{"id":26913,"date":"2022-12-17T14:10:00","date_gmt":"2022-12-17T14:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/17\/as-ultimas-virgens-juramentadas-da-albania-que-vivem-como-homens\/"},"modified":"2022-12-17T14:10:00","modified_gmt":"2022-12-17T14:10:00","slug":"as-ultimas-virgens-juramentadas-da-albania-que-vivem-como-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/17\/as-ultimas-virgens-juramentadas-da-albania-que-vivem-como-homens\/","title":{"rendered":"As \u00faltimas &#8216;virgens juramentadas&#8217; da Alb\u00e2nia, que vivem como homens"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/WIcfpG33bOCEge21_tNWzE02Xqo=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/r\/I\/JwPpYARpyEBIibmut4Cg\/image.png\"><br \/>   Tradi\u00e7\u00e3o antiga nos B\u00e1lc\u00e3s tem apenas poucas mulheres remanescentes diante da luta de jovens albanesas para acabar com a pr\u00e1tica. Gjystina Grisha \u00e9 uma das cerca de 12 virgens juramentadas ns B\u00e1lc\u00e3s<br \/>\nBBC\/DERRICK EVANS<br \/>\nPara Gjystina Grishaj, &#8220;a Alb\u00e2nia era um mundo dos homens e a \u00fanica forma de sobreviver era tornar-se um deles&#8221;.<br \/>\nEla morava nas montanhas do norte da Alb\u00e2nia e, com 23 anos de idade, tomou uma decis\u00e3o que mudaria sua vida. Ela fez um voto de celibato e prometeu viver o resto da vida como homem.<br \/>\nA fam\u00edlia de Grishaj mora na regi\u00e3o de Mal\u00ebsi e Madhe, em L\u00ebpush\u00eb (norte da Alb\u00e2nia), h\u00e1 mais de um s\u00e9culo. O lugar \u00e9 um profundo vale encravado entre montanhas escarpadas e uma das poucas regi\u00f5es onde ainda existe a tradi\u00e7\u00e3o da burrnesha \u2014 uma pr\u00e1tica centen\u00e1ria na qual as mulheres prestam um juramento para os anci\u00e3os da aldeia e vivem como homens.<br \/>\n Essas mulheres s\u00e3o conhecidas como burrneshat \u2014 as &#8220;virgens juramentadas&#8221;.<br \/>\n&#8220;Existem muitas pessoas solteiras no mundo, mas elas n\u00e3o s\u00e3o burrneshat&#8221;, explica Grishaj, que agora tem 57 anos.<br \/>\n&#8220;Uma burrnesha dedica-se apenas \u00e0 sua fam\u00edlia, ao trabalho, \u00e0 vida e a preservar sua pureza.&#8221;<br \/>\nGjystina Grishaj aprendeu com o pai o uso das ervas medicinais<br \/>\nVALERJANA GRISHAJ<br \/>\nPara muitas mulheres nascidas tempos atr\u00e1s, trocar sua identidade sexual, reprodutiva e social era uma forma de ter liberdades que apenas os homens podiam experimentar.<br \/>\nTornar-se uma burrnesha permitia que as mulheres se vestissem como homens, atuassem como chefes de fam\u00edlia, movimentassem-se livremente nas situa\u00e7\u00f5es sociais e aceitassem trabalhos que, tradicionalmente, eram abertos apenas para os homens.<br \/>\nGjystina \u2014 ou Duni, como \u00e9 conhecida pelos mais pr\u00f3ximos \u2014 era uma jovem ativa e atl\u00e9tica, decidida a ser independente. Ela nunca imaginou ter uma vida tradicional, com casamento, trabalho dom\u00e9stico ou usando vestidos.<br \/>\nEm vez disso, ap\u00f3s a morte do seu pai, ela decidiu tornar-se uma virgem juramentada, para poder chefiar a fam\u00edlia e trabalhar para sustent\u00e1-la financeiramente.<br \/>\n&#8220;\u00c9ramos extremamente pobres&#8230; Meu pai morreu e minha m\u00e3e tinha seis filhos&#8221;, ela conta. &#8220;Para facilitar para ela, decidi me tornar burrnesha e trabalhar bastante.