{"id":34499,"date":"2023-01-18T19:10:04","date_gmt":"2023-01-18T19:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/18\/o-argentino-que-salvou-milhares-de-vidas-na-2a-guerra-gracas-ao-talento-de-falsificador\/"},"modified":"2023-01-18T19:10:04","modified_gmt":"2023-01-18T19:10:04","slug":"o-argentino-que-salvou-milhares-de-vidas-na-2a-guerra-gracas-ao-talento-de-falsificador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/18\/o-argentino-que-salvou-milhares-de-vidas-na-2a-guerra-gracas-ao-talento-de-falsificador\/","title":{"rendered":"O argentino que salvou milhares de vidas na 2\u00aa Guerra gra\u00e7as ao talento de falsificador"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/Gxrz8rfdvgjOOFpm8kLTEo3QFv8=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/W\/y\/ChCNbNTg6fveTNd2BUwA\/adolfo-kaminsky.jpg\"><br \/>   Milhares de pessoas foram salvas dos campos de concentra\u00e7\u00e3o com documentos falsos de Adolfo Kaminsky. Adolfo Kaminsky<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nA tinta Waterman azul. O grande problema era a tinta Waterman azul.<br \/>\nN\u00e3o havia forma de apag\u00e1-la. Os pap\u00e9is escritos com tinta da marca Waterman da cor azul n\u00e3o podiam ser alterados. Era imposs\u00edvel falsific\u00e1-los.<br \/>\nA resist\u00eancia francesa j\u00e1 havia tentado de tudo, mas a tinta Waterman azul usada pela prefeitura condenava os judeus aos campos de exterm\u00ednio.<br \/>\nAt\u00e9 que um jovem aprendiz de tintureiro, que havia acabado de completar 18 anos, exclamou: &#8220;Eu sei apagar. Tudo pode ser apagado.&#8221;<br \/>\nE, de fato, o \u00e1cido l\u00e1ctico apagava a tinta. E, com ela, um nome. O nome apagava uma origem que era considerada um pecado mortal na Fran\u00e7a ocupada pelos nazistas: ser judeu.<br \/>\nO jovem foi ent\u00e3o convidado a trabalhar com a resist\u00eancia.<br \/>\nQuem era ele?<br \/>\nEra o m\u00eas de mar\u00e7o de 1944 e a vida de Adolfo Kaminsky sofreu uma reviravolta.<br \/>\nSeus conhecimentos de qu\u00edmica valeram a ele um lugar na &#8220;Sexta&#8221; &#8211; uma pequena c\u00e9lula clandestina da resist\u00eancia francesa.<br \/>\nEm um s\u00f3t\u00e3o do bairro parisiense de Saint-Germain-des-Pr\u00e9s, ele falsificou passaportes, certid\u00f5es de nascimento, carn\u00eas de racionamento, salvo-condutos e qualquer outro documento que ca\u00edsse em suas m\u00e3os e pudesse evitar a morte dos seus propriet\u00e1rios.<br \/>\nDocumentos falsificados por Adolfo Kaminsky durante a Segunda Guerra Mundial. Milhares de pessoas foram salvas dos campos de concentra\u00e7\u00e3o com seus documentos<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nOs pedidos chegavam de toda parte &#8211; eram at\u00e9 500 por semana. Eles apagavam sem descanso as letras em vermelho, &#8220;JUIF&#8221; ou &#8220;JUIVE&#8221; (&#8220;judeu&#8221; ou &#8220;judia&#8221;), alteravam nomes judeus como Isaac por Jean Pierre, Meyer por Dubois ou Hanna por Marie-H\u00e9l\u00e8ne.<br \/>\nAntes de completar 19 anos, com o nome falso de Julien Keller, aquele jovem havia conseguido salvar a vida de milhares de pessoas, gra\u00e7as ao seu talento como falsificador. A sua pr\u00f3pria vida chegou a ser salva pelo seu passaporte argentino.<br \/>\nAdolfo Kaminsky nasceu em 1925 na capital argentina, Buenos Aires, em uma fam\u00edlia judia de origem russa. Sua hist\u00f3ria parece ter sa\u00eddo de um filme de espionagem em preto e branco, com esconderijos, c\u00f3digos secretos, duplas identidades e portas esmurradas no meio da noite. Kaminsky morreu em Paris no \u00faltimo dia 9 de janeiro, aos 97 anos.<br \/>\nCerta vez, a &#8220;Sexta&#8221; recebeu a miss\u00e3o de falsificar os documentos de 300 crian\u00e7as judias internadas em centros do Estado, que seriam deportadas. Seria necess\u00e1rio criar 900 documentos novos, incluindo certid\u00f5es de nascimento, de batismo e carn\u00eas de racionamento. Mas havia um problema: tudo precisaria ser feito em tr\u00eas dias.