{"id":35227,"date":"2023-01-21T15:09:58","date_gmt":"2023-01-21T15:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/21\/cientistas-descobrem-uma-nova-estrutura-no-cerebro-humano\/"},"modified":"2023-01-21T15:09:58","modified_gmt":"2023-01-21T15:09:58","slug":"cientistas-descobrem-uma-nova-estrutura-no-cerebro-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/21\/cientistas-descobrem-uma-nova-estrutura-no-cerebro-humano\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem uma nova estrutura no c\u00e9rebro humano"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/vAIUt9jdE1KpHagloD9ET-eqfoc=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/O\/T\/XomZgDQfyIbwYFh3Shvg\/128351303-gettyimages-512298231.jpg\"><br \/>   Pesquisadores dos Estados Unidos e da Dinamarca descreveram uma nova regi\u00e3o que, segundo eles, pode atuar como uma barreira para proteger os neur\u00f4nios e as demais c\u00e9lulas nervosas. Com uma intrincada rede de neur\u00f4nios e outras estruturas biol\u00f3gicas, o c\u00e9rebro continua a se mostrar uma m\u00e1quina dif\u00edcil de decifrar.<br \/>\nBBC<br \/>\nCom uma intrincada rede de neur\u00f4nios e outras estruturas biol\u00f3gicas, o c\u00e9rebro continua a se mostrar uma m\u00e1quina dif\u00edcil de decifrar.<br \/>\nAgora, gra\u00e7as aos avan\u00e7os nas t\u00e9cnicas de neuroimagem e biologia molecular, cientistas dos Estados Unidos e da Dinamarca descobriram uma nova estrutura no c\u00e9rebro.<br \/>\nEles a chamaram de SLYM, sigla em ingl\u00eas para Subarachnoid Membrane Lymph Type (ou Membrana Subaracnoide do Tipo Linf\u00e1tico, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<br \/>\nO grupo de especialistas descreveu a estrutura como um componente desconhecido da anatomia do c\u00e9rebro que atua como uma barreira protetora e uma plataforma para monitorar infec\u00e7\u00f5es e inflama\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA descoberta, publicada no peri\u00f3dico especializado Science, foi feita por cientistas do Centro de Neuromedicina Translacional da Universidade de Rochester (EUA) e da Universidade de Copenhague (Dinamarca).<br \/>\n&#8216;Quarta meninge&#8217;<br \/>\nO c\u00e9rebro \u00e9 coberto por tr\u00eas membranas, chamadas de meninges: a pia-m\u00e1ter, a aracn\u00f3ide e dura-m\u00e1ter. Esses tecidos criam uma barreira entre o sistema nervoso central e o resto do corpo.<br \/>\nEntre a pia-m\u00e1ter e a aracnoide, existe uma abertura conhecida como espa\u00e7o subaracnoideo, que \u00e9 preenchida com l\u00edquido cefalorraquidiano. Esse material flui dentro e ao redor do c\u00e9rebro para ajudar a amortec\u00ea-lo e como uma fonte de nutrientes.<br \/>\nA nova estrutura rec\u00e9m-descoberta seria uma quarta membrana localizada dentro do espa\u00e7o subaracnoideo, acima da pia-m\u00e1ter, que \u00e9 a membrana mais interna.<br \/>\nComo explicam os pesquisadores, al\u00e9m de revestir o \u00f3rg\u00e3o, a SLYM parece ajudar a controlar o fluxo de l\u00edquido cefalorraquidiano para dentro e para fora do c\u00e9rebro.<br \/>\n&#8220;Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que a SLYM atue como uma barreira entre o l\u00edquido cefalorraquidiano &#8216;limpo&#8217;, que entra no c\u00e9rebro, e o &#8216;sujo&#8217;, que sai do \u00f3rg\u00e3o, arrastando res\u00edduos de prote\u00ednas com ele&#8221;, explica a neurocientista Virginia Pl\u00e1 Requena, do Centro de Neuromedicina Translacional da Universidade de Copenhague e uma das autoras do estudo.