{"id":25334,"date":"2022-12-10T18:11:34","date_gmt":"2022-12-10T18:11:34","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/10\/as-misteriosas-inscricoes-vikings-em-vilarejo-remoto-no-centro-sul-dos-eua\/"},"modified":"2022-12-10T18:11:34","modified_gmt":"2022-12-10T18:11:34","slug":"as-misteriosas-inscricoes-vikings-em-vilarejo-remoto-no-centro-sul-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/10\/as-misteriosas-inscricoes-vikings-em-vilarejo-remoto-no-centro-sul-dos-eua\/","title":{"rendered":"As misteriosas inscri\u00e7\u00f5es vikings em vilarejo remoto no centro-sul dos EUA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/wQvgdh54DtSLlsWeji_QsPNQzb0=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/9\/A\/z1esWzQ3eQRi9e6BAtPA\/bbc-1.jpg\"><br \/>   Teorias apontam para uma passagem dos vikings por Oklahoma. Instituto Smithsonian concluiu que runas s\u00e3o de antigo idioma escandinavo e significam &#8216;vale do rel\u00f3gio de sol&#8217; ou &#8216;vale monumental&#8217;<br \/>\nDEPARTAMENTO DE TURISMO E RECREA\u00c7\u00c3O DE OKLAHOMA<br \/>\nTeriam os vikings conseguido chegar a uma remota parte do estado de Oklahoma, bem no meio dos Estados Unidos?<br \/>\nFaith Rogers \u00e9 volunt\u00e1ria e estagi\u00e1ria de ci\u00eancias ambientais do Parque das Pedras R\u00fanicas de Heavener, no extremo leste de Oklahoma City. Ela me guiou por um caminho de pedregulhos que leva a uma das maiores atra\u00e7\u00f5es dos 22 hectares de floresta \u2014 e tamb\u00e9m um dos maiores mist\u00e9rios hist\u00f3ricos dos Estados Unidos.<br \/>\nEst\u00e1vamos entre os arbustos no sop\u00e9 das montanhas Ouachita, seguindo nosso caminho at\u00e9 uma laje de arenito antiga que ainda faz muitos especialistas co\u00e7arem a cabe\u00e7a e debaterem sobre os oito s\u00edmbolos gravados sobre ela.<br \/>\nAlguns acreditam que essas inscri\u00e7\u00f5es misteriosas sejam runas (caracteres alfab\u00e9ticos antigos), que foram escavadas na pedra gigantesca perto do ano 1000 por exploradores n\u00f3rdicos que subiram o rio Arkansas at\u00e9 esta parte remota do que hoje s\u00e3o os Estados Unidos.<br \/>\n&#8220;Se acho que os vikings escavaram isso? Sim&#8221;, afirma Rogers, depois que chegamos \u00e0 &#8220;casa&#8221; de madeira e vidro constru\u00edda para proteger a laje de 3 x 3,6 metros. &#8220;[A historiadora local] Gloria Farley passou toda a sua vida pesquisando e tem muitas evid\u00eancias para confirmar a hist\u00f3ria.&#8221;<br \/>\nFarley cresceu na cidade de Heavener, onde a laje foi encontrada. Ela morreu em 2006 e \u00e9 uma lenda na regi\u00e3o.<br \/>\nFarley viu a rel\u00edquia pela primeira vez em uma caminhada quando era jovem, em 1928, e ficou fascinada pela rocha. Duas d\u00e9cadas depois, ela voltou para estud\u00e1-la, como runologista amadora e epigrafista autodidata.<br \/>\nO primeiro conhecimento moderno da pedra r\u00fanica data dos anos 1830, quando ela foi encontrada em uma festividade de ca\u00e7a do povo nativo americano choctaw. Os moradores brancos de Oklahoma passaram anos chamando a laje erroneamente de Rocha Ind\u00edgena, acreditando que as marcas fossem obra dos nativos americanos.<br \/>\n&#8220;[Farley] passou a maior parte da sua vida adulta pesquisando a pedra&#8221;, afirma Amanda Garcia, gerente do Parque das Pedras R\u00fanicas de Heavener.