{"id":23258,"date":"2022-12-03T09:13:35","date_gmt":"2022-12-03T09:13:35","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/03\/fanaticos-por-futebol-de-botao-usam-a-copa-como-motivo-para-manter-viva-a-paixao-por-esporte-centenario\/"},"modified":"2022-12-03T09:13:35","modified_gmt":"2022-12-03T09:13:35","slug":"fanaticos-por-futebol-de-botao-usam-a-copa-como-motivo-para-manter-viva-a-paixao-por-esporte-centenario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/12\/03\/fanaticos-por-futebol-de-botao-usam-a-copa-como-motivo-para-manter-viva-a-paixao-por-esporte-centenario\/","title":{"rendered":"Fan\u00e1ticos por futebol de bot\u00e3o usam a Copa como motivo para manter viva a paix\u00e3o por esporte centen\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/b7FFk7tqn5T2C1NTemwN2xjDA74=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/O\/N\/75zSv8SOGvIyryAFCMuw\/futebol-botao-salinas.jpeg\"><br \/>   Atividade come\u00e7ou como brincadeira e teve auge entre os anos 1970 e 1990; agora conhecido como futmesa, pr\u00e1tica re\u00fane grupos de Norte a Sul do Brasil que usam Instagram e outras redes como ponto de encontro e espa\u00e7o para atrair novos jogadores. Copa do Mundo de futebol de bot\u00f5es disputada por turma de amigos no Salinas Futmesa.<br \/>\nGabriel Lisboa\/Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nCraques como Messi, Cristiano Ronaldo e Lewandowski se multiplicam \u00e0s dezenas pelo Brasil, reencarnados em pe\u00e7as redondas de pl\u00e1stico. Atletas que brilham no Catar s\u00e3o escalados por jogadores de futebol de bot\u00e3o em torneios inspirados na Copa do Mundo 2022.<br \/>\nDe Norte a Sul do Brasil, praticantes do esporte organizam disputas entre sele\u00e7\u00f5es jogando sozinhos ou com amigos, seja em garagens ou mesmo em clubes dedicados somente ao botonismo. A Copa do Mundo para eles \u00e9 mais uma boa oportunidade para rever amigos, treinar e divulgar o futebol de bot\u00e3o, que atualmente \u00e9 mais conhecido como futebol de mesa (futmesa).<br \/>\nAlemanha Oriental, Iugosl\u00e1via, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Tchecoslov\u00e1quia&#8230; veja os pa\u00edses que jogaram a Copa do Mundo e n\u00e3o existem mais<br \/>\nMesmo quando divergem sobre regras, campo e at\u00e9 bolas, os botonistas compartilham um senso de urg\u00eancia: sabem que \u00e9 preciso lutar para que o esporte ganhe mais adeptos e cres\u00e7a em um mundo cada vez mais digital e dominado pelos eSports.<br \/>\nPor isso tem sido no Instagram e no Tik Tok que fotos, v\u00eddeos e resultados de torneios inspirados nos jogos do Catar ganharam destaque desde meados de novembro. &#8220;Muito antes (do Instagram) o esporte j\u00e1 era difundido e tinha grande penetra\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o d\u00e1 para pensar (o futuro do botonismo) no mundo de hoje sem as redes sociais&#8221;, afirma Jorge Farah Neto, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Futebol de Mesa (FPFM).<br \/>\nInitial plugin text<br \/>\nQuando jogos de videogame como Fifa 22 ou Pro Evolution Soccer (PES) n\u00e3o existiam, o botonismo era febre entre os garotos e n\u00e3o havia preocupa\u00e7\u00e3o quanto ao futuro da atividade. Embora sem data certa, a pr\u00e1tica come\u00e7ou a partir dos anos 1920, tendo seu auge entre os anos 1970 e 1990, com alcance nacional.