{"id":32053,"date":"2023-01-08T17:10:19","date_gmt":"2023-01-08T17:10:19","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/08\/como-um-encontro-por-acaso-levou-a-decodificacao-dos-hieroglifos-egipcios\/"},"modified":"2023-01-08T17:10:19","modified_gmt":"2023-01-08T17:10:19","slug":"como-um-encontro-por-acaso-levou-a-decodificacao-dos-hieroglifos-egipcios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/08\/como-um-encontro-por-acaso-levou-a-decodificacao-dos-hieroglifos-egipcios\/","title":{"rendered":"Como um encontro por acaso levou \u00e0 decodifica\u00e7\u00e3o dos hier\u00f3glifos eg\u00edpcios"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/3wDqVMC8JpyjHeWmNYbo62i-oJI=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/2\/Z\/cqPaPjSniGDLBnkNivMQ\/pedra-de-roseta.png\"><br \/>   Neste ano, ser\u00e1 comemorado o bicenten\u00e1rio da decodifica\u00e7\u00e3o dos hier\u00f3glifos eg\u00edpcios \u2014 mas esta hist\u00f3ria come\u00e7ou muito antes. Pedra de Roseta<br \/>\nGetty Images<br \/>\nEra 19 de julho de 1799 \u2014 no auge das Guerras Napole\u00f4nicas \u2014, e os franceses estavam fortificando um castelo na cidade costeira eg\u00edpcia de Rasheed, quando uma pedra com inscri\u00e7\u00f5es de grande significado arqueol\u00f3gico foi descoberta por acaso, enterrada na areia.<br \/>\nHavia tr\u00eas tipos diferentes de escrita gravadas nela, e uma delas era a antiga escrita eg\u00edpcia \u2014 os hier\u00f3glifos.<br \/>\nO cientista franc\u00eas Jean-Fran\u00e7ois Champollion (1790-1832) \u00e9 o homem mais aclamado por seus esfor\u00e7os em decifrar os segredos da antiga escrita, feito que ele anunciou em 1822.<br \/>\nMas a hist\u00f3ria realmente come\u00e7ou com a descoberta da pedra, gra\u00e7as \u00e0 intui\u00e7\u00e3o de um jovem oficial chamado Bouchard, que havia chegado com a campanha militar de Bonaparte ao Egito (1798-1801).<br \/>\nBouchard percebeu a import\u00e2ncia de sua descoberta, mas seu papel foi em grande parte esquecido por 200 anos.<br \/>\nOs cientistas de Bonaparte estavam interessados em pesquisa e documenta\u00e7\u00e3o<br \/>\nGetty Images<br \/>\nFran\u00e7a se lembra de Bouchard<br \/>\nAhmed Youssef, diretor do Centro de Estudos do Oriente M\u00e9dio em Paris, \u00e9 o autor do primeiro estudo hist\u00f3rico franc\u00eas sobre Pierre-Fran\u00e7ois Bouchard, que nasceu em Orgelet, no sudeste da Fran\u00e7a, em 1771.<br \/>\nEle disse \u00e0 BBC em fevereiro que a recente publica\u00e7\u00e3o &#8220;Capit\u00e3o Bouchard, o Desconhecido Descobridor da Pedra de Roseta&#8221;, foi um evento significativo tanto no Egito quanto na Fran\u00e7a, coincidindo com o bicenten\u00e1rio da descoberta de Champollion e da morte do pr\u00f3prio Bouchard.<br \/>\nBouchard foi lembrado neste ano por meio de uma palestra proferida pela prestigiada Universidade de Sorbonne e de um projeto para construir um monumento gigante em Orgelet \u2014 &#8220;um modelo da Pedra de Roseta, 20 vezes maior que a original, para receber as pessoas na cidade&#8221;.<br \/>\nHaver\u00e1 tamb\u00e9m um document\u00e1rio sobre Bouchard, em parceria com canais franceses, que ser\u00e1 exibido no final deste ano.<br \/>\nQuem foi Bouchard?