&#8221;<br \/>\nGrishaj mora em uma aldeia remota. O sinal do celular \u00e9 espor\u00e1dico, no melhor dos casos. Invernos rigorosos fazem com que a neve bloqueie a estrada para L\u00ebpush\u00eb e cause cortes de eletricidade.<br \/>\nEla dirige uma pousada, trabalha na terra e cuida dos seus animais. Como burrnesha e chefe da fam\u00edlia, Grishaj tamb\u00e9m pratica a arte das ervas medicinais para fazer ch\u00e1s e \u00f3leos de cura. Ela aprendeu a t\u00e9cnica com seu pai.<br \/>\n&#8220;Ele tinha muito cuidado com as ervas medicinais e passou as li\u00e7\u00f5es para mim. E eu quero que minha sobrinha Valerjana aprenda essa pr\u00e1tica, mesmo tendo escolhido outro caminho&#8221;, afirma ela.<br \/>\nPara Valerjana Grishaj, a vida das mulheres na cidade tem &#8216;mais vantagens&#8217; do que na zona rural<br \/>\nBBC\/DERRICK EVANS<br \/>\n&#8220;Hoje em dia, ningu\u00e9m tenta se tornar uma virgem juramentada&#8221;, segundo Valerjana Grishaj. &#8220;As jovens nem pensam em ser virgens juramentadas. Sou um exemplo real disso.&#8221;<br \/>\nValerjana Grishaj foi criada ao lado da tia em L\u00ebpush\u00eb e percebeu que as op\u00e7\u00f5es para as mulheres na regi\u00e3o eram m\u00ednimas. A expectativa era casar-se cedo.<br \/>\n&#8220;Sempre recordo um momento quando estava no sexto ano da escola prim\u00e1ria. Uma amiga minha estava no nono ano e estava ficando noiva. Ela tinha apenas 14 anos&#8221;, recorda ela. &#8220;Ela me disse que seu marido n\u00e3o iria permitir que ela continuasse os estudos e que ela precisava ouvir o seu marido, ficar com ele e obedec\u00ea-lo.&#8221;<br \/>\nEm vez de se casar cedo ou tornar-se uma virgem juramentada, Valerjana Grishaj saiu da casa da fam\u00edlia com 16 anos de idade para estudar dire\u00e7\u00e3o teatral e fotografia na capital da Alb\u00e2nia, Tirana.<br \/>\n&#8220;Em Tirana, as meninas e as mulheres t\u00eam mais vantagens e s\u00e3o mais emancipadas&#8221;, ela conta. &#8220;Enquanto, na aldeia, a situa\u00e7\u00e3o, ainda hoje, \u00e9 um desastre.&#8221;<br \/>\nPr\u00e1tica em extin\u00e7\u00e3o<br \/>\nN\u00e3o existem n\u00fameros exatos, mas estima-se que existam apenas 12 burrneshat remanescentes no norte da Alb\u00e2nia e em Kosovo. Desde a queda do comunismo nos anos 1990, a Alb\u00e2nia vem presenciando mudan\u00e7as sociais que trouxeram mais direitos para as mulheres.<br \/>\nValerjana Grishaj considera que o desaparecimento da tradi\u00e7\u00e3o das burrneshat \u00e9 algo positivo.<br \/>\n&#8220;Hoje, n\u00f3s, meninas, n\u00e3o precisamos lutar para virar homens&#8221;, afirma ela. &#8220;Precisamos lutar por direitos iguais, mas sem nos tornarmos homens.&#8221;<br \/>\nEm 2019, a ativista dos direitos das mulheres Rea Nepravishta protestou durante os eventos do Dia Internacional da Mulher em Tirana. Ela saiu \u00e0s ruas com um grande cartaz estampado com a palavra burrnesha riscada com uma grande cruz vermelha. Embaixo, a express\u00e3o &#8220;mulheres fortes&#8221;.<br \/>\n&#8220;No idioma alban\u00eas, quando queremos descrever uma mulher como sendo forte, usamos o termo burrnesha&#8221;, explica ela. &#8220;\u00c9 uma palavra composta de duas partes. &#8216;Burre&#8217; significa homem&#8230; N\u00e3o dever\u00edamos nos referir aos homens para mostrar a for\u00e7a das mulheres.