{"id":19605,"date":"2022-11-21T08:10:56","date_gmt":"2022-11-21T08:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/21\/o-erro-de-uma-mulher-reflete-em-todas-diz-renata-mendonca-comentarista-da-copa\/"},"modified":"2022-11-21T08:10:56","modified_gmt":"2022-11-21T08:10:56","slug":"o-erro-de-uma-mulher-reflete-em-todas-diz-renata-mendonca-comentarista-da-copa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/21\/o-erro-de-uma-mulher-reflete-em-todas-diz-renata-mendonca-comentarista-da-copa\/","title":{"rendered":"&#8216;O erro de uma mulher reflete em todas&#8217;, diz Renata Mendon\u00e7a, comentarista da Copa"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/-sR7lCkNTMMyul4Yd4VyAQXSQX8=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/D\/h\/DLz3yIR06dHHjPd9lxSA\/renata-mendonca-2.jpg\"><br \/>   Jornalista do SporTV fala sobre os desafios de comentar futebol. Nesta semana, o g1 conta as hist\u00f3rias das profissionais que v\u00e3o cobrir a Copa do Mundo de 2022. A Copa do Mundo acabou de come\u00e7ar e um epis\u00f3dio j\u00e1 marcou o evento para Renata Mendon\u00e7a, jornalista de 33 anos escalada para comentar os jogos pelo SporTV. Algumas semanas atr\u00e1s, ela estava no aeroporto com outros integrantes da equipe de jornalismo esportivo da Globo indo do Rio a S\u00e3o Paulo para um compromisso com a emissora.<br \/>\n&#8220;Est\u00e1vamos esperando por l\u00e1, quando um menininho, com o \u00e1lbum da Copa na m\u00e3o, me cutucou e disse, &#8216;voc\u00ea \u00e9 a Renata Mendon\u00e7a&#8217;, e eu confirmei. A\u00ed, ele virou animado &#8216;voc\u00ea est\u00e1 no \u00e1lbum!&#8217;. A\u00ed ele viu a Nat\u00e1lia Lara, e falou &#8216;voc\u00eas est\u00e3o no \u00e1lbum'&#8221;, conta.<br \/>\nA empolga\u00e7\u00e3o do garoto era pelo fato de haver uma propaganda do SporTV no \u00e1lbum e foi por isso que ele pediu aut\u00f3grafo para Renata.<br \/>\nNesta semana, o g1 conta as hist\u00f3rias das profissionais que v\u00e3o cobrir a Copa do Mundo 2022. Veja, de segunda a s\u00e1bado, entrevistas com comentaristas e narradoras que voc\u00ea j\u00e1 ouviu ou vai ouvir durante os jogos no Catar.<br \/>\nPode at\u00e9 parecer uma cena corriqueira para quem est\u00e1 na TV, no entanto, para Renata, \u00e9 simb\u00f3lica: um garoto, que conhece, sabe e gosta de futebol, j\u00e1 entendeu que o esporte tamb\u00e9m \u00e9 para meninas, e que mulheres tamb\u00e9m cobrem a Copa.<br \/>\n&#8220;\u00c9 a mudan\u00e7a que a gente quer ver: \u00e9 futebol, \u00e9 para todo mundo. Acho que agora as meninas v\u00e3o crescer em um universo diferente do que aquele que a gente cresceu&#8221;, afirma.<br \/>\nA comentarista conta que teve a sorte de crescer perto do esporte, muito por causa do seu irm\u00e3o mais velho. &#8220;Naquela hist\u00f3ria de que meninos brincam de uma coisa, meninas de outra, eu tinha a liberdade de escolher, porque, no fim das contas, estava brincando com o meu irm\u00e3o&#8221;, lembra. &#8220;Jogava bola, v\u00f4lei, e minha aula favorita era educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica.&#8221;<br \/>\nRelembre as trilhas mais recentes das Copas do Mundo<br \/>\nEm casa, em Sorocaba, interior de S\u00e3o Paulo, era companhia para o pai na hora de assistir \u00e0s partidas do S\u00e3o Paulo, time da fam\u00edlia. Quando tinha 10 anos de idade, lembra que ficou enfurecida com o pai quando soube que ele tinha levado o irm\u00e3o ao est\u00e1dio, em S\u00e3o Paulo, e a abandonou.