{"id":25666,"date":"2022-12-12T11:10:43","date_gmt":"2022-12-12T11:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/12\/copa-do-mundo-2022-asian-town-o-bairro-pobre-dos-operarios-que-construiram-estadios-no-catar\/"},"modified":"2022-12-12T11:10:43","modified_gmt":"2022-12-12T11:10:43","slug":"copa-do-mundo-2022-asian-town-o-bairro-pobre-dos-operarios-que-construiram-estadios-no-catar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/12\/copa-do-mundo-2022-asian-town-o-bairro-pobre-dos-operarios-que-construiram-estadios-no-catar\/","title":{"rendered":"Copa do Mundo 2022: Asian Town, o bairro pobre dos oper\u00e1rios que constru\u00edram est\u00e1dios no Catar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/_qRCpVrpNuYdm0nFn4_fopkS8jg=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/0\/w\/7NBIWwRx6JmzUUEOsEVQ\/thumbnail-image001-2022-12-12t065330.868.jpg\"><br \/>   Eles ajudaram a erguer as grandes infraestruturas do Mundial, mas n\u00e3o podem nem chegar perto das comemora\u00e7\u00f5es. BBC News Mundo foi \u00e0 Asian Town para falar com trabalhadores migrantes que vivem \u00e0s margens da sociedade no rico pa\u00eds do Golfo. Trabalhadores que ajudaram a erguer est\u00e1dios no Catar assistem jogos longe dos holofotes<br \/>\nA 20 quil\u00f4metros do Est\u00e1dio Al Janoub, no Catar, milhares de trabalhadores migrantes assistem ao futebol em uma tela gigante. Eles n\u00e3o podem se aproximar do campo, que muitos ajudaram a erguer com as pr\u00f3prias m\u00e3os.<br \/>\nLonge dos holofotes da cosmopolita, luxuosa e ultramoderna Doha, a capital do pa\u00eds, que \u00e9 exibida na televis\u00e3o, os homens mais humildes do pa\u00eds se re\u00fanem em sua particular &#8220;\u00e1rea de torcedores para pobres&#8221;.<br \/>\n\u00c9 assim que eles mesmos a chamam.<br \/>\nFutebol est\u00e1 sendo distra\u00e7\u00e3o dos migrantes ap\u00f3s jornadas de trabalho que muitas vezes ultrapassam 12 horas<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC MUNDO<br \/>\nO local fica no est\u00e1dio de cr\u00edquete Asian Town, centro nevr\u00e1lgico da zona industrial da capital, onde vivem centenas dos milhares de migrantes que constru\u00edram os est\u00e1dios e outras infraestruturas do Catar 2022 e est\u00e3o no centro de uma das maiores pol\u00eamicas desta Copa do Mundo.<br \/>\n&#8220;Vivemos e trabalhamos como escravos. Banco meus irm\u00e3os menores em Uganda, para que comam e estudem&#8221;, diz o jovem Moses. &#8220;Trabalhamos em condi\u00e7\u00f5es que nenhum ser humano deveria trabalhar. As temperaturas s\u00e3o altas e trabalhamos em hor\u00e1rios que n\u00e3o combinamos, at\u00e9 14 ou 15 por dia&#8221;, acrescenta.<br \/>\n No entanto, nem todos aqui pensam como ele.<br \/>\nAlguns descrevem as telas instaladas na Zona Industrial como &#8220;a \u00e1rea de torcedores para pobres&#8221;<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC MUNDO<br \/>\nMuitos agradecem ao Catar por lhes dar empregos e livr\u00e1-los de situa\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias em seus pa\u00edses de origem, como \u00cdndia, Bangladesh, Paquist\u00e3o, Nepal e outras na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica Oriental.<br \/>\n&#8220;No Nepal ou no Paquist\u00e3o h\u00e1 muita gente, menos trabalho e menos dinheiro. O Catar tem sido bom para n\u00f3s&#8221;, dizem dois dos entrevistados.<br \/>\nOrganiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias denunciaram abusos e viola\u00e7\u00f5es dos direitos dos trabalhadores durante os projetos para o Catar 2022 e a Organiza\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho apontou que houve dezenas de mortes.<br \/>\nMoses, de Uganda, garantiu \u00e0 BBC News Mundo, o servi\u00e7o de not\u00edcias em espanhol da BBC, que dois de seus colegas morreram trabalhando, uma afirma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o podemos verificar de forma independente.<br \/>\n&#8220;Um desmaiou com o calor. Simplesmente morreu&#8221;, diz ele.<br \/>\nO governo do Catar, por sua vez, afirma que 37 trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil morreram entre 2014 e 2020, embora apenas tr\u00eas deles por causas &#8220;relacionadas ao trabalho&#8221;.