{"id":28290,"date":"2022-12-23T08:11:07","date_gmt":"2022-12-23T08:11:07","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/23\/precos-dos-alimentos-disparam-e-renda-dos-brasileiros-nao-acompanha-entenda-por-que\/"},"modified":"2022-12-23T08:11:07","modified_gmt":"2022-12-23T08:11:07","slug":"precos-dos-alimentos-disparam-e-renda-dos-brasileiros-nao-acompanha-entenda-por-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/23\/precos-dos-alimentos-disparam-e-renda-dos-brasileiros-nao-acompanha-entenda-por-que\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7os dos alimentos disparam e renda dos brasileiros n\u00e3o acompanha; entenda por qu\u00ea"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/m3Mi1Z8DPJNwXYB_0u7NIba7yas=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/I\/u\/83FkYKQ621F7GtKNn6Bg\/2022-09-27t122115z-2-lynxmpei8q0gr-rtroptp-4-latam-inflation.jpg\"><br \/>   Levantamento feito pelo g1 mostra que, enquanto a renda m\u00e9dia do brasileiro subiu 19,7% em tr\u00eas anos, os alimentos ficaram 41% mais caros. Pre\u00e7os de alimentos exibidos em supermercado no Rio de Janeiro.<br \/>\nREUTERS\/Ricardo Moraes<br \/>\nSe antes da pandemia os brasileiros j\u00e1 sofriam para dar conta da feira e do supermercado, nos \u00faltimos tr\u00eas anos virou um verdadeiro malabarismo tentar n\u00e3o comprometer tanto o or\u00e7amento com a cesta de alimentos.<br \/>\nMas a renda dos trabalhadores n\u00e3o tem acompanhado a escalada de pre\u00e7os. Mesmo quando os sal\u00e1rios s\u00e3o reajustados pela infla\u00e7\u00e3o, a defasagem continua, porque os alimentos t\u00eam subido acima dela desde a pandemia. Assim, o poder de compra fica comprometido, ou seja, o que as pessoas ganham n\u00e3o acompanha a alta dos alimentos.<br \/>\nLevantamento feito pelo g1 mostra que, enquanto a renda m\u00e9dia do brasileiro subiu 19,7% em tr\u00eas anos, os alimentos ficaram 41,5% mais caros.<br \/>\nVeja o que mostram os dados:<br \/>\nEm outubro de 2019, o rendimento m\u00e9dio mensal do trabalho era de R$ 2.301<br \/>\nEm outubro de 2022, esse rendimento era de R$ 2.754 \u2013 uma alta de 19,68%<br \/>\nNo intervalo entre esses meses, a infla\u00e7\u00e3o ficou em 22,45%<br \/>\nJ\u00e1 os alimentos subiram 41,5%<br \/>\nCesta b\u00e1sica e rendimento<br \/>\nO resultado dessas altas desiguais \u00e9 que a cesta b\u00e1sica vem comprometendo uma fatia maior da renda das fam\u00edlias.<br \/>\nDados do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) mostram que, em outubro de 2019, 43,8% do sal\u00e1rio m\u00ednimo era comprometido com a compra da cesta b\u00e1sica. Neste ano, essa fatia cresceu para 58,78%.<br \/>\nEm 2019, o brasileiro precisava trabalhar, em m\u00e9dia, 88 horas e 39 minutos para comprar os produtos da cesta b\u00e1sica. Agora, s\u00e3o totalizando 119 horas e 37 minutos.<br \/>\nConsiderando o rendimento m\u00e9dio do trabalho, em valores nominais, a fatia comprometida pela cesta b\u00e1sica passou de 20,6% para 27,7%. Os dados consideram o valor da cesta b\u00e1sica apurado na capital paulista, o mais alto encontrado pelo Dieese.<br \/>\nVeja no gr\u00e1fico abaixo:<br \/>\nOs vil\u00f5es da alta dos alimentos<br \/>\nAndr\u00e9 Braz, coordenador dos \u00edndices de pre\u00e7os do FGV Ibre, aponta que a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos tem sido praticamente o dobro da infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia, calculada pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA). Nos acumulado em 12 meses at\u00e9 novembro deste ano o IPCA ficou em 5,90%, enquanto os alimentos subiram 11,84%.