<br \/>\n&#8220;Consequentemente, a deteriora\u00e7\u00e3o dessa membrana dificultaria a limpeza do c\u00e9rebro o que, por sua vez, afetaria a fun\u00e7\u00e3o neuronal&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>BBC<br \/>\nDe fato, os pesquisadores acreditam que a descoberta da SLYM representa um novo n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o na circula\u00e7\u00e3o do l\u00edquido cefalorraquidiano.<br \/>\nSegundo eles, a presen\u00e7a da nova membrana parece confirmar o papel sofisticado que esse fluido desempenha na manuten\u00e7\u00e3o das defesas imunol\u00f3gicas do c\u00e9rebro e no transporte e na elimina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos t\u00f3xicos.<br \/>\nGrande parte desse &#8220;lixo t\u00f3xico&#8221; tem sido associado a doen\u00e7as neurodegenerativas, como Alzheimer e outras enfermidades que afetam o sistema nervoso central.<br \/>\n&#8216;Mesot\u00e9lio do c\u00e9rebro&#8217;<br \/>\nOs cientistas explicaram que a SLYM \u00e9 uma esp\u00e9cie de mesot\u00e9lio, um tipo de membrana que recobre outras partes do corpo, como os pulm\u00f5es e o cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEsses tecidos protegem os \u00f3rg\u00e3os vitais e armazenam c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas.<br \/>\nOs pesquisadores americanos e dinamarqueses sugerem que a SLYM \u00e9 o mesot\u00e9lio do sistema nervoso central, e reveste os vasos sangu\u00edneos na cavidade que existe entre o c\u00e9rebro e o cr\u00e2nio.<br \/>\nO tecido rec\u00e9m-descoberto tamb\u00e9m poderia atuar como um lubrificante nessa cavidade.<br \/>\n&#8220;Pulsa\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas induzidas pelo sistema cardiovascular, pela respira\u00e7\u00e3o e por mudan\u00e7as na posi\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a movem constantemente o c\u00e9rebro dentro da cavidade craniana&#8221;, explicam os pesquisadores.<br \/>\n&#8220;Como outros mesot\u00e9lios, a SLYM pode reduzir o atrito entre o c\u00e9rebro e o cr\u00e2nio durante esses movimentos&#8221;, complementam.<br \/>\nA membrana foi descrita pela primeira vez em camundongos, mas os pesquisadores dizem que mais tarde foram capazes de detect\u00e1-la tamb\u00e9m em c\u00e9rebros humanos doados para pesquisa.<br \/>\nEles explicam que n\u00e3o foi poss\u00edvel observ\u00e1-la antes porque o material se desintegra quando o c\u00e9rebro \u00e9 extra\u00eddo do cr\u00e2nio durante as aut\u00f3psias.<br \/>\nAl\u00e9m disso, dizem eles, trata-se de uma membrana muita fina \u2014 com apenas algumas c\u00e9lulas de espessura \u2014 que n\u00e3o pode ser vista em pessoas vivas por meio de exames de imagem convencionais.<br \/>\nOs res\u00edduos das c\u00e9lulas cerebrais incluem a chamada prote\u00edna beta-amil\u00f3ide, que pode estar envolvida com a doen\u00e7a de Alzheimer<br \/>\nBBC<br \/>\nSistema glinf\u00e1tico<br \/>\nH\u00e1 dez anos, a mesma equipe de neurocientistas das universidades de Rochester e de Copenhague transformou a compreens\u00e3o dos processos e da mec\u00e2nica do c\u00e9rebro ao publicar a descoberta do chamado sistema glinf\u00e1tico.<br \/>\nEles descreveram a descoberta como um mecanismo cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 eliminar ou limpar os res\u00edduos que se acumulam no c\u00e9rebro.<br \/>\nEsse material inclui as prote\u00ednas beta-amil\u00f3ide e TAU, que parecem estar envolvidas na doen\u00e7a de Alzheimer e se acumulam no c\u00e9rebro dos pacientes acometidos por esse tipo de dem\u00eancia.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, v\u00e1rias equipes de especialistas v\u00eam realizando estudos para desvendar exatamente como funciona o sistema glinf\u00e1tico, por que ele falha algumas vezes e o que acontece no c\u00e9rebro desses indiv\u00edduos acometidos pelo problema.