{"id":32334,"date":"2023-01-10T05:10:50","date_gmt":"2023-01-10T05:10:50","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/10\/a-incrivel-historia-de-ana-montes-a-rainha-de-cuba-que-passava-informacoes-secretas-dos-eua-a-havana\/"},"modified":"2023-01-10T05:10:50","modified_gmt":"2023-01-10T05:10:50","slug":"a-incrivel-historia-de-ana-montes-a-rainha-de-cuba-que-passava-informacoes-secretas-dos-eua-a-havana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/10\/a-incrivel-historia-de-ana-montes-a-rainha-de-cuba-que-passava-informacoes-secretas-dos-eua-a-havana\/","title":{"rendered":"A incr\u00edvel hist\u00f3ria de Ana Montes, a &#8220;rainha de Cuba&#8221; que passava informa\u00e7\u00f5es secretas dos EUA a Havana"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/aQPuxJoxohQJ-k4fRy1MSjiqx38=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/X\/q\/e1hoDwQnWklRiqUAlFkw\/sem-titulo.png\"><br \/>   Espi\u00e3 se infiltrou no governo americano e chegou a ser a principal analista do Pent\u00e1gono para assuntos militares e pol\u00edticos de Cuba. Ana Montes foi detida em setembro de 2002<br \/>\nFBI<br \/>\n&#8220;A Rainha de Cuba&#8221; foi a express\u00e3o usada por membros da comunidade de intelig\u00eancia dos Estados Unidos para se referir a Ana Montes. Na pr\u00e1tica, o mesmo apelido poderia ter sido atribu\u00eddo a ele pelos servi\u00e7os secretos de Havana.<br \/>\nMontes tornou-se a principal analista dedicada a quest\u00f5es pol\u00edticas e militares da ilha dentro da Ag\u00eancia de Intelig\u00eancia de Defesa dos Estados Unidos (DIA, na sigla em ingl\u00eas), onde desenvolveu uma carreira de sucesso entre 1985 e 2001.<br \/>\nNesse per\u00edodo, Montes ganhou v\u00e1rias promo\u00e7\u00f5es, bem como dez pr\u00eamios especiais por seu trabalho, incluindo um Certificado de Distin\u00e7\u00e3o de Intelig\u00eancia Nacional (o terceiro maior pr\u00eamio na \u00e1rea)  concedido a ela em 1997 pelo ent\u00e3o diretor da CIA, George Tenet.<br \/>\nNo entanto, o lugar onde realmente deveriam ser gratos pelos servi\u00e7os \u200b\u200bde Montes era a Cuba de Fidel Castro, para a qual ela trabalhou como espi\u00e3 durante seus anos a servi\u00e7o do DIA, dando a Havana acesso a informa\u00e7\u00f5es altamente confidenciais.<br \/>\n&#8220;No primeiro dia em que entrou na Ag\u00eancia de Intelig\u00eancia de Defesa, Montes j\u00e1 era uma agente recrutada em tempo integral pelo Servi\u00e7o de Intelig\u00eancia cubano. Todos os dias ela ia trabalhar, seu objetivo era memorizar as tr\u00eas coisas mais importantes que ela achava que os cubanos precisavam saber para se proteger dos Estados Unidos&#8221;, diz \u00e0 BBC Mundo (servi\u00e7o em espanhol da BBC) Peter Lapp, um dos dois agentes do FBI encarregados da investiga\u00e7\u00e3o realizada contra Montes, que levou \u00e0 sua captura em 2001 e posterior condena\u00e7\u00e3o a 25 anos de pris\u00e3o por espionagem.<br \/>\n&#8220;Ela est\u00e1 entre os espi\u00f5es mais importantes que o governo dos Estados Unidos prendeu desde a Segunda Guerra Mundial e \u00e9 uma das que causaram mais danos na hist\u00f3ria moderna deste pa\u00eds&#8221;, acrescenta Lapp, que tamb\u00e9m foi encarregado de entrevistar Montes durante os sete meses que se seguiram \u00e0 sua pris\u00e3o para entender o alcance de seu trabalho para Havana.<br \/>\nComo resultado dessa experi\u00eancia e com as investiga\u00e7\u00f5es posteriores, Lapp escreveu o livro &#8220;A Rainha de Cuba&#8221;, cuja publica\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista para outubro deste ano, poucos meses ap\u00f3s a sa\u00edda de Montes da pris\u00e3o sob liberdade condicional, prevista para estes primeiros dias de janeiro de 2023.