<br \/>\nKaminsky trabalhou dia e noite, sem descanso, at\u00e9 cair no ch\u00e3o, desmaiado de exaust\u00e3o.<br \/>\nSua grande obsess\u00e3o era terminar o trabalho. &#8220;Manter-se acordado. O maior tempo poss\u00edvel. Lutar contra o sono. O c\u00e1lculo era simples. Em uma hora, consigo fabricar 30 documentos. Se dormir uma hora, 30 pessoas ir\u00e3o morrer&#8221;, recorda ele, em sua biografia Adolfo Kaminsky, Une Vie de Faussaire (&#8220;Adolfo Kaminsky, uma vida de falsificador&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), escrita por sua filha Sarah.<br \/>\nO laborat\u00f3rio era pequeno, mas tinha tudo o que era necess\u00e1rio. Usando a t\u00e9cnica da fotogravura, Kaminsky havia conseguido fabricar carimbos e suas almofadas, timbres e marcas d&#8217;\u00e1gua. Com uma roda de bicicleta, ele criou uma centrifugadora para envelhecer os documentos.<br \/>\nTodos os cinco que trabalhavam na Rue des Saints-P\u00e8res n\u00b0 17 eram estudantes de ci\u00eancias ou de belas artes, exceto Kaminsky. Eles se faziam passar por artistas.<br \/>\nPara os vizinhos, os odores das subst\u00e2ncias qu\u00edmicas eram solventes de tintas e o carteiro sempre os elogiava pelas suas obras &#8211; os quadros que eles expunham bem \u00e0 vista de todos, para ocultar o verdadeiro trabalho que era feito no s\u00f3t\u00e3o.<br \/>\nA equipe trabalhava de forma volunt\u00e1ria, sem receber pagamento e arriscando sua vida caso fosse descoberta. Eles conseguiram preparar os documentos das 300 crian\u00e7as a tempo, mas o peso da responsabilidade e o esfor\u00e7o extenuante do trabalho cobraram sua conta.<br \/>\nKaminsky perdeu a vis\u00e3o de um dos olhos devido ao trabalho intenso daqueles anos. Seus companheiros, que tinham nomes como &#8220;Lontra&#8221;, &#8220;L\u00f3tus&#8221; e &#8220;Pinguim&#8221;, acabaram suicidando-se nos anos ap\u00f3s a guerra, segundo relatado por ele pr\u00f3prio em um curto document\u00e1rio produzido pelo jornal americano The New York Times em 2016, chamado The Forger (&#8220;O falsificador&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<br \/>\nDepois da guerra e sempre na clandestinidade, Kaminsky continuou falsificando documentos para diferentes movimentos at\u00e9 os anos 1970. Ele deixou sua marca em conflitos como a guerra da Arg\u00e9lia, a luta contra o apartheid na \u00c1frica do Sul, contra os ditadores Franco, na Espanha, e Salazar, em Portugal, e para diversos grupos revolucion\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina.<br \/>\nSegundo c\u00e1lculos dele pr\u00f3prio, s\u00f3 em 1967, Kaminsky enviou documentos falsos para 15 pa\u00edses diferentes. Ele chegou a falsificar documentos para desertores americanos que n\u00e3o queriam participar da Guerra do Vietn\u00e3.<br \/>\nKaminsky p\u00f4s fim a essa vida clandestina em 1971 e trabalhou como fot\u00f3grafo e professor pelo resto dos seus dias. Mas sua intensa vida de falsificador n\u00e3o custou apenas a vis\u00e3o de um dos olhos. Sua fam\u00edlia n\u00e3o podia saber de nada sobre esse submundo secreto e ilegal e acabou pagando o pre\u00e7o.<br \/>\nAdolfo Kaminsky e sua filha Sarah, em 2011<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nSeu primeiro casamento, que lhe deu dois filhos que Kaminsky n\u00e3o p\u00f4de ver por longos per\u00edodos de tempo, terminou em div\u00f3rcio em 1950.<br \/>\nSua filha Sarah nasceu de um segundo relacionamento. Ela come\u00e7ou a entrever sinais daquele passado quase uma d\u00e9cada depois de Kaminsky abandonar a falsifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCerto dia, Sarah falsificou a assinatura da m\u00e3e no boletim escolar. Seu pai, em vez de brigar com ela, soltou uma gargalhada.<br \/>\n&#8220;Sarah, voc\u00ea poderia ter tido um pouco mais de cuidado&#8221;, disse ele. &#8220;Veja como a letra est\u00e1 pequena demais!