<br \/>\nOs acad\u00eamicos acreditam que a descoberta da membrana SLYM pode ter implica\u00e7\u00f5es importantes para a compreens\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es exatas do sistema glinf\u00e1tico.<br \/>\nE isso, por sua vez, abriria as portas para novas pesquisas, que podem monitorar essa estrutura e observar sinais de infec\u00e7\u00e3o ou de inflama\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s das doen\u00e7as do sistema nervoso central.<br \/>\nOs pesquisadores sugerem, por exemplo, que a deteriora\u00e7\u00e3o da membrana pode dificultar a remo\u00e7\u00e3o de res\u00edduos t\u00f3xicos que contribuem para as placas que levam ao Alzheimer.<br \/>\nEssa estrutura tamb\u00e9m desempenharia um papel na defesa do c\u00e9rebro, impedindo que c\u00e9lulas imunes estranhas entrem em contato com a popula\u00e7\u00e3o nativa de c\u00e9lulas cerebrais, o que contribuiria para a inflama\u00e7\u00e3o e a progress\u00e3o do decl\u00ednio cognitivo.<br \/>\nNos pr\u00f3ximos anos, pesquisas ser\u00e3o feitas para determinar as implica\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia da SLYM.<br \/>\nMas, como garante a neurocientista Virginia Pl\u00e1, entender como essa membrana funciona pode ser a chave para a cria\u00e7\u00e3o de novos tratamentos, como rem\u00e9dios que possam atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica e agir diretamente no c\u00e9rebro.<br \/>\nAl\u00e9m disso, devido \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o, a estrutura rec\u00e9m-descoberta poderia ser &#8220;um elemento-chave em processos inflamat\u00f3rios, como os que ocorrem em traumatismos cranianos, meningites e esclerose m\u00faltipla&#8221;.<br \/>\n&#8220;Finalmente, saber como essa membrana muda em resposta \u00e0 neurodegenera\u00e7\u00e3o ou ao envelhecimento pode ser essencial para as interven\u00e7\u00f5es que tentam preservar a fun\u00e7\u00e3o cognitiva&#8221;, completa a pesquisadora.<br \/>\nO professor Jordi Vilaplana, do Departamento de Bioqu\u00edmica e Fisiologia da Universidade de Barcelona, na Espanha, considera que a poss\u00edvel presen\u00e7a dessa membrana &#8220;\u00e9 muito interessante&#8221;.<br \/>\n&#8220;Trata-se de mais um elemento na compreens\u00e3o do funcionamento do sistema glinf\u00e1tico, sobre o qual ainda permanecem algumas d\u00favidas sobre a estrutura e o funcionamento dele&#8221;, afirma o pesquisador, que n\u00e3o esteve envolvido diretamente no estudo.<br \/>\n&#8220;No entanto, do meu ponto de vista, a principal revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a descoberta do pr\u00f3prio sistema glinf\u00e1tico e seu poss\u00edvel envolvimento com as doen\u00e7as neurodegenerativas&#8221;, conclui o especialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores dos Estados Unidos e da Dinamarca descreveram uma nova regi\u00e3o que, segundo eles, pode atuar como uma barreira para proteger os neur\u00f4nios e as demais c\u00e9lulas nervosas. Com uma intrincada rede de neur\u00f4nios e outras estruturas biol\u00f3gicas, o c\u00e9rebro continua a se mostrar uma m\u00e1quina dif\u00edcil de decifrar. BBC Com uma intrincada rede de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35228,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-35227","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35227"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35227\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35228"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}