<br \/>\nA hist\u00f3ria francesa n\u00e3o tem muito a dizer sobre Bouchard, al\u00e9m de algumas frases espalhadas por aqui e ali, em textos sobre a descoberta da Pedra de Roseta, antes de entrar em discuss\u00f5es detalhadas sobre o papel de Champollion.<br \/>\nYoussef observa que o jovem Bouchard, filho de um carpinteiro de uma zona rural austera, viveu uma vida de fome e pobreza.<br \/>\n&#8220;Mas ele n\u00e3o tinha medo do amanh\u00e3, suportando as dificuldades do presente para alcan\u00e7ar seus objetivos no futuro&#8221;, diz Youssef.<br \/>\nBouchard entrou para o Ex\u00e9rcito em 1793, quando tinha apenas 22 anos, e foi designado para Paris como sargento granadeiro.<br \/>\nEle veria muitos dos horrores da guerra na Europa, mas talvez n\u00e3o esperasse lutar no long\u00ednquo Oriente, nas terras que serviam de cen\u00e1rio para as hist\u00f3rias de As Mil e Uma Noites.<br \/>\nEm agosto de 1794, Bouchard ingressou na Segunda Divis\u00e3o de Bal\u00f5es e foi designado para a nova Escola Nacional de Dirig\u00edveis, a sudoeste de Paris. A amizade pr\u00f3xima com o famoso diretor da escola, Nicolas Jacques Cont\u00e9, levaria os dois ao Egito.<br \/>\nA Fran\u00e7a estava considerando o uso de dirig\u00edveis em opera\u00e7\u00f5es militares e, de acordo com Youssef, &#8220;Cont\u00e9 foi o respons\u00e1vel por formar um comit\u00ea de cientistas especializados, ao qual Bouchard foi incorporado&#8221;.<br \/>\nAmbos ficaram feridos durante um experimento cient\u00edfico, e Bouchard quase perdeu um olho, mas o destino &#8220;o salvou e o levou para o Egito&#8221;.<br \/>\nBouchard havia entrado na prestigiada Escola de Ci\u00eancias e Arte em 21 de novembro de 1796, dois anos antes de sua viagem ao Egito, e j\u00e1 havia recebido treinamento em t\u00e9cnicas de fortifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nYoussef afirma em seu estudo sobre Bouchard que &#8220;sua excel\u00eancia neste campo \u00e9 o que o tornou um pioneiro. Por meio das fortifica\u00e7\u00f5es, ele fez hist\u00f3ria no Egito, desde o dia em que assumiu a gest\u00e3o da fortifica\u00e7\u00e3o da Cidadela de Qaitbay, na cidade de Rasheed.&#8221;<br \/>\nA pedra foi levada inicialmente para a Academia Cient\u00edfica Eg\u00edpcia, no Cairo<br \/>\nGetty Images<br \/>\nGenerais e cientistas no Egito<br \/>\nA campanha militar de Bonaparte para ocupar o Egito em 1798 envolveu a maior for\u00e7a naval da hist\u00f3ria na \u00e9poca, mas ele tamb\u00e9m levou consigo 167 cientistas e artistas (entre eles, Bouchard e Cont\u00e9), incluindo alguns dos mais proeminentes estudiosos franceses do mundo da ci\u00eancia, da arte e da literatura. Ele estava seguindo os passos de seu \u00eddolo, Alexandre, o Grande, em busca de um imp\u00e9rio no Oriente.<br \/>\nO trabalho dos estudiosos de Bonaparte acabou apresentando o Egito pela primeira vez ao mundo de forma cient\u00edfica em uma enciclop\u00e9dia, chamada &#8220;Description de l&#8217;\u00c9gypte&#8221; (&#8220;Descri\u00e7\u00e3o do Egito&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre) \u2014 cuja primeira edi\u00e7\u00e3o foi conclu\u00edda tamb\u00e9m em 1822, assim como o livro &#8220;Voyages dans la basse et la haute Egypte pendant les campagnes de Bonaparte&#8221; (&#8220;Uma jornada pelo baixo e alto Egito durante as campanhas de Bonaparte&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), de Vivant Denon.