<br \/>\nNos prim\u00f3rdios, os bot\u00f5es de roupas eram lixados e adaptados para disputas sobre o piso de varandas, cal\u00e7adas ou mesas de cozinha. O botonista Chic\u00e3o Virginelli, integrante do Dalm\u00e1cia Futmesa, guarda um conjunto que pertenceu ao pai, Azael Virginelli. Ele conta que as disputas de Azael com primos e amigos eram feitas com uma bola de corti\u00e7a. \u201c\u00c9 uma rel\u00edquia que guardo com muito carinho\u201d, conta Chic\u00e3o.<br \/>\nBot\u00f5es antigos usados na pr\u00e1tica do futebol de mesa por Azael Virginelli nos anos 1970. Na imagem, al\u00e9m dos bot\u00f5es tamb\u00e9m h\u00e1 fichas usadas como palhetas e uma bola de corti\u00e7a.<br \/>\nChic\u00e3o Virginelli\/Acervo Pessoal<br \/>\nMas o botonismo evoluiu e a pr\u00e1tica ganhou pe\u00e7as usinadas com o rigor de mil\u00edmetros por artes\u00e3os habilidosos e ainda passou a contar com certa diversidade de bot\u00f5es industrializados. At\u00e9 mesmo fabricantes conhecidos de brinquedos como Estrela e Gulliver chegaram a produzir os itens no auge da pr\u00e1tica.<br \/>\nDas tampas de rel\u00f3gio aos Brianezi<br \/>\nMas, para uma parcela dos adeptos, o sonho de consumo eram os chamados bot\u00f5es Brianezi, empresa familiar em atividade entre 1972 e 2000. A companhia produzia bot\u00f5es inspirados nas tampas de rel\u00f3gio que garotos recolhiam junto a relojoeiros para compor seus times, uma alternativa aos bot\u00f5es de roupa.<br \/>\nOs times da primeira gera\u00e7\u00e3o da Brianezi s\u00e3o alvo de colecionadores at\u00e9 hoje. As sele\u00e7\u00f5es mundiais eram parte importante da produ\u00e7\u00e3o, mas a marca tamb\u00e9m tinha no cat\u00e1logo todos os times nacionais. E eles foram o motivo de sua derrocada: a produ\u00e7\u00e3o foi paralisada depois da press\u00e3o do Clube dos Treze, que representava os times de futebol do Brasil. Os cartolas buscaram, no fim dos anos 90, cobrar royalties sobre o uso dos escudos. A cobran\u00e7a veio quando a atividade j\u00e1 enfrentava forte concorr\u00eancia (inclusive dos videogames) e a f\u00e1brica fechou as portas.<br \/>\nS\u00f3 recentemente a marca Brianezi foi retomada, em novo modelo de neg\u00f3cio e com os distintivos das sele\u00e7\u00f5es mundiais atraindo novos jogadores e os antigos colecionadores, como conta Alexandre Badolato, atual diretor da Brianezi e CEO da AB Participa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nShowroom da Brianezi na Zona Sul de S\u00e3o Paulo<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n \u201cEu conheci a Brianezi \u00e0s v\u00e9speras da Copa do Mundo da Argentina. Foi a Copa que motivou meu pai a trazer os bot\u00f5es para casa naquela \u00e9poca. Tenho a Alemanha e a Holanda que ganhei naquela \u00e9poca at\u00e9 hoje, mais de 40 anos depois\u201d, conta Badolato, respons\u00e1vel por recolocar no mercado o legado da marca fundado por Paulo Brianezi (morto justamente no ano daquele mundial de 1978).<br \/>\nFoi em um carnaval de 2016 que Alexandre Badolato reencontrou seus bot\u00f5es antigos e ficou curioso sobre o destino da marca. Dois anos depois deu os primeiros passos para reativar a marca com a permiss\u00e3o do filho do fundador, L\u00facio Brianezi. Para n\u00e3o repetir os problemas com os clubes, as sele\u00e7\u00f5es foram o foco na retomada do neg\u00f3cio. \u201c\u201cN\u00e3o existe direito autoral sobre bandeira de pa\u00eds\u201d, diz Alexandre.<br \/>\nAl\u00e9m dos escretes dos mais diversos pa\u00edses, o novo administrador da marca decidiu ir em busca de times que eventualmente topassem ceder direitos para manter viva uma pr\u00e1tica \u201ccultural\u201d e em risco de \u201cextin\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cEu digo que est\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o porque tem muita gente que joga, mas a maioria est\u00e1 na faixa dos 50 e 55 anos. Molecada jogando \u00e9 exce\u00e7\u00e3o da exce\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Alexandre.