{"id":35745,"date":"2023-01-23T21:10:02","date_gmt":"2023-01-23T21:10:02","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/23\/as-descobertas-sobre-origem-e-historia-dos-povos-indigenas-da-america-do-sul-reveladas-pela-genetica\/"},"modified":"2023-01-23T21:10:02","modified_gmt":"2023-01-23T21:10:02","slug":"as-descobertas-sobre-origem-e-historia-dos-povos-indigenas-da-america-do-sul-reveladas-pela-genetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/23\/as-descobertas-sobre-origem-e-historia-dos-povos-indigenas-da-america-do-sul-reveladas-pela-genetica\/","title":{"rendered":"As descobertas sobre origem e hist\u00f3ria dos povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Sul reveladas pela gen\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/Y7i-480lBhAYBnrG0Ck31OXXNtw=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/P\/w\/wVRcWaRgGcKykytDRpYQ\/1.jpg\"><br \/>   Gra\u00e7as \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o do DNA, pesquisadores est\u00e3o encontrando pe\u00e7as para montar o quebra-cabe\u00e7a da povoa\u00e7\u00e3o do continente e da rela\u00e7\u00e3o entre diferentes popula\u00e7\u00f5es. Veja o que j\u00e1 se sabe \u2014 e as perguntas ainda sem resposta. Algumas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas brasileiras podem ter realizado &#8216;a maior migra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da humanidade&#8217;, apontam pesquisas<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nComo os primeiros seres humanos chegaram ao continente americano? Como se expandiram por regi\u00f5es t\u00e3o diferentes, desde as geleiras canadenses ao litoral brasileiro? E qual era a rela\u00e7\u00e3o entre os povos que dividiram territ\u00f3rios pr\u00f3ximos, mas completamente distintos, como os Andes e a Amaz\u00f4nia?<br \/>\nMuitas dessas perguntas come\u00e7aram a ser respondidas com mais precis\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada, gra\u00e7as ao avan\u00e7o da gen\u00e9tica e das t\u00e9cnicas que permitem avaliar e comparar a ancestralidade de duas ou mais pessoas.<br \/>\nMais especificamente na Am\u00e9rica do Sul, essas ferramentas de an\u00e1lise do DNA est\u00e3o causando uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no conhecimento \u2014 e permitem entender melhor as origens e as hist\u00f3rias dos povos origin\u00e1rios.<br \/>\nEsse trabalho \u00e9 liderado por um grupo de cientistas do Departamento de Gen\u00e9tica e Biologia Evolutiva do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<br \/>\nNos \u00faltimos anos, a equipe coordenada pela geneticista T\u00e1bita H\u00fcnemeier publicou pelo menos tr\u00eas trabalhos que modificaram o que se sabia sobre as popula\u00e7\u00f5es que j\u00e1 habitavam o continente bem antes da chegada dos europeus nos s\u00e9culos 15 e 16.<br \/>\n&#8220;Gra\u00e7as \u00e0 gen\u00e9tica e \u00e0 capacidade de processamento de dados pelos computadores, conseguimos hoje estudar essas popula\u00e7\u00f5es de uma maneira muito mais profunda. A partir disso, detectamos muta\u00e7\u00f5es e tra\u00e7amos a hist\u00f3ria desses indiv\u00edduos&#8221;, resume H\u00fcnemeier.<br \/>\n&#8220;Saber tudo isso \u00e9 muito importante, porque temos praticamente um apag\u00e3o da hist\u00f3ria ind\u00edgena brasileira. Nas escolas, o estudo da \u00e9poca pr\u00e9-colombiana n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio e, mesmo quando existem aulas sobre o tema, elas focam de forma superficial apenas nos incas, nos maias e nos astecas.&#8221;<br \/>\n&#8220;O DNA talvez seja a \u00fanica maneira de reconstruir a hist\u00f3ria dessas popula\u00e7\u00f5es&#8221;, completa.<br \/>\nConhe\u00e7a a seguir as principais descobertas sobre o passado dos povos ind\u00edgenas do Brasil e da Am\u00e9rica do Sul at\u00e9 agora \u2014 e o que ainda falta descobrir.