{"id":30750,"date":"2023-01-03T17:10:44","date_gmt":"2023-01-03T17:10:44","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/03\/feminicidio-no-mexico-um-antigo-problema-ainda-sem-resposta\/"},"modified":"2023-01-03T17:10:44","modified_gmt":"2023-01-03T17:10:44","slug":"feminicidio-no-mexico-um-antigo-problema-ainda-sem-resposta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2023\/01\/03\/feminicidio-no-mexico-um-antigo-problema-ainda-sem-resposta\/","title":{"rendered":"Feminic\u00eddio no M\u00e9xico: um antigo problema ainda sem resposta"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/3xXJNh7jWyJM4g4tJ2SEgcCmVXc=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/j\/8\/u4p3ARTFAoF9OXvWkDsA\/ap-mexico.jpg\"><br \/>   Assassinato de jovem no Estado do M\u00e9xico, perto da Cidade do M\u00e9xico, mobilizou aumento de luta contra assassinato de mulheres no pa\u00eds.  Amiga da mexicana Monica Citlalli D\u00edaz, assassinada no Estado do M\u00e9xico, carrega uma foto em seu funeral, em 11 de novembro de 2022.<br \/>\nEduardo Verdugo\/ AP<br \/>\nEm uma tarde de novembro, M\u00f3nica Citlalli D\u00edaz saiu de casa em um populoso sub\u00farbio da capital do M\u00e9xico e se dirigiu \u00e0 escola onde dava aulas de ingl\u00eas havia anos. Embora parecesse um dia comum, ela nunca chegou ao trabalho.<br \/>\nSua aus\u00eancia acendeu imediatamente um alerta \u2013 D\u00edaz amava seu trabalho e era muito diligente no comparecimento. Amigos e familiares espalharam panfletos pela cidade, Ecatepec, com sua foto.<br \/>\nDepois de quatro dias sem nenhum sinal de D\u00edaz, de 30 anos, eles bloquearam a rua em frente \u00e0 escola por horas, exigindo provid\u00eancias das autoridades. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado \u00e0s margens de uma rodovia.<br \/>\nAs mulheres no estado do M\u00e9xico, que envolve a Cidade do M\u00e9xico por tr\u00eas lados, est\u00e3o morrendo em um ritmo assustador. Entre janeiro e novembro de 2022, foram 131 feminic\u00eddios \u2013 casos de mulheres mortas em raz\u00e3o de seu g\u00eanero. D\u00edaz foi o nono aparente feminic\u00eddio durante uma s\u00e9rie de 11 dias de assassinatos na Cidade do M\u00e9xico e arredores, entre o final de outubro e o come\u00e7o de novembro.<br \/>\nForam mais de mil feminic\u00eddios no pa\u00eds no ano passado, perdendo apenas para o Brasil na Am\u00e9rica Latina. Em m\u00e9dia, 10 mulheres ou meninas s\u00e3o mortas diariamente no pa\u00eds. As autoridades reconhecem h\u00e1 d\u00e9cadas que os \u00edndices de feminic\u00eddio e viol\u00eancia contra mulheres s\u00e3o um problema, mas os dados nacionais n\u00e3o evidenciam progresso na \u00e1rea.<br \/>\nEspecialistas e ativistas dizem que os assassinatos desenfreados e o hist\u00f3rico de feminic\u00eddio podem ser atribu\u00eddos ao machismo cultural, \u00e0 desigualdade de g\u00eanero e \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica, bem como a um sistema judici\u00e1rio repleto de problemas \u2013 policiais que n\u00e3o fazem ocorr\u00eancias, investiga\u00e7\u00f5es descuidadas, autoridades que revitimizam as mulheres.<br \/>\nCom tantos casos de feminic\u00eddio, a maioria recebe pouca aten\u00e7\u00e3o. Mas a recente s\u00e9rie de assassinatos, somada aos protestos da fam\u00edlia de D\u00edaz, pressionou as autoridades e ganhou as manchetes.