{"id":28612,"date":"2022-12-24T20:15:17","date_gmt":"2022-12-24T20:15:17","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/24\/amanha-nao-atirem-nos-nao-atiraremos-a-tregua-de-natal-entre-soldados-da-primeira-guerra-mundial-que-foi-marcada-por-presentes-e-futebol\/"},"modified":"2022-12-24T20:15:17","modified_gmt":"2022-12-24T20:15:17","slug":"amanha-nao-atirem-nos-nao-atiraremos-a-tregua-de-natal-entre-soldados-da-primeira-guerra-mundial-que-foi-marcada-por-presentes-e-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/24\/amanha-nao-atirem-nos-nao-atiraremos-a-tregua-de-natal-entre-soldados-da-primeira-guerra-mundial-que-foi-marcada-por-presentes-e-futebol\/","title":{"rendered":"&#8216;Amanh\u00e3 n\u00e3o atirem, n\u00f3s n\u00e3o atiraremos&#8217;: a tr\u00e9gua de Natal entre soldados da Primeira Guerra Mundial que foi marcada por presentes e futebol"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/ADIyyyd3YrxNiatQYeYq11pcbVs=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/C\/H\/kTj9nVQOOO1EP7GoPBYw\/natal-trincheiras.jpg\"><br \/>   Em dezembro de 1914, algo incr\u00edvel aconteceu: em alguns pontos da Frente Ocidental: um grupo de soldados de lados inimigos baixou espontaneamente as armas para passar o Natal juntos. &#8216;Tr\u00e9gua de Natal nas Trincheiras&#8217;. Este \u00e9 o t\u00edtulo desta ilustra\u00e7\u00e3o do artista Gilbert Holliday, que a fez a partir do depoimento de um soldado que presenciou o ocorrido<br \/>\nHULTON ARCHIVE\/GETTY IMAGES via BBC<br \/>\nO que aconteceu naquele Natal de 1914 foi \u00fanico, &#8220;maravilhoso e estranho ao mesmo tempo&#8221;, como descreveu um soldado alem\u00e3o que viveu o epis\u00f3dio.<br \/>\nAlguns meses antes do in\u00edcio da Primeira Guerra Mundial, alem\u00e3es, franceses e brit\u00e2nicos lutavam nas frentes de batalha na B\u00e9lgica e na Fran\u00e7a.<br \/>\nMas algo incr\u00edvel aconteceu em alguns pontos da Frente Ocidental, em uma \u00e1rea conhecida como &#8216;Terra de Ningu\u00e9m&#8217;.<br \/>\n&#8220;Est\u00e1vamos na linha de frente, a cerca de 270 metros dos alem\u00e3es e na v\u00e9spera de Natal cant\u00e1vamos can\u00e7\u00f5es natalinas e os alem\u00e3es tamb\u00e9m&#8221;, contou anos depois o soldado brit\u00e2nico Marmaduke Walkinton.<br \/>\n&#8220;Est\u00e1vamos gritando coisas um para o outro, alguns eram insultos, mas na maioria das vezes eram piadas.&#8221;<br \/>\n&#8220;E um alem\u00e3o disse: &#8216;Amanh\u00e3 n\u00e3o atirem, n\u00f3s n\u00e3o atiraremos&#8217;.&#8221;<br \/>\nLEIA MAIS:<br \/>\nEUA enfrentam onda de frio e neve; veja FOTOS<br \/>\nCompanhias a\u00e9reas cancelam 2 mil voos nos EUA neste s\u00e1bado por tempestade de inverno<br \/>\nOs pequenos pa\u00edses da Am\u00e9rica Central que crescem mais que as grandes economias da Am\u00e9rica Latina<br \/>\nO testemunho de Walkinton faz parte de um v\u00eddeo, do Museu Imperial da Guerra do Reino Unido (IWM), intitulado: The Christmas Truce: O que realmente aconteceu nas trincheiras em 1914? (A Tr\u00e9gua de Natal: O que realmente aconteceu nas trincheiras em 1914?).<br \/>\nEsta organiza\u00e7\u00e3o, que possui um extraordin\u00e1rio acervo de cartas, fotos, di\u00e1rios, jornais e testemunhos daquela \u00e9poca, tem se dedicado a investigar o que aconteceu durante aquela tr\u00e9gua de Natal.<br \/>\nCom a ajuda do historiador Alan Wakefield, diretor da se\u00e7\u00e3o do museu dedicada \u00e0 Primeira Guerra Mundial e ao in\u00edcio do s\u00e9culo XX, mergulhamos nessa hist\u00f3ria em que um grupo de soldados n\u00e3o apenas baixou espontaneamente as armas, mas tamb\u00e9m trocou presentes com seus inimigos e tinha at\u00e9 quem jogava futebol.