<br \/>\nOs primeiros humanos nas Am\u00e9ricas<br \/>\nNas aulas de Hist\u00f3ria na escola, aprendemos que a chegada dos primeiros indiv\u00edduos \u00e0s Am\u00e9ricas se deu pelo Estreito de Bering, um canal de gelo e terra firme que conectou a Sib\u00e9ria, na R\u00fassia, ao Alasca, nos Estados Unidos.<br \/>\nO estreito de Bering conectou a Sib\u00e9ria (esq.) com o Alasca (dir.) e serviu como porta de entrada dos seres humanos nas Am\u00e9ricas h\u00e1 cerca de 15 mil anos<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nE esse trajeto continua a ser encarado como a principal \u2014 e talvez a \u00fanica \u2014 porta de entrada para o continente. A partir dali, os grupos &#8220;desceram&#8221; at\u00e9 chegar \u00e0 Patag\u00f4nia, ao sul.<br \/>\n&#8220;Mas nossos trabalhos mostram que o povoamento das Am\u00e9ricas \u00e9 muito mais complexo do que se imaginava&#8221;, aponta H\u00fcnemeier.<br \/>\nUm dos conceitos que caiu por terra a partir das pesquisas da USP \u00e9 a ideia de uma entrada \u00fanica \u2014 ou seja, a teoria de que houve apenas uma incurs\u00e3o de seres humanos pelo novo territ\u00f3rio, que deu origem a todas as popula\u00e7\u00f5es amer\u00edndias dali em diante.<br \/>\n&#8220;Hoje em dia, vemos que foram v\u00e1rios fluxos migrat\u00f3rios. As popula\u00e7\u00f5es vieram da \u00c1sia e chegaram nessa regi\u00e3o conhecida como Ber\u00edngia, que se conectava com as Am\u00e9ricas. Mas elas permaneceram ali por cerca de 10 mil anos&#8221;, calcula a pesquisadora.<br \/>\nDepois, com a mudan\u00e7a nas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas locais \u2014 como a inunda\u00e7\u00e3o desses territ\u00f3rios \u2014, essas popula\u00e7\u00f5es tiveram que sair da Ber\u00edngia e foram em dire\u00e7\u00e3o ao que conhecemos hoje como Alasca e Canad\u00e1.<br \/>\nOutra vantagem dessa mudan\u00e7a de territ\u00f3rio pode ter sido a maior quantidade de recursos em terras americanas. Embora a por\u00e7\u00e3o norte do continente seja t\u00e3o fria quanto a Sib\u00e9ria, ela apresenta uma umidade maior, o que facilita o desenvolvimento da fauna, com mais possibilidade de ca\u00e7a e alimentos.<br \/>\n&#8220;Tamb\u00e9m vimos que essas ondas migrat\u00f3rias da Ber\u00edngia n\u00e3o aconteceram todas ao mesmo tempo. Elas ocorreram em levas, e grupos foram chegando aos poucos \u00e0s Am\u00e9ricas&#8221;, explica H\u00fcnemeier.<br \/>\nOutra descoberta interessante das pesquisas foi a de que algumas popula\u00e7\u00f5es nativas da Am\u00e9rica do Sul, como os suru\u00ed, os karitiana, os xavante e os guarani-kaiow\u00e1, no Brasil, e os chotuna, no Peru, ainda trazem no genoma uma pequena, mas est\u00e1vel semelhan\u00e7a com povos da Austr\u00e1lia e da Oceania.<br \/>\nSegundo o trabalho, eles compartilham 3% do genoma.<br \/>\nIsso indica, segundo H\u00fcnemeier, que esses indiv\u00edduos seriam descendentes de uma daquelas primeiras levas que cruzaram a Ber\u00edngia h\u00e1 cerca de 15 mil anos.<br \/>\nEsse grupo antepassado \u00e9 conhecido entre os cientistas como popula\u00e7\u00e3o Y (a letra inicial de ypyku\u00e9ra, ou &#8220;ancestral&#8221; em tupi).<br \/>\nQue fique claro: n\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia de que povos da Oceania cruzaram o Pac\u00edfico e chegaram diretamente \u00e0 Am\u00e9rica do Sul. O que muito provavelmente aconteceu, segundo os dados mais recentes, foi a migra\u00e7\u00e3o deles para a \u00c1sia e depois para a Ber\u00edngia.<br \/>\nAli, eles se relacionaram com as popula\u00e7\u00f5es que j\u00e1 habitavam o local \u2014 e uma fra\u00e7\u00e3o do DNA desses indiv\u00edduos se preservou at\u00e9 hoje.<br \/>\nA (intensa) troca entre povos andinos e amaz\u00f4nicos<br \/>\nO bi\u00f3logo Marcos Ara\u00fajo Castro e Silva, que faz parte da equipe de H\u00fcnemeier, explica que, durante muito tempo, acreditava-se que as din\u00e2micas populacionais eram muito diferentes na Am\u00e9rica do Sul.