{"id":20527,"date":"2022-11-23T23:17:39","date_gmt":"2022-11-23T23:17:39","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/23\/guerra-na-ucrania-as-diferencas-entre-as-usinas-nucleares-de-zaporizhzhia-e-chernobyl\/"},"modified":"2022-11-23T23:17:39","modified_gmt":"2022-11-23T23:17:39","slug":"guerra-na-ucrania-as-diferencas-entre-as-usinas-nucleares-de-zaporizhzhia-e-chernobyl","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/23\/guerra-na-ucrania-as-diferencas-entre-as-usinas-nucleares-de-zaporizhzhia-e-chernobyl\/","title":{"rendered":"Guerra na Ucr\u00e2nia: as diferen\u00e7as entre as usinas nucleares de Zaporizhzhia e Chernobyl"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/K9iv5aC7cnsECSjWu-bq3tSsFxk=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/m\/n\/T5tCGzRZ2KRWhkPRmAYg\/3.jpg\"><br \/>   A Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica alertou sobre danos a alguns pr\u00e9dios, sistemas e equipamentos da usina ucraniana ocupada pela R\u00fassia. O governo ucraniano realizou v\u00e1rias simula\u00e7\u00f5es no caso de um poss\u00edvel desastre nuclear<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nNos \u00faltimos dias, v\u00e1rias explos\u00f5es abalaram as instala\u00e7\u00f5es de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, localizada no sudeste da Ucr\u00e2nia e sob controle russo desde o in\u00edcio da invas\u00e3o.<br \/>\nA R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia trocaram acusa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas sobre a autoria do bombardeio.<br \/>\nA Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA) manifestou preocupa\u00e7\u00e3o repetidamente com os ataques \u00e0 usina \u2014 e prop\u00f4s o estabelecimento de uma zona de prote\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a nuclear em torno dela.<br \/>\nBombardear a usina nuclear \u00e9 como brincar de &#8220;roleta russa&#8221;, disse \u00e0 BBC Olli Heinonen, ex-vice-diretor geral da AIEA.<br \/>\n&#8220;Um \u00fanico proj\u00e9til no lugar errado, na hora errada, ter\u00e1 consequ\u00eancias de longo alcance&#8221;, alertou o ex-funcion\u00e1rio do \u00f3rg\u00e3o de vigil\u00e2ncia nuclear da ONU.<br \/>\nEle esclareceu, no entanto, que \u00e9 improv\u00e1vel que um \u00fanico proj\u00e9til cause danos ao reator em si, que \u00e9 protegido por metros de concreto e metal.<br \/>\nO risco, segundo ele, \u00e9 que o bombardeio interrompa o fornecimento de eletricidade para o sistema de resfriamento, o que significaria que o reator ou o combust\u00edvel usado ficariam muito quentes, provocando a fus\u00e3o do combust\u00edvel e a libera\u00e7\u00e3o de radioatividade.<br \/>\nSoma-se a isso o fato de que os funcion\u00e1rios &#8220;podem cometer erros&#8221; devido \u00e0 press\u00e3o a que est\u00e3o sendo submetidos, se forem capazes de operar.<br \/>\n&#8220;\u00c9 um jogo perigoso, e tem que acabar&#8221;, acrescentou Heinonen.<\/p>\n<p>BBC<br \/>\n&#8220;As not\u00edcias da nossa equipe s\u00e3o extremamente preocupantes&#8221;, disse Rafael Grossi, chefe da AIEA, cuja equipe em campo informou que houve danos em alguns pr\u00e9dios, sistemas e equipamentos da usina.<br \/>\n&#8220;Houve explos\u00f5es na usina nuclear, o que \u00e9 totalmente inaceit\u00e1vel. Quem est\u00e1 por tr\u00e1s disso deve parar imediatamente. Como j\u00e1 disse muitas vezes, est\u00e3o brincando com fogo&#8221;, acrescentou.<br \/>\nMas, afinal, como \u00e9 esta usina e quais s\u00e3o os riscos?<br \/>\nZaporizhzhia tem sido alvo de ataques desde o in\u00edcio da guerra<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nA maior da Europa<br \/>\nA usina nuclear de Zaporizhzhia, constru\u00edda entre 1984 e 1995, \u00e9 a maior usina nuclear da Europa \u2014 e a nona maior do mundo.<br \/>\nEla possui seis reatores, cada um gerando 950 MW, com uma produ\u00e7\u00e3o total de 5.700 MW, energia suficiente para abastecer cerca de 4 milh\u00f5es de resid\u00eancias.