<br \/>\n&#8220;Ela viajou pelos Estados Unidos, foi ao Egito e para outros lugares para observar diversas inscri\u00e7\u00f5es.&#8221;<br \/>\nFarley chegou a entrar em contato com o Instituto Smithsonian e ficou sabendo que eles j\u00e1 haviam chegado a uma conclus\u00e3o sobre as inscri\u00e7\u00f5es em 1923.<br \/>\nPara eles, os caracteres eram de um idioma escandinavo e significavam &#8220;GNOMEDAL&#8221; &#8211; jun\u00e7\u00e3o de &#8220;gnome&#8221; e &#8220;dal&#8221;, traduzido como &#8220;vale do rel\u00f3gio de sol&#8221; ou &#8220;vale monumental&#8221;. Outros estudiosos traduziram os s\u00edmbolos posteriormente como &#8220;GLOMEDAL&#8221;, que significava &#8220;Vale de Glomo&#8221;.<br \/>\nCom a quest\u00e3o do idioma esclarecida, duas outras quest\u00f5es permaneciam sem resposta: quem entalhou aqueles s\u00edmbolos e quando?<br \/>\n&#8220;Comecei a acreditar que os s\u00edmbolos na pedra indicavam que os n\u00f3rdicos haviam visitado a regi\u00e3o antes de Colombo. Alterei o nome da rocha para &#8216;A Pedra R\u00fanica de Heavener&#8217; e comecei minha busca por inscri\u00e7\u00f5es similares na regi\u00e3o&#8221;, escreveu Farley no seu livro In Plain Sight: Old World Records in Ancient America (&#8220;\u00c0 vista de todos: registros do Velho Mundo na Am\u00e9rica antiga&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<br \/>\nGloria Farley observou pela primeira vez Pedra R\u00fanica de Heavener enquanto caminhava quando jovem em 1928. Nesta foto, ela est\u00e1 acompanhada de seus filhos em 1971<br \/>\nSOCIEDADE HIST\u00d3RICA DE OKLAHOMA<br \/>\nAo longo da sua carreira, Farley consultou historiadores, ge\u00f3logos e outros epigrafistas n\u00f3rdicos. Ela reuniu evid\u00eancias que sustentavam sua afirma\u00e7\u00e3o de que os vikings haviam visitado a Am\u00e9rica do Norte e eram muito h\u00e1beis para subir rios e c\u00f3rregos em barcos que flutuassem na \u00e1gua rasa.<br \/>\n&#8220;Um estudo das fascinantes sagas n\u00f3rdicas revelou os esfor\u00e7os dos povos n\u00f3rdicos que habitavam a Groenl\u00e2ndia para colonizar a costa leste da Am\u00e9rica do Norte entre cerca de 1002 e 1010 [d.C.]&#8221;, escreveu ela.<br \/>\n&#8220;Se os vikings viajaram para a R\u00fassia, Irlanda, Inglaterra, Fran\u00e7a e para os extremos do Mediterr\u00e2neo, por que n\u00e3o teria sido poss\u00edvel para eles chegar a Oklahoma pelo rio Mississippi?&#8221;<br \/>\nFarley chegou a defender a hip\u00f3tese de que os vikings deixaram sua marca neste c\u00e2nion depois de viajar para o interior a partir do Golfo do M\u00e9xico, h\u00e1 entre 600 e 800.<br \/>\nOutras duas lajes de arenito com marca\u00e7\u00f5es r\u00fanicas (insuficientes para serem traduzidas) foram encontradas a 1,5 km ao norte e ao sul da Pedra R\u00fanica de Heavener. Administradores do parque afirmam que elas indicam que as pedras eram marcas de fronteira.<br \/>\nEstudos e controv\u00e9rsias<br \/>\nA ideia de que os vikings navegaram pelo poderoso Mississippi n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o exagerada quanto pode parecer.