afirma.<br \/>\nProfessor de economia da FGV, Joelson Sampaio diz que a pr\u00e1tica do &#8220;risco sacado&#8221; deve entrar no radar do mercado com mais \u00eanfase a partir do epis\u00f3dio da Americanas. &#8220;Deve ser demandado mais rigor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contabiliza\u00e7\u00e3o e a como \u00e9 informado ao mercado&#8221;, prev\u00ea.<br \/>\n2. Falha nas auditorias independentes<br \/>\nUma das big four da auditoria independente, a inglesa PricewaterhouseCooper, conhecida como PwC, \u00e9 respons\u00e1vel por verificar os balan\u00e7os da Americanas desde o fim de 2019, ap\u00f3s a sa\u00edda da KPMG, que tamb\u00e9m est\u00e1 entre as quatro maiores do ramo no mundo.<br \/>\nNos \u00faltimos resultados divulgados pela varejista, a PwC n\u00e3o encontrou inconsist\u00eancias ou ressalvas, nem levantou d\u00favidas sobre os procedimentos de &#8220;risco sacado&#8221;. Ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do rombo da Americanas, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) instaurou um processo para investigar a conduta da auditoria independente.<br \/>\nA quest\u00e3o, segundo o advogado societ\u00e1rio David Massara, \u00e9 parte de uma discuss\u00e3o sobre o pr\u00f3prio papel das auditorias serem realmente &#8220;independentes&#8221;, j\u00e1 que s\u00e3o pagas pela pr\u00f3pria auditada. Al\u00e9m disso, ele diz que outro ponto \u00e9 se a dimens\u00e3o e volume dos neg\u00f3cios, que atualmente \u00e9 muito grande, pode ser rastreada por essas empresas de controle.<br \/>\n&#8220;O que temos visto ao longo de duas d\u00e9cadas \u00e9 uma sequ\u00eancia de problemas em empresas de capital aberto que essas empresas de auditoria n\u00e3o conseguem identificar e nos quais, de alguma forma, acabam se envolvendo. Essa discuss\u00e3o de novo vai voltar: a auditoria eficiente \u00e9 realmente eficiente, esse modelo \u00e9 falho e precisa ser corrigido?&#8221;, questiona Massara, que \u00e9 professor licenciado da Faculdade de Direito Milton Campos.<br \/>\nMassara lembra o caso da Enron, companhia de energia americana que faliu no in\u00edcio dos anos 2000, ap\u00f3s ter escondido d\u00edvidas de 25 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por dois anos. O esc\u00e2ndalo envolveu a auditoria Arthur Andersen, uma das maiores do mundo, que fazia parte das ent\u00e3o big five.<br \/>\nBarreto, do Insper, explica que as auditorias costumam se basear em estat\u00edsticas, sem revisar todos os processos, mas avaliando amostras e, a partir delas, analisando o quadro geral. &#8220;O tipo de procedimento que uma auditoria faz para certificar que a empresa est\u00e1 demonstrando todos os passivos \u00e9 um teste de subavalia\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o professor de finan\u00e7as.<br \/>\nOs auditores supostamente independentes entram, ent\u00e3o, em contato com as institui\u00e7\u00f5es financeiras que tiveram relacionamento com as auditadas, confirmando saldos e aplica\u00e7\u00f5es. &#8220;Na investiga\u00e7\u00e3o, a PwC vai ter que se defender e mostrar o que os bancos responderam para ela quando ela perguntou sobre opera\u00e7\u00f5es de d\u00edvida ou de &#8216;risco sacado&#8217;. Pode ser que a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha chegado a partir das institui\u00e7\u00f5es financeiras&#8221;, ressalta Barreto.<br \/>\n3. Omiss\u00e3o por parte dos bancos credores<br \/>\n\u00c9 a\u00ed que entra outro ponto importante do processo, principalmente no caso do &#8220;risco sacado&#8221;. Se foram os bancos que fizeram a opera\u00e7\u00e3o junto aos fornecedores, eles deveriam, a princ\u00edpio, ter alertado os auditores sobre os valores.