&#8221;<br \/>\nVida de refugiados<br \/>\nA hist\u00f3ria da fam\u00edlia Kaminsky foi sempre marcada pelas fronteiras. Talvez por isso ele tenha sonhado com um mundo sem divis\u00f5es, onde as pessoas pudessem movimentar-se livremente.<br \/>\nSua m\u00e3e chegou \u00e0 Fran\u00e7a no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, fugindo das persegui\u00e7\u00f5es aos judeus na R\u00fassia. L\u00e1, ela conheceu seu pai, outro judeu russo que trabalhava para uma publica\u00e7\u00e3o marxista.<br \/>\nQuando os bolcheviques chegaram ao poder, a Fran\u00e7a, com receio dos simpatizantes do novo regime, expulsou-os do pa\u00eds, o que fez a fam\u00edlia emigrar para a Argentina.<br \/>\nAli, Adolfo nasceu e viveu seus cinco primeiros anos de vida, at\u00e9 que os Kaminsky pudessem voltar para a Fran\u00e7a e reunir-se com o restante da fam\u00edlia. Eles levaram para a Europa algo que seria vital para eles mais \u00e0 frente: passaportes argentinos.<br \/>\nOs Kaminsky se instalaram na cidade francesa de Vire, na Normandia, onde Adolfo precisou trabalhar desde muito cedo para ajudar nas finan\u00e7as da fam\u00edlia.<br \/>\nQuando tinha 13 anos de idade, Kaminsky conseguiu um emprego na f\u00e1brica da cidade. &#8220;E, um dia, eles chegaram.&#8221; Em junho de 1940, os nazistas invadiram a Fran\u00e7a e todos os judeus da f\u00e1brica &#8211; ele e seu irm\u00e3o Pablo &#8211; foram demitidos.<br \/>\nKaminsky encontrou ent\u00e3o um emprego como aprendiz de tintureiro, em um lugar que tingia de cores &#8220;civis&#8221; os uniformes remanescentes da Primeira Guerra Mundial. Ali, ele aprendeu a eliminar manchas e ficou fascinado por aquela alquimia.<br \/>\nSeu chefe era engenheiro qu\u00edmico e ensinou a ele todos os segredos sobre como alterar ou apagar cores e manchas.<br \/>\nKaminsky montou ent\u00e3o um laborat\u00f3rio caseiro, inicialmente na cozinha de casa. Mas, depois de v\u00e1rias explos\u00f5es e do consequente desagrado da sua m\u00e3e, ele mudou o laborat\u00f3rio para uma cabana no lado externo. Foi assim que ele conseguiu fazer experi\u00eancias sobre tudo o que aprendia no trabalho.<br \/>\nPara ajudar os vizinhos, Kaminsky passou a produzir sab\u00e3o e velas, al\u00e9m de descontaminar sal. Os alem\u00e3es havia misturado \u00f3xido de ferro no sal para evitar que os camponeses franceses preservassem e escondessem carne de porco sem precisar enviar todos os seus animais para a Alemanha, como haviam sido obrigados a fazer.<br \/>\nSua paix\u00e3o o levou a trabalhar como qu\u00edmico em uma f\u00e1brica de produtos l\u00e1cteos nos fins de semana. L\u00e1, ele aprendeu um truque aparentemente banal que mudaria sua vida.<br \/>\nKaminsky descobriu que para saber o teor de gordura do leite trazido pelos criadores bastava introduzir um pouco de azul de metileno em uma amostra e esperar que o \u00e1cido l\u00e1ctico o dissolvesse.<br \/>\nO azul de metileno era a subst\u00e2ncia usada na fabrica\u00e7\u00e3o da tinta Waterman.<br \/>\nA vida dos judeus era cada vez mais dif\u00edcil na Fran\u00e7a. Depois que os oficiais alem\u00e3es quiseram transformar a casa do seu tio em um bordel, ele fugiu para se esconder em Paris.<br \/>\nSua m\u00e3e, ao retornar de uma viagem para a capital francesa para ver seu irm\u00e3o (&#8220;vou e volto&#8221;, disse ela ao sair), morreu em circunst\u00e2ncias suspeitas. As autoridades disseram que ela caiu do trem em movimento quando confundiu a porta traseira com a do banheiro. Mas Kaminsky passou a vida certo de que ela foi assassinada.<br \/>\nConsumido pela dor e pela raiva, o ent\u00e3o adolescente encontrou uma forma de sentir-se menos impotente. &#8220;Eu n\u00e3o queria chorar meus mortos sem fazer nada&#8221;, diz ele na sua biografia.