{"id":20611,"date":"2022-11-24T04:11:17","date_gmt":"2022-11-24T04:11:17","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/24\/que-efeitos-teria-um-acidente-na-usina-nuclear-de-zaporizhzhia\/"},"modified":"2022-11-24T04:11:17","modified_gmt":"2022-11-24T04:11:17","slug":"que-efeitos-teria-um-acidente-na-usina-nuclear-de-zaporizhzhia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/24\/que-efeitos-teria-um-acidente-na-usina-nuclear-de-zaporizhzhia\/","title":{"rendered":"Que efeitos teria um acidente na usina nuclear de Zaporizhzhia?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/lSRsH5OZuFnQoFOndg0Mk4fSQYw=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/2\/F\/kylNnrT7OZa3Ay6XJGeQ\/2022-08-22t185352z-1354154581-rc2l1w984ow8-rtrmadp-3-ukraine-crisis-zaporizhzhia-nuclear.jpg\"><br \/>   Em meio \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia, teme-se um desastre na maior usina nuclear da Europa. Com base nos acidentes de Chernobyl e Fukushima, especialistas tentam estimar poss\u00edveis consequ\u00eancias para a sa\u00fade e o meio ambiente. Usina nuclear de Zaporizhzhia em Enerhodar, na Ucr\u00e2nia, \u00e9 a maior da Europa<br \/>\nREUTERS\/Alexander Ermochenko<br \/>\nQuando se pensa em amea\u00e7as nucleares e na guerra na Ucr\u00e2nia, a maioria considera duas possibilidades: o que aconteceria se ocorresse um acidente em uma usina nuclear ucraniana? E o que aconteceria se uma arma nuclear fosse utilizada?<br \/>\nPara produzir esta reportagem, conversamos com especialistas sobre o impacto que os desastres de Fukushima, no Jap\u00e3o, e de Chernobyl, na Ucr\u00e2nia, tiveram na sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es vizinhas, e pedimos que explicassem at\u00e9 que ponto essas cat\u00e1strofes poderiam ajudar a compreender o risco em Zaporizhzhia.<br \/>\nZaporizhzhia ocupada<br \/>\nA usina de Zaporizhzhia n\u00e3o fica muito longe da fronteira sul da Ucr\u00e2nia. Este ano, tornou-se a primeira usina nuclear ativa a continuar operando em meio a uma guerra.<br \/>\nDesde que as for\u00e7as russas a tomaram, em mar\u00e7o, muitos europeus t\u00eam se perguntado como um potencial acidente na \u00e1rea poderia ser comparado ao de Chernobyl, em 1986 \u2013 um evento que por d\u00e9cadas foi considerado o pior acidente nuclear da hist\u00f3ria. O desastre de Chernobyl liberou radia\u00e7\u00e3o por todo o continente e contaminou humanos, plantas e animais.<br \/>\nNos tr\u00eas meses seguintes ao acidente na usina sovi\u00e9tica, mais de 30 trabalhadores morreram como consqu\u00eancia direita dele. Um relat\u00f3rio publicado pelo F\u00f3rum de Chernobyl, um grupo de ag\u00eancias da ONU formado em 2003 para avaliar as consequ\u00eancias sanit\u00e1rias e ambientais do desastre, sugeriu, em 2006, que ele ainda causaria ao menos 4 mil mortes por c\u00e2ncer no longo prazo, embora essa estimativa seja contestada.<br \/>\nEsta foto de arquivo de 26 de abril de 1986 mostra uma vista a\u00e9rea da usina nuclear ucraniana de Chernobyl, com danos causados \u200b\u200bpor uma explos\u00e3o e inc\u00eandio no reator quatro, que enviou grandes quantidades de material radioativo para a atmosfera<br \/>\nAP Photo\/ Volodymyr Repik<br \/>\nControv\u00e9rsia sobre efeitos de Chernobyl<br \/>\nAlguns especialistas dizem que o real impacto de Chernobyl foi mascarado por autoridades sovi\u00e9ticas numa tentativa de minimizar sua gravidade. \u00c9 o que acredita a professora Kate Brown, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Ela conduziu uma extensa pesquisa sobre o impacto que a radia\u00e7\u00e3o teve sobre a sa\u00fade das pessoas na Ucr\u00e2nia e nos pa\u00edses vizinhos desde o acidente.