<br \/>\nDe acordo com a AIEA, em tempos normais a usina produz cerca de 20% da eletricidade da Ucr\u00e2nia \u2014 e quase metade da energia gerada pelas instala\u00e7\u00f5es nucleares do pa\u00eds.<br \/>\nA usina est\u00e1 localizada no sudeste da Ucr\u00e2nia, em Enerhodar, \u00e0s margens do reservat\u00f3rio de Kakhovka, no Rio Dnieper. Fica a cerca de 200 km da disputada regi\u00e3o de Donbas, e a 550 km a sudeste da capital Kiev.<br \/>\nA import\u00e2ncia da usina levou a R\u00fassia a ocup\u00e1-la em mar\u00e7o, no in\u00edcio da guerra. Desde ent\u00e3o, ambos os lados se acusam mutuamente de bombardear repetidas vezes a instala\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs russos mantiveram os t\u00e9cnicos ucranianos para operar a usina.<br \/>\nEm agosto, a usina foi temporariamente desconectada da rede el\u00e9trica ucraniana pela primeira vez na sua hist\u00f3ria, quando um inc\u00eandio derrubou em duas ocasi\u00f5es a \u00faltima linha de transmiss\u00e3o de energia de 750 quilovolts que restava.<br \/>\nEspecialistas nucleares da ONU realizaram sua primeira inspe\u00e7\u00e3o na usina em setembro, acompanhados por soldados russos, e descobriram que a integridade da usina havia sido &#8220;comprometida v\u00e1rias vezes&#8221;.<br \/>\nAs diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a Chernobyl<br \/>\nAlguns analistas dizem que a usina de Zaporizhzhia \u00e9 diferente e mais segura que a de Chernobyl, que foi palco do pior desastre nuclear do mundo em 1986.<br \/>\nOs seis reatores de Zaporizhzhia, diferentemente de Chernobyl, s\u00e3o reatores de \u00e1gua pressurizada (PWR, na sigla em ingl\u00eas) e possuem estruturas de conten\u00e7\u00e3o ao seu redor para impedir qualquer libera\u00e7\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Zaporizhzhia foi constru\u00edda na d\u00e9cada de 1980, por isso \u00e9 relativamente moderna&#8221;, diz Mark Wenman, diretor do Centro de Treinamento de Doutorado em Futuro da Energia Nuclear.<br \/>\n&#8220;Ela tem um edif\u00edcio de conten\u00e7\u00e3o s\u00f3lido. Tem 1,75 m de espessura, concreto fortemente refor\u00e7ado sobre um leito s\u00edsmico [para resistir a terremotos]&#8230; e \u00e9 preciso muito para romp\u00ea-lo.&#8221;<br \/>\nEle rejeita compara\u00e7\u00f5es com Chernobyl em 1986 ou Fukushima em 2011. Chernobyl teve graves falhas de projeto, ele explica, enquanto em Fukushima os geradores a diesel foram inundados, o que ele acredita que n\u00e3o aconteceria na Ucr\u00e2nia, j\u00e1 que os geradores est\u00e3o dentro do pr\u00e9dio de conten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA usina de Zaporizhzhia tamb\u00e9m n\u00e3o cont\u00e9m grafite em seu reator. Em Chernobyl, o grafite causou um inc\u00eandio significativo \u2014  e foi a fonte da nuvem de radia\u00e7\u00e3o que viajou pela Europa.<br \/>\nAl\u00e9m disso, os reatores PWR tamb\u00e9m s\u00e3o equipados com sistemas de prote\u00e7\u00e3o contra inc\u00eandio.<br \/>\nAp\u00f3s os atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA, as usinas nucleares foram submetidas a testes para detectar poss\u00edveis ataques com avi\u00f5es de grande porte e consideradas bastante seguras \u2014 portanto, danos ao pr\u00e9dio de conten\u00e7\u00e3o do reator podem n\u00e3o ser o maior perigo.<\/p>\n<p>BBC<br \/>\nO risco ao abastecimento<br \/>\nMais preocupante \u00e9 a perda de fornecimento de energia para os reatores nucleares. Se isso acontecer, e os geradores a diesel na reserva falharem, haver\u00e1 perda de refrigera\u00e7\u00e3o. Sem eletricidade para abastecer as bombas ao redor do n\u00facleo quente do reator, o combust\u00edvel come\u00e7aria a fundir.<br \/>\nA usina foi temporariamente desconectada da rede el\u00e9trica ucraniana em 25 de agosto, quando um inc\u00eandio derrubou em duas ocasi\u00f5es a \u00faltima linha de transmiss\u00e3o de energia de 750 quilovolts que restava. As outras tr\u00eas foram retiradas de opera\u00e7\u00e3o durante a guerra.<br \/>\nNesse caso, a eletricidade foi fornecida por meio de uma linha de transmiss\u00e3o menos potente de uma termel\u00e9trica a carv\u00e3o nas proximidades e, segundo as autoridades, tamb\u00e9m foram usados \u200b\u200bgeradores a diesel.