&#8221;<br \/>\nNepravishta acredita que o pa\u00eds est\u00e1 a caminho da abertura e deu &#8220;muitos passos adiante em um curto per\u00edodo de tempo&#8221;.<br \/>\nSegundo a ONU Mulheres \u2014 a Entidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Igualdade de G\u00eanero e o Empoderamento das Mulheres \u2014, a participa\u00e7\u00e3o feminina na tomada de decis\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas na Alb\u00e2nia progrediu recentemente, com melhorias dos c\u00f3digos e processos eleitorais. Ainda assim, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres permanece limitada e as diferen\u00e7as salariais n\u00e3o foram combatidas adequadamente.<br \/>\nEm 2017, 23% dos parlamentares e 35% dos legisladores locais eram mulheres.<br \/>\nOs direitos das mulheres t\u00eam um longo caminho pela frente. &#8220;Sexismo, estere\u00f3tipos de g\u00eanero&#8230; E viol\u00eancia de g\u00eanero, infelizmente, ainda s\u00e3o muito presentes na Alb\u00e2nia&#8221;, afirma Nepravishta.<br \/>\nOs dados da ONU Mulheres indicam que quase 60% das mulheres albanesas com 15 a 49 anos de idade j\u00e1 sofreram viol\u00eancia dom\u00e9stica. E o Banco de Dados dos \u00d3rg\u00e3os de Tratados das Na\u00e7\u00f5es Unidas revela que apenas 8% das mulheres s\u00e3o propriet\u00e1rias de terras e elas ainda s\u00e3o marginalizadas em quest\u00f5es relativas a heran\u00e7as.<br \/>\nStatus especial<br \/>\nAs ra\u00edzes da tradi\u00e7\u00e3o das burrneshat originam-se no Kanun, uma antiga constitui\u00e7\u00e3o adotada em Kosovo e no norte da Alb\u00e2nia no s\u00e9culo 15, que organizou a sociedade albanesa. Segundo essa lei patriarcal, as mulheres eram consideradas propriedade do marido.<br \/>\n&#8220;Elas n\u00e3o tinham o direito de decidir seu pr\u00f3prio destino, nem de escolher suas pr\u00f3prias vidas&#8221;, segundo Aferdita Onuzi, etn\u00f3grafa que estudou as burrneshat. &#8220;Se uma menina fosse ficar noiva, tudo era decidido sem sequer question\u00e1-la; nem a idade em que ela ficaria noiva, nem a pessoa com quem ela ficaria noiva.&#8221;<br \/>\nExistem muitos conceitos err\u00f4neos que pairam sobre a tradi\u00e7\u00e3o. Tornar-se uma virgem juramentada, normalmente, n\u00e3o era uma decis\u00e3o baseada na sexualidade, nem na identidade de g\u00eanero, mas sim em um status social especial que era oferecido a quem fizesse o juramento.<br \/>\n&#8220;A decis\u00e3o de uma menina de tornar-se virgem juramentada n\u00e3o tem nada a ver com a sexualidade&#8221;, segundo Onuzi. &#8220;\u00c9 simplesmente uma escolha de ter outro papel, outra posi\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia.&#8221;<br \/>\nMas tornar-se uma burrnesha tamb\u00e9m era uma forma de escapar de um casamento arranjado, sem desonrar a fam\u00edlia do noivo. &#8220;Esta decis\u00e3o significava que elas poderiam evitar um conflito sangrento entre duas fam\u00edlias&#8221;, afirma Onuzi.<br \/>\nAs regras que regiam os conflitos sangrentos haviam sido codificadas h\u00e1 muito tempo no Kanun, que ajudava a trazer ordem para a vida das tribos do norte da Alb\u00e2nia, particularmente durante sua incorpora\u00e7\u00e3o ao Imp\u00e9rio Otomano.