{"id":21974,"date":"2022-11-29T07:13:46","date_gmt":"2022-11-29T07:13:46","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/29\/um-retrato-de-kherson-apos-o-fim-da-ocupacao-russa\/"},"modified":"2022-11-29T07:13:46","modified_gmt":"2022-11-29T07:13:46","slug":"um-retrato-de-kherson-apos-o-fim-da-ocupacao-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/29\/um-retrato-de-kherson-apos-o-fim-da-ocupacao-russa\/","title":{"rendered":"Um retrato de Kherson ap\u00f3s o fim da ocupa\u00e7\u00e3o russa"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/BdjE4iwfMYxAYclwGWwQqeoJz1I=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/C\/8\/l9E6phRvSDE8qdjAfxzA\/63833158-1006.jpg\"><br \/>   Cidade no sul da Ucr\u00e2nia ficou nove meses sob dom\u00ednio russo. Correspondente da DW descreve como est\u00e1 a vida no local onde nasceu, com moradores divididos entre a alegria da liberta\u00e7\u00e3o e o medo de uma nova fase da guerra. Entrada de Kherson: vest\u00edgios da guerra e da ocupa\u00e7\u00e3o por toda parte<br \/>\nIgor Burdyga\/DW<br \/>\nPassei um ano sem ir a Kherson. Voltar para casa depois de tanto tempo teria sido emocionante,  mesmo em tempos de paz. Mas minha cidade natal \u00e9 um lar no meio da guerra. Em meados de novembro, o Ex\u00e9rcito ucraniano voltou a Kherson, e as for\u00e7as russas recuaram para a outra margem do rio Dnipro.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, moradores da cidade t\u00eam abra\u00e7ado os soldados ucranianos todos os dias, pedindo aut\u00f3grafos, esperando em filas por \u00e1gua e ajuda humanit\u00e1ria. Aprendendo a se esconder sob fogo de artilharia e contando como foram os nove meses de ocupa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCaminho cheio de postos de controle<br \/>\nKherson continua sendo uma cidade fechada, o acesso \u00e9 restrito. Os militares e a pol\u00edcia falam de &#8220;medidas de estabiliza\u00e7\u00e3o&#8221;. Jornalistas e trabalhadores humanit\u00e1rios s\u00f3 podem entrar e sair sob escolta militar.<br \/>\nA rodovia para a vizinha capital regional, Mykolayiv, est\u00e1 ficando cada vez mais movimentada. Veem-se colunas de caminh\u00f5es com alimentos, combust\u00edvel, geradores de emerg\u00eancia e ajuda humanit\u00e1ria. Em alguns lugares, a estrada foi danificada por bombardeios. Os desvios levam por estradas de terra mal transit\u00e1veis por causa das chuvas t\u00edpicas de novembro. &#8220;Queridos, para onde voc\u00eas v\u00e3o, h\u00e1 muita lama&#8221;, diz uma mulher idosa na vila de Kisseliwka, apontando para uma van dos correios atolada.<br \/>\nOs restos da famosa ponte Antonivsky, a maior de Kherson, ainda pendem sobre o rio Dnipro. As tropas russas entraram na cidade por essa ponte no final de fevereiro e a explodiram quando sa\u00edram. Um grafite mais antigo invoca a &#8220;vit\u00f3ria&#8221; russa, uma inscri\u00e7\u00e3o mais recente insulta os ocupantes.<br \/>\nImportante ponte sobre o rio Dnipro foi bombardeada pelos russos<br \/>\nIgor Burdyga\/DW<br \/>\nSe voc\u00ea ficar aqui desprotegido em campo aberto apenas por um curto per\u00edodo de tempo, \u00e9 baleado diretamente a partir do outro lado do rio. Os soldados russos montaram suas posi\u00e7\u00f5es l\u00e1, perto da pequena cidade de Oleshki. Soldados ucranianos de um posto de controle pr\u00f3ximo nos escondem sob uma ponte e nos aconselham a seguir em frente rapidamente.<br \/>\nCom colete \u00e0 prova de balas pela cidade<br \/>\nCercados por postos de controle, os habitantes de Kherson est\u00e3o divididos: entre a alegria da liberta\u00e7\u00e3o e o medo de uma nova fase da guerra. Afinal, a cidade est\u00e1 agora pr\u00f3xima \u00e0 linha de frente.<br \/>\nNem todos os residentes, dizem os soldados, j\u00e1 entenderam o que isso significa. N\u00e3o h\u00e1 um sistema de alerta operacional contra ataques a\u00e9reos, nem abrigos seguros.<br \/>\nO Ex\u00e9rcito russo vem bombardeando Kherson. Explos\u00f5es podem ser ouvidas com cada vez com mais frequ\u00eancia. Infraestrutura civil, edif\u00edcios do Ex\u00e9rcito e residenciais s\u00e3o alvo. O n\u00famero de civis mortos ou feridos aumenta com o passar dos dias.<br \/>\nEnquanto isso, na rua Perekopska, dois homens derrubam um grande cartaz elogiando a anexa\u00e7\u00e3o russa. Eles dizem que os russos colocaram tais cartazes por toda a cidade. &#8220;Pelo menos mais uma semana de trabalho para n\u00f3s&#8221;, diz um deles.