<br \/>\nQuando a Brianezi voltou \u00e0 ativa, no meio da pandemia, foram lan\u00e7adas 48 sele\u00e7\u00f5es, incluindo algumas de pa\u00edses j\u00e1 extintos e que estavam no cat\u00e1logo original da empresa fundada em 1972. Para a Copa do Mundo de 2022, a empresa lan\u00e7ou uma s\u00e9rie limitada com apenas mil caixinhas na cor gren\u00e1.<br \/>\nBot\u00f5es Brianezi: marca completa 50 anos com lan\u00e7amento especial para a Copa do Mundo de 2022<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u201cMas sem refer\u00eancia a FIFA nem nada, e a gente colocou as 32 sele\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na Copa para que a gente pudesse ter uma coisa colecion\u00e1vel\u201d, conta o administrador. \u201cA sele\u00e7\u00e3o que a gente mais vendeu desde que a gente voltou foi a do Uruguai\u201d, conta.<br \/>\nDisputa com amigos ou em ligas<br \/>\nMesmo com as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas o futebol de mesa mostra resili\u00eancia. O pa\u00eds tem atualmente oito modalidades oficiais e recebeu em outubro, na cidade de S\u00e3o Paulo, um campeonato mundial de futmesa para tr\u00eas dessas regras.<br \/>\nPor isso, os atletas federados j\u00e1 t\u00eam sua pr\u00f3pria Copa do Mundo, Campeonato brasileiro e Copa do Brasil. Mas o cen\u00e1rio das ligas e disputas de garagem muitas vezes prefere ignorar o circuito oficial e apostar no lado l\u00fadico, criando suas pr\u00f3prias competi\u00e7\u00f5es informais e nem por isso menos disputadas.<br \/>\nUsando bot\u00f5es semelhantes aos da Brianezi, um grupo de Mogi da Cruzes (S\u00e3o Paulo) vai reproduzir neste s\u00e1bado (3) sua pr\u00f3pria Copa com direito a presen\u00e7a das tais exce\u00e7\u00f5es apontadas como raras no meio.<br \/>\n\u201cComo n\u00e3o temos (atletas) profissionais no grupo, abrimos e incentivamos os iniciantes a jogarem com a gente, inclusive nosso \u00faltimo torneio de dezembro ter\u00e1 um s\u00f3 para os garotos de at\u00e9 15 anos\u201d, conta Rodrigo Barreira, um dos fundadores do Clube de Futebol de Bot\u00e3o Gaspar Vaz.<br \/>\nAtualmente os cerca de quarenta frequentadores do grupo se re\u00fanem em eventos tem\u00e1ticos: neste ano j\u00e1 disputaram vers\u00f5es da Champions League e da Libertadores. S\u00f3 que, ao contr\u00e1rio das competi\u00e7\u00f5es de futebol, os botonistas costumam resolver todas as etapas e rodadas da competi\u00e7\u00e3o em um mesmo dia, saindo do local j\u00e1 carregando ta\u00e7as e medalhas.<br \/>\nNo Rio de Janeiro, a Argentina venceu a Copa do Mundo organizada na garagem da casa de um dos integrantes da Turma Toque Toque (TTT). &#8220;A Argentina venceu nos penais depois de 5&#215;5 no tempo normal e 1&#215;1 na prorroga\u00e7\u00e3o&#8221;, conta Alexandre Schmitt, que tamb\u00e9m mant\u00e9m um canal no YouTube com curiosidades sobre o futebol de bot\u00e3o.<br \/>\nInitial plugin text<br \/>\nAtualmente a TTT re\u00fane 15 s\u00f3cios. &#8220;Pagamos uma anuidade. O dinheiro arrecadado banca a brincadeira, premia\u00e7\u00f5es, lanche e brindes. Geralmente jogamos no \u00faltimo s\u00e1bado do m\u00eas e convidamos uma pessoa de fora da liga por etapa para jogar. Geralmente por indica\u00e7\u00e3o de algum s\u00f3cio\u201d, conta Schmitt.