<br \/>\nEm um relat\u00f3rio do Greenpeace publicado em 2006, pesquisadores estimaram o n\u00famero de mortes em consequ\u00eancia do desastre em cerca de 90 mil \u2013 mais de 20 vezes mais do que havia sido sugerido pelo relat\u00f3rio do F\u00f3rum de Chernobyl.<br \/>\nEdwin Lyman, f\u00edsico e diretor de Seguran\u00e7a de Energia Nuclear da Uni\u00e3o de Cientistas Preocupados, com sede nos Estados Unidos, diz que &#8220;n\u00e3o considera o relat\u00f3rio do F\u00f3rum de Chernobyl confi\u00e1vel&#8221;.<br \/>\nLyman afirma que esse levantamento baseou suas proje\u00e7\u00f5es de morte por c\u00e2ncer apenas em casos dentro da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ignorando popula\u00e7\u00f5es de outras partes da Europa e do Hemisf\u00e9rio Norte.<br \/>\nO relat\u00f3rio original sobre Chernobyl e o seu impacto na sa\u00fade, conduzido por ag\u00eancias da ONU e publicado em 1988, abordou a exposi\u00e7\u00e3o global \u00e0 radia\u00e7\u00e3o em resposta ao acidente, e estimou que ela responderia, no fim, por 30 mil ou mais mortes por c\u00e2ncer, segundo Lyman.<br \/>\n&#8220;A quest\u00e3o fundamental \u00e9 acreditar ou n\u00e3o que exposi\u00e7\u00f5es de baixo n\u00edvel [\u00e0 radia\u00e7\u00e3o] causam c\u00e2ncer \u2013 e o consenso mundial entre os especialistas \u00e9 de que sim. O F\u00f3rum de Chernobyl afirma essencialmente o contr\u00e1rio&#8221;, diz, chamando o estudo de um &#8220;documento altamente pol\u00edtico com conclus\u00f5es que foram cuidadosamente massageadas para minimizar os impactos do acidente&#8221;.<br \/>\nEstudos com os sobreviventes do desastre de Chernobyl mostraram aumento nos casos de c\u00e2ncer de tireoide. Nas d\u00e9cadas seguintes ao acidente, pesquisadores detectaram taxas dessa condi\u00e7\u00e3o cerca de tr\u00eas vezes maiores do que o esperado em jovens da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. De acordo com as pesquisas, esse aumento \u00e9 parcialmente atribu\u00eddo ao consumo de leite contaminado.<br \/>\nNo entanto, conforme Lyman, os maiores estudos para delinear o risco geral de c\u00e2ncer foram publicados no in\u00edcio dos anos 2000, \u00e9poca em que muitos casos da doen\u00e7a provocados pelo desastre de Chernobyl poderiam ainda n\u00e3o ter se manifestado. E, em torno de 20 anos depois, n\u00e3o houve nenhum acompanhamento completo desses relat\u00f3rios.<br \/>\nEstudos sobre o impacto de Chernobyl na sa\u00fade tamb\u00e9m apontam altos \u00edndices de depress\u00e3o e ansiedade na popula\u00e7\u00e3o de \u00e1reas pr\u00f3ximas.<br \/>\nAp\u00f3s terremoto seguido de um tsunami em 2011, usina nuclear de Fukushima, no Jap\u00e3o, sofreu danos<br \/>\nShohei Miyano\/Kyodo News\/AP\/picture alliance<br \/>\nFukushima, uma melhor compara\u00e7\u00e3o<br \/>\nDe acordo com Lyman, qualquer precipita\u00e7\u00e3o radioativa a partir de um poss\u00edvel acidente na usina de Zaporizhzhia provavelmente teria mais em comum com as consequ\u00eancias do desastre nuclear de Fukushima, no Jap\u00e3o, em 2011.<br \/>\n&#8220;As consequ\u00eancias que levaram a uma dispers\u00e3o t\u00e3o grande e ampla da atividade radioativa [em Chernobyl] s\u00e3o possivelmente menos prov\u00e1veis de ocorrer em Zaporizhzhia, que tem reatores de \u00e1gua leve, mais parecidos com os reatores existentes na Alemanha ou em outros lugares do Ocidente&#8221;, argumenta.