<br \/>\nOs dias anteriores<br \/>\nMilhares de soldados de v\u00e1rias unidades da Frente Ocidental participaram desta cessa\u00e7\u00e3o informal de fogo.<br \/>\nSoldados brit\u00e2nicos e alem\u00e3es durante a tr\u00e9gua n\u00e3o oficial de 1914<br \/>\nWINDMILL BOOKS\/UNIVERSAL IMAGES GROUP\/GETTY via BBC<br \/>\nEmbora essa tr\u00e9gua n\u00e3o oficial tamb\u00e9m envolvesse alguns soldados franceses e belgas, foi principalmente entre brit\u00e2nicos e alem\u00e3es.<br \/>\nNos Campos de Flandres (B\u00e9lgica) estavam os militares que iriam protagonizar o encontro hist\u00f3rico.<br \/>\nEles estavam em uma \u00e1rea propensa a inunda\u00e7\u00f5es. &#8220;O clima, os combates e a constru\u00e7\u00e3o de trincheiras destru\u00edram o sistema de drenagem&#8221;, diz Wakefield.<br \/>\nTinha chovido muito, estava nebuloso, estava frio. &#8220;Viver nas trincheiras tornou-se muito dif\u00edcil para ambos os lados.&#8221;<br \/>\nEnt\u00e3o, naquela \u00e1rea, durante o m\u00eas de dezembro, a intensidade dos combates diminuiu.<br \/>\nHouve uma esp\u00e9cie de tr\u00e9gua em que os militares abandonavam as trincheiras para fazer repara\u00e7\u00f5es e evitar inunda\u00e7\u00f5es ou para permitir a chegada das equipes que traziam os mantimentos.<br \/>\nMas tamb\u00e9m, em alguns casos, a cessa\u00e7\u00e3o das hostilidades foi rapidamente acordada para recolher e enterrar os soldados ca\u00eddos.<br \/>\n&#8220;Ningu\u00e9m atirou um no outro.&#8221;<br \/>\nAos poucos foram-se criando as condi\u00e7\u00f5es para que se realizasse uma tr\u00e9gua de pequena dimens\u00e3o para o Natal naquela zona.<br \/>\nFraternidade<br \/>\nNo dia 24 de dezembro fez muito frio e o que estava molhado congelou.<br \/>\nUm cart\u00e3o de felicita\u00e7\u00f5es de Natal em alem\u00e3o evocando a cessa\u00e7\u00e3o da luta em 1914<br \/>\nFOTOTECA GILARDI\/GETTY IMAGES via BBC<br \/>\n&#8220;Na v\u00e9spera de Natal, os alem\u00e3es come\u00e7aram a festejar a data. Os ingleses viram luzes (de velas) e pequenas \u00e1rvores acima das trincheiras alem\u00e3s e pensaram que talvez estivessem armando uma armadilha para eles&#8221;, diz o historiador.<br \/>\nMas o que se tratava era uma tentativa de fazer enfeites de Natal em meio \u00e0 crueldade da guerra.<br \/>\nOs brit\u00e2nicos ouviram os alem\u00e3es cantarem can\u00e7\u00f5es natalinas.<br \/>\nEnquanto alguns cantaram Stille Nacht, outros fizeram o mesmo com Silent Night (m\u00fasica conhecida em portugu\u00eas como &#8216;Noite Feliz&#8217;).<br \/>\n&#8220;Tudo em um tom amig\u00e1vel e, embora n\u00e3o pudessem se ver, eles estavam construindo uma atmosfera fraterna nas horas antes do Natal.&#8221;<br \/>\nNa manh\u00e3 (de 25 de dezembro), foram principalmente os alem\u00e3es que come\u00e7aram a sair das trincheiras e a se mover pela &#8216;Terra de Ningu\u00e9m&#8217;. Alguns se aproximaram das trincheiras dos brit\u00e2nicos e os chamaram.<br \/>\nE enquanto algumas unidades brit\u00e2nicas ficaram confusas com o que estava acontecendo, em outras, os soldados tamb\u00e9m come\u00e7aram a deixar suas trincheiras para enfrentar os alem\u00e3es.<br \/>\nJ\u00e1 eram centenas de soldados de ambos os lados que andavam pelo local e que come\u00e7aram a conversar, sem armas, e a apertar as m\u00e3os.<br \/>\nMuitos voltaram para suas trincheiras e depois apareceram com produtos. Os ingleses, por exemplo, ofereciam chocolates, carne enlatada, bolos, u\u00edsque, e os alem\u00e3es ofereciam cigarros, salsichas, biscoitos, conhaque.<br \/>\nEles tamb\u00e9m trocaram broches de seus uniformes e jornais, e compartilharam presentes que suas fam\u00edlias lhes enviaram.<br \/>\nDescobrir o inimigo<br \/>\n&#8220;Foi realmente uma oportunidade de esquecer a guerra por uma tarde&#8221;, disse Wakefield.