<br \/>\nO pai chegou e precisou encarar a f\u00faria da garota. &#8220;Ele disse que pensou que eu n\u00e3o ia curtir. Imagina se n\u00e3o? Eu estava sempre assistindo \u00e0s partidas na TV com ele&#8221;, afirma. &#8220;Era o que ele absorvia da sociedade. S\u00f3 respondi que ele ia ter de me levar de qualquer jeito em outro jogo&#8221;, lembra.<br \/>\nPouco tempo depois, a promessa foi cumprida, e a mini-Renata estava na estrada para ver o cl\u00e1ssico Santos e S\u00e3o Paulo, no Est\u00e1dio do Morumbi. &#8220;Ali \u00e9 muito caracter\u00edstico, a rua que sobe para os port\u00f5es. Vi o est\u00e1dio por dentro e lembro at\u00e9 hoje da percep\u00e7\u00e3o de olhar e falar, &#8216;caramba, \u00e9 enorme&#8217;. A gente n\u00e3o tem essa no\u00e7\u00e3o pela TV&#8221;, conta.<br \/>\nNat\u00e1lia Lara, Renata Mendon\u00e7a, Nat\u00e1lia Silveira e Ana Tha\u00eds Matos: jornalistas v\u00e3o cobrir Copa por SporTV e Globo<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter da jornalista<br \/>\nNaquela \u00e9poca, ainda eram permitidas as duas torcidas no est\u00e1dio. Os santistas, em menor quantidade, fizeram a festa quando o time marcou um gol. &#8220;Pude ver a comemora\u00e7\u00e3o deles. Sentia o est\u00e1dio todo pulsar. Era um jogo de grande p\u00fablico&#8221;, diz. &#8220;Quando fiquei mais velha e me mudei para a capital, passei a ir com frequ\u00eancia ao est\u00e1dio&#8221;, conta.<br \/>\nPara registro, apesar do gol do time da Vila Belmiro, o S\u00e3o Paulo ganhou a partida.<br \/>\n&#8220;Eu gosto muito de estar no est\u00e1dio. Essa conex\u00e3o de arquibancada \u00e9 um neg\u00f3cio que me pegou e n\u00e3o quero perder.&#8221;<br \/>\nEstreia no esporte<br \/>\nRenata Mendon\u00e7a \u00e9 uma das comentaristas da Copa do Mundo 2022<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nAssim que come\u00e7ou a faculdade de jornalismo, uma certeza Renata tinha: ela ia trabalhar com esporte. At\u00e9 mesmo nos processos seletivos de est\u00e1gio, l\u00e1 em 2009, quando era perguntada onde ela se via dali cinco anos, a resposta era \u00fanica. &#8220;Eu falava que estaria cobrindo a Copa de 2014. E isso realmente aconteceu, foi uma realiza\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\nO caminho n\u00e3o deixou de ser sinuoso. &#8220;Era o tempo inteiro pessoas duvidando da sua capacidade, achando que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 preparada para estar ali porque voc\u00ea \u00e9 mulher&#8221;, afirma. &#8220;Muitas mulheres desistem da carreira porque est\u00e3o constantemente duvidando da capacidade delas.&#8221;<br \/>\nRenata lembra de um epis\u00f3dio e que hoje, diz, teria uma rea\u00e7\u00e3o diferente. Ainda em um est\u00e1gio, em no portal de um canal esportivo, um chefe, ao fazer a avalia\u00e7\u00e3o da sua performance, disse que n\u00e3o confiava nela para envi\u00e1-la aos treinos dos times de futebol.<br \/>\n&#8220;Ele disse que n\u00e3o sabia se eu saberia o que perguntar para os jogadores. Ora, o papel de um rep\u00f3rter \u00e9 esse. Se eu n\u00e3o sei fazer isso, por que ele me contratou, ent\u00e3o? Al\u00e9m disso, eu era a que menos errava ali, porque conferia tudo, tudo&#8221;, conta.