<br \/>\nPedras r\u00fanicas atribu\u00eddas aos vikings foram encontradas em outros lugares dos Estados Unidos, incluindo Kensington, em Minnesota, e Spirit Pond, no Maine. Mesmo em Oklahoma, foram desenterradas seis dessas pedras (a maior quantidade em qualquer Estado americano), mas sua autenticidade ainda \u00e9 questionada.<br \/>\nParque da Pedra R\u00fanica de Heavener fica no sop\u00e9 das montanhas Ouachita, no extremo leste de Oklahoma, nos Estados Unidos<br \/>\nDEPARTAMENTO DE TURISMO E RECREA\u00c7\u00c3O DE OKLAHOMA<br \/>\nJ\u00e1 ficou comprovado que um assentamento n\u00f3rdico \u2014 L&#8217;Anse aux Meadows, patrim\u00f4nio mundial da Unesco, no extremo norte da ilha da Terra Nova, no Canad\u00e1 \u2014 data de pelo menos 1021 d.C. Ele oferece uma data concreta para a atividade dos vikings na Am\u00e9rica do Norte, que coincide com a idade estimada da Pedra R\u00fanica de Heavener.<br \/>\nSegundo Farley, os vikings podem ter viajado facilmente para o sul a partir da Terra Nova ao longo da costa leste da Am\u00e9rica do Norte e contornado a pen\u00ednsula da Fl\u00f3rida at\u00e9 o Golfo do M\u00e9xico, onde poderiam entrar pelo rio Mississippi, de l\u00e1 para o rio Arkansas (seu afluente), que os conduziria para o rio Poteau, em Oklahoma.<br \/>\n&#8220;O rio Poteau fica a poucos quil\u00f4metros daqui&#8221;, afirma Garcia. &#8220;Desconsidere a apar\u00eancia atual dos cursos d&#8217;\u00e1gua. Naquela \u00e9poca, antes de todos os lagos e represas artificiais, esses pequenos c\u00f3rregos eram grandes rios e vias fluviais.&#8221;<br \/>\nMas nem todos est\u00e3o convencidos. Em 2011, o arque\u00f3logo Lyle Tompsen, especializado na era dos vikings, analisou a pedra r\u00fanica e escreveu um estudo a respeito dela.<br \/>\nPara esse especialista, &#8220;a veracidade da pedra de Heavener como artefato viking \u00e9 problem\u00e1tica. A evid\u00eancia lingu\u00edstica \u00e9 amb\u00edgua. Mas a evid\u00eancia hist\u00f3rica do s\u00e9culo 19&#8230; oferece forte indica\u00e7\u00e3o de que a pedra \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o de um imigrante escandinavo do s\u00e9culo 19 (provavelmente, um imigrante sueco que trabalhava no armaz\u00e9m ferrovi\u00e1rio local).&#8221;<br \/>\nOutras teorias v\u00eam surgindo. Uma diz que a pedra foi escavada por um membro da expedi\u00e7\u00e3o de La Salle, perto de 1687, quando o explorador franc\u00eas Ren\u00e9-Robert Cavelier reivindicou a regi\u00e3o para a Fran\u00e7a, batizando-a de Louisiana. Outra diz que a inscri\u00e7\u00e3o \u00e9 obra de um capit\u00e3o sueco que guiou colonizadores alem\u00e3es at\u00e9 a regi\u00e3o entre 1718 e 1720.<br \/>\nParque da Pedra R\u00fanica de Heavener, em Oklahoma, chega a receber 2 mil pessoas em um \u00fanico fim de semana, dependendo da \u00e9poca do ano<br \/>\nDEPARTAMENTO DE TURISMO E RECREA\u00c7\u00c3O DE OKLAHOMA<br \/>\nE o idioma das runas tamb\u00e9m segue sendo questionado.<br \/>\n&#8220;As inscri\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o em escrita viking, mas em uma combina\u00e7\u00e3o de [idiomas r\u00fanicos] futhark antigo e futhark recente, anteriores \u00e0 \u00e9poca em que os vikings teriam viajado&#8221;, afirma Dennis Peterson, arque\u00f3logo e administrador do Centro Arqueol\u00f3gico Spiro Mounds, perto de Heavener, que abriga a maior cole\u00e7\u00e3o de rel\u00edquias pr\u00e9-hist\u00f3ricas dos nativos americanos nos Estados Unidos.