<br \/>\nUm porta-voz do governo disse recentemente \u00e0 BBC que as reformas implementadas, que fizeram do Catar o pa\u00eds do Golfo com a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista mais avan\u00e7ada, est\u00e3o melhorando as condi\u00e7\u00f5es de trabalho da maioria dos trabalhadores estrangeiros e que, ao passo que as medidas sejam implementadas, mais empresas devem cumprir as novas regras.<br \/>\n&#8220;Bem-vindo \u00e0 \u00e1rea de torcedores industrial&#8221;<br \/>\n\u00c9 noite de sexta-feira e para muitos o \u00fanico dia de folga.<br \/>\nEnquanto os imigrantes lotam o est\u00e1dio de cr\u00edquete, um grupo improvisa uma dan\u00e7a perto da entrada, onde uma faixa reconhece seus esfor\u00e7os em \u00e1rabe, ingl\u00eas e hindi: &#8220;Obrigado por suas contribui\u00e7\u00f5es para fazer a melhor Copa do Mundo da FIFA de todos os tempos&#8221;.<br \/>\nDentro e fora do est\u00e1dio, h\u00e1 tel\u00f5es gigantes e barracas de comida e bebida.<br \/>\nDezenas de milhares se re\u00fanem nas arquibancadas e no campo para assistir aos jogos em um ambiente divertido, mas muito diferente de outras \u00e1reas de torcedores em Doha, principalmente pela aus\u00eancia marcante de mulheres.<br \/>\nNo dia de folga, migrantes se animam dan\u00e7ando antes do futebol<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC NEWS MUNDO<br \/>\nNesta zona industrial onde vivem migrantes menos qualificados, as mulheres s\u00e3o apenas 0,5% entre pouco mais de 310 mil moradores.<br \/>\nA maioria dos homens est\u00e1 envolvida na constru\u00e7\u00e3o e outras ind\u00fastrias pesadas.<br \/>\nEntrevistados falam que trabalham em seis turnos diferentes, de mais de 12 horas cada um, em troca de um sal\u00e1rio m\u00ednimo (1.000 rials ou R$ 1.500).<br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil perguntar sobre pagamentos e condi\u00e7\u00f5es trabalhistas. Eles geralmente respondem primeiro com uma risada ir\u00f4nica. E alertam que suas empresas pedem que n\u00e3o falem com jornalistas.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o podemos falar. N\u00e3o queremos problemas, mas n\u00e3o estamos muito \u00e0 vontade&#8221;, diz um grupo de migrantes africanos.<br \/>\nDe todos os depoimentos ouvidos pela reportagem, o maior sal\u00e1rio era o equivalente a US$ 686 (R$ 3.600) por m\u00eas. O restante ganhava em torno ou um pouco mais do que o sal\u00e1rio m\u00ednimo que o Catar aprovou em 2021, tornando-se apenas o segundo pa\u00eds \u00e1rabe a fazer isso, depois do Kuwait.<br \/>\nE embora possa parecer uma quantia consider\u00e1vel considerando a situa\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses, os migrantes descrevem que mal lhes d\u00e1 o suficiente para economizar e enviar remessas para ajudar suas fam\u00edlias.<br \/>\nMigrantes assistem \u00e0 partida entre Uruguai e Gana<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC NEWS MUNDO<br \/>\nEles tamb\u00e9m t\u00eam dificuldade para ir a outras \u00e1reas de torcedores da cidade, pois precisam levar um &#8220;hayya card&#8221;, uma esp\u00e9cie de autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia emitida para quem comprou ingressos, um luxo de US$ 60 ou mais que eles n\u00e3o podem pagar.<br \/>\nPor isso, muitos dizem que quase n\u00e3o saem do bairro.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o pensei em ir a um jogo porque minha empresa me trouxe para c\u00e1 e agora me sinto em uma jaula. Talvez em algum momento, esteja mais livre. Esta \u00e1rea de torcedores \u00e9 para n\u00f3s pobres e agrade\u00e7o ao Catar por isso. Adoro isso aqui&#8221;, diz John, um imigrante ganense.<br \/>\nEntrada do complexo Asian Town<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC MUNDO<br \/>\nAsian Town<br \/>\nA \u00e1rea industrial fica a cerca de 15 quil\u00f4metros a sudoeste do Souq Waqif, o cora\u00e7\u00e3o social e cultural de Doha. Ao contr\u00e1rio de muitas atra\u00e7\u00f5es da capital, que podem ser alcan\u00e7adas em 30 a 40 minutos de transporte p\u00fablico, chegar aqui leva cerca de uma hora.<br \/>\nO gigantesco metr\u00f4 que ficou pronto em tempo recorde para a Copa do Mundo ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou este bairro.