{"id":32935,"date":"2023-01-12T08:11:44","date_gmt":"2023-01-12T08:11:44","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/12\/vilarejo-na-alemanha-vira-simbolo-global-da-luta-pelo-clima\/"},"modified":"2023-01-12T08:11:44","modified_gmt":"2023-01-12T08:11:44","slug":"vilarejo-na-alemanha-vira-simbolo-global-da-luta-pelo-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/12\/vilarejo-na-alemanha-vira-simbolo-global-da-luta-pelo-clima\/","title":{"rendered":"Vilarejo na Alemanha vira s\u00edmbolo global da luta pelo clima"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/aqzDvXgzGVHcB3kNQI1U2TRiMSE=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/S\/F\/i542jLQVyQtQLxI9qb7A\/64348536-1006.jpg\"><br \/>   Pol\u00edcia inicia evacua\u00e7\u00e3o de L\u00fctzerath, no oeste da Alemanha, para expandir enorme mina de carv\u00e3o. Com centenas de manifestantes acampados ali desde 2020, vilarejo virou basti\u00e3o da resist\u00eancia contra combust\u00edveis f\u00f3sseis. Barreira policial em L\u00fctzerath na quarta-feira: ativistas protestam contra destrui\u00e7\u00e3o do vilarejo para expans\u00e3o de mina de carv\u00e3o<br \/>\nThilo Schmuelgen\/REUTERS<br \/>\nA pol\u00edcia alem\u00e3 iniciou na quarta-feira (11\/01) a retirada de manifestantes acampados no vilarejo de L\u00fctzerath, numa regi\u00e3o rural no oeste da Alemanha. A localidade se tornou um \u00edm\u00e3 de ativistas do clima e s\u00edmbolo da luta por um futuro menos poluente.<br \/>\nA gigante de energia RWE tem a inten\u00e7\u00e3o de destruir L\u00fctzerath para extrair linhito localizado embaixo do vilarejo. As atividades de minera\u00e7\u00e3o dever\u00e3o ser retomadas nos pr\u00f3ximos meses para atender \u00e0 demanda energ\u00e9tica ligada \u00e0 crise de abastecimento que atingiu a Alemanha ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia.<br \/>\nEstima-se que a evacua\u00e7\u00e3o do vilarejo dure dias ou at\u00e9 semanas.<br \/>\nMobiliza\u00e7\u00e3o desde 2020<br \/>\nNo \u00faltimo fim de semana, a DW acompanhou uma passeata de milhares de manifestantes em L\u00fctzerath, que segundo a pol\u00edcia reuniu 2 mil pessoas, enquanto a reportagem estimou entre 5 mil e 7 mil participantes.<br \/>\nL\u00fctzerath est\u00e1 ocupada por cerca de mil manifestantes desde 2020, quando surgiram planos para demolir o vilarejo e desenterrar o linhito debaixo dele. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de 300 cidades na Alemanha foram demolidas para a minera\u00e7\u00e3o de linhito, levando ao reassentamento de mais de 120 mil pessoas.<br \/>\nNos \u00faltimos anos, al\u00e9m dos ativistas apenas um fazendeiro e alguns inquilinos ainda viviam em L\u00fctzerath. Eckart Heukamp, o fazendeiro, vendeu sua parcela \u00e0 RWE e deixou a localidade h\u00e1 algumas semanas.<br \/>\nUma visita ao vilarejo revela pouco mais do que uma estrada principal e uma d\u00fazia de antigas casas rurais de tijolos, cobertas por picha\u00e7\u00f5es de protesto.<br \/>\nEspalhadas entre as \u00e1rvores altas, pequenas casas constru\u00eddas \u00e0 m\u00e3o pelos ativistas em plataformas elevadas de madeira pairam sobre os visitantes em todas as dire\u00e7\u00f5es. Fora de vista, a 200 metros de dist\u00e2ncia, est\u00e1 Garzweiler 2, a mina de carv\u00e3o a c\u00e9u aberto mais controversa da Europa.<br \/>\nH\u00e1 dois anos, manifestantes protestam contra a destrui\u00e7\u00e3o de L\u00fctzerath, onde constru\u00edram casas nas \u00e1rvores para viver<br \/>\nWolfgang Rattay\/REUTERS<br \/>\nA mina se assemelha a uma paisagem lunar surreal. H\u00e1 d\u00e9cadas, escavadeiras gigantescas extraem carv\u00e3o numa \u00e1rea de 80 quil\u00f4metros quadrados. Mais de 20 vilarejos da regi\u00e3o foram destru\u00eddos para dar lugar \u00e0 minera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o deve aumentar no curto prazo<br \/>\nMas n\u00e3o se trata apenas de salvar a cidade, afirmam as pessoas que se op\u00f5em \u00e0 demoli\u00e7\u00e3o. Trata-se de manter o carv\u00e3o no solo. Globalmente, o carv\u00e3o ainda \u00e9 a maior fonte de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, bem como a maior fonte de di\u00f3xido de carbono. Em 2021, cerca de 30% da eletricidade da Alemanha foi gerada pela queima de carv\u00e3o.<br \/>\nA Alemanha pretende se tornar neutra em carbono at\u00e9 2045. Em 2020, o pa\u00eds anunciou que pararia de queimar esse vil\u00e3o do clima, gradualmente desativando suas usinas movidas a carv\u00e3o at\u00e9 2038.