<br \/>\nColetes \u00e0 prova de balas s\u00e3o usados por moradores<br \/>\nIgor Burdyga\/DW<br \/>\nYuri Savchuk dobra cuidadosamente partes do cartaz. Ele \u00e9 diretor de um museu dedicado \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia na Segunda Guerra Mundial. Savchuk retornou a Kherson nos primeiros dias ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o para documentar a guerra atual. &#8220;J\u00e1 fiz 50 entrevistas sobre o assunto&#8221;, diz o historiador orgulhosamente.<br \/>\nE a vontade de falar \u00e9 realmente grande. Quase todos, de boa vontade, contam sua hist\u00f3ria de resist\u00eancia. Serhij Anatolijovitsh, um m\u00e9dico aposentado, oferece-se para me mostrar uma &#8220;c\u00e2mara de tortura&#8221; russa onde os ocupantes aprisionaram dissidentes.<br \/>\nEla fica numa numa antiga cadeia. Na entrada, h\u00e1 policiais. L\u00e1 dentro, investigadores documentam vest\u00edgios de tortura. Ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o, algu\u00e9m escreveu na porta: &#8220;Gl\u00f3ria \u00e0 Ucr\u00e2nia e a suas for\u00e7as armadas&#8221;.<br \/>\n&#8220;De manh\u00e3 voc\u00ea podia ouvir o hino russo, os detentos foram obrigados a cant\u00e1-lo. \u00c0 noite, havia gritos terr\u00edveis&#8221;, lembra a vendedora de uma loja vizinha.<br \/>\nAdvert\u00eancias de minas na cidade<br \/>\nAntes de sua retirada, os militares russos colocaram minas muitas casas. Agora as equipes de remo\u00e7\u00e3o de minas est\u00e3o trabalhando em v\u00e1rios pr\u00e9dios p\u00fablicos, inclusive na biblioteca da cidade, onde estava instalado o servi\u00e7o secreto russo. Uma delegacia de pol\u00edcia foi explodida por precau\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFila para \u00e1gua em Kherson<br \/>\nBernat Armangue\/AP\/dpa\/picture alliance<br \/>\nOutros objetos de infraestrutura cr\u00edtica foram explodidos pelo pr\u00f3prio Ex\u00e9rcito russo antes da sua retirada. Em Kherson, n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua corrente, n\u00e3o h\u00e1 eletricidade.As pessoas fazem fila com baldes e garrafas nos po\u00e7os privados ainda intactos. Sinal de celular e o acesso a internet est\u00e3o voltando gradualmente. Nos primeiros dias, foram fornecidos terminais Starlink em alguns pontos de acesso p\u00fablico. &#8220;Apenas 64 pessoas podem se conectar ao mesmo tempo&#8221;, avisa uma placa num parque.<br \/>\nOs russos tamb\u00e9m explodiram a torre de radiodifus\u00e3o em Kherson. Ela havia sido ocupada logo por eles para interromper as transmiss\u00f5es da televis\u00e3o ucraniana. Agora, Vladimir, um homem idoso com uma jaqueta de camuflagem, vigia o que resta da torre. Vladimir sofre de h\u00e9rnia de disco, mas n\u00e3o quer ir para o hospital de jeito nenhum. &#8220;Se n\u00e3o for eu, quem vai cuidar de tudo isso? H\u00e1 aqui equipamentos valiosos, metais. Eu n\u00e3o quero que ningu\u00e9m roube.&#8221;<br \/>\nVladimir diz que antes da invas\u00e3o russa ele havia se registrado em um sub\u00farbio de Kherson para a defesa territorial. Depois, diz, ele informou o lado ucraniano sobre a movimenta\u00e7\u00e3o das tropas russas para um aeroporto estrategicamente importante nas proximidades.<br \/>\n&#8220;Eu me agachei em um cemit\u00e9rio e fingi estar de luto por minha esposa&#8221;, diz ele. &#8220;Memorizei tudo e o transmiti aos nossos oficiais de reconhecimento ucranianos. Eu disse que havia dois ventiladores e cinco latas de carne em uma loja. Esse era nosso c\u00f3digo secreto para helic\u00f3pteros e transportadores de tropas.&#8221;<br \/>\nFilas para tudo<br \/>\nEm Kherson, a maior parte dos servi\u00e7os p\u00fablicos ainda n\u00e3o foi restaurada. Os residentes passam seu tempo em filas de espera para obter \u00e1gua, acesso \u00e0 internet ou cart\u00f5es de telefone ucranianos. No primeiro dia ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o, houve celebra\u00e7\u00f5es na pra\u00e7a principal.<br \/>\nAinda h\u00e1 concertos di\u00e1rios, mas a maioria das pessoas agora prefere fazer fila para obter gratuitamente produtos de higiene, alimentos, roupas quentes e rem\u00e9dios. Restam alguns produtos russos nas lojas, especialmente bebidas e cigarros, mas cada vez menos. Desde outubro, dizem os fornecedores, n\u00e3o h\u00e1 mais reabastecimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade no sul da Ucr\u00e2nia ficou nove meses sob dom\u00ednio russo. 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