<br \/>\nA principal atra\u00e7\u00e3o \u00e9 o chamado Asian Town (&#8220;bairro asi\u00e1tico&#8221;), um complexo formado por um shopping center mais acess\u00edvel para o bolso da classe trabalhadora com restaurantes, lojas, cinemas, anfiteatro, campo de cr\u00edquete e Labor City (&#8220;Cidade do Trabalho&#8221;), onde pernoitam cerca de 70 mil migrantes.<br \/>\n&#8220;Asian Town, melhor acomoda\u00e7\u00e3o com instala\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o completo&#8221;, diz uma placa em uma das entradas vigiadas da Labor City.<br \/>\nAcesso \u00e0 Labor City \u00e9 restrito e vigiado<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nEsta \u00e9 zona residencial que o Catar inaugurou em 2015 sob intensa press\u00e3o internacional devido a den\u00fancias sobre as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil.<br \/>\nA entrada \u00e9 proibida: um muro de cerca de quatro metros de altura cerca as instala\u00e7\u00f5es com dezenas de c\u00e2meras de seguran\u00e7a instaladas.<br \/>\nO complexo \u00e9 cercado por grandes rodovias que dificultam a caminhada e por extensas \u00e1reas abertas onde latas de refrigerante, garrafas pl\u00e1sticas e sacos de batata se acumulam na areia.<br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil dizer que Labor City parece degradada ou pobre por quem a v\u00ea de fora, mas est\u00e1 longe de parecer como os maiores complexos residenciais da capital.<br \/>\nNos terrenos baldios que cercam a Labor City n\u00e3o h\u00e1 o mesmo cuidado com a limpeza como no restante de Doha<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC MUNDO<br \/>\nDentro h\u00e1 mesquitas, lavanderias, academias e lanchonetes.<br \/>\nMuitos dormem em quartos para quatro, embora Mois\u00e9s assegure que em alguns vivem at\u00e9 16.<br \/>\nDia de descanso jogando cr\u00edquete<br \/>\nNum dos espa\u00e7os abertos que circundam esta esp\u00e9cie de cidade intramuros, alguns dos seus moradores organizam uma festa de cr\u00edquete.<br \/>\nTrata-se uma forma divertida e barata de relaxar \u00e0 luz do dia e durante os jogos da Copa do Mundo.<br \/>\n&#8220;\u00c0s vezes, jogamos por at\u00e9 10 horas. Adoramos cr\u00edquete&#8221;, diz um trabalhador paquistan\u00eas \u00e0 BBC News Mundo.<br \/>\nAqui, v\u00e1rios entrevistados dizem estar satisfeitos com suas vidas quando comparadas com o que deixaram para tr\u00e1s em seus pa\u00edses.<br \/>\n&#8220;As empresas para as quais trabalhamos nos pagam pelo alojamento e nos d\u00e3o vales para comer. Dentro da Labor City, h\u00e1 supermercados e um hospital. Estamos muito gratos&#8221;, diz um nepal\u00eas.<br \/>\nAlguns dos migrantes passam o dia de folga jogando cr\u00edquete<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC MUNDO<br \/>\nMas eles admitem que o que ganham nem sempre \u00e9 suficiente.<br \/>\n&#8220;Nos dias de folga n\u00e3o sa\u00edmos daqui. O Catar \u00e9 muito caro e n\u00e3o queremos desperdi\u00e7ar porque temos que ajudar nossas fam\u00edlias&#8221;, ressaltam, pedindo que n\u00e3o revelemos seus nomes por medo de repres\u00e1lias de suas empresas.<br \/>\n&#8220;Recentemente um falou mal da Copa do Mundo em uma entrevista ao vivo e isso n\u00e3o caiu muito bem&#8221;, dizem.<br \/>\n&#8220;Estamos no Catar para ganhar dinheiro e voltar para casa&#8221;<br \/>\nJohn, o trabalhador ganense que descreve o est\u00e1dio de cr\u00edquete como &#8220;a \u00e1rea de torcedores para pobres&#8221;, mora do outro lado da zona industrial.<br \/>\nPara chegar aqui de Asian Town \u00e9 preciso atravessar um t\u00fanel subterr\u00e2neo que passa por uma rodovia. A estrutura est\u00e1 repleta de c\u00e2meras de seguran\u00e7a.<br \/>\nVigil\u00e2ncia, como no restante de Doha, tamb\u00e9m \u00e9 abundante na zona migrat\u00f3ria<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC MUNDO<br \/>\nO bairro \u00e9 composto principalmente por armaz\u00e9ns, pr\u00e9dios semi-constru\u00eddos, guindastes, edif\u00edcios de apartamentos humildes, lojas, restaurantes e lanchonetes populares<br \/>\nV\u00e1rias \u00e1reas n\u00e3o est\u00e3o pavimentadas e a poeira \u00e9 frequentemente levantada pelo vento.