<br \/>\nSegundo a lei do Kanun, os conflitos sangrentos eram uma obriga\u00e7\u00e3o social para proteger a honra. Eles podiam come\u00e7ar com a\u00e7\u00f5es pequenas como amea\u00e7as e insultos, mas, \u00e0s vezes, poderiam se intensificar at\u00e9 gerar um assassinato. A fam\u00edlia da v\u00edtima poderia ent\u00e3o buscar justi\u00e7a, matando o assassino ou outro homem da fam\u00edlia da parte culpada.<br \/>\nPara muitas jovens daquela \u00e9poca, o juramento do celibato evitava os conflitos sangrentos. &#8220;Era uma forma de escapar&#8221;, segundo Onuzi.<br \/>\nAs tradi\u00e7\u00f5es evolu\u00edram ao longo do tempo, transformando as decis\u00f5es for\u00e7adas em escolhas ativas.<br \/>\n&#8220;\u00c9 muito importante observar a diferen\u00e7a entre as burrneshat cl\u00e1ssicas, no sentido etnogr\u00e1fico, e as burrneshat atuais&#8230; Atualmente, \u00e9 uma decis\u00e3o totalmente pessoal&#8221;, explica Onuzi.<br \/>\n&#8216;Sempre me senti como homem&#8217;, afirma Drande<br \/>\nBBC\/DERRICK EVANS<br \/>\nGjystina Grishaj n\u00e3o foi obrigada a tornar-se burrnesha \u2014 ela pr\u00f3pria decidiu sua vida. Ao crescer na Alb\u00e2nia comunista, ela percebeu que os homens, na \u00e9poca, tinham muito mais liberdade.<br \/>\n&#8220;Havia muitos momentos em que voc\u00ea era considerada desigual&#8221;, ela conta. &#8220;As mulheres eram muito isoladas, limitadas \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas e n\u00e3o tinham direito de falar.&#8221;<br \/>\nSua fam\u00edlia \u2014 particularmente sua m\u00e3e \u2014 reprovou a decis\u00e3o, preocupada porque ela estava sacrificando sua possibilidade de ser m\u00e3e e ter sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. Mas, para Grishaj, o sacrif\u00edcio foi recompensado. &#8220;Quando decidi me tornar burrnesha, ganhei mais respeito&#8221;, ela conta.<br \/>\nQuanto \u00e0s demais, elas decidiram tornar-se burrneshat porque se sentiam mais como homens.<br \/>\n&#8220;Eu nunca me associei \u00e0s mulheres, mas sempre aos homens. Em bares, fumando&#8230;&#8221;, afirma Drande, burrnesha que mora na cidade litor\u00e2nea de Sh\u00ebngjin, no noroeste da Alb\u00e2nia, e refere-se a si pr\u00f3prio no masculino. &#8220;Sempre me senti como homem.&#8221;<br \/>\nPara Drande, adotar a pr\u00e1tica foi uma forma de usufruir das liberdades dos homens, como fumar cigarros e beber \u00e1lcool, elementos enraizados na tradi\u00e7\u00e3o das burrneshat.<br \/>\nE essas liberdades inclu\u00edam beber o tradicional destilado alban\u00eas rakia, historicamente restrito aos homens. Agora, Drande n\u00e3o s\u00f3 bebe o destilado, como produz o seu pr\u00f3prio.<br \/>\nQuando chegamos para entrevist\u00e1-lo, ele exibe orgulhoso um lote recente, conservado em uma garrafa pl\u00e1stica de \u00e1gua. &#8220;Isto vai deixar voc\u00ea mais forte&#8221;, afirma.<br \/>\nDrande conta que sua decis\u00e3o de tornar-se burrnesha trouxe mais aceita\u00e7\u00e3o da sociedade.<br \/>\n&#8220;Aonde eu fosse, recebia respeito especial e a sensa\u00e7\u00e3o era boa&#8221;, ele conta. &#8220;Eu era respeitado como homem e n\u00e3o como mulher&#8230; Eu me sentia mais livre dessa forma.