<br \/>\n&#8220;Por um lado, ter\u00edamos grandes popula\u00e7\u00f5es conectadas nos Andes, que teriam dado origem a imp\u00e9rios, como os incas. Do outro, acreditava-se que os povos da Amaz\u00f4nia eram pequenos e isolados&#8221;, contextualiza.<br \/>\nEm tese, essa teoria poderia ser explicada pelo DNA. Se isso fosse de fato verdade, a tend\u00eancia era que a diversidade gen\u00e9tica dos andinos fosse vasta \u2014 j\u00e1 que eles estariam em maior n\u00famero e com comunidades conectadas \u2014, enquanto os amaz\u00f4nicos teriam uma menor variabilidade gen\u00f4mica \u2014 porque seriam poucos e sem muita rela\u00e7\u00e3o entre os grupos.<br \/>\n&#8220;S\u00f3 que n\u00e3o foi isso o que vimos na pr\u00e1tica. Com base na diversidade gen\u00e9tica que encontramos entre os habitantes da Amaz\u00f4nia, podemos inferir que existiam grandes popula\u00e7\u00f5es ali, com milh\u00f5es de indiv\u00edduos&#8221;, pontua Castro e Silva.<br \/>\nEsse achado, ali\u00e1s, vai ao encontro do que \u00e9 observado em outras \u00e1reas do conhecimento. Em trabalhos publicados recentemente pelo arque\u00f3logo Eduardo G\u00f3es Neves, tamb\u00e9m da USP, h\u00e1 estimativas de que a Amaz\u00f4nia teria abrigado entre 8 e 10 milh\u00f5es de pessoas no passado, antes da chegada dos europeus.<br \/>\nOutro mito que cai por terra a partir das \u00faltimas pesquisas \u00e9 a chamada &#8220;divis\u00e3o Andes-Amaz\u00f4nia&#8221;. Segundo essa no\u00e7\u00e3o, existiria uma pretensa separa\u00e7\u00e3o entre os povos que habitavam essas duas regi\u00f5es, de modo que eles n\u00e3o se relacionavam.<br \/>\n&#8220;As an\u00e1lises gen\u00e9ticas revelam que isso n\u00e3o acontecia, e essas popula\u00e7\u00f5es tiveram trocas e contatos&#8221;, afirma H\u00fcnemeier.<br \/>\nAntes, acreditava-se que os povos que habitavam os Andes (esq.) n\u00e3o mantinham rela\u00e7\u00f5es com as comunidades das terras baixas da Amaz\u00f4nia (dir.)<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nA grande expans\u00e3o Tupi<br \/>\n&#8220;A expans\u00e3o tupi \u00e9 uma das maiores migra\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria da humanidade&#8221;, diz a geneticista.<br \/>\n&#8220;Em resumo, eles sa\u00edram do noroeste da Amaz\u00f4nia e andaram mais de 4 mil quil\u00f4metros para v\u00e1rios cantos da Am\u00e9rica do Sul. E isso tudo aconteceu em cerca de mil anos.&#8221;<br \/>\nDe acordo com as pesquisas, essas popula\u00e7\u00f5es tupi estavam em franco crescimento e foram margeando os rios ou a costa litor\u00e2nea, em busca de terras f\u00e9rteis para a agricultura.<br \/>\nEsse fen\u00f4meno come\u00e7ou mais ou menos h\u00e1 2,1 mil anos e teria atingido o seu pico no ano 1000, quando a popula\u00e7\u00e3o tupi teria de 4 milh\u00f5es a 5 milh\u00f5es de indiv\u00edduos.<br \/>\n&#8220;Antes, acreditava-se que essa onda migrat\u00f3ria tinha acontecido por uma rota s\u00f3&#8221;, diz H\u00fcnemeier.<br \/>\nOs trabalhos da USP mostram que a expans\u00e3o se iniciou no noroeste amaz\u00f4nico e, j\u00e1 na origem, se desmembrou em tr\u00eas ramos principais.<br \/>\nA primeira parte seguiu at\u00e9 a Ilha de Maraj\u00f3, no Par\u00e1, e desceu pela costa do Atl\u00e2ntico at\u00e9 o litoral sul de S\u00e3o Paulo \u2014 no caminho, deu origem aos tupinamb\u00e1, tupiniquim e tamoios, grupos que se tornaram os senhores da costa litor\u00e2nea e fizeram os primeiros contatos com os portugueses.<br \/>\n&#8220;Um segundo grupo foi em dire\u00e7\u00e3o ao sul, na borda da Bol\u00edvia e Paraguai, e deu origem aos Guarani. O terceiro, por sua vez, seguiu para o oeste, na regi\u00e3o da fronteira entre Brasil e Peru&#8221;, completa.<br \/>\nA pesquisadora entende que esse \u00e9 um feito not\u00e1vel, j\u00e1 que falamos de uma sociedade que n\u00e3o tinha acesso a metalurgia ou ex\u00e9rcitos organizados.