<br \/>\nMas as tentativas de salvar L\u00fctzerath ficaram mais complicadas depois da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia e a consequente crise de abastecimento de energia na Europa.<br \/>\nPrivada do g\u00e1s natural russo, a Alemanha se esfor\u00e7ou para garantir um fornecimento alternativo de energia. Isso incluiu voltar de mansinho \u00e0 velha ind\u00fastria local de carv\u00e3o. Em 2022, o governo decidiu resgatar cerca de uma d\u00fazia de usinas e estender a vida \u00fatil de v\u00e1rias outras que deveriam ser fechadas.<br \/>\nPara compensar o aumento inesperado na produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o, o governo fechou um acordo com a empresa de energia RWE em outubro passado para antecipar em oito anos \u2013 ou seja, at\u00e9 2030 \u2013 o prazo de elimina\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o como fonte de energia no estado da Ren\u00e2nia do Norte-Vestf\u00e1lia, onde L\u00fctzerath est\u00e1 localizado.<br \/>\n&#8220;Temos que reativar usinas no curto prazo e precisamos de mais carv\u00e3o&#8221;, disse em novembro Markus Krebber, CEO da RWE. Ele respondia a uma pergunta da revista alem\u00e3 Der Spiegel sobre os planos de sua empresa para esvaziar L\u00fctzerath. &#8220;Dito isso, vamos elimin\u00e1-lo [como fonte de energia] duas vezes mais r\u00e1pido do que o planejado.&#8221;<br \/>\nCom o acordo, cinco vilarejos que teriam sido destru\u00eddos para permitir a expans\u00e3o de Garzweiler puderam ser preservados. Mas L\u00fctzerath n\u00e3o est\u00e1 entre eles.<br \/>\nUltrapassando as metas de emiss\u00e3o<br \/>\nOs manifestantes argumentam que a elimina\u00e7\u00e3o antecipada n\u00e3o importa: queimar o carv\u00e3o abaixo de L\u00fctzerath far\u00e1 com que a Alemanha ultrapasse suas metas de emiss\u00f5es de CO2, uma premissa sustentada pelo Instituto Alem\u00e3o de Pesquisa Econ\u00f4mica (DIW).<br \/>\nNum estudo publicado em 2021, o \u00f3rg\u00e3o destacou a necessidade de reduzir a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o se o pa\u00eds quiser manter os compromissos firmados no Acordo de Paris para manter a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura global em, no m\u00e1ximo, 1,5 \u00baC.<br \/>\nUma pessoa se senta em uma cadeira ao lado da mina a c\u00e9u aberto Garzweiler, na vila Luetzerath, Alemanha, ter\u00e7a-feira, 10 de janeiro de 2023<br \/>\nAP Photo\/Michael Probst<br \/>\nAl\u00e9m disso, cr\u00edticos do acordo dizem que o carv\u00e3o de L\u00fctzerath n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para atender \u00e0 demanda energ\u00e9tica da Alemanha. &#8220;Nosso estudo mostra claramente que L\u00fctzerath n\u00e3o precisa ser destru\u00eddo&#8221;, explica Claudia Kemfert, diretora do departamento de energia, transportes e meio ambiente do DIW. &#8220;H\u00e1 carv\u00e3o suficiente nas \u00e1reas j\u00e1 existentes [de extra\u00e7\u00e3o].&#8221;<br \/>\nNo entanto, os argumentos e protestos dos manifestantes n\u00e3o convenceram os tribunais nem os pol\u00edticos. Em dezembro de 2022, foi anunciado que os ativistas seriam retirados de L\u00fctzerath em janeiro e que a demoli\u00e7\u00e3o do vilarejo seria iniciada.<br \/>\nSegundo Kemfert, deveria ter havido um di\u00e1logo mais transparente com os envolvidos no processo de decis\u00e3o de n\u00e3o poupar o vilarejo. Ela pede que o governo alem\u00e3o institua uma morat\u00f3ria imediata para o carv\u00e3o e inicie novas negocia\u00e7\u00f5es envolvendo &#8220;manifestantes, o com\u00e9rcio, a economia local e a sociedade civil&#8221;.<br \/>\nO movimento pelo clima fez de L\u00fctzerath um s\u00edmbolo da luta global contra os combust\u00edveis f\u00f3sseis.<br \/>\n&#8220;O mundo est\u00e1 olhando para c\u00e1 porque tamb\u00e9m estamos lutando por eles. Usamos nossos privil\u00e9gios, assumimos nossas responsabilidades aqui&#8221;, diz a ativista Luisa Neubauer, do Fridays For Future, num ato no vilarejo. &#8220;Se quisermos limitar essa crise, a destrui\u00e7\u00e3o precisa acabar.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pol\u00edcia inicia evacua\u00e7\u00e3o de L\u00fctzerath, no oeste da Alemanha, para expandir enorme mina de carv\u00e3o. Com centenas de manifestantes acampados ali desde 2020, vilarejo virou basti\u00e3o da resist\u00eancia contra combust\u00edveis f\u00f3sseis. 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