{"id":3551,"date":"2022-09-22T15:11:49","date_gmt":"2022-09-22T15:11:49","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/09\/22\/sem-dinheiro-venezuelanos-acampam-as-margens-de-rodovia-na-fronteira-do-brasil-aqui-pelo-menos-temos-comida\/"},"modified":"2022-09-22T15:11:49","modified_gmt":"2022-09-22T15:11:49","slug":"sem-dinheiro-venezuelanos-acampam-as-margens-de-rodovia-na-fronteira-do-brasil-aqui-pelo-menos-temos-comida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/09\/22\/sem-dinheiro-venezuelanos-acampam-as-margens-de-rodovia-na-fronteira-do-brasil-aqui-pelo-menos-temos-comida\/","title":{"rendered":"Sem dinheiro, venezuelanos acampam \u00e0s margens de rodovia na fronteira do Brasil: &#8216;aqui pelo menos temos comida&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/dPis3cP5kyLc3d5-LtaEvKzgzeI=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2018\/q\/p\/vWXWvpQqWmcLJoKrOQVg\/dscf3641.jpg\"><br \/>   Cidade de Pacaraima, em Roraima, tem abrigo p\u00fablico, mas ele \u00e9 s\u00f3 para \u00edndios venezuelanos. Sem ter para onde ir, fam\u00edlias inteiras est\u00e3o vivendo \u00e0s margens da BR-174, que liga os dois pa\u00edses. Ang\u00e9lia Aguilera, 18, e o filho de 2 anos ao lado da barraca em que est\u00e3o vivendo h\u00e1 cerca de 1 m\u00eas; &#8216;Na rua \u00e9 muito frio&#8217;<br \/>\nIna\u00ea Brand\u00e3o\/G1 RR<br \/>\nVenezuelanos est\u00e3o vivendo em acampamentos improvisados em Pacaraima, no Norte de Roraima, na fronteira do Brasil. Um deles fica \u00e0s margens da BR-174, rodovia que liga o pa\u00eds a Venezuela, e tem pelo menos 30 fam\u00edlias.<br \/>\nConforme a prefeitura, a cidade tem uma m\u00e9dia de 1,5 mil imigrantes em situa\u00e7\u00e3o de rua &#8211; o equivalente a 22% da popula\u00e7\u00e3o local, que \u00e9 de cerca de 15 mil habitantes. O munic\u00edpio possui um abrigo p\u00fablico, mas ele \u00e9 exclusivo para imigrantes ind\u00edgenas.<br \/>\nProcurada, a For\u00e7a Tarefa Log\u00edstica Humanit\u00e1ria, criada pelo Governo Federal para lidar com a imigra\u00e7\u00e3o, informou que est\u00e1 em implanta\u00e7\u00e3o um novo abrigo para n\u00e3o-\u00edndios na fronteira. Chamado de BV8, ele ter\u00e1 capacidade para 500 pessoas.<br \/>\nNo acampamento \u00e0s margens da rodovia, fam\u00edlias inteiras est\u00e3o morando em barracas de camping e estruturas improvisadas com lonas, madeiras e at\u00e9 papel\u00f5es.<br \/>\nAs estruturas s\u00e3o cobertas por pl\u00e1stico para proteger da chuva, comum neste per\u00edodo do ano. Na madrugada, a temperatura chega aos 16\u00ba C.<br \/>\nA jovem Ang\u00e9lia Aguilera, de 18 anos, est\u00e1 no Brasil h\u00e1 um m\u00eas. Ela, o marido e o filho Elieser, de um ano, vivem nas ruas de Pacaraima desde ent\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Aqui na rua \u00e9 muito frio. Nunca imaginei que ia passar por isso&#8221;, lamentou Ang\u00e9lia.<br \/>\nA fam\u00edlia saiu de Maturin, a 785 Km de Pacaraima, e conta a mesma hist\u00f3ria que outros milhares de venezuelanos que buscam ref\u00fagio no Brasil.<br \/>\n&#8220;Vim porque na Venezuela n\u00e3o tem trabalho, comida e rem\u00e9dio. N\u00e3o tem nada&#8221;, disse Ang\u00e9lia, acrescentando que no pa\u00eds a fam\u00edlia se alimentava apenas de mandioca e sardinha.<br \/>\nO esposo trabalhava em uma empresa multinacional, mas o sal\u00e1rio &#8211; corro\u00eddo pela infla\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de 2,8% &#8211; perdeu o poder de compra. Por isso, ele largou o trabalho h\u00e1 dois meses e a fam\u00edlia resolveu tentar a vida no Brasil, onde busca trabalho.<br \/>\n&#8220;A vida aqui est\u00e1 um pouco dif\u00edcil porque n\u00e3o conseguimos dinheiro. Meu marido vende caf\u00e9 na rua e n\u00e3o d\u00e1 para quase nada. Mas d\u00e1 para comer, sobreviver. Pelo menos temos comida&#8221;, disse.