{"id":34091,"date":"2023-01-17T10:10:48","date_gmt":"2023-01-17T10:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/17\/dez-anos-depois-desaparecimento-de-brasileiro-no-peru-segue-como-misterio\/"},"modified":"2023-01-17T10:10:48","modified_gmt":"2023-01-17T10:10:48","slug":"dez-anos-depois-desaparecimento-de-brasileiro-no-peru-segue-como-misterio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/17\/dez-anos-depois-desaparecimento-de-brasileiro-no-peru-segue-como-misterio\/","title":{"rendered":"Dez anos depois: desaparecimento de brasileiro no Peru segue como mist\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/ij0CE7XD8K4DxNDSG5POwb2bNjM=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/Q\/v\/StimgcQAqlkC8JQTcIyQ\/peru-bbc-2.jpg\"><br \/>   Fam\u00edlia de Artur Paschoali, que desapareceu aos 19 anos, lamenta falta de respostas sobre o que aconteceu com ele. Investiga\u00e7\u00e3o no Peru foi arquivada. H\u00e1 uma d\u00e9cada, a fam\u00edlia de Artur Paschoali convive com a saudade e a incerteza sobre o que aconteceu com ele.<br \/>\nO jovem, que morava em Bras\u00edlia e sonhava em viajar pelo mundo, desapareceu no Peru em dezembro de 2012, enquanto fazia um mochil\u00e3o no pa\u00eds.<br \/>\nO caso nunca foi esclarecido.<br \/>\nM\u00e3e de Artur, a arquiteta Susana Paschoali, de 62 anos, afirma que at\u00e9 hoje espera algum tipo de resposta sobre o caso.<br \/>\n&#8220;Nunca perdi essa esperan\u00e7a (de descobrir o que aconteceu com Artur). \u00c9 uma possibilidade muito pequena, mas gostaria que isso ocorresse&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil.<br \/>\nAo longo desses 10 anos, os familiares receberam diversas informa\u00e7\u00f5es desencontradas sobre Artur.<br \/>\nOs pais do jovem fizeram investiga\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria e gastaram mais de R$ 200 mil com as buscas &#8211; pequena parte disso por meio de campanha de doa\u00e7\u00f5es -, mas nada foi suficiente para esclarecer o caso.<br \/>\nSusana acredita que o filho morreu. &#8220;Desde o primeiro instante achei que tinham matado o Artur.&#8221;<br \/>\n&#8220;N\u00e3o considero que sou melhor nem pior que ningu\u00e9m, ent\u00e3o se ocorreu dessa forma \u00e9 porque era para ser&#8221;, diz a arquiteta. &#8220;Se fosse pra ser diferente, teria sido e j\u00e1 ter\u00edamos uma resposta, porque muitas pessoas desaparecem e s\u00e3o achadas, ou seus corpos s\u00e3o encontrados logo em seguida.&#8221;<br \/>\nJ\u00e1 o pai de Artur, o representante comercial Wanderlan Vieira &#8211; ele e Susana s\u00e3o separados -, acredita que ainda pode encontrar o filho vivo.<br \/>\n&#8220;\u00c9 complicado porque fica tudo no campo do achismo. Mas o que eu acho \u00e9 que, passado todo esse tempo, o Artur tenha sido v\u00edtima de um cartel na regi\u00e3o do Peru e possa estar viva&#8221;, afirma.<br \/>\nSusana e o filho: ela ainda vive com a esperan\u00e7a de descobrir o que aconteceu com jovem.<br \/>\nArquivo pessoal via BBC<br \/>\nO mochil\u00e3o<br \/>\nArtur tinha 19 anos quando viajou com um grupo de brasileiros para o Peru no fim de setembro de 2012. A viagem era uma oportunidade para ele, que era apaixonado por artes, conhecer mais sobre a cultura local.<br \/>\nA princ\u00edpio, o jovem passaria apenas algumas semanas na regi\u00e3o de Cuzco, mas se encantou pelo lugar e estendeu o per\u00edodo. Na \u00e9poca, ele comunicou aos pais que queria ficar por mais cerca de seis meses no local e depois planejava seguir para a Bol\u00edvia, antes de retornar ao Brasil.<br \/>\nDurante a viagem, ele se comunicava com os pais somente por meio de mensagens no Facebook.