&#8221;<br \/>\nDrande tem orgulho dos sacrif\u00edcios que fez para tornar-se burrnesha, mas tamb\u00e9m reconhece sentimentos de solid\u00e3o. Ele conta que j\u00e1 teve d\u00favidas.<br \/>\n&#8220;Pensei por um momento como seria ter um filho que pudesse cuidar de mim&#8230;&#8221;, ele conta. &#8220;Eu estava muito doente e n\u00e3o havia ningu\u00e9m por perto para me ajudar. Mas foi apenas por um momento, uma fra\u00e7\u00e3o de segundo.&#8221;<br \/>\nNaquele momento, enfrentando uma sociedade com op\u00e7\u00f5es limitadas para as mulheres, aquelas que se tornavam burrneshat viam a escolha como uma esp\u00e9cie de empoderamento. Era &#8220;um tipo de protesto convertido em sacrif\u00edcio&#8221;, segundo Onuzi.<br \/>\nMas, ao decidirem ser homens, elas inadvertidamente fortaleciam normas de g\u00eanero, aceitando o papel inferior das mulheres.<br \/>\nGjystina Grishaj ainda espera transmitir parte do seu conhecimento tradicional para sua sobrinha Valerjana, mesmo que ela tenha escolhido uma vida diferente<br \/>\nBBC\/DERRICK EVANS<br \/>\nMesmo na capital albanesa, a vida das mulheres jovens hoje em dia pode ser dif\u00edcil. Valerjana Grishaj estabeleceu uma presen\u00e7a online nas redes sociais, para ajudar a ampliar os direitos das mulheres. Mas o envio de mensagens positivas trouxe aten\u00e7\u00e3o negativa.<br \/>\n&#8220;Recebi muitas mensagens de homens, at\u00e9 mensagens amea\u00e7adoras, questionando por que eu falava sobre os direitos das mulheres&#8221;, ela conta.<br \/>\nValerjana Grishaj vem fotografando sua tia e outras burrneshat, como forma de documentar uma tradi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 morrendo.<br \/>\n&#8220;Espero que as gera\u00e7\u00f5es futuras se interessem por este tema, pois \u00e9 parte da nossa hist\u00f3ria e das nossas tradi\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma ela. &#8220;Hoje em dia, voc\u00ea n\u00e3o precisa ser uma burrnesha para ter liberdade. Como mulher moderna, n\u00e3o \u00e9 preciso prestar juramento.&#8221;<br \/>\nGjystina Grishaj n\u00e3o d\u00e1 import\u00e2ncia ao pre\u00e7o que ela pagou para ser respeitada \u2014 o sacrif\u00edcio da sua identidade feminina \u2014 mas, sim, \u00e0 liberdade que sua decis\u00e3o trouxe para ela.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o haver\u00e1 mais burrneshat, eu serei a \u00faltima&#8221;, afirma ela.<br \/>\nGrishaj admite que, embora talvez n\u00e3o tomasse a mesma decis\u00e3o hoje, ela faria tudo de novo se pudesse voltar no tempo.<br \/>\n&#8220;Tenho orgulho de ser uma burrnesha. N\u00e3o tenho arrependimentos.&#8221;<br \/>\nEsta reportagem faz parte do especial BBC 100 Women, que todos os anos destaca 100 mulheres inspiradoras e influentes ao redor do mundo.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-63984582<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradi\u00e7\u00e3o antiga nos B\u00e1lc\u00e3s tem apenas poucas mulheres remanescentes diante da luta de jovens albanesas para acabar com a pr\u00e1tica. Gjystina Grisha \u00e9 uma das cerca de 12 virgens juramentadas ns B\u00e1lc\u00e3s BBC\/DERRICK EVANS Para Gjystina Grishaj, &#8220;a Alb\u00e2nia era um mundo dos homens e a \u00fanica forma de sobreviver era tornar-se um deles&#8221;. 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