<br \/>\nMas quem \u00e9 Ana Montes e como ela conseguiu espionar o governo dos Estados Unidos por tantos anos sem ser descoberta?<br \/>\nDe aluna exemplar a espi\u00e3<br \/>\nFilha de pais porto-riquenhos, Ana nasceu em 1957 em uma base militar americana na Alemanha, onde seu pai trabalhava como m\u00e9dico. A fam\u00edlia ent\u00e3o se mudou para Kansas, Iowa e, eventualmente, Maryland, onde Ana terminou o ensino m\u00e9dio com nota m\u00e1xima.<br \/>\nEm 1997, Ana Montes recebeu um reconhecimento do ent\u00e3o diretor da CIA George Tenet.<br \/>\nDEPARTAMENTO DE DEFESA DOS EUA<br \/>\nEnquanto cursava Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade da Virg\u00ednia, fez uma viagem de estudos \u00e0 Espanha em 1977, onde conheceu um estudante de esquerda argentino que supostamente &#8220;abriu seus olhos&#8221; para o apoio dado pelo governo dos Estados Unidos aos regimes autorit\u00e1rios da \u00e9poca, segundo disse Ana Col\u00f3n, ex-colega de classe, ao jornal &#8220;The Washington Post&#8221; em 2013.<br \/>\n&#8220;Depois de cada protesto, Ana me explicava as &#8216;atrocidades&#8217; que o governo dos Estados Unidos cometia contra outros pa\u00edses&#8221;, conta Col\u00f3n.<br \/>\nDepois de obter seu diploma de bacharel, Montes mudou-se para Porto Rico, onde n\u00e3o conseguiu encontrar trabalho. Logo depois acabou aceitando uma oferta de emprego no Departamento de Justi\u00e7a em Washington.<br \/>\nEnquanto trabalhava l\u00e1, ela decidiu fazer um mestrado na Escola de Estudos Internacionais Avan\u00e7ados da Universidade Johns Hopkins, onde a espionagem cubana descobriu seu potencial e decidiu recrut\u00e1-la.<br \/>\nMontes estudou na prestigiosa Universidade Johns Hopkins, visitada frequentemente por autoridades como o ex-secret\u00e1rio geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen.<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\n&#8220;Ela foi descoberta e avaliada por uma colega chamada Marta Rita Vel\u00e1zquez, tamb\u00e9m porto-riquenha. Ana expressou abertamente sua raiva e insatisfa\u00e7\u00e3o com a pol\u00edtica dos EUA na Nicar\u00e1gua e em El Salvador. Marta ficou amiga dela e foi assim que ela tamb\u00e9m soube que ela trabalhava na Departamento de Justi\u00e7a e que tinha acesso a informa\u00e7\u00f5es classificadas. Ent\u00e3o, alguns meses depois, ela a apresentou a um diplomata que trabalhava na miss\u00e3o cubana na ONU&#8221;, diz Lapp.<br \/>\nFoi assim que Montes acabou sendo recrutada como espi\u00e3 cubana.<br \/>\nDinheiro e ideologia<br \/>\nMontes concordou em trabalhar para os cubanos, embora tenha dito aos investigadores que nunca havia pensado nessa possibilidade antes.<br \/>\nE, embora fosse um trabalho arriscado e em tempo integral, ela n\u00e3o cobrava por isso.<br \/>\n&#8220;Ela n\u00e3o recebeu nenhum pagamento, o que leva as pessoas a pensar que ela era uma espi\u00e3 por motivos ideol\u00f3gicos. Na verdade, ela nos disse que ficaria ofendida se os cubanos lhe dessem dinheiro para espionar&#8221;, diz Lapp.<br \/>\nDe fato, uma vez descoberta e detida, Montes assegurou que agiu motivada pela necessidade de justi\u00e7a, tentando ajudar os cubanos a se protegerem das pol\u00edticas dos Estados Unidos.<br \/>\n&#8220;Acredito que a pol\u00edtica de nosso governo em rela\u00e7\u00e3o a Cuba \u00e9 cruel, injusta e profundamente hostil. E me senti moralmente obrigada a ajudar a ilha a se defender de nossos esfor\u00e7os para impor nossos valores e nosso sistema pol\u00edtico&#8221;, disse Montes quando chegou sua vez de comparecer \u00e0 Justi\u00e7a, em outubro de 2002.