<br \/>\nE, claro, a Pedra de Roseta.<br \/>\nBouchard foi escolhido como membro de uma comiss\u00e3o liderada por Cont\u00e9, e alguns meses depois embarcaria para um encontro hist\u00f3rico ao ser enviado para Roseta \u2014 ou Rasheed em \u00e1rabe.<br \/>\nA campanha militar de Bonaparte levou uma equipe de cientistas e artistas proeminentes para o Egito Pedra de Roseta<br \/>\nGetty Images<br \/>\nUma pedra na areia<br \/>\nEm junho de 1799, Bouchard foi designado para o Corpo de Engenheiros na cidade de Rasheed, sob o comando do general Menou, que se converteu ao islamismo e se casou com uma mulher chamada Zubaydah, filha de um dos nobres \u200b\u200bda cidade. Agora conhecido como Abdallah de Menou, o general recorreu \u00e0 riqueza da cidade para consolidar sua popularidade entre o povo, assim como sua autoridade no Ex\u00e9rcito.<br \/>\nNa noite de 19 de julho de 1799, Bouchard recebeu a miss\u00e3o de construir fortifica\u00e7\u00f5es defensivas na margem ocidental do Nilo, em Rasheed. Ele ordenou que seus homens removessem as ru\u00ednas das funda\u00e7\u00f5es de uma antiga fortaleza eg\u00edpcia, a Cidadela de Qaitbay, que remonta ao s\u00e9culo 15. Eles descobriram uma laje de pedra de granito preto, com cerca de um metro de altura, 73 cm de largura e 27 cm de espessura.<br \/>\nEsta laje de pedra chamou imediatamente a aten\u00e7\u00e3o de Bouchard, com seus tr\u00eas textos contrastantes. Provavelmente havia sido saqueada de um antigo monumento eg\u00edpcio para ser usada como material de constru\u00e7\u00e3o, e ele ordenou que fosse escavada com bastante cuidado. O superior de Bouchard, Lancre, escreveu \u00e0s pressas \u00e0 Academia Cient\u00edfica do Cairo informando-os da &#8220;preciosa&#8221; descoberta. Bouchard estava convencido de que havia colocado a m\u00e3o em um &#8220;tesouro inestim\u00e1vel&#8221;.<br \/>\n&#8220;O general Menou estava muito ocupado com as celebra\u00e7\u00f5es de seu casamento&#8221;, diz Youssef.<br \/>\n&#8220;E ficou surpreso quando Bouchard levou at\u00e9 ele, na noite de n\u00fapcias, uma pedra que seus homens haviam encontrado enquanto trabalhavam no castelo.&#8221;<br \/>\nMenou tomou tr\u00eas decis\u00f5es importantes: transferir a pedra para a Academia Cient\u00edfica Eg\u00edpcia, no Cairo; designar Bouchard para escoltar pessoalmente a pedra com seus soldados ao longo das margens do Nilo; e pedir a Bouchard, Lancre e outros que fizessem uma &#8220;impress\u00e3o&#8221; das inscri\u00e7\u00f5es na pedra.<br \/>\nBouchard descobriu a Pedra de Roseta enquanto trabalhava na fortifica\u00e7\u00e3o da Cidadela de Qaitbay, que remonta ao s\u00e9culo 15<br \/>\nGetty Images<br \/>\nEm seu estudo, intitulado &#8220;Champollion, uma vida de luz&#8221; (em tradu\u00e7\u00e3o livre), o historiador franc\u00eas Jean Lacouture diz que, em 19 de julho de 1799, &#8220;o cidad\u00e3o Michel Ang Lancre anunciou na Academia Cient\u00edfica Eg\u00edpcia a descoberta de textos em Rasheed que podem ser de grande significado&#8221;.