<br \/>\n&#8220;\u00c9 importante lembrar que no combate de trincheira, voc\u00ea deve estar com a cabe\u00e7a baixa, ent\u00e3o dificilmente poder\u00e1 ver seu inimigo.&#8221;<br \/>\n&#8220;Muitos soldados estavam lutando contra um oponente que n\u00e3o podiam ver. Essa tr\u00e9gua foi na verdade uma oportunidade de ver o inimigo cara a cara, para descobrir contra quem eles realmente estavam lutando.&#8221;<br \/>\nE o idioma n\u00e3o foi um obst\u00e1culo.<br \/>\n&#8220;Na verdade, v\u00e1rios soldados alem\u00e3es falavam ingl\u00eas muito bem porque havia morado no Reino Unido antes da guerra.&#8221;<br \/>\nE havia um grande n\u00famero de alem\u00e3es morando na Inglaterra, principalmente em Londres, mas, com a imin\u00eancia da guerra, eles tiveram que retornar e se juntar ao ex\u00e9rcito alem\u00e3o.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 testemunhos em que soldados brit\u00e2nicos disseram que alguns alem\u00e3es lhes contaram que tinham sido barbeiros, gar\u00e7ons, empregados de hot\u00e9is, em Londres. Um deles disse mesmo que esperava regressar em breve.&#8221;<br \/>\nE \u00e9 que, quando o conflito come\u00e7ou, muitos acreditavam que no Natal tudo estaria acabado.<br \/>\nA Tr\u00e9gua de Natal variou ao longo da frente de batalha.<br \/>\nEm outros lugares, essa fraternidade n\u00e3o surgiu. De fato, indica o v\u00eddeo do IWM, muitos soldados em outras se\u00e7\u00f5es n\u00e3o acreditavam que houvesse tal cessa\u00e7\u00e3o das batalhas.<br \/>\nE uma bola apareceu<br \/>\n&#8220;Divid\u00edamos cigarros, balas, com os alem\u00e3es e de algum lugar, de alguma forma, surgiu o futebol. N\u00e3o \u00e9 que formamos um time, de jeito nenhum foi um jogo entre times. Est\u00e1vamos todos jogando&#8221;, disse, no v\u00eddeo do IWM, Ernie William, que fazia parte de um regimento brit\u00e2nico.<br \/>\n&#8220;A bola veio do lado deles, n\u00e3o do nosso.&#8221;<br \/>\nEle mesmo teve a oportunidade de participar. &#8220;Eu era muito bom, tinha 19 anos.&#8221;<br \/>\nWakefield observa que h\u00e1 muita pouca evid\u00eancia direta de que o futebol tenha sido jogado durante a tr\u00e9gua de Natal.<br \/>\n&#8220;No entanto, h\u00e1 cartas e relatos de alem\u00e3es que estavam perto de uma cidade na B\u00e9lgica e de soldados brit\u00e2nicos em outras partes da B\u00e9lgica que dizem que jogaram futebol.&#8221;<br \/>\n&#8220;Obviamente, essas hist\u00f3rias vieram \u00e0 tona em momentos diferentes. Mas \u00e9 uma boa evid\u00eancia de que a coisa do futebol realmente aconteceu.&#8221;<br \/>\n Em um relato de soldados alem\u00e3es, foi dito que eles jogaram uma partida de futebol contra os escoceses e que venceram por 3-2.<br \/>\nTr\u00eas cartas de soldados brit\u00e2nicos referem-se a um jogo completamente aberto, n\u00e3o a uma partida propriamente organizada, em que dezenas de soldados de ambos os lados correram para chutar a bola.<br \/>\nEst\u00e1tua de Andrew Edwards retratando um soldado brit\u00e2nico e um alem\u00e3o durante a Tr\u00e9gua de Natal na B\u00e9lgica. Tamb\u00e9m h\u00e1 est\u00e1tuas como a da foto em outros pa\u00edses europeus<br \/>\nARTERRA\/UNIVERSAL IMAGES GROUP VIA GETTY IMAGES via BBC<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m estimativas de outros soldados brit\u00e2nicos que participaram da tr\u00e9gua aludem ao fato de que as partidas de futebol foram pelo menos planejadas, mas n\u00e3o poss\u00edveis por falta de bola, problemas no terreno ou porque os oficiais n\u00e3o deram permiss\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Poucas partidas realmente aconteceram entre brit\u00e2nicos e alem\u00e3es. No entanto, houve algumas partidas entre os brit\u00e2nicos, atr\u00e1s de suas trincheiras, ao ar livre, mas h\u00e1 menos evid\u00eancias de partidas entre alem\u00e3es e brit\u00e2nicos.