<br \/>\nGrafite, Dandan e Renata Mendon\u00e7a durante transmiss\u00e3o no SporTV<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o<br \/>\nEm 2015, para trazer mais mulheres ao esporte, ela cofundou o &#8220;Dibradoras&#8221;, uma plataforma de conte\u00fado esportivo com o foco no p\u00fablico feminino. Renata conta que a ideia surgiu de dois grupos de Facebook que discutiam futebol. Nos dois, a esmagadora maioria era formada por homens, e as mulheres, ela conta, ficavam desconfort\u00e1veis em comentar.<br \/>\n&#8220;A gente cresceu tendo que responder uma esp\u00e9cie de teste para provar que gostamos de futebol. Perguntam o que \u00e9 impedimento, a escala\u00e7\u00e3o do time. Fic\u00e1vamos achando que iriam julgar pelo coment\u00e1rio, ent\u00e3o, ningu\u00e9m comentava.&#8221;<br \/>\nO jeito foi criar esse ambiente mais confort\u00e1vel, com direito a podcast, aproveitando o in\u00edcio da Copa do Mundo feminina de futebol.<br \/>\nA opini\u00e3o<br \/>\nAt\u00e9 ent\u00e3o, mulheres nunca tinham sido protagonistas em uma transmiss\u00e3o. O papel delas ficava restrito ao da reportagem ou ao da apresenta\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o ao da narra\u00e7\u00e3o ou ao do coment\u00e1rio.<br \/>\n&#8220;Nunca imaginei que pudesse ser comentarista. O [narrador] Everaldo Marques conta que quando era pequeno j\u00e1 jogava futebol de bot\u00e3o narrando. Eu jogava futebol de bot\u00e3o com o meu irm\u00e3o e era ele quem narrava. Jamais imaginei que eu pudesse fazer isso.&#8221;<br \/>\nNat\u00e1lia Lara, Renata Mendon\u00e7a, Nat\u00e1lia Silveira e Ana Tha\u00eds Matos: jornalistas v\u00e3o cobrir Copa por SporTV e Globo<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/TV Globo<br \/>\nMudar essa chave e come\u00e7ar, de fato, ser comentarista foi um processo com muitas d\u00favidas. &#8220;Por receio, a gente enfrenta algumas situa\u00e7\u00f5es de n\u00e3o conseguir falar. At\u00e9 no programa, toda vez que vai tentar falar, te abafam&#8221;, afirma. &#8220;Mas tem que ir at\u00e9 o fim, tem que ser firme. Eu nunca deixei de dar a minha opini\u00e3o.&#8221;<br \/>\nEla diz, na verdade, que a sensa\u00e7\u00e3o seria de que o seu coment\u00e1rio \u00e9 pouco ou nada relevante, e isso vem desde a \u00e9poca do col\u00e9gio. &#8220;Parece que a minha voz \u00e9 um zilh\u00e3o de vezes mais baixa, at\u00e9 hoje, sendo comentarista de futebol&#8221;<br \/>\nUma das situa\u00e7\u00f5es recorrentes, ela conta, s\u00e3o os encontros com pessoas conhecidas, quando est\u00e3o em um bar, por exemplo. &#8220;Perguntam para o meu noivo, que \u00e9 engenheiro e pouco ligado em futebol, se ele acha que o Brasil seria hexa, e n\u00e3o perguntam para mim&#8221;, diz.<br \/>\n &#8220;Fico pensando, se fosse o PVC, ser\u00e1 que perguntariam para a mulher dele o que ela acha?&#8221;<br \/>\nErro de uma \u00e9 o erro de todas<br \/>\nRenata diz que existe uma peculiaridade que envolve todas as mulheres do jornalismo esportivo: n\u00e3o pode errar, e isso \u00e9 uma grande responsabilidade. &#8220;O erro de um homem \u00e9 s\u00f3 dele. O erro de uma mulher vai refletir em todas&#8221;, afirma.<br \/>\n&#8220;\u00c9 um fardo. O erro n\u00e3o \u00e9 personificado, ele vai para o lado de &#8216;t\u00e1 vendo, por que est\u00e3o dando espa\u00e7o para mulher?'&#8221;, diz.