<br \/>\nNo entanto, a ag\u00eancia nuclear ucraniana afirma que os geradores n\u00e3o s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o de longo prazo e que, se a \u00faltima linha de transmiss\u00e3o de energia da rede nacional se romper, o combust\u00edvel nuclear pode come\u00e7ar a fundir, &#8220;resultando na libera\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias radioativas&#8221; no meio ambiente.<br \/>\nUma falha na bomba e no gerador pode provocar superaquecimento do n\u00facleo do reator e a destrui\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es da usina.<br \/>\n&#8220;Isso n\u00e3o seria t\u00e3o grave quanto Chernobyl, mas ainda assim poderia causar uma libera\u00e7\u00e3o de radioatividade, e isso depende de para onde o vento sopra&#8221;, diz Claire Corkhill, professora de degrada\u00e7\u00e3o de material nuclear na Universidade de Sheffield, no Reino Unido.<br \/>\nPara ela, o risco de algo dar errado \u00e9 real, e a R\u00fassia estaria t\u00e3o exposta quanto a Europa Central.<br \/>\nMas Iztok Tiselj, professor de engenharia nuclear da Universidade de Ljubljana, na Eslov\u00eania, acredita que o risco de um grande incidente radioativo \u00e9 m\u00ednimo, j\u00e1 que apenas dois dos seis reatores est\u00e3o operacionais.<br \/>\n&#8220;Do ponto de vista dos cidad\u00e3os europeus, n\u00e3o h\u00e1 motivo para preocupa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz ele.<br \/>\nOs outros quatro reatores est\u00e3o parados em estado frio \u2014 por isso, a quantidade de energia necess\u00e1ria para resfriar os reatores \u00e9 menor.<br \/>\nO fator humano<br \/>\nOutro grande risco de seguran\u00e7a pode vir do combust\u00edvel usado em Zaporizhzhia. Assim que o combust\u00edvel acaba, os res\u00edduos s\u00e3o resfriados em tanques de combust\u00edvel usado \u2014  e, em seguida, transferidos para armazenamento a seco.<br \/>\n&#8220;Se fossem danificados, haveria uma libera\u00e7\u00e3o de radioatividade, mas n\u00e3o seria nem de longe t\u00e3o grave quanto a perda de refrigera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Corkhill.<br \/>\nIztok Tiselj acredita que qualquer libera\u00e7\u00e3o seria t\u00e3o pequena que seria insignificante.<br \/>\nNo centro desta crise, est\u00e3o os funcion\u00e1rios da usina, trabalhando sob a ocupa\u00e7\u00e3o russa e muito estresse. Dois funcion\u00e1rios contaram \u00e0 BBC sobre o risco di\u00e1rio de serem sequestrados.<br \/>\nO secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, pediu \u00e0 R\u00fassia para retirar suas tropas e desmilitarizar a \u00e1rea com um &#8220;per\u00edmetro de seguran\u00e7a&#8221;. A R\u00fassia recusou, argumentando que isso tornaria a usina mais vulner\u00e1vel.<br \/>\nOs funcion\u00e1rios alertaram sobre o desastre que seria se a R\u00fassia tentasse fechar toda a usina para interromper o abastecimento da Ucr\u00e2nia \u2014 e reconect\u00e1-la \u00e0 pen\u00ednsula ocupada da Crimeia.<br \/>\nMark Wenman acredita que \u00e9 o fator humano que representa o maior risco de um acidente nuclear, seja por fadiga cr\u00f4nica ou estresse.<br \/>\n&#8220;E isso viola todos os princ\u00edpios de seguran\u00e7a.&#8221;<br \/>\nSe algo der errado, eles teriam que estar em sua melhor forma, e presumivelmente n\u00e3o est\u00e3o, diz Claire Corkhill.<br \/>\nEm uma carta assinada por dezenas de funcion\u00e1rios, eles pedem \u00e0 comunidade internacional que reflita:<br \/>\n&#8220;Podemos controlar profissionalmente a fiss\u00e3o nuclear&#8221;, eles dizem, &#8220;mas estamos indefesos diante da irresponsabilidade e da loucura das pessoas&#8221;.<br \/>\nEste texto foi publicado em www.bbc.com\/portuguese\/internacional-63727896<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica alertou sobre danos a alguns pr\u00e9dios, sistemas e equipamentos da usina ucraniana ocupada pela R\u00fassia. 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