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 favelas ou outras constru\u00e7\u00f5es t\u00edpicas das comunidades mais carentes da Am\u00e9rica Latina, mas o contraste \u00e9 marcante em uma cidade empenhada em mostrar seu lado moderno e vibrante.<br \/>\n&#8220;Divido um quarto com outras seis pessoas, mas n\u00e3o estamos t\u00e3o mal e, portanto, \u00e9 mais prov\u00e1vel que lutemos por direitos no futuro&#8221;, diz ele.<br \/>\n&#8220;Estamos no Catar para ganhar dinheiro e voltar para casa. Quero ficar 10 anos, mesmo que meu contrato seja por dois, economizando e mandando dinheiro para minha fam\u00edlia. Gosto do Catar, embora \u00e0s vezes, quando vemos a pol\u00edcia, n\u00e3o sei se devo chegar mais perto ou fugir. Eles s\u00e3o assustadores&#8221;, diz John com uma risada.<br \/>\nPr\u00e9dios residenciais modestos se intercalam com armaz\u00e9ns na Zona Industrial<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC MUNDO<br \/>\nUma realidade al\u00e9m do Catar<br \/>\nAlguns desses trabalhadores conhecem experi\u00eancias em outros pa\u00edses da regi\u00e3o, onde as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o piores.<br \/>\n&#8220;Tenho conhecidos na Ar\u00e1bia Saudita cujos empregadores nem os deixam sair de casa&#8221;, diz Moses.<br \/>\nO Catar \u00e9 o primeiro pa\u00eds \u00e1rabe a abolir o pol\u00eamico sistema kafala (patroc\u00ednio em \u00e1rabe) e o segundo a estabelecer um sal\u00e1rio m\u00ednimo depois do Kuwait.<br \/>\nSob a kafala, se um funcion\u00e1rio mudasse de emprego, poderia ser processado, preso e deportado. Seus passaportes eram muitas vezes retidos, impedindo-os efetivamente de deixar o pa\u00eds.<br \/>\nCatar fez v\u00e1rios progressos em direitos trabalhistas, embora organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias estejam pedindo mais esfor\u00e7os<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nA ONG Human Rights Watch (HRW) reconhece as melhorias do Catar, mas insiste que &#8220;os trabalhadores migrantes ainda dependem de seus empregadores para facilitar a entrada, resid\u00eancia e emprego no pa\u00eds, o que significa que os empregadores s\u00e3o respons\u00e1veis por solicitar, renovar e cancelar suas autoriza\u00e7\u00f5es de resid\u00eancia e trabalho&#8221;.<br \/>\n&#8220;Os trabalhadores podem ficar sem documentos sem culpa pr\u00f3pria quando os empregadores n\u00e3o cumprem esses processos, e s\u00e3o eles, e n\u00e3o seus empregadores, que sofrem as consequ\u00eancias&#8221;, diz a ONG em um relat\u00f3rio de 2020.<br \/>\nNo ano passado, a organiza\u00e7\u00e3o observou que os trabalhadores estrangeiros ainda sofrem &#8220;dedu\u00e7\u00f5es salariais ilegais e punitivas&#8221; e enfrentam &#8220;meses de sal\u00e1rios n\u00e3o pagos por longas horas de trabalho extenuante&#8221;.<br \/>\nO Catar considera que a imprensa internacional \u00e9 injusta por colocar muito foco nessas quest\u00f5es e dar menos peso ao seu progresso nos \u00faltimos anos.<br \/>\nNo shopping Asian Town n\u00e3o h\u00e1 grandes marcas ou restaurantes refinados, comuns em outras \u00e1reas da cidade<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC MUNDO<br \/>\nInterior do shopping Asian Town<br \/>\nJOS\u00c9 CARLOS CUETO \/ BBC MUNDO<br \/>\n&#8220;Espero que esta Copa do Mundo nos traga melhores condi\u00e7\u00f5es e mais direitos&#8221;, diz um imigrante indiano.<br \/>\nO sentimento \u00e9 compartilhado por outros trabalhadores, exceto Mois\u00e9s, o mais cr\u00edtico, que sente que esta Copa do Mundo n\u00e3o \u00e9 para eles.<br \/>\n&#8220;Damos muito para nossas empresas, mas recebemos pouco. Estou torcendo para mudar de emprego&#8221;, confessa.<br \/>\n&#8220;Nada vai mudar depois da Copa. Acho que as condi\u00e7\u00f5es v\u00e3o ser ainda mais duras&#8221;, resigna-se.<br \/>\n*Os nomes usados nesta reportagem foram trocados proteger a identidade dos entrevistados.<br \/>\nEste texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-63929329<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles ajudaram a erguer as grandes infraestruturas do Mundial, mas n\u00e3o podem nem chegar perto das comemora\u00e7\u00f5es. BBC News Mundo foi \u00e0 Asian Town para falar com trabalhadores migrantes que vivem \u00e0s margens da sociedade no rico pa\u00eds do Golfo. 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