<br \/>\nTr\u00eas dias depois do desaparecimento de D\u00edaz, o presidente da Suprema Corte, Arturo Zald\u00edvar, falou da necessidade de um protocolo nacional para lidar com feminic\u00eddios. No dia seguinte, em sua coletiva de imprensa di\u00e1ria, o presidente Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador disse que concordava.<br \/>\nAlguns estados tentaram resolver o problema criando promotorias especializadas em crimes de g\u00eanero. O governo federal j\u00e1 emitiu mais de vinte alertas de viol\u00eancia de g\u00eanero desde 2015. Os alertas obrigam as autoridades locais, estaduais e federais a tomarem medidas emergenciais coordenadas para combater os vieses no acesso \u00e0 justi\u00e7a.<br \/>\nParentes e amigos de  Monica Citlalli Diaz participam de funeral de jovem, assassinada aos 30 anos no M\u00e9xico, em 11 de novembro de 2022.<br \/>\nEduardo Verdugo\/ AP<br \/>\nNo estado do M\u00e9xico, foi emitido um alerta em 2015. Ele ainda permanece em vigor. Ecatepec \u00e9 uma das 11 cidades do estado que opera sob esse alerta. As pr\u00f3prias autoridades admitem, por\u00e9m, que os benef\u00edcios dos alertas e de outras medidas s\u00e3o limitados.<br \/>\nSeis dias depois do desaparecimento de D\u00edaz, Olvera acabou vendo imagens do corpo de sua irm\u00e3, quando fotos da \u00faltima v\u00edtima come\u00e7aram a circular. Ela reconheceu as cal\u00e7as, os sapatos, as m\u00e3os de sua irm\u00e3.<br \/>\n\u201cEles a deixaram jogada como um saco de lixo.\u201d<br \/>\nAp\u00f3s o assassinato de centenas de mulheres e meninas no estado de Chihuahua, no final da d\u00e9cada de 1990 e in\u00edcio dos anos 2000, os parlamentares mexicanos criaram uma comiss\u00e3o sobre feminic\u00eddio. O grupo descobriu que, apesar dos \u00edndices nacionais alarmantes de viol\u00eancia contra as mulheres, era quase imposs\u00edvel obter dados que mostrassem com precis\u00e3o a extens\u00e3o do problema.<br \/>\nComo resultado do trabalho da comiss\u00e3o, foi promulgada em 2007 a Lei Geral de Acesso das Mulheres a uma Vida Livre de Viol\u00eancia. Ela criou os alertas de viol\u00eancia de g\u00eanero. Em 2010, os legisladores inclu\u00edram o feminic\u00eddio no c\u00f3digo penal federal.<br \/>\nMesmo assim, no ano passado o n\u00famero de feminic\u00eddios no pa\u00eds foi mais do que o dobro de 2015, de acordo com dados federais. Parte desse aumento pode ser atribu\u00edda a uma melhora na manuten\u00e7\u00e3o dos registros \u2013 o feminic\u00eddio n\u00e3o estava codificado em todos os estados mexicanos at\u00e9 2017 \u2013 mas o n\u00famero de mortes vem aumentando anualmente.<br \/>\nDilcya Garc\u00eda, que est\u00e1 \u00e0 frente da promotoria estadual especializada em viol\u00eancia de g\u00eanero, disse que a quest\u00e3o faz parte da pr\u00f3pria estrutura social: \u201cA viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 muito complicada de enfrentar.\u201d<br \/>\nNo dia seguinte ao protesto da fam\u00edlia D\u00edaz que bloqueou a rua em Ecatepec, Garc\u00eda se reuniu com eles. A promotora disse que estava empenhada em encontrar D\u00edaz, mas levantou a possibilidade de que ela n\u00e3o estivesse viva.<br \/>\nPosteriormente, Garc\u00eda seria a respons\u00e1vel por telefonar a Olvera para informar que o corpo de sua irm\u00e3 havia sido encontrado.<br \/>\nEm Ecatepec, uma cidade-dormit\u00f3rio de 1,8 milh\u00e3o de habitantes com uma das maiores concentra\u00e7\u00f5es de pobreza do M\u00e9xico, D\u00edaz tinha a sorte de estar em um emprego que amava.