<br \/>\n&#8220;Os tupis se locomoveram em grupos grandes e, conforme encontravam outros indiv\u00edduos, lutavam ou desviavam o caminho&#8221;, explica.<br \/>\nOs tupi sa\u00edram do noroeste da Amaz\u00f4nia e se expandiram por praticamente todo o Brasil<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nUma evid\u00eancia dessa &#8220;domina\u00e7\u00e3o&#8221; vem da Amaz\u00f4nia peruana: l\u00e1, \u00e9 poss\u00edvel encontrar o povo kokama, que h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es fala tupi.<br \/>\nMas a an\u00e1lise do DNA de integrantes dessa popula\u00e7\u00e3o mostra que eles s\u00e3o muito mais semelhantes geneticamente aos chamicuro, que s\u00e3o seus vizinhos e falam a l\u00edngua arawak.<br \/>\n&#8220;Ou seja, eles adotaram a l\u00edngua tupi, mas, geneticamente, s\u00e3o mais pr\u00f3ximos de outro povo&#8221;, explica H\u00fcnemeier.<br \/>\n&#8220;Essa pode ter sido uma assimila\u00e7\u00e3o cultural que ocorreu a partir da expans\u00e3o tupi, e corrobora algo que j\u00e1 foi sugerido por estudos de outras \u00e1reas.&#8221;<br \/>\nA ascens\u00e3o tupi foi seguida por uma queda vertiginosa.<br \/>\n&#8220;Tivemos o crescimento dessa popula\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar aos 5 milh\u00f5es de indiv\u00edduos. Por\u00e9m, um pouco antes da chegada dos portugueses, ela entra em decl\u00ednio&#8221;, observa.<br \/>\nAinda n\u00e3o se sabe muito bem os motivos disso \u2014 as principais suspeitas s\u00e3o mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou uma tens\u00e3o populacional por recursos cada vez mais escassos.<br \/>\n&#8220;Quando os europeus se instalam, ent\u00e3o, acontece um desastre. A partir dali, estimamos uma redu\u00e7\u00e3o de 98% na popula\u00e7\u00e3o tupi, n\u00fameros semelhantes ao que foi observado entre os povos que habitavam o M\u00e9xico e a Am\u00e9rica Central&#8221;, calcula H\u00fcnemeier.<br \/>\nOs tupiniquim est\u00e3o entre n\u00f3s<br \/>\nPara fechar a lista de descobertas, o grupo da USP conseguiu restaurar por meio da gen\u00e9tica a hist\u00f3ria e a origem dos tupiniquim.<br \/>\nH\u00fcnemeier conta que essa popula\u00e7\u00e3o era considerada completamente desaparecida.<br \/>\n&#8220;Eles n\u00e3o est\u00e3o no censo do IBGE e eram declarados extintos desde o s\u00e9culo 19&#8221;, diz ela.<br \/>\nMesmo assim, alguns moradores de Aracruz, no Esp\u00edrito Santo, sempre declararam pertencer \u00e0 etnia tupiniquim.<br \/>\nA an\u00e1lise gen\u00e9tica feita pelo grupo da USP mostrou que, de fato, os tupiniquim nunca foram extintos, e os genes deles est\u00e3o presentes nesses indiv\u00edduos at\u00e9 hoje.<br \/>\n&#8220;Eles nos disseram que sempre lutaram muito para que fossem ouvidos. \u00c9 claro que n\u00f3s nunca duvidamos \u2014 se eles se consideram tupiniquins, s\u00e3o tupiniquins \u2014, mas agora h\u00e1 um dado que corrobora e d\u00e1 for\u00e7a ao que sempre defenderam&#8221;, destaca a geneticista.<br \/>\nCom isso, os ind\u00edgenas tupiniquim de Aracruz se juntam aos tupinamb\u00e1 da Bahia e aos potiguara da Para\u00edba como os \u00faltimos remanescentes dos povos tupi que ocupavam o litoral na \u00e9poca das grandes navega\u00e7\u00f5es europeias.<br \/>\nGen\u00e9tica est\u00e1 ajudando a desvendar o passado da migra\u00e7\u00e3o pelas Am\u00e9ricas<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nEla conta que, depois de concluir o estudo, a equipe de cientistas foi mostrar os resultados aos participantes.<br \/>\n&#8220;Da\u00ed, n\u00f3s contamos que eles tinham vindo do norte, e n\u00e3o a partir dos guarani do sul, que chegaram a ser uma popula\u00e7\u00e3o de 100 mil pessoas e, hoje, s\u00e3o cerca de 3 mil&#8221;, afirma.<br \/>\n&#8220;E foi interessante ver os caciques dizendo que j\u00e1 sabiam daquilo tudo. Porque eles t\u00eam muito forte as quest\u00f5es da ancestralidade e da transmiss\u00e3o do conhecimento de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o&#8221;, complementa.