<br \/>\nUm relat\u00f3rio da CIA, citado pelo &#8220;The Washington Post&#8221;, considera que os agentes cubanos a manipularam, apelando a seu narcisismo e fazendo-a acreditar que Havana precisava urgentemente da sua ajuda.<br \/>\n&#8220;Seus manipuladores, com sua ajuda involunt\u00e1ria, avaliaram suas vulnerabilidades e exploraram suas necessidades psicol\u00f3gicas, ideologia e patologia de personalidade para recrut\u00e1-la e mant\u00ea-la motivada a trabalhar para Havana&#8221;, disse a CIA.<br \/>\nAo contr\u00e1rio de outros, Lapp n\u00e3o acredita que Montes tenha agido motivada por uma ideologia de esquerda, mas sim por uma profunda rejei\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio pa\u00eds.<br \/>\nUma das motiva\u00e7\u00f5es de Montes para espiar para Cuba era seu recha\u00e7o \u00e0s pol\u00edticas de Ronald Reagan na Am\u00e9rica Central.<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\n&#8220;Acho que ela era mais antiamericana, que estava muito chateada com o que o governo dos Estados Unidos estava fazendo em El Salvador e na Nicar\u00e1gua na \u00e9poca, e com sua pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a Cuba. N\u00e3o concordo com quem diz que ela era uma espi\u00e3 motivada por ideologia. Ela era idealista, mas era mais antiamericana do que pr\u00f3-cubana&#8221;, diz.<br \/>\n&#8220;Ela estava com muita raiva de Ronald Reagan e do que est\u00e1vamos fazendo. E ela realmente odiava nosso pa\u00eds. At\u00e9 hoje acho que ela ainda odeia nosso pa\u00eds. Tecnicamente ela \u00e9 americana, mas se considera uma cidad\u00e3 do mundo, ela \u00e9 mais uma antiamericana do que algu\u00e9m que acredita no sistema cubano, no socialismo e no marxismo&#8221;, acrescenta.<br \/>\nSucesso em Washington e Havana<br \/>\nEm 1985, Montes fez a primeira de v\u00e1rias viagens a Havana. Ele ent\u00e3o realizaria outras, algumas pagas pelo pr\u00f3prio governo dos Estados Unidos, durante as quais seus encontros diurnos com funcion\u00e1rios da Se\u00e7\u00e3o de Interesses dos Estados Unidos na ilha eram seguidos por encontros noturnos com seus chefes cubanos.<br \/>\nEm suas viagens a Cuba, Montes se reunia com funcion\u00e1rios da Se\u00e7\u00e3o de Interesses dos EUA em Havana durante o dia e com seus chefes cubanos \u00e0 noite.<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nForam os cubanos que aparentemente a incentivaram a se candidatar ao DIA e que mais se beneficiariam com sua carreira ascendente como analista, na qual acabaria apresentando seus relat\u00f3rios a membros do Estado-Maior Conjunto e do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional dos Estados Unidos. E, de fato, pouco antes de sua pris\u00e3o, ela estava prestes a ser promovida a um cargo no Conselho de Intelig\u00eancia Nacional, \u00f3rg\u00e3o que assessora a diretoria da CIA.<br \/>\nLapp destaca que Montes era uma analista muito boa, o que na pr\u00e1tica acabou favorecendo sua carreira em Washington e suas contribui\u00e7\u00f5es com Havana.<br \/>\n&#8220;Se ela tivesse simplesmente sentado em sua mesa e deixado as horas passarem, ela n\u00e3o teria se tornado a &#8216;rainha de Cuba&#8217;. Ela era uma analista muito boa e quanto melhor fazia seu trabalho, mais portas se abriam para ela e mais acesso ela conseguiu. Portanto, se ela fosse competente em seu trabalho diurno, mais informa\u00e7\u00f5es poderia obter para seu trabalho noturno&#8221;, diz ele.<br \/>\nEspionagem cl\u00e1ssica<br \/>\nPara evitar ser descoberta, Montes usou uma das ferramentas de espionagem mais seguras: sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria. Passava horas sentada em sua escrivaninha para ler e memorizar as informa\u00e7\u00f5es sigilosas que considerava interessantes para Havana, que depois transcreveria \u00e0 noite em um laptop Toshiba em casa e que, por fim, copiaria em disquetes que entregaria aos seus contatos cubanos. Dessa forma, nunca teve que levar nenhum documento do escrit\u00f3rio.