{"id":19394,"date":"2022-11-20T11:11:06","date_gmt":"2022-11-20T11:11:06","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/20\/exclui-o-acesso-a-terras-autor-de-torto-arado-explica-o-racismo-fundiario-em-entrevista-ao-g1\/"},"modified":"2022-11-20T11:11:06","modified_gmt":"2022-11-20T11:11:06","slug":"exclui-o-acesso-a-terras-autor-de-torto-arado-explica-o-racismo-fundiario-em-entrevista-ao-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/20\/exclui-o-acesso-a-terras-autor-de-torto-arado-explica-o-racismo-fundiario-em-entrevista-ao-g1\/","title":{"rendered":"&#8216;Exclui o acesso a terras&#8217;: autor de &#8216;Torto arado&#8217; explica o racismo fundi\u00e1rio em entrevista ao g1"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/Gl2GK-yuUNOxaFxWt9Uls8MgpFA=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/q\/k\/dlnLBYSYqtDQmFXWsRCg\/torto-arado.jpg\"><br \/>   Itamar Vieira Junior, que venceu o Pr\u00eamio Jabuti com a obra, \u00e9 servidor p\u00fablico no Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) e especialista em comunidades quilombolas.  \u2018Exclui o acesso a terras\u2019: autor de Torto Arado explica o racismo fundi\u00e1rio<br \/>\nO g1 conversou com o autor do livro premiado &#8220;Torto Arado&#8221;, Itamar Vieira Junior, sobre a diferen\u00e7a entre o n\u00famero de propriedades rurais entre brancos e negros e a disparidade no tamanho delas. Confira no v\u00eddeo acima.<br \/>\nESPECIAL: Negros s\u00e3o maioria no campo, mas t\u00eam menos terras do que brancos<br \/>\nGENTE DO CAMPO: quilombo em SP luta pela terra h\u00e1 150 anos e mant\u00e9m tradi\u00e7\u00f5es vivas<br \/>\nA obra do escritor baiano foi vencedora do Pr\u00eamio Jabuti, um dos mais importantes reconhecimentos liter\u00e1rios do Brasil, na categoria romance liter\u00e1rio, em 2020. E por muitas semanas figurou na lista dos livros mais vendidos.<br \/>\nEla conta a hist\u00f3ria de escravizados e seus descendentes, que cultivavam a terra do patr\u00e3o sem direito \u00e0 propriedade. Vieira J\u00fanior \u00e9 tamb\u00e9m servidor p\u00fablico no Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) e se especializou em comunidades quilombolas.<br \/>\nNo Brasil, negros s\u00e3o maioria dos trabalhadores no campo, mas possuem apenas 2,5% dos estabelecimentos com mais de 500 hectares, enquanto os brancos representam 72,2%.<br \/>\nPara Vieira Junior, esses dados s\u00e3o explicados pela hist\u00f3ria de escravid\u00e3o no Brasil e como se institui a propriedade privada no pa\u00eds. Em 1850, ocorre a primeira tentativa do Estado de regulamentar esse tema, a Lei de Terras.<br \/>\nCom a lei, os territ\u00f3rios do Estado s\u00f3 poderiam ser adquiridos por compra e venda ou por doa\u00e7\u00e3o da Coroa, ficando proibida a posse por usucapi\u00e3o &#8211; quando a propriedade \u00e9 concedida devido ao tempo de ocupa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Ent\u00e3o ali voc\u00ea j\u00e1 exclui grande parte da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o poderia compr\u00e1-la [a terra]. E quem \u00e9 que n\u00e3o poderia compr\u00e1-la em 1850? A popula\u00e7\u00e3o escravizada. Se voc\u00ea exclui desde aquele momento a possibilidade dessas pessoas de terem acesso \u00e0 Terra, ali j\u00e1 se estrutura um racismo fundi\u00e1rio&#8221;, explica o autor.<br \/>\nCapa do romance &#8216;Torto arado&#8217;<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nAl\u00e9m das dificuldades para adquirir a posse do territ\u00f3rio, falta tecnologia e investimento para que comunidades quilombolas possam entrar no mercado de grandes produ\u00e7\u00f5es, ficando restritos \u00e0 agricultura familiar e de subsist\u00eancia