<br \/>\nO g1 n\u00e3o fez a compara\u00e7\u00e3o do rendimento m\u00e9dio com a infla\u00e7\u00e3o de novembro porque os dados do mercado de trabalho s\u00f3 ser\u00e3o divulgados pelo IBGE em janeiro pr\u00f3ximo.<br \/>\n\u201cOs sal\u00e1rios s\u00e3o orientados pelo IPCA geral ou INPC. Ent\u00e3o quem ganha muito pouco e recebe um aumento orientado pelo IPCA m\u00e9dio vai ter perda da qualidade de vida porque n\u00e3o vai conseguir repor a cesta de consumo, composta por alimentos que acumulam o dobro da infla\u00e7\u00e3o, e isso vem piorando ao longo dos \u00faltimos anos\u201d, explica o economista.<br \/>\nEntre os motivos citados por Braz para a alta dos alimentos est\u00e3o epis\u00f3dios clim\u00e1ticos que prejudicaram a agricultura, a crise h\u00eddrica que afetou o pre\u00e7o da energia el\u00e9trica e a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia que reduziu a oferta de milho, trigo e soja.<br \/>\nBraz cita ainda a alta do diesel, que \u00e9 o combust\u00edvel usado pelas m\u00e1quinas no campo e para escoamento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, al\u00e9m da alta de derivados do petr\u00f3leo como agrot\u00f3xicos, adubos e fertilizantes. \u201cEnt\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 desafiada pelo custo dos insumos b\u00e1sicos para o plantio, pelo custo do frete e pela pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho\u201d, afirma.<br \/>\nPara Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, a alta do d\u00f3lar, a seca de 2021 e a escassez de insumos afetaram a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. E o encarecimento do pre\u00e7o dos barris de petr\u00f3leo em 2021 e neste ano tamb\u00e9m tiveram grande influ\u00eancia sobre os pre\u00e7os.<br \/>\nImaizumi aponta tamb\u00e9m que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ante o d\u00f3lar chegou a 31,5% entre janeiro de 2020 e 12 de dezembro deste ano. \u201cTivemos tamb\u00e9m a maior seca do \u00faltimo s\u00e9culo no ano passado, o encarecimento das commodities ap\u00f3s as expectativas de vacina\u00e7\u00e3o e a guerra na Ucr\u00e2nia que encareceu as commodities energ\u00e9ticas e agr\u00edcolas\u201d, diz.<br \/>\nO economista do FGV Ibre afirma que as hortali\u00e7as e legumes, o a\u00e7\u00facar, os derivados do leite e do trigo acumulam uma infla\u00e7\u00e3o elevada. E os \u00fanicos itens que n\u00e3o t\u00eam subido tanto de pre\u00e7o s\u00e3o as carnes. Por\u00e9m, elas pararam de subir recentemente e se estabilizaram em um n\u00edvel de pre\u00e7os mais alto.<br \/>\nAlta dos juros desacelera a infla\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u201cA tend\u00eancia para 2023 \u00e9 que haja uma desacelera\u00e7\u00e3o no ritmo de alta de pre\u00e7os, porque a infla\u00e7\u00e3o subiu no mundo inteiro, v\u00e1rios pa\u00edses est\u00e3o vivendo uma infla\u00e7\u00e3o mais forte, como os Estados Unidos. Ent\u00e3o a eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros limita a demanda e o consumo e ajuda a conter o avan\u00e7o da infla\u00e7\u00e3o\u201d, estima Braz.<br \/>\nO economista lembra que a alta dos juros tamb\u00e9m penaliza o desenvolvimento. \u201cCom taxas mais altas ningu\u00e9m vai investir para pagar uma d\u00edvida maior, ent\u00e3o ao desestimular o investimento h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o da demanda\u201d.<br \/>\nSegundo Braz, a queda na demanda e nos investimentos desfavorece o aumento de pre\u00e7os. E como esse cen\u00e1rio \u00e9 global, isso pode ajudar a esfriar as tens\u00f5es inflacion\u00e1rias no Brasil e no mundo.