<br \/>\nPor isso, a dedica\u00e7\u00e3o aos estudos \u00e9 imprescind\u00edvel, muito maior at\u00e9 do que os outros companheiros &#8211; homens &#8211; de bancada precisariam. &#8220;Um homem desconhecido chega na televis\u00e3o para falar de futebol, mesmo sem entender nada, parte do zero. Eu saio do menos 10 e tenho que reverter essa nota.&#8221;<br \/>\nUma das situa\u00e7\u00f5es que ela lembra foi quando fez um coment\u00e1rio sobre a chegada do jogador Arturo Vidal ao Flamengo. Ela estava na transmiss\u00e3o, via Skype, comentando que ele n\u00e3o tinha feito muitos jogos pela Inter de Mil\u00e3o, mas que seria uma boa aquisi\u00e7\u00e3o para o time carioca.<br \/>\nDo est\u00fadio, Carlos Eduardo Mansur fez coment\u00e1rio parecido, mas disse que o jogador tinha feito cerca de 40 jogos pelo time italiano, contradizendo Renata.<br \/>\n&#8220;Fiz uma cara de espanto na transmiss\u00e3o e logo veio um tu\u00edte de um torcedor dizendo que eu tinha ficado sem gra\u00e7a por ter sido corrigida ao vivo&#8221;, lembra. No entanto, Renata tinha feito sua apura\u00e7\u00e3o e mostrou para o comentarista do est\u00fadio que o seu n\u00famero era o correto.<br \/>\n&#8220;Ele admitiu e pediu desculpas pelo erro dele no bloco seguinte, mas o tu\u00edte do cara j\u00e1 tinha viralizado&#8221;, conta.<br \/>\nRenata entrou em contato com o dono do tu\u00edte que acabou apagando a postagem. &#8220;Foi a \u00fanica vez que eu rebati um coment\u00e1rio em uma rede social. O cara disse que o Mansur nunca errava e ele tinha confiado na informa\u00e7\u00e3o dele&#8221;, lembra.<br \/>\n&#8220;Mesmo quando n\u00e3o comento o erro, eu, como mulher, corro o risco de reverberar algo que n\u00e3o falei.&#8221;<br \/>\nCopa das mulheres<br \/>\nRenada Mendon\u00e7a comenta a Copa do Mundo 2022<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nPara Renata, essa Copa de 2022 j\u00e1 \u00e9 um marco, e tem que ser comemorado. O time de mulheres na cobertura est\u00e1 sendo formado.<br \/>\nAl\u00e9m dela, tem Nat\u00e1lia Lara e Renata Silveira, na narra\u00e7\u00e3o pelo SporTV e pela Globo, e Ana Thais, nos coment\u00e1rios ao lado de Galv\u00e3o Bueno, a \u00e1rbitra Fernanda Colombo, comentando a arbitragem, a jogadora Formiga, e Jojo Todynho, na Central da Copa, ao lado de Alex Escobar.<br \/>\n&#8220;O que me chama aten\u00e7\u00e3o e de certa forma me deixa mais emocionada \u00e9 que, pela primeira vez, vai ter mulher protagonista nas transmiss\u00f5es na maior emissora do pa\u00eds. Nunca mais a gente vai ver uma Copa sem mulheres nesses pap\u00e9is&#8221;, afirma. \u201cE \u00e9 importante porque \u00e9 o principal evento esportivo do mundo, n\u00e9?&#8221;<br \/>\nPara ela, as meninas que v\u00e3o assistir esta Copa agora v\u00e3o poder se abrir para a possibilidade desta carreira, v\u00e3o poder sonhar em estarem ali. &#8220;Isso \u00e9 inegoci\u00e1vel. \u00c9 uma possibilidade que a gente n\u00e3o tinha.&#8221;<br \/>\nPor\u00e9m ela sabe que vem junto tamb\u00e9m a cobran\u00e7a de n\u00e3o errar. &#8220;D\u00e1 um desespero, eu tenho dez jogos para estudar, catorze sele\u00e7\u00f5es. \u00c9 um desafio, mas vai dar tudo certo&#8221;, afirma. &#8220;Mais do que um sonho meu, estamos representando a possibilidade de as meninas sonharem. Daqui quatro anos, pode me cobrar, vai ter mais mulheres cobrindo a Copa.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista do SporTV fala sobre os desafios de comentar futebol. 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