<br \/>\n&#8220;Mas elas tamb\u00e9m podem ser mais recentes, pois o mesmo estilo de escrita estava sendo ensinado no norte da Europa nos anos 1800, da mesma forma que n\u00f3s costum\u00e1vamos aprender latim ou grego&#8221;, segundo ele. &#8220;Por isso, existe uma probabilidade maior de que algu\u00e9m que tenha aprendido futhark antigo na escola tenha estado por aqui e deixado o equivalente a um tipo de grafite.&#8221;<br \/>\nPeterson tamb\u00e9m argumenta que, como a cidade de Spiro, perto do s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Spiro Mounds, era uma metr\u00f3pole comercial importante na mesma \u00e9poca, seria prov\u00e1vel que tivesse havido algum registro de estranhos homens n\u00f3rdicos chegando \u00e0 regi\u00e3o.<br \/>\nComo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel datar as grava\u00e7\u00f5es na pedra usando m\u00e9todos cient\u00edficos tradicionais (como data\u00e7\u00e3o de carbono ou comparando-se a taxa de deteriora\u00e7\u00e3o de materiais org\u00e2nicos), pesquisadores da Pedra R\u00fanica de Heavener precisaram observar evid\u00eancias contextuais, como outros artefatos ou atividade viking na regi\u00e3o. Mas nada foi encontrado.<br \/>\n&#8220;Simplesmente n\u00e3o existem muitas evid\u00eancias que indiquem que os vikings vieram para Oklahoma&#8221;, segundo Larry O&#8217;Dell, diretor da Sociedade Hist\u00f3rica de Oklahoma.<br \/>\nAdmiradores das tradi\u00e7\u00f5es vikings de todo o mundo visitam Parque da Pedra R\u00fanica de Heavener<br \/>\nDEPARTAMENTO DE TURISMO E RECREA\u00c7\u00c3O DE OKLAHOMA<br \/>\nApesar de todas essas d\u00favidas, admiradores das tradi\u00e7\u00f5es vikings v\u00eam de todo o mundo para visitar o Parque das Pedras R\u00fanicas de Heavener.<br \/>\n&#8220;Tivemos um senhor da \u00c1ustria que veio para os Estados Unidos apenas para ver a pedra r\u00fanica&#8221;, relembra Garcia.<br \/>\n&#8220;Quando comecei aqui, cinco anos atr\u00e1s, t\u00ednhamos cerca de 400 pessoas por m\u00eas; agora, temos esse n\u00famero por semana&#8221;, afirma ele. &#8220;Dependendo da \u00e9poca do ano, podemos ter 2 mil pessoas ou mais em um fim de semana comum.&#8221;<br \/>\nO parque chegou a promover por 10 anos um Festival Viking da Pedra R\u00fanica, que atraiu milhares de visitantes, reencenadores e fornecedores escandinavos no passado. Na verdade, o festival cresceu tanto que atualmente est\u00e1 suspenso, enquanto seus organizadores estudam como acomodar a multid\u00e3o.<br \/>\nQuando fiquei frente a frente com aquelas letras antigas, tamb\u00e9m quis acreditar na lenda dos vikings navegando at\u00e9 Oklahoma. Deixei o parque com vis\u00f5es de guerreiros barbudos avan\u00e7ando pelas mesmas florestas espalhadas pelas rochas e densos bosques que estive visitando.<br \/>\nTalvez nenhuma evid\u00eancia comprove que eles realmente vieram, mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 provas definitivas de que eles n\u00e3o estiveram por aqui.<br \/>\nEste texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-63868117<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teorias apontam para uma passagem dos vikings por Oklahoma. 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