<br \/>\nO acidente nuclear em Fukushima marca, junto com Chernobyl o \u00fanico desastre em uma usina que foi classificado como &#8220;sete&#8221; na Escala Internacional de Eventos Nucleares da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (Aiea). O desastre foi provocado por um forte terremoto seguido de um tsunami que levou a usina a ficar sem energia, provocando tr\u00eas fus\u00f5es nucleares, explos\u00f5es de hidrog\u00eanio e grande libera\u00e7\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o.<br \/>\nRelat\u00f3rios oficiais conclu\u00edram que, embora muitas pessoas tenham morrido devido ao tsunami e ao terremoto, nenhuma morreu diretamente por causa do acidente nuclear. Al\u00e9m de doen\u00e7as causadas pela radia\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o vizinha \u00e0 Fukushima, o maior impacto na sa\u00fade ainda tem sido o estresse psicol\u00f3gico experimentado pelas pessoas que foram evacuadas da \u00e1rea.<br \/>\nAtualmente, pesquisadores dizem que o acidente em Fukushima deixou apenas uma pequena marca no ambiente pr\u00f3ximo, porque grande parte da radia\u00e7\u00e3o foi liberada no mar.<br \/>\n&#8220;Obviamente, Zaporizhzhia n\u00e3o tem sa\u00edda para o mar, portanto, n\u00e3o seria esse o caso [de liberar radia\u00e7\u00e3o na \u00e1gua]. Mas, ainda assim, seria de se esperar, provavelmente, menos material radioativo liberado e dispersado&#8221;, diz Lyman.<br \/>\nLyman acrescenta que o n\u00edvel de radia\u00e7\u00e3o liberado a partir de um poss\u00edvel acidente em Zaporizhzhia dependeria do fato de o acidente ser t\u00e9cnico (por exemplo, uma consequ\u00eancia da perda de energia no pr\u00e9dio por v\u00e1rios dias) ou relacionado a combate, caso em que a radia\u00e7\u00e3o seria liberada mais rapidamente. Em uma situa\u00e7\u00e3o como essa, a gravidade de quaisquer consequ\u00eancias provavelmente ficaria em algum lugar entre o que aconteceu em Chernobyl e o que aconteceu em Fukushima, diz.<br \/>\n&#8220;Acho que a probabilidade de outro evento como o de Chernobyl afetar a Alemanha, por exemplo, \u00e9 menor. Haveria, provavelmente, impactos consider\u00e1veis, mas n\u00e3o t\u00e3o grandes quanto os que foram vividos em 1986&#8221;, afirma Lyman.<br \/>\nOutros reatores tamb\u00e9m representam risco<br \/>\nZaporizhzhia tem chamado muito a aten\u00e7\u00e3o porque atualmente \u00e9 a \u00fanica usina nuclear na Ucr\u00e2nia sob controle direto russo. Mas Lyman mostra-se tamb\u00e9m preocupado com outras usinas, que s\u00e3o mais antigas, no pa\u00eds. Isso as torna ainda mais suscet\u00edveis a consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas no caso de um acidente.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 tr\u00eas outras usinas nucleares na Ucr\u00e2nia que est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximas da fronteira ocidental. Portanto, elas est\u00e3o longe do fronte, mas ainda assim ao alcance de m\u00edsseis ou drones russos&#8221;, diz.<br \/>\nEmbora nenhum desses reatores seja do mesmo modelo que os de Chernobyl, argumenta Lyman, alguns s\u00e3o antigos reatores sovi\u00e9ticos de \u00e1gua leve, que n\u00e3o seriam t\u00e3o resistentes a um ataque como os da usina de Zaporizhzhia.<br \/>\n&#8220;Se as usinas se tornarem mais acess\u00edveis para ataques, isso poderia ser uma preocupa\u00e7\u00e3o maior para a Europa Ocidental&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia, teme-se um desastre na maior usina nuclear da Europa. Com base nos acidentes de Chernobyl e Fukushima, especialistas tentam estimar poss\u00edveis consequ\u00eancias para a sa\u00fade e o meio ambiente. 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