<br \/>\nEla tivera alguns problemas. D\u00edaz teve sua filha Keila aos 19 anos. Ela deixou o pai da menina depois de epis\u00f3dios de viol\u00eancia dom\u00e9stica, segundo Olvera, sua irm\u00e3, e foi morar com os pais e trabalhar como gar\u00e7onete, passando dificuldades. Ela encontrou ent\u00e3o a Quick Learning, uma rede de escolas de ingl\u00eas, onde estudou antes de come\u00e7ar a dar aulas.<br \/>\nEste ano, D\u00edaz conheceu Jes\u00fas Alexis \u00c1lvarez Ortiz, um jovem atl\u00e9tico de 27 anos que trabalhava em um hotel. Ele era possessivo, segundo Olvera, e ela percebeu mudan\u00e7as em sua irm\u00e3. Ela perdeu peso, ficava fora at\u00e9 tarde. Ainda assim, nunca faltava ao trabalho.<br \/>\nNa noite em que D\u00edaz desapareceu, seu namorado apareceu na casa da fam\u00edlia. \u00c1lvarez Ortiz parecia nervoso, trope\u00e7ava nas palavras e mudava sua hist\u00f3ria, contou Olvera.<br \/>\nNo dia seguinte, os pais de D\u00edaz foram at\u00e9 a escola, onde novamente encontraram \u00c1lvarez Ortiz. Ele os acompanhou at\u00e9 a pol\u00edcia para fazer o boletim de ocorr\u00eancia do desaparecimento de D\u00edaz. Dois dias depois, \u00c1lvarez Ortiz parou de responder \u00e0s mensagens e liga\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia. Sua m\u00e3e o registrou como desaparecido.<br \/>\nSegundo as autoridades, depois de sair de casa naquela tarde, D\u00edaz pegou um t\u00e1xi at\u00e9 um shopping, depois outro at\u00e9 a casa de \u00c1lvarez Ortiz. O v\u00eddeo da c\u00e2mera de seguran\u00e7a mostra que ela entrou na casa dele, mas n\u00e3o saiu. Uma busca feita na casa encontrou as roupas de D\u00edaz manchadas de sangue.<br \/>\nDois dias depois que o corpo de D\u00edaz foi encontrado, a pol\u00edcia prendeu a m\u00e3e de \u00c1lvarez Ortiz. No dia seguinte, ele pr\u00f3prio foi preso. Uma aut\u00f3psia mostrou que D\u00edaz havia sido espancada e morrera com um golpe na cabe\u00e7a<br \/>\n\u00c1lvarez Ortiz foi preso pela acusa\u00e7\u00e3o de sequestro. A fam\u00edlia de D\u00edaz espera que em sua pr\u00f3xima audi\u00eancia, em mar\u00e7o, o minist\u00e9rio p\u00fablico esteja em condi\u00e7\u00f5es de incluir uma acusa\u00e7\u00e3o por feminic\u00eddio.<br \/>\nUm advogado de \u00c1lvarez Ortiz respondeu \u00e0s mensagens deixadas pela Associated Press em uma escola onde ele leciona.<br \/>\nOlvera, como os familiares de centenas de outras v\u00edtimas nos \u00faltimos anos, exige justi\u00e7a e espera que os envolvidos sejam responsabilizados.<br \/>\n\u201cSe as autoridades n\u00e3o me derem uma resposta favor\u00e1vel, vou voltar \u00e0 rua e fechar a avenida\u201d, disse. \u201cFicarei l\u00e1 at\u00e9 que prestem aten\u00e7\u00e3o em mim e fa\u00e7am justi\u00e7a.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assassinato de jovem no Estado do M\u00e9xico, perto da Cidade do M\u00e9xico, mobilizou aumento de luta contra assassinato de mulheres no pa\u00eds. Amiga da mexicana Monica Citlalli D\u00edaz, assassinada no Estado do M\u00e9xico, carrega uma foto em seu funeral, em 11 de novembro de 2022. Eduardo Verdugo\/ AP Em uma tarde de novembro, M\u00f3nica Citlalli<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30751,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-30750","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30750\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}