<br \/>\n&#8220;Menos de dois meses ap\u00f3s este an\u00fancio, em 15 de setembro, a 37\u00aa edi\u00e7\u00e3o do jornal Corriere d&#8217;Egypte publicou um telegrama datado de 19 de agosto que encheu de esperan\u00e7a os cora\u00e7\u00f5es de todos os interessados \u200b\u200bem resolver o mist\u00e9rio dos hier\u00f3glifos, incluindo muito provavelmente o irm\u00e3o mais velho de Champollion&#8221;, acrescenta Lacouture.<br \/>\nO texto do telegrama dizia: &#8220;Uma pedra de maravilhoso granito preto foi encontrada em meio ao trabalho de consolida\u00e7\u00e3o da antiga Cidadela de Rasheed na margem oeste do Nilo&#8230; 36 polegadas (91 cm) de altura, 28 polegadas (71 cm) de largura e de 9 a 10 polegadas (23 a 25 cm) de espessura, apenas de um lado, finamente polido, est\u00e3o gravados tr\u00eas textos diferentes em tr\u00eas s\u00e9ries de linhas paralelas&#8221;.<br \/>\nYoussef diz que este relat\u00f3rio confirmou que os franceses sabiam que esta pedra fornecia &#8220;uma grande oportunidade para estudar os hier\u00f3glifos, e talvez seja uma oportunidade para encontrar a chave para o seu enigma&#8221;.<br \/>\nA import\u00e2ncia da descoberta tampouco passou batida pelos brit\u00e2nicos.<br \/>\nBouchard, a estrela da imprensa parisiense<br \/>\nO Le Redictor foi o primeiro jornal a falar sobre Bouchard como descobridor da pedra em sua edi\u00e7\u00e3o de 24 de setembro de 1799 \u2014 e, embora tamb\u00e9m citasse o general Menou e outros, afirmou que a descoberta resultou &#8220;da perspic\u00e1cia de um her\u00f3i, o tenente Bouchard&#8221;.<br \/>\nEm 17 de janeiro de 1800, o Le Journal de Paris dedicou uma reportagem \u00e0 Pedra de Roseta, &#8220;despertando grande curiosidade na opini\u00e3o p\u00fablica e fornecendo detalhes da descoberta de Bouchard&#8221;.<br \/>\nMas enquanto ganhava fama em Paris, Bouchard estava em um forte no nordeste do Egito sob o cerco dos otomanos, que tentavam recuperar o controle do pa\u00eds dos franceses.<br \/>\nChampollion usou uma c\u00f3pia da Pedra de Roseta para decodificar o segredo dos hier\u00f3glifos \u2014 ele nunca viu a pedra original<br \/>\nGetty Images<br \/>\nBouchard foi capturado, e os otomanos o prenderam por 40 dias onde hoje \u00e9 a S\u00edria.<br \/>\n&#8220;O que estava passando na cabe\u00e7a dele nesta pris\u00e3o sombria?&#8221;, Youssef se pergunta.<br \/>\n&#8220;Ele sabia que enquanto gemia por causa do frio intenso nas pris\u00f5es otomanas de Damasco, no inverno de dezembro, toda Paris estava falando sobre ele? Ele se deu conta de que nos institutos cient\u00edficos todos esperavam seu retorno?&#8221;<br \/>\nBouchard seria libertado e recebido de volta por Cont\u00e9 e Menou, antes de ser promovido a capit\u00e3o e enviado para Rasheed, onde a pedra havia sido encontrada alguns meses antes.<br \/>\nMas ele seria capturado mais uma vez \u2014 desta vez, pelos brit\u00e2nicos \u2014 quando as tropas francesas se renderam em 9 de abril de 1801. Ele voltaria ent\u00e3o \u00e0 Fran\u00e7a, chegando a Marselha em 30 de julho daquele ano.<br \/>\nA rendi\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito e a perda da pedra<br \/>\nTalvez tenha sido o estardalha\u00e7o parisiense com a descoberta que custou aos franceses sua recompensa.