&#8221;<br \/>\n&#8220;Obviamente isso pode mudar, a hist\u00f3ria muda o tempo todo quando cartas e di\u00e1rios (pessoais) desconhecidos v\u00eam \u00e0 tona, mas agora, se voc\u00ea olhar para as evid\u00eancias, \u00e9 bastante limitado, ent\u00e3o o n\u00famero de soldados que jogaram futebol na tr\u00e9gua de Natal foi muito pequeno&#8221;.<br \/>\n&#8220;Provavelmente cerca de 200 soldados poderiam ter participado de um jogo de futebol. No momento, temos fortes ind\u00edcios de que foram dois jogos.&#8221;<br \/>\nNa imprensa<br \/>\nA not\u00edcia da tr\u00e9gua n\u00e3o demorou a se espalhar.<br \/>\nEsta \u00e9 uma carta de um soldado brit\u00e2nico que escreveu sobre a Tr\u00e9gua de Natal de 1914<br \/>\nBONHAMS\/PA via BBC<br \/>\nEm janeiro, j\u00e1 circulavam nos jornais fotos (tiradas pelos pr\u00f3prios militares) e fragmentos de cartas enviadas por eles aos familiares.<br \/>\n&#8220;No in\u00edcio de janeiro de 1915, os jornais de repente come\u00e7aram a imprimir essas cartas e, a princ\u00edpio, houve uma certa descren\u00e7a, mas com o tempo come\u00e7aram a aparecer fotos tamb\u00e9m e as evid\u00eancias ficaram muito claras, n\u00e3o era um mito&#8221;, observa o historiador Anthony Richards, autor do livro Wartime Christmas, no v\u00eddeo do IWM.<br \/>\n&#8220;A m\u00eddia da \u00e9poca adorou (a hist\u00f3ria). Houve muita discuss\u00e3o nos jornais sobre se isso era bom ou ruim.&#8221;<br \/>\n&#8220;De certa forma, foi como um instant\u00e2neo maravilhoso do Natal de 1914, quando as atitudes eram um pouco ing\u00eanuas porque a guerra havia acabado de come\u00e7ar.&#8221;<br \/>\n &#8220;Nunca aconteceu nada como a Tr\u00e9gua de Natal e com o tempo foi vista n\u00e3o s\u00f3 como uma anormalidade, mas tamb\u00e9m como um mito, a ponto de haver pessoas que, de fato, duvidam que isso tenha acontecido, at\u00e9 o dia de hoje&#8221;.<br \/>\nSegundo Richards, a forma como a tr\u00e9gua foi abordada na imprensa alem\u00e3 foi muito parecida com a brit\u00e2nica, mas mudou nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930, quando houve uma varia\u00e7\u00e3o na narrativa porque eles queriam enfatizar o &#8220;soldado alem\u00e3o como um her\u00f3i lutando uma guerra nobre.&#8221;<br \/>\nO final<br \/>\nA Tr\u00e9gua de Natal n\u00e3o terminou repentinamente.<br \/>\nSegundo Wakefield, chegou ao fim em momentos diferentes nas diversas \u00e1reas envolvidas.<br \/>\nUma carta escrita pelo General Walter Congreve para sua esposa contando sobre a Tr\u00e9gua de Natal de 1914<br \/>\nJOE GIDDENS\/PA WIRE via BBC<br \/>\n&#8220;Oficiais superiores de ambos os lados tiveram rea\u00e7\u00f5es mistas ao que estava acontecendo.&#8221;<br \/>\n&#8220;Alguns deles pensaram que, se permitissem que o esp\u00edrito de luta dos ex\u00e9rcitos continuasse, ele desapareceria. Os soldados veriam que o inimigo n\u00e3o \u00e9 realmente o inimigo e isso faria a guerra parar.&#8221;<br \/>\n&#8220;Mas outros comandantes seniores acreditavam que a tr\u00e9gua era muito \u00fatil porque permitia que as trincheiras fossem reconstru\u00eddas e que os mortos fossem enterrados. Em algumas \u00e1reas do local havia muitos cad\u00e1veres.&#8221;<br \/>\n O que \u00e9 certo \u00e9 que chegaram as ordens dos comandos superiores: era preciso recome\u00e7ar a guerra, a artilharia, as armas, tinham que voltar a funcionar, tinham que disparar contra os inimigos que tentavam sair das suas trincheiras.<br \/>\nNo terreno, as orienta\u00e7\u00f5es foram seguidas, mas a um ritmo diferente: as unidades que participaram na tr\u00e9gua tentaram dar tempo umas \u00e0s outras para partir.