<br \/>\nEntre os maiores credores das Americanas est\u00e3o os bancos Santander (R$ 3,7 bi), Ita\u00fa (R$ 3,4 bi), Safra (R$ 2,5 bi) e BTG Pactual (R$ 1,9 bi). O BTG, inclusive, travou uma batalha p\u00fablica, em recurso enviado \u00e0 Justi\u00e7a contra a varejista, chamando o esc\u00e2ndalo de &#8220;fraude&#8221; e dizendo que os acionistas majorit\u00e1rios do 3G Capital foram &#8220;pegos com a m\u00e3o no caixa&#8221;.<br \/>\nPara Barreto, o &#8220;risco sacado&#8221; deveria ter sido informado pelos bancos justamente no momento em que os auditores entraram em contato para confirmar os n\u00fameros da d\u00edvida da Americanas. &#8220;O auditor, na defesa dele, vai ter que comprovar que fez esse processo. E acho que se salva se a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o respondeu que tinha essa informa\u00e7\u00e3o de risco sacado. \u00c9 uma possibilidade&#8221;, sublinha o professor.<br \/>\n&#8220;Os credores sabiam que estavam fazendo &#8216;risco'&#8221;, diz Massara. &#8220;Essas institui\u00e7\u00f5es financeiras t\u00eam bilh\u00f5es de reais emprestados para uma empresa. N\u00e3o deveria ter havido uma dilig\u00eancia melhor? \u00c9 uma bandeira que pode ser levantada&#8221;, aponta o advogado.<br \/>\n4. Falha nos controles internos da Americanas<br \/>\nA principal quest\u00e3o do caso, no entanto, continua sendo como uma empresa de capital aberto do tamanho da Americanas conseguiu esconder, por tanto tempo, o rombo bilion\u00e1rio dos pr\u00f3prios diretores e executivos.<br \/>\nNo \u00faltimo fim de semana, os principais s\u00f3cios da empresa, os bilion\u00e1rios Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira \u2013 tr\u00eas dos quatro mais ricos do Brasil \u2013 se pronunciaram, em nota. &#8220;Assim como todos os demais acionistas, credores, clientes e empregados da companhia, acredit\u00e1vamos firmemente que tudo estava absolutamente correto&#8221;, disseram.<br \/>\nPara o especialista societ\u00e1rio David Massara, por\u00e9m, a divulga\u00e7\u00e3o, na semana passada, de que membros da diretoria da empresa venderam mais de R$ 200 mi em a\u00e7\u00f5es no fim de 2022 levanta suspeitas.<br \/>\n&#8220;Se o mercado via potencial de mais valoriza\u00e7\u00e3o, e os diretores, que t\u00eam mais informa\u00e7\u00e3o que todo mundo, vendem, \u00e9 sinal que eles n\u00e3o viam o mesmo potencial. Isso pode ser um ind\u00edcio de que algo errado podia estar acontecendo&#8221;, diz ele, acrescentando que, se comprovada a tese, os diretores podem ser culpados por uso de informa\u00e7\u00f5es privilegiadas, o chamado insider trading.<br \/>\nNas empresas de capital aberto, os membros do conselho precisam aprovar as demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis. Com isso, tamb\u00e9m podem ser responsabilizados, explica Eric Barreto, do Insper. &#8220;A assinatura n\u00e3o \u00e9 pro-forma&#8221;, explica, sublinhando que os controladores de uma empresa t\u00eam acesso a todas informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<br \/>\nSegundo o professor da FGV Joelson Sampaio, mesmo assim, o impacto no grupo 3G Capital deve ser pequeno, pelo menos a priori. &#8220;Isso pode mudar se ficar comprovado algum tipo de a\u00e7\u00e3o mais estrat\u00e9gica por parte do grupo&#8221;, avalia.