<br \/>\n&#8220;Ficou claro que o envio da pedra para a Academia Cient\u00edfica Eg\u00edpcia, e a como\u00e7\u00e3o da imprensa para destacar seu valor cient\u00edfico, estavam entre as primeiras raz\u00f5es para a Fran\u00e7a perder a pedra, porque os brit\u00e2nicos a tornaram uma condi\u00e7\u00e3o inegoci\u00e1vel para permitir que o ex\u00e9rcito franc\u00eas voltasse para a Fran\u00e7a&#8221;, diz Youssef.<br \/>\nO historiador franc\u00eas Richard Lebeau diz, na introdu\u00e7\u00e3o de My Journey to Egypt (&#8220;Minha Viagem ao Egito&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre) de Champollion, que ap\u00f3s a rendi\u00e7\u00e3o em 1801, os cientistas franceses se recusaram a dar aos ingleses o fruto de seu trabalho e at\u00e9 amea\u00e7aram destruir tudo.<br \/>\nLebeau cita o naturalista Geoffroy Saint-Hilaire: &#8220;Se n\u00e3o fosse por n\u00f3s, os franceses, seria dif\u00edcil para qualquer um entender esta pedra. Para n\u00e3o permitir que essa injusti\u00e7a aconte\u00e7a, destruiremos todos os documentos em nosso poder, os deixaremos nas areias do deserto da L\u00edbia e os jogaremos nas profundezas do mar&#8221;.<br \/>\nO texto acrescenta: &#8220;Vamos queimar todas essas riquezas, em vez de entreg\u00e1-las a voc\u00eas, como voc\u00eas desejam. Mas voc\u00eas devem saber que a hist\u00f3ria n\u00e3o vai esquecer, e n\u00e3o vai perdoar voc\u00eas por este crime hediondo que \u00e9 compar\u00e1vel ao inc\u00eandio da Biblioteca de Alexandria&#8221;.<br \/>\nMas os brit\u00e2nicos insistiram em manter a Pedra de Roseta e todas as antiguidades eg\u00edpcias que estavam na posse dos franceses, conforme estipulado no Tratado de Alexandria em 30 de agosto de 1801.<br \/>\nApesar da resist\u00eancia da assembleia cient\u00edfica eg\u00edpcia, eles levaram a pedra para o British Museum, em Londres, onde permanece desde ent\u00e3o.<br \/>\nPesquisadores franceses que n\u00e3o podiam viajar para Londres foram obrigados a confiar em c\u00f3pias da pedra.<br \/>\nNo fim de outubro de 1801, chegou \u00e0 Fran\u00e7a uma c\u00f3pia feita pela Academia Cient\u00edfica Eg\u00edpcia, que Champollion usaria mais tarde para decodificar o mist\u00e9rio da escrita hierogl\u00edfica e alcan\u00e7ar uma fama duradoura que Bouchard nunca teria.<br \/>\nQuando Champollion fez seu grande an\u00fancio ao mundo em 27 de setembro de 1822 em uma famosa missiva chamada &#8220;Carta ao Sr. Dassier&#8221;, ele nunca tinha visto a Pedra de Roseta original.<br \/>\nUma pena que um certo oficial militar n\u00e3o estivesse por perto para ouvir isso.<br \/>\n&#8220;Bouchard continuou a pegar em armas nas outras guerras napole\u00f4nicas, sem nunca receber uma recompensa generosa&#8230;&#8221;, escreve Youssef.<br \/>\n&#8220;Ele morreria pobre no servi\u00e7o militar em Jevi, nas Ardenas, em 5 de agosto de 1822.&#8221;<br \/>\n&#8211; Essa reportagem foi originalmente publicada em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-64102619<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, ser\u00e1 comemorado o bicenten\u00e1rio da decodifica\u00e7\u00e3o dos hier\u00f3glifos eg\u00edpcios \u2014 mas esta hist\u00f3ria come\u00e7ou muito antes. 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