<br \/>\n&#8220;Quando uma nova unidade, que n\u00e3o estava envolvida na tr\u00e9gua, chegou, a guerra come\u00e7ou.&#8221;<br \/>\nWakefield lembra o caso de um oficial brit\u00e2nico que recebeu ordens de bombardear uma fazenda que os soldados alem\u00e3es usavam para estocar comida.<br \/>\nO militar, que havia participado do cessar-fogo, achou que os alem\u00e3es deveriam ser avisados \u200b\u200bsobre o ataque que aconteceria na manh\u00e3 seguinte.<br \/>\n&#8220;Eles enviaram um soldado para garantir que n\u00e3o houvesse alem\u00e3es na fazenda quando bombardearam.&#8221;<br \/>\nO historiador explica que a guerra recome\u00e7ou, mas em algumas partes bem devagar.<br \/>\n&#8220;Eles fizeram amigos no Natal e n\u00e3o queriam atirar neles.&#8221;<br \/>\nEm 26 de dezembro, em partes do front, o barulho da guerra voltou a ocupar o centro das aten\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA volta \u00e0 guerra<br \/>\nPara os militares que participaram &#8211; diz Wakefield &#8211; a tr\u00e9gua de Natal foi uma oportunidade de &#8220;sair&#8221; da guerra por dois, tr\u00eas dias, sem lutar, sem ter de viver nas condi\u00e7\u00f5es desumanas de uma trincheira.<br \/>\nMuitos deles, de fato, nunca haviam ficado longe de suas fam\u00edlias no Natal.<br \/>\nutra escultura de Andy Edwards para homenagem a tr\u00e9gua de Natal. A obra est\u00e1 localizada em Liverpool<br \/>\nRUMEANA JAHANGIR\/BBC<br \/>\n&#8220;Eles tamb\u00e9m estavam muito curiosos para ver quem eram seus inimigos.&#8221;<br \/>\nE naquele Natal perceberam que al\u00e9m daqueles que eram jovens e homens como eles, v\u00e1rios deles eram muito velhos.<br \/>\n&#8220;No entanto, aqueles soldados (de ambos os lados) ainda achavam que tinham que vencer a guerra. Portanto, n\u00e3o houve escr\u00fapulos em retornar ao combate ap\u00f3s a tr\u00e9gua.&#8221;<br \/>\n De acordo com Richards, &#8220;a tr\u00e9gua de Natal foi \u00fanica e nada como isso aconteceu novamente nessa escala, e os motivos variam.&#8221;<br \/>\nImediatamente depois disso, comandos superiores de ambos os lados garantiram que nenhuma cessa\u00e7\u00e3o de hostilidades como aquela jamais acontecesse novamente.<br \/>\n&#8220;Mas, a longo prazo, a raz\u00e3o pela qual tr\u00e9guas como essa n\u00e3o voltam a acontecer \u00e9 porque a guerra mudou a forma como as pessoas lutam.&#8221;<br \/>\n&#8220;\u00c0 medida que a guerra avan\u00e7ava, um m\u00e9todo de comando mais centralizado foi imposto. Os que estavam na linha de frente foram for\u00e7ados a atacar constantemente, com trincheiras de artilharia e morteiros.&#8221;<br \/>\nAl\u00e9m disso, diz o historiador, o conflito &#8220;tomou um rumo mais cruel&#8221;, com a introdu\u00e7\u00e3o de gases e o aumento das v\u00edtimas civis.<br \/>\nE, como reflete Wakefield, a brutalidade da guerra pode ter feito com que menos soldados realmente desejassem enfrentar o inimigo.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/curiosidades-64087809<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dezembro de 1914, algo incr\u00edvel aconteceu: em alguns pontos da Frente Ocidental: um grupo de soldados de lados inimigos baixou espontaneamente as armas para passar o Natal juntos. &#8216;Tr\u00e9gua de Natal nas Trincheiras&#8217;. Este \u00e9 o t\u00edtulo desta ilustra\u00e7\u00e3o do artista Gilbert Holliday, que a fez a partir do depoimento de um soldado que<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":28613,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-28612","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28612\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28613"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}