<br \/>\nO que acontece agora<br \/>\nO processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 utilizado para uma empresa garantir que, mesmo em situa\u00e7\u00e3o complicada, como no caso da Americanas, compromissos sejam honrados. Alguns dos principais s\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o dos empregos dos trabalhadores e o pagamento de fornecedores, por exemplo. Ap\u00f3s os 60 dias do in\u00edcio do processo, um plano de reestrutura\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentado. Ele deve ser aprovado por ao menos metade dos credores.<br \/>\nPelo menos num primeiro momento, isso deve garantir que os cerca de 40 mil funcion\u00e1rios da companhia continuem recebendo seus sal\u00e1rios. No entanto, \u00e9 muito prov\u00e1vel que haja demiss\u00f5es durante o processo \u2013 e sindicatos j\u00e1 buscam negocia\u00e7\u00e3o com a varejista.<br \/>\n&#8220;O dispositivo de recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 para adequar a d\u00edvida a um novo tamanho de empresa. Se a Americanas vai ter que ajustar o tamanho dela, \u00e9 muito prov\u00e1vel que tenha um novo tamanho de funcion\u00e1rios. \u00c9 uma consequ\u00eancia&#8221;, diz Barreto, do Insper.<br \/>\nMas os efeitos n\u00e3o ficam por a\u00ed. &#8220;Do ponto de vista financeiro, a empresa j\u00e1 n\u00e3o vai ter mais acesso ao cr\u00e9dito. Ningu\u00e9m vai emprestar para ela. Ela est\u00e1 brigando com o sistema financeiro, por isso a recupera\u00e7\u00e3o judicial&#8221;, diz Massara. Ele afirma  que pode haver dificuldades com fornecedores, que n\u00e3o v\u00e3o querer vender para a empresa, ou mesmo migra\u00e7\u00e3o de parceiros do marketplace para plataformas de outras varejistas com maior credibilidade.<br \/>\nNo mercado financeiro, j\u00e1 h\u00e1 reflexos com investidores de deb\u00eantures e fundos que usavam a\u00e7\u00f5es da Americanas \u2013 como \u00e9 o caso do Nu Reserva, do Nubank, que sofreu uma fuga de cerca de 175 mil cotistas ap\u00f3s registrar rentabilidade negativa.<br \/>\n&#8220;Outros fundos que j\u00e1 est\u00e3o sofrendo s\u00e3o os imobili\u00e1rios, que t\u00eam grandes im\u00f3veis, e muitas vezes alugam para essas grandes lojas. Tem muito fundo imobili\u00e1rio que tem im\u00f3vel alugado para a Americanas&#8221;, explica Massara.<br \/>\nPara Joelson Barreto, da FGV, o efeito cascata da Americanas pode acabar afugentando investidores, pelo menos num primeiro momento. &#8220;J\u00e1 temos poucos investidores pessoa f\u00edsica na Bolsa em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses. Acho que eles v\u00e3o ter mais cautela em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00f3ximas aquisi\u00e7\u00f5es&#8221;, diz.<br \/>\nPor fim, os credores v\u00e3o tamb\u00e9m sofrer as consequ\u00eancias, aponta Barreto, do Insper. &#8220;As d\u00edvidas existentes, numa recupera\u00e7\u00e3o judicial, s\u00e3o renegociadas para a companhia seguir vi\u00e1vel. O pedido tamb\u00e9m \u00e9 para readequar a d\u00edvida a uma nova realidade de empresa&#8221;, diz.<br \/>\nA quest\u00e3o tamb\u00e9m pode chegar, at\u00e9 mesmo de forma cont\u00e1bil, a outros grupos varejistas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o a como essas empresas contabilizam os procedimentos de &#8220;risco sacado&#8221;, ressalta Massara. &#8220;Acredito que todos os varejistas v\u00e3o passar por um escrut\u00ednio num lan\u00e7amento cont\u00e1bil&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s CEO divulgar inconsist\u00eancias nos balan\u00e7os, gigante do varejo entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial com d\u00edvidas de R$ 43 bilh\u00f5es. Para especialistas, responsabilidade pode recair sobre auditoria, contabilidade e at\u00e9 bancos. 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