<br \/>\nPara decifrar mensagens enviadas por seus contados cubanos, Montes usava um papel sol\u00favel em \u00e1gua.<br \/>\nFBI<br \/>\n\u00c0s ter\u00e7as, quintas e s\u00e1bados, Montes usava um r\u00e1dio de ondas curtas para ouvir uma das chamadas &#8220;esta\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas&#8221;, uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio em que \u00e0s 21h e 22h uma voz dizia coisas como: &#8220;Aten\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o: tr\u00eas, um, quatro , cinco\u2026&#8221;. Esses n\u00fameros tinham que ser decifrados por meio de uma folha de c\u00f3digo que os cubanos lhe entregaram. O procedimento era feito em um papel sol\u00favel em \u00e1gua. Em caso de emerg\u00eancia, bastava jog\u00e1-lo no vaso sanit\u00e1rio para faz\u00ea-lo desaparecer como evid\u00eancia.<br \/>\nFoi assim que ela recebeu suas instru\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNo entanto, ao entregar as informa\u00e7\u00f5es coletadas, costumava almo\u00e7ar com seu contato cubano em plena luz do dia.<br \/>\n&#8220;Ela simplesmente ia almo\u00e7ar com eles e entregava o disquete. Simples assim. Sem esconderijos secretos, sem brush passes [breves contatos f\u00edsicos para troca de objetos], sem t\u00e9cnicas sofisticadas de espionagem, era apenas um homem e uma mulher hisp\u00e2nicos tendo um longo almo\u00e7o em um restaurante chin\u00eas em uma tarde de domingo&#8221;, diz Lapp.<br \/>\nPara casos urgentes, Montes poderia fazer liga\u00e7\u00f5es de cabines telef\u00f4nicas p\u00fablicas para pagers de seus contatos cubanos. Ele tinha um c\u00f3digo para alert\u00e1-los de que estava em perigo e outro para alert\u00e1-los de que precisava v\u00ea-los.<br \/>\nIntelig\u00eancia comprometida<br \/>\nNa opini\u00e3o de Lapp, as atividades de espionagem de Montes causaram grandes danos \u00e0 intelig\u00eancia dos EUA.<br \/>\n&#8220;Cada um dos indiv\u00edduos que ela conheceu e que trabalhavam para o governo dos Estados Unidos, independentemente de o fazerem abertamente ou secretamente, foram identificados por ela antes de Havana, e com isso os cubanos conheciam todos os que trabalhavam na ilha para o governo dos EUA&#8221;, diz.<br \/>\n&#8220;Ela comprometeu grandes quantidades de informa\u00e7\u00f5es classificadas que encontramos em seu computador. Ela tamb\u00e9m identificou quatro agentes de intelig\u00eancia dos Estados Unidos que foram trabalhar em Cuba secretamente como parte de outras ag\u00eancias e sob outros nomes&#8221;, acrescenta.<br \/>\nNo entanto, Lapp considera que provavelmente o maior dano causado foi a transfer\u00eancia para Cuba de informa\u00e7\u00f5es sobre um programa de sat\u00e9lite altamente sens\u00edvel que pertencia ao Escrit\u00f3rio Nacional de Reconhecimento e que era t\u00e3o secreto que n\u00e3o foi incorporado \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o contra Montes perante os tribunais para impedir que fosse conhecido publicamente.<br \/>\nO ex-agente do FBI tamb\u00e9m acredita ser poss\u00edvel que Montes tenha participado do assassinato de um Boina Verde (agente das For\u00e7as Especiais das For\u00e7as Armadas dos Estados Unidos) ocorrido em El Salvador.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o podemos provar, mas acredito fortemente que ela provavelmente informou aos cubanos sobre quem ele era, onde estava, o que estava fazendo e qual era sua miss\u00e3o. Eu sei o que ela nos disse sobre essa hip\u00f3tese e ela realmente n\u00e3o se importava se ele morreu ou n\u00e3o como resultado disso&#8221;, diz Lapp.