<br \/>\n\u201cO desaquecimento da economia global prevista para os pr\u00f3ximos meses em fun\u00e7\u00e3o do aumento de juros \u00e9 que vai conter um pouco esse processo inflacion\u00e1rio. E a alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 isenta disso, apesar de ser influenciada por outras quest\u00f5es\u201d, diz.<br \/>\nInformalidade afeta renda do trabalhador<br \/>\nImaizumi afirma que o rendimento m\u00e9dio do real do trabalhador diminuiu porque a qualidade da recupera\u00e7\u00e3o das vagas durante a pandemia se deu por meio da informalidade, o que acabou precarizando o mercado de trabalho.<br \/>\nOutro fator que afeta o poder de compra, segundo Imaizumi, \u00e9 que o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo pelo INPC, que tem praticamente a mesma varia\u00e7\u00e3o do IPCA (a diferen\u00e7a est\u00e1 no perfil de fam\u00edlias pesquisadas), n\u00e3o permite que a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos seja reposta.<br \/>\n\u201cIsso faz com que o reajuste n\u00e3o seja feito de maneira correta, sendo que a alimenta\u00e7\u00e3o tem um peso maior na cesta das fam\u00edlias mais pobres. Esses \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o acabam n\u00e3o retratando fielmente a cesta de consumo da maioria dos brasileiros\u201d, diz o economista.<br \/>\n\u201cA gente tem que lembrar que muitos brasileiros vivem na situa\u00e7\u00e3o de pobreza, ent\u00e3o tem essa quest\u00e3o da alta da alimenta\u00e7\u00e3o dentro do IPCA bem maior que o pr\u00f3prio \u00edndice nesses \u00faltimos anos. Mas talvez em 2023 a gente tenha um al\u00edvio um pouco maior no aumento de pre\u00e7os dos alimentos\u201d, aponta.<br \/>\nPol\u00edtica fiscal tamb\u00e9m influencia<br \/>\nBraz aponta que a discuss\u00e3o do momento \u00e9 como a pol\u00edtica fiscal ser\u00e1 absorvida pelo or\u00e7amento. Essa incerteza pode desvalorizar o real frente ao d\u00f3lar, o que ajuda a potencializar a infla\u00e7\u00e3o de duas maneiras.<br \/>\nA primeira \u00e9 que o pa\u00eds passa a exportar mais. Com o real desvalorizado, todo mundo quer comprar produtos do Brasil porque est\u00e3o mais baratos \u2013 mas, ao mesmo tempo em que o aumento da exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 bom para a balan\u00e7a comercial, acaba sendo um desafio para a infla\u00e7\u00e3o porque isso pode desabastecer o mercado interno, o que pode for\u00e7ar a alta de pre\u00e7os.<br \/>\nO outro fator \u00e9 a importa\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m eleva os pre\u00e7os: com o real desvalorizado, o pa\u00eds paga mais caro pelos produtos em d\u00f3lar, o que gera mais infla\u00e7\u00e3o. O trigo \u00e9 um exemplo, pois \u00e9 um dos produtos mais importados e mat\u00e9ria-prima para uma s\u00e9rie de itens da cesta dos brasileiros, como p\u00e3o e macarr\u00e3o.<br \/>\n\u201cEnt\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rios desafios. O pa\u00eds pode n\u00e3o seguir essa onda de desinfla\u00e7\u00e3o global com tanta intensidade como em outros pa\u00edses justamente pela fragilidade fiscal e os efeitos negativos que isso pode trazer sobre o c\u00e2mbio e o pre\u00e7o dos alimentos\u201d, conclui Braz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento feito pelo g1 mostra que, enquanto a renda m\u00e9dia do brasileiro subiu 19,7% em tr\u00eas anos, os alimentos ficaram 41% mais caros. Pre\u00e7os de alimentos exibidos em supermercado no Rio de Janeiro. 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