<br \/>\nO objetivo da fam\u00edlia \u00e9 chegar at\u00e9 Manaus.<br \/>\nLuiz Sere\u00f1o, 20, colocou bandeiras do Brasil na barraca improvisada: &#8216;\u00e9 uma homenagem ao pa\u00eds que me acolheu&#8217;<br \/>\nIna\u00ea Brand\u00e3o\/G1 RR<br \/>\nO jovem Luiz Sere\u00f1o, de 20 anos, tamb\u00e9m se mudou para o Brasil fugindo da crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica da Venezuela.<br \/>\nNa barraca improvisada onde mora, o jovem colocou duas bandeiras do Brasil e disse que elas s\u00e3o uma homenagem ao pa\u00eds que o acolheu.<br \/>\n&#8220;A bandeira representa a uni\u00e3o. O Brasil nos recebeu como irm\u00e3os e sou grato&#8221;, afirmou.<br \/>\nEm Pacaraima, Luiz trabalha lavando carros. O dinheiro que consegue manda para a filha de tr\u00eas anos que ficou na terra natal.<br \/>\n&#8220;A Venezuela tem muitos recursos naturais, mas j\u00e1 estamos cansados de passar fome. Tenho uma filha e chorava quando via ela comendo s\u00f3 manga&#8221;.<br \/>\nNa rua, os imigrantes cozinham em latas de tintas e, muitas vezes, dependem de doa\u00e7\u00f5es de moradores para se alimentar.<br \/>\nSem lugar para se higienizar, aqueles que n\u00e3o possuem entre R$ 1 e R$ 4 para pagar um estabelecimento comercial para usarem o banheiro ficam sem banho e precisam fazer as necessidades em uma regi\u00e3o de mata, na outra margem da rodovia.<br \/>\nImigrantes fazem comida em fog\u00f5es improvisados<br \/>\nIna\u00ea Brand\u00e3o\/G1 RR<br \/>\nCrise migrat\u00f3ria<br \/>\nNos primeiros seis meses deste ano, mais de 16 mil venezuelanos pediram ref\u00fagio em Roraima, segundo a Pol\u00edcia Federal. O n\u00famero j\u00e1 \u00e9 20% maior do que o registrado em todo o ano de 2017, quando foram recebidas pouco mais de 13,5 mil solicita\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNos \u00faltimos 18 meses, 128 mil venezuelanos que entraram no Brasil pela fronteira de Pacaraima (RR), mas destes, 31,5 mil, voltaram para a Venezuela pelo mesmo caminho, e os outros 37,4 mil sa\u00edram do pa\u00eds de avi\u00e3o ou por outras fronteiras terrestres.<br \/>\nO Ex\u00e9rcito Brasileiro calcula que a m\u00e9dia de entrada de venezuelanos em Roraima nos \u00faltimos cinco meses foi de 416 pessoas ao dia.<br \/>\nAinda n\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros precisos sobre a quantidade exata de venezuelanos vivendo em Roraima, mas um levantamento da prefeitura de Boa Vista apontou que, s\u00f3 na capital, h\u00e1 25 mil moradores venezuelanos \u2013 o equivalente a 7,5% da popula\u00e7\u00e3o local, que \u00e9 de 332 mil habitantes. Desses, pelos menos 65% est\u00e3o desempregados.<br \/>\nAtualmente o estado conta com dez abrigos p\u00fablicos, totalizando cerca de 4,6 mil pessoas, seis deles abertos s\u00f3 neste ano. Mesmo assim, ainda h\u00e1 venezuelanos em situa\u00e7\u00e3o de rua em 10 dos 15 munic\u00edpios do estado.<br \/>\nAl\u00e9m disso, 820 imigrantes j\u00e1 foram levados em voos da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) para S\u00e3o Paulo, Manaus, Cuiab\u00e1, Bras\u00edlia, Rio de Janeiro, Igarassu (PE) e Conde (PB) no chamado processo de interioriza\u00e7\u00e3o, que consiste em distribuir venezuelanos rec\u00e9m-chegados a Roraima para outros estados do pa\u00eds.<br \/>\nAcampamento foi montado \u00e0s margens da BR-174<br \/>\nIna\u00ea Brand\u00e3o\/G1 RR<br \/>\nInitial plugin text<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade de Pacaraima, em Roraima, tem abrigo p\u00fablico, mas ele \u00e9 s\u00f3 para \u00edndios venezuelanos. 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