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o posso provar, mas acho que ela tem sangue nas m\u00e3os&#8221;, acrescenta.<br \/>\nOutro epis\u00f3dio pol\u00eamico em que Montes participou ocorreu quando avi\u00f5es de guerra cubanos abateram em fevereiro de 1996 dois avi\u00f5es pertencentes \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o Hermanos al Rescate, que se dedicava a ajudar os cubanos a escapar em jangadas da ilha, causando a morte de quatro pessoas.<br \/>\nNaquela \u00e9poca, Montes participava da equipe de resposta do governo dos Estados Unidos a essa crise e, ao mesmo tempo, era muito ativa na colabora\u00e7\u00e3o com o governo cubano.<br \/>\n&#8220;Na noite seguinte, depois que ela voltou do Pent\u00e1gono, ela se encontrou com os cubanos e contou a eles como est\u00e1vamos reagindo. E ela se encontrou com eles todas as noites, depois que mataram quatro cidad\u00e3os americanos. Ent\u00e3o, n\u00e3o estou dizendo que ela puxou o gatilho e quatro americanos foram mortos, mas ela se sentou com as pessoas que fizeram isso &#8211; com o governo e os servi\u00e7os de intelig\u00eancia que ajudaram a fazer isso acontecer &#8211; e cooperou com eles, deixando-os saber como os EUA iriam reagir. Isso \u00e9 horrendo&#8221;, diz Lapp.<br \/>\nParadoxalmente, pouco antes de ser presa, Montes estava a caminho de se colocar em uma posi\u00e7\u00e3o em que poderia ter causado muitos danos aos Estados Unidos, j\u00e1 que teria acesso aos planos militares americanos para a guerra no Afeganist\u00e3o. Algo que, segundo os analistas, forneceria ao governo cubano informa\u00e7\u00f5es muito valiosas que poderiam ser repassadas ao Talib\u00e3 ou ao governo afeg\u00e3o.<br \/>\nO que impediu que isso acontecesse foi que naquela \u00e9poca as investiga\u00e7\u00f5es contra Montes j\u00e1 duravam 11 meses e, ap\u00f3s os atentados de 11 de Setembro, decidiu-se acelerar sua pris\u00e3o para evitar maiores riscos.<br \/>\nUma vez detida, em 21 de setembro de 2001, Montes negociou um acordo com as autoridades dos Estados Unidos no qual cooperaria plenamente com os investigadores sob a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o receber uma senten\u00e7a superior a 25 anos de pris\u00e3o.<br \/>\nEssa colabora\u00e7\u00e3o plena resultou em interrogat\u00f3rios aos quais Montes se submeteu duas ou tr\u00eas vezes por semana durante sete meses para fornecer ao FBI todos os detalhes necess\u00e1rios.<br \/>\nLapp acredita que isso pode ter influenciado o fato de Havana aparentemente n\u00e3o ter demonstrado muito interesse em sua liberta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Eu especulo que eles n\u00e3o est\u00e3o muito entusiasmados com o fato de ela se declarar culpada ao governo dos Estados Unidos e depois se sentar para um interrogat\u00f3rio completo. Tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que ela causou muitos danos aos cubanos quando falou. Eu me pergunto se os cubanos est\u00e3o um pouco bravos com ela&#8221;, diz ele.<br \/>\nSe assim for, Ana Montes n\u00e3o seria mais considerada &#8220;a rainha de Cuba&#8221; nem em Washington nem em Havana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espi\u00e3 se infiltrou no governo americano e chegou a ser a principal analista do Pent\u00e1gono para assuntos militares e pol\u00edticos de Cuba. Ana Montes foi detida em setembro de 2002 FBI &#8220;A Rainha de Cuba&#8221; foi a express\u00e3o usada por membros da comunidade de intelig\u00eancia dos Estados Unidos para se referir a Ana Montes. 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