<br \/>\nEle entrou em contato com a resist\u00eancia pela primeira vez, atrav\u00e9s do farmac\u00eautico da cidade. Kaminsky ent\u00e3o aprendeu a fabricar pequenos detonadores e produtos corrosivos para sabotar as linhas de trem alem\u00e3s.<br \/>\n&#8220;Eu tinha pelo menos o sentimento de que os estava vingando. Estava orgulhoso. Era um resistente&#8221;, contava ele.<br \/>\nDrancy<br \/>\nApenas judeus ficaram em Vire, at\u00e9 que, no ver\u00e3o de 1943, a fam\u00edlia foi detida e transferida para o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Drancy, nas redondezas de Paris. Calcula-se que, durante a ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3, mais de 67 mil judeus tenham sido enviados para campos de exterm\u00ednio a partir de Drancy.<br \/>\nEm um momento de lucidez, seu irm\u00e3o maior escreveu cartas dirigidas ao consulado argentino em Paris. Ele as entregou para trabalhadores das ferrovias e chegou at\u00e9 a lan\u00e7ar algumas pelas janelas do trem que os transportou para o campo, com a esperan\u00e7a de que alguma delas chegasse ao seu destino.<br \/>\n&#8220;S\u00f3 pod\u00edamos esperar que uma boa alma pagasse o selo e as enviasse&#8221;, relembra Kaminsky.<br \/>\nA Argentina havia se declarado neutra no conflito e, at\u00e9 aquela data, a Fran\u00e7a ocupada havia respeitado essa neutralidade.<br \/>\n&#8220;\u00c9ramos milhares. Quarenta em cada quarto. Homens e mulheres separados \u00e0 noite. Um formigueiro. Ningu\u00e9m ficava em Drancy. Ali eles faziam a sele\u00e7\u00e3o, antes de enviar os comboios para diferentes campos da Europa&#8221;, recorda Kaminsky.<br \/>\nEle relatou que, na noite anterior \u00e0s partidas, era poss\u00edvel ouvir &#8220;o eco do choro dos que acabavam de ser raspados e ficavam nas escadas \u00e0 espera do nascer do sol, j\u00e1 que n\u00e3o havia mais camas nos quartos&#8221;.<br \/>\nMas houve um milagre para a fam\u00edlia Kaminsky. Uma das cartas chegou \u00e0s m\u00e3os do c\u00f4nsul da Argentina.<br \/>\n&#8220;Dev\u00edamos nossa sobreviv\u00eancia \u00e0 covardia diplom\u00e1tica de um governo que, para se manter pr\u00f3ximo da poderosa Am\u00e9rica do Norte sem romper os acordos econ\u00f4micos que o vinculavam \u00e0 Alemanha nazista, havia optado pode declarar-se neutro&#8221;, relata Kaminsky em sua biografia.<br \/>\nAdolfo Kaminsky teve claro ao longo de toda a vida que &#8220;a neutralidade n\u00e3o existe. N\u00e3o fazer nada, n\u00e3o dizer nada, j\u00e1 \u00e9 ser c\u00famplice&#8221;.<br \/>\nDez dias depois da libera\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia foi enviada de volta para Drancy devido \u00e0 ruptura dos acordos entre a Argentina e a Alemanha. Mas, por erro de comunica\u00e7\u00e3o entre a pol\u00edcia francesa e a administra\u00e7\u00e3o do campo de concentra\u00e7\u00e3o, os Kaminskys acabaram sendo libertados.<br \/>\nDe volta a Paris, seu pai, que ainda mantinha amizade com os russos da revista marxista onde trabalhou, concluiu com muita clareza que eles precisavam de documentos falsos.<br \/>\nAdolfo Kaminsky foi encarregado de fornecer aos falsificadores as fotografias e os dados necess\u00e1rios. Para isso, ele precisava encontrar-se com o contato chamado &#8220;Pinguim&#8221;. E, quando soube que Kaminsky havia sido aprendiz de tintureiro, o jovem contato contou os problemas que eles estavam enfrentando com a tinta Waterman azul.<br \/>\nAo que Kaminsky respondeu: &#8220;Eu sei apag\u00e1-la&#8221;.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-64315972<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milhares de pessoas foram salvas dos campos de concentra\u00e7\u00e3o com documentos falsos de Adolfo Kaminsky. Adolfo Kaminsky Getty Images via BBC A tinta Waterman azul. O grande problema era a tinta Waterman azul. N\u00e3o havia forma de apag\u00e1-la. Os pap\u00e9is escritos com tinta da marca Waterman da cor azul n\u00e3o podiam ser alterados. 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