<br \/>\nSegundo Susana, o jovem se recusava a receber ajuda financeira da fam\u00edlia. Em raz\u00e3o disso, trabalhou como recepcionista em hostels e em um bar para que pudesse ter moradia e alimenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nWanderlan, Susana e os quatro filhos: Artur aparece ao centro da imagem.<br \/>\nArquivo pessoal via BBC<br \/>\nNo in\u00edcio de dezembro de 2012, ele se mudou de Cuzco para \u00c1guas Calientes, tamb\u00e9m nas proximidades de Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas.<br \/>\nFoi nesse per\u00edodo que come\u00e7ou o drama da fam\u00edlia. Dias depois da chegada dele a \u00c1guas Calientes, o jovem mandou uma mensagem que causou preocupa\u00e7\u00e3o. Segundo Susana, ele disse que bebeu demais e teve problemas com o patr\u00e3o.<br \/>\nPreocupada, a m\u00e3e pediu que Artur a mantivesse informada. Cerca de uma semana depois, segundo Susana, ele enviou uma mensagem dizendo que estava no distrito peruano de Santa Teresa. Foi o \u00faltimo contato dele.<br \/>\nO desaparecimento e a investiga\u00e7\u00e3o<br \/>\nDepois do Natal de 2012, os familiares acenderam um alerta porque Artur n\u00e3o mandou mensagem.<br \/>\nOs familiares conseguiram o contato de um hostel em Santa Tereza e descobriram que um turista brasileiro havia desaparecido, mas n\u00e3o receberam confirma\u00e7\u00e3o se era Artur.<br \/>\nDesesperados, Susana e Wanderlan procuraram por autoridades brasileiras ou peruanas que pudessem ajud\u00e1-los. Mas, segundo eles, n\u00e3o conseguiram apoio naquele momento. Compraram passagens a\u00e9reas para 31 de dezembro e embarcaram para o Peru. Em Lima, descobriram que o jovem desaparecido era Artur.<br \/>\nA partir de ent\u00e3o teve in\u00edcio a busca pelo jovem, que reuniu autoridades peruanas e brasileiras e teve grande repercuss\u00e3o na m\u00eddia.<br \/>\nAl\u00e9m da investiga\u00e7\u00e3o oficial, Susana e Wanderlan come\u00e7aram a apurar o caso por conta pr\u00f3pria. Eles descobriram que o filho desapareceu em uma regi\u00e3o tomada pelo narcotr\u00e1fico e com uma popula\u00e7\u00e3o com intenso medo de passar informa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nOs pais de Artur ficaram no Peru por quatro meses logo ap\u00f3s o desaparecimento do jovem. Eles dizem que chegaram a sofrer amea\u00e7as de morte, mas n\u00e3o desistiram da busca. As informa\u00e7\u00f5es que receberam eram passadas anonimamente por pessoas que moravam na regi\u00e3o.<br \/>\nA pol\u00edcia peruana passou a investigar o caso como crime, n\u00e3o mais somente como desaparecimento, ap\u00f3s insist\u00eancia dos pais do brasileiro.<br \/>\nUma das suspeitas na \u00e9poca, com base em informa\u00e7\u00f5es colhidas pelos pais do jovem, era de que o dono do bar em que ele trabalhava antes de desaparecer poderia ter envolvimento com o caso.<br \/>\nUma testemunha relatou ter ouvido gritos de Artur sendo agredido e pedindo para n\u00e3o apanhar em uma resid\u00eancia que pertencia ao dono do bar. No local foram encontradas marcas de sangue. No entanto, segundo a investiga\u00e7\u00e3o policial, uma an\u00e1lise apontou que o sangue n\u00e3o era do jovem.<br \/>\nNa \u00e9poca, apesar de apontarem alguns suspeitos, ningu\u00e9m foi preso porque as autoridades alegavam que n\u00e3o havia sequer a comprova\u00e7\u00e3o de que Artur havia sido morto.<br \/>\nPara os pais do jovem, muitas provas foram destru\u00eddas ou desprezadas durante as investiga\u00e7\u00f5es e isso prejudicou o esclarecimento do caso. Segundo a fam\u00edlia, por se tratar de uma regi\u00e3o de tr\u00e1fico intenso, as autoridades tiveram receio em apurar o desaparecimento a fundo.<br \/>\nSusana retornou ao Peru uma vez ap\u00f3s a primeira ida ao pa\u00eds, enquanto Wanderlan voltou outras vezes, sendo a \u00faltima delas em 2016, para investigar o sumi\u00e7o do filho.