<br \/>\nMuito trabalho pela frente<br \/>\nMas como \u00e9 poss\u00edvel descobrir tanta coisa sobre o passado?<br \/>\nCastro e Silva explica que nosso DNA \u00e9 formado por 3 bilh\u00f5es de letrinhas (ou pares de bases nitrogenadas, no jarg\u00e3o cient\u00edfico). Elas formam o genoma e definem basicamente todas as nossas caracter\u00edsticas f\u00edsicas e condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<br \/>\n&#8220;Dessas 3 bilh\u00f5es, 99,9% s\u00e3o id\u00eanticas em todos os seres humanos. Mas h\u00e1 0,1% que varia de pessoa para pessoa&#8221;, calcula o cientista.<br \/>\nEsse 0,1% pode at\u00e9 parecer pouco, mas, em um universo de 3 bilh\u00f5es de bases nitrogenadas, representa um espa\u00e7o para 3 milh\u00f5es de &#8220;letrinhas&#8221; diferentes.<br \/>\n&#8220;Ao comparar isso, conseguimos inferir qual a rela\u00e7\u00e3o entre dois indiv\u00edduos, de acordo com as muta\u00e7\u00f5es compartilhadas ou n\u00e3o entre eles&#8221;, diz o geneticista.<br \/>\nIlustra\u00e7\u00e3o de 1888 retrata algumas das etnias das Am\u00e9ricas<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nAo coletar amostras de DNA no sangue e na saliva das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, os cientistas usam equipamentos para fazer o sequenciamento gen\u00e9tico. Depois, todas essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o comparadas e classificadas por computadores muito potentes.<br \/>\nE, embora o esfor\u00e7o de pesquisa j\u00e1 tenha encontrado algumas pe\u00e7as deste enorme quebra-cabe\u00e7a, o trabalho est\u00e1 apenas come\u00e7ando.<br \/>\n&#8220;Queremos montar uma esp\u00e9cie de fotografia de como era o Brasil em 1499, antes da chegada dos portugueses. A partir da\u00ed, poderemos voltar ou avan\u00e7ar no tempo para entender as din\u00e2micas populacionais e migrat\u00f3rias&#8221;, avalia H\u00fcnemeier.<br \/>\n&#8220;Os ind\u00edgenas s\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o menos estudada do ponto de vista gen\u00e9tico, ent\u00e3o, precisamos fazer praticamente tudo desde o in\u00edcio&#8221;, pondera.<br \/>\nE, considerando as caracter\u00edsticas da Am\u00e9rica do Sul, a gen\u00e9tica talvez seja a mais poderosa ferramenta para reconstituir esse passado remoto.<br \/>\n&#8220;Na maioria das vezes, n\u00e3o encontramos registros por escrito, e o pr\u00f3prio clima dessa regi\u00e3o dificulta a preserva\u00e7\u00e3o de esqueletos de seres humanos ou animais&#8221;, complementa Castro e Silva.<br \/>\n&#8220;\u00c9 claro que n\u00e3o andamos sozinhos e precisamos da antropologia, da arqueologia e da hist\u00f3ria, entre outras disciplinas&#8221;, acrescenta H\u00fcnemeier.<br \/>\n&#8220;Mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que estamos diante de um trabalho imenso, para o qual ainda temos mais perguntas do que respostas&#8221;, conclui.<br \/>\nEste texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-64309059<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gra\u00e7as \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o do DNA, pesquisadores est\u00e3o encontrando pe\u00e7as para montar o quebra-cabe\u00e7a da povoa\u00e7\u00e3o do continente e da rela\u00e7\u00e3o entre diferentes popula\u00e7\u00f5es. Veja o que j\u00e1 se sabe \u2014 e as perguntas ainda sem resposta. Algumas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas brasileiras podem ter realizado &#8216;a maior migra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da humanidade&#8217;, apontam pesquisas GETTY IMAGES Como<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35746,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-35745","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35745\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}