<br \/>\nEm Salin\u00f3polis, no Par\u00e1, uma disputa entre 12 sele\u00e7\u00f5es terminou com o t\u00edtulo da Alemanha por 2 x 1 sobre a Alemanha na copa do grupo Salinas Futebol de Mesa. O ponto comum entre a vit\u00f3ria da Argentina no Rio de Janeiro e a dos alem\u00e3es no norte do pa\u00eds foi o uso de uma &#8220;bola quadrada&#8221;: o dadinho.<br \/>\nTurma do Salinas Futmesa<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nGabriel Lisboa conta que o Salinas se re\u00fane para treinos semanalmente. &#8220;Nosso espa\u00e7o \u00e9 uma sala cedida por uma tia minha. Hoje temos um ranking que \u00e9 disputado uma etapa por m\u00eas, e mantemos uma rotina de treino todas as ter\u00e7as-feiras. Os campeonatos tem\u00e1ticos surgiram esse ano na nossa liga, com a Champions League e agora a Copa do Mundo&#8221;, conta Lisboa.<br \/>\nInitial plugin text<br \/>\nSolit\u00e1ria? Tiktokers seguem &#8216;Copa dos reciclados&#8217;<br \/>\nH\u00e1 ainda um outro universo muito comum entre os &#8220;copeiros&#8221; do futebol de bot\u00e3o: jogadores que disputam campeonatos inteiros sozinhos, alternando-se no controle de cada time.<br \/>\nMas para Vitor Cezar Pontes Sim\u00f5es, o Tico, jogar sua primeira Copa do Mundo sem ter um oponente n\u00e3o significa estar sozinho, e sim uma forma de terapia e encontrar amigos. Os n\u00fameros de seguidores no Instagram e no Tik Tok na verdade agora s\u00e3o de apoiadores em sua luta contra um quadro de agorofobia, depress\u00e3o e ansiedade.<br \/>\nCampo usado pelo botonista Tico para as disputas da Copa do Mundo de bot\u00f5es recicl\u00e1veis<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o<br \/>\n&#8220;Certo dia eu tive uma crise muito grande aqui em minha casa, e desse dia ent\u00e3o n\u00e3o consegui sair mais. E o que me ajudou e ajuda muito \u00e9 o futebol de bot\u00e3o, nessa brincadeira eu busquei aux\u00edlio para minha recupera\u00e7\u00e3o, \u00e9 a minha terapia&#8221;, conta Tico, que mant\u00e9m a nada solit\u00e1ria Liga Sensa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Os seguidores e meus colegas botonistas come\u00e7aram a me questionar sobre a Copa do Mundo, se eu iria fazer. No come\u00e7o fiquei relutante, pois s\u00f3 queria ter meus times nacionais mesmo. Ent\u00e3o, em uma das longas madrugadas sem dormir por causa da ansiedade, me veio a ideia de criar uma Copa do Mundo com bot\u00f5es recicl\u00e1veis&#8221;, conta o morador de S\u00e3o Vicente.<br \/>\nInitial plugin text<br \/>\nDesde abril ele come\u00e7ou a produzir times com tampas de leite, de refrigerante, de lubrificantes automotivos e ainda de outros tipos de embalagens.<br \/>\n&#8220;A Copa da Liga Sensa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou no mesmo dia da Copa do Mundo da FIFA. Os jogos est\u00e3o sendo transmitidos ao vivo pela p\u00e1gina no TikTok (@ligasensacaodefutbotao), todos os dias \u00e0s 20 horas, com pico de at\u00e9 500 pessoas assistindo&#8221;, conta Tico.<br \/>\nPara o cartola da Liga Sensa\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros representam &#8220;grandes resultados&#8221;, mas o mais importante vai al\u00e9m: &#8220;mostrar uma antiga brincadeira para uma gera\u00e7\u00e3o que nunca sequer viu o futebol de bot\u00e3o. \u00c9 fant\u00e1stico o entusiasmo das crian\u00e7as e adolescentes nas lives&#8221;, resume Tico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atividade come\u00e7ou como brincadeira e teve auge entre os anos 1970 e 1990; agora conhecido como futmesa, pr\u00e1tica re\u00fane grupos de Norte a Sul do Brasil que usam Instagram e outras redes como ponto de encontro e espa\u00e7o para atrair novos jogadores. 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