<br \/>\nPara o pai de Artur, o filho pode ter sido escravizado e ainda pode estar vivo. &#8220;Em uma das minhas viagens ao Peru, uma testemunha me disse que viu o Artur em um local de tratamento por meio de ervas da Amaz\u00f4nia. Isso foi um tempo depois do desaparecimento dele. Ele estaria escravizado l\u00e1, em um pequeno c\u00f4modo dentro da selva.&#8221;<br \/>\nSegundo o pai do jovem, naquela \u00e9poca Artur estaria sendo obrigado a trabalhar como tradutor, porque sabia ingl\u00eas e espanhol. Essa informa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, nunca foi confirmada.<br \/>\n&#8220;Foi a \u00faltima informa\u00e7\u00e3o que considerei confi\u00e1vel (sobre a possibilidade de ele estar escravizado). Desde ent\u00e3o, n\u00e3o recebi mais nenhuma informa\u00e7\u00e3o que considero confi\u00e1vel sobre o meu filho, s\u00f3 boatos&#8221;, diz Wanderlan.<br \/>\nDez anos sem respostas<br \/>\nUma d\u00e9cada depois, enquanto vive com a certeza de que o filho morreu, Susana ainda espera descobrir o que ocorreu com ele. Uma das possibilidades que ela acredita \u00e9 de que, com o passar dos anos, alguma testemunha ou at\u00e9 mesmo pessoa que possa estar envolvida no desaparecimento a procure e d\u00ea detalhes que possam levar ao desfecho do caso.<br \/>\nCaso o filho realmente tenha sido assassinado, ela diz que j\u00e1 perdoou a pessoa respons\u00e1vel pelo crime.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 uns cinco anos, eu estava muito mal com tudo isso e fiz um prop\u00f3sito de perdoar. Eu entrava no banho e ficava pedindo que Deus aliviasse esse peso. N\u00e3o queria mais que a pessoa fosse presa, n\u00e3o queria que nenhum mal acontecesse a essa pessoa e isso deu leveza \u00e0 minha vida&#8221;, conta a arquiteta.<br \/>\n&#8220;Mais cedo ou mais tarde, acredito que essa pessoa vai ter o retorno sobre isso que fez. O que interessa \u00e9 o meu filho, que eu acredito que morreu, n\u00e3o me interessa mais essa situa\u00e7\u00e3o (de puni\u00e7\u00e3o a quem possa ter cometido um crime contra o jovem)&#8221;, acrescenta a arquiteta.<br \/>\nJ\u00e1 Wanderlan acredita que um dia conseguir\u00e1 recursos financeiros para voltar ao Peru e buscar novamente por respostas sobre o filho. &#8220;N\u00e3o acredito que vou obter novas informa\u00e7\u00f5es assim, do nada. Mas acredito que um dia conseguirei reabrir a investiga\u00e7\u00e3o extraoficialmente.&#8221;<br \/>\n&#8220;Enquanto eu estiver vivo, vou trabalhar para desvendar esse mist\u00e9rio para saber o que realmente aconteceu&#8221;, acrescenta.<br \/>\nEm nota \u00e0 BBC News Brasil, o Itamaraty n\u00e3o detalha sobre o caso de Artur, pois afirma que n\u00e3o fornece dados detalhados sobre &#8220;casos individuais de assist\u00eancia consular a cidad\u00e3os brasileiros.&#8221;<br \/>\n&#8220;Tais informa\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ser repassadas somente mediante autoriza\u00e7\u00e3o dos envolvidos ou de seus familiares diretos&#8221;, diz o comunicado do Itamaraty \u00e0 reportagem.<br \/>\nEm 2020, o Itamaraty informou \u00e0 BBC News Brasil que a investiga\u00e7\u00e3o sobre o caso estava suspensa desde 2017. Os familiares de Artur confirmaram \u00e0 reportagem que desde ent\u00e3o n\u00e3o houve mais nenhum tipo de apura\u00e7\u00e3o sobre o desaparecimento.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-64167755<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlia de Artur Paschoali, que desapareceu aos 19 anos, lamenta falta de respostas sobre o que aconteceu com ele. Investiga\u00e7\u00e3o no Peru foi arquivada. H\u00e1 uma d\u00e9cada, a fam\u00edlia de Artur Paschoali convive com a saudade e a incerteza sobre o que aconteceu com ele. 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