{"id":34347,"date":"2023-01-18T08:10:31","date_gmt":"2023-01-18T08:10:31","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/18\/violencia-aumenta-no-mali-um-ano-apos-chegada-dos-russos-do-grupo-wagner\/"},"modified":"2023-01-18T08:10:31","modified_gmt":"2023-01-18T08:10:31","slug":"violencia-aumenta-no-mali-um-ano-apos-chegada-dos-russos-do-grupo-wagner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/18\/violencia-aumenta-no-mali-um-ano-apos-chegada-dos-russos-do-grupo-wagner\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia aumenta no Mali um ano ap\u00f3s chegada dos russos do Grupo Wagner"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/lq-3ngCovngyJyyFWIClzBs_s-8=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/o\/Z\/v4G8PaTjCOfuGadWMbDg\/ap23013611658026.jpg\"><br \/>   Organiza\u00e7\u00e3o paramilitar russa trabalha ao lado das for\u00e7as armadas do Mali para tentar conter insurg\u00eancia de extremistas isl\u00e2micos. Relat\u00f3rio revela, no entanto, que pelo menos um ter\u00e7o das mortes registradas em confrontos na regi\u00e3o foram decorrentes de ataques envolvendo grupo. Esta fotografia sem data entregue pelos militares franceses mostra tr\u00eas mercen\u00e1rios russos, \u00e0 direita, no norte do Mali.<br \/>\nFrench Army via AP<br \/>\nAlou Diallo diz que estava tomando ch\u00e1 com sua fam\u00edlia em uma manh\u00e3 de dezembro de 2022 quando um grupos de soldados brancos invadiram seu vilarejo no centro de Mali, ateando fogo em casas e atirando em pessoas suspeitas de serem extremistas isl\u00e2micos. Ele correu para a seguran\u00e7a no mato, mas seu filho foi baleado e ferido durante a fuga, depois foi morto enquanto estava ca\u00eddo no ch\u00e3o.<br \/>\n\u201cVi meu filho de 16 anos morrer\u201d, disse Diallo \u00e0 Associated Press na capital do Mali, Bamako, onde vive em um campo improvisado para deslocados. Enquanto contava os eventos daquele dia, o ex-pecuarista de 47 anos n\u00e3o escondia a raiva contra as tropas, que ele acredita serem mercen\u00e1rios russos, que viraram seu mundo de cabe\u00e7a para baixo.<br \/>\n\u201cEu realmente quero que a paz volte e as coisas voltem ao normal. Aqui em Bamako, vivo uma vida que n\u00e3o escolhi&#8221;, disse ele.<br \/>\nJ\u00e1 se passou mais de um ano desde que centenas de combatentes do Grupo Wagner, uma organiza\u00e7\u00e3o paramilitar russa que se descreve como empresa militar privada, come\u00e7aram a trabalhar ao lado das for\u00e7as armadas do Mali para tentar conter a insurg\u00eancia de extremistas isl\u00e2micos que come\u00e7ou h\u00e1 uma d\u00e9cada no pa\u00eds da \u00c1frica Ocidental.<br \/>\nMas desde que os mercen\u00e1rios chegaram, diplomatas, analistas e grupos de direitos humanos dizem que a viol\u00eancia indiscriminada contra civis aumentou, os extremistas ligados \u00e0 Al Qaeda e ao grupo Estado Isl\u00e2mico s\u00f3 ficaram mais fortes, e existe a preocupa\u00e7\u00e3o de que a presen\u00e7a russa desestabilize ainda mais a regi\u00e3o j\u00e1 conturbada.<br \/>\nMais de 2.000 civis foram mortos desde dezembro de 2021, em compara\u00e7\u00e3o com cerca de 500 nos 12 meses anteriores, de acordo com o Armed Conflict Location &#038; Event Data Project (Acled), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental. Pelo menos um ter\u00e7o das mortes registradas no ano passado foram decorrentes de ataques envolvendo o Grupo Wagner, segundo dados compilados pela entidade.<br \/>\n\u201cEles est\u00e3o matando civis e, com sua simples presen\u00e7a, dando luz verde \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a do Mali para agir de acordo com suas piores inclina\u00e7\u00f5es\u201d, disse Michael Shurkin, membro s\u00eanior do Atlantic Council e diretor de programas globais do grupo de consultoria 14 North Strategies.<br \/>\nEmpreiteiros militares do Grupo Wagner, fundado por Yevgeny Prigozhin, um empres\u00e1rio milion\u00e1rio ligado ao presidente russo Vladimir Putin, t\u00eam refor\u00e7ado as for\u00e7as de Moscou durante a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia. Mas os especialistas dizem que tamb\u00e9m operam em alguns pa\u00edses africanos.<br \/>\nDesde que os militares do Mali tomaram o poder em dois golpes a partir de 2020, uma junta liderada pelo coronel Assimi Goita manteve rela\u00e7\u00f5es tensas com a comunidade internacional.<br \/>\nA Fran\u00e7a enviou tropas ao pa\u00eds em 2013 para ajudar sua ex-col\u00f4nia a expulsar militantes isl\u00e2micos das \u00e1reas do norte do pa\u00eds, mas retirou-os em agosto de 2022, quando as rela\u00e7\u00f5es se desgastaram e o sentimento antifranc\u00eas cresceu na popula\u00e7\u00e3o. O Ocidente diz que o Mali est\u00e1 cada vez mais olhando para Moscou em busca de seguran\u00e7a, embora a junta diga que s\u00f3 convidou treinadores militares.<br \/>\nMalienses protestam contra a Fran\u00e7a e em apoio \u00e0 R\u00fassia no 60\u00ba anivers\u00e1rio da independ\u00eancia da Rep\u00fablica do Mali em 1960, em Bamako, Mali, 22 de setembro de 2020.<br \/>\nAP Photo<br \/>\nAlassane Maiga, chefe de comunica\u00e7\u00f5es da junta, insistiu que o Grupo Wagner n\u00e3o est\u00e1 operando no pa\u00eds. Questionado sobre os ataques a civis, Maiga disse que o governo do Mali protege seus cidad\u00e3os e suas propriedades.<br \/>\n\u201cAs miss\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a do ex\u00e9rcito s\u00e3o realizadas respeitando os direitos humanos e o direito internacional humanit\u00e1rio\u201d, afirmou.<br \/>\nO Grupo Wagner n\u00e3o respondeu aos pedidos de coment\u00e1rios. Em um debate no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU em janeiro, a vice-embaixadora da R\u00fassia, Anna Evstigneeva, rejeitou as tentativas do exterior \u201cde manchar a assist\u00eancia russa ao Mali\u201d, onde Moscou tem um acordo bilateral para ajudar o governo de transi\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o mencionou o Grupo Wagner.<br \/>\nNo entanto, um relat\u00f3rio do Centro de Combate ao Terrorismo da Academia Militar dos Estados Unidos, que estuda viol\u00eancia extremista, estima que at\u00e9 mil mercen\u00e1rios foram mobilizados e que o Grupo Wagner est\u00e1 recebendo quase US$ 11 milh\u00f5es por m\u00eas para fornecer seguran\u00e7a e treinamento. O relat\u00f3rio afirma que o Grupo Wagner est\u00e1 tento dificuldades para obter ganhos significativos com o aumento da viol\u00eancia jihadista.<br \/>\nDurante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa entre junho e setembro, quando os combates geralmente diminuem, houve mais de 90 ataques contra civis e militares por um grupo extremista ligado \u00e0 Al Qaeda. No mesmo per\u00edodo do ano anterior, esse n\u00famero foi de 6 ataques. S\u00f3 em agosto, o ataque a um quartel por um grupo ligado ao Estado Isl\u00e2mico matou pelo menos 42 soldados do Mali.<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o internacional Human Rights Watch afirma que o ex\u00e9rcito do Mali e tropas estrangeiras suspeitas de serem russas cercaram e mataram cerca de 300 homens na cidade de Moura no ataque mais sangrento at\u00e9 agora, em mar\u00e7o de 2022. Entre as v\u00edtimas estavam extremistas isl\u00e2micos, mas a maioria eram civis \u2014 uma investiga\u00e7\u00e3o citou 27 pessoas, incluindo testemunhas, comerciantes, l\u00edderes comunit\u00e1rios, diplomatas e analistas de seguran\u00e7a, que foram mortas na ocasi\u00e3o.<br \/>\nO Minist\u00e9rio da Defesa do Mali relatou um incidente semelhante na \u00e9poca, mas disse que matou 203 \u201cterroristas\u201d e prendeu outros 51.<br \/>\n\u201cH\u00e1 amplos relatos de abusos dos direitos humanos em toda a regi\u00e3o onde eles [Grupo Wagner] est\u00e3o trabalhando. E nos preocupamos que essas for\u00e7as n\u00e3o estejam interessadas na seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o do povo do Mali, mas, em vez disso, estejam interessadas em enriquecer e minar o pa\u00eds e piorar a situa\u00e7\u00e3o do terrorismo&#8221;, disse a subsecret\u00e1ria de Estado dos EUA, Victoria Nuland.<br \/>\nSamuel Ramani, membro associado do Royal United Services Institute, um grupo de pesquisas de defesa e seguran\u00e7a, disse que a R\u00fassia n\u00e3o tem muita credibilidade no contraterrorismo na \u00c1frica ou de forma mais ampla. O especialista destacou o conhecimento limitado do terreno, as rela\u00e7\u00f5es tensas com oficiais de baixa patente e uma r\u00edgida estrutura de comando e controle por parte dos russos.<br \/>\n\u201cO que vimos repetidamente \u00e9 que a R\u00fassia e as for\u00e7as do Grupo Wagner s\u00e3o muito melhores em fortalecer o dom\u00ednio de regimes autorit\u00e1rios no poder do que realmente combater rebeldes e grupos terroristas\u201d, afirmou Ramani.<br \/>\nMuitos malienses acusam os militares e os soldados brancos que trabalham com eles de deten\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias de civis que pastoreiam gado, cultivam ou v\u00e3o ao mercado. A maioria deles s\u00e3o da etnia fulani, que s\u00e3o cada vez mais visados \u200b\u200bpelas for\u00e7as de seguran\u00e7a que suspeitam que eles apoiem os militantes isl\u00e2micos.<br \/>\nGrupos de direitos humanos dizem que esses supostos abusos ajudam os extremistas, que aproveitam as queixas p\u00fablicas para usar como ferramenta de recrutamento.<br \/>\nUm pastor de gado de 29 anos chamado Hamidou disse que foi preso em sua casa na vila de Douentza, no centro do Mali, com outras duas pessoas em novembro e acusado de ser um militante isl\u00e2mico. Ele foi trancado em uma pequena sala onde foi amarrado, espancado e interrogado por soldados brancos.<br \/>\n\u201cFomos severamente espancados diariamente. N\u00e3o pens\u00e1vamos que sobreviver\u00edamos. Desde o dia em que Wagner chegou ao Mali at\u00e9 hoje, as pris\u00f5es arbitr\u00e1rias e assassinatos de civis fulani aumentaram tremendamente&#8221;, disse Hamidou.<br \/>\nMilhares de tropas de manuten\u00e7\u00e3o da paz das Na\u00e7\u00f5es Unidas est\u00e3o no Mali h\u00e1 quase uma d\u00e9cada para proteger os civis da viol\u00eancia, mas o governo do Mali restringiu sua capacidade de opera\u00e7\u00e3o, e pa\u00edses como Benin, Alemanha, Su\u00e9cia, Costa do Marfim e Reino Unido anunciaram a retirada de tropas, de acordo com o International Crisis Group.<br \/>\nNuland, o diplomata dos EUA, disse que o Grupo Wagner encorajou a junta a negar o acesso das for\u00e7as de paz a \u00e1reas onde tem mandato para investigar abusos. A seguran\u00e7a est\u00e1 \u201cse tornando mais dif\u00edcil \u00e0 medida que as for\u00e7as do Grupo Wagner e outros assumem um papel maior no pa\u00eds e expulsam as for\u00e7as de paz da ONU\u201d.<br \/>\nEmbora muitos moradores digam que detestam o Grupo Wagner, eles temem que nada mude at\u00e9 que haja um novo governo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o marcadas para fevereiro de 2024.<br \/>\n\u201cCabe aos malienses decidir quais passos seguir para o retorno da paz no Mali. A for\u00e7a e a press\u00e3o da comunidade internacional sobre os militares s\u00f3 podem piorar a seguran\u00e7a e situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria\u201d, disse Seydou Diawara, chefe de um grupo pol\u00edtico de oposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEsta fotografia sem data distribu\u00edda pelos militares franceses mostra mercen\u00e1rios russos embarcando em um helic\u00f3ptero no norte do Mali.<br \/>\nFrench Army via AP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Organiza\u00e7\u00e3o paramilitar russa trabalha ao lado das for\u00e7as armadas do Mali para tentar conter insurg\u00eancia de extremistas isl\u00e2micos. Relat\u00f3rio revela, no entanto, que pelo menos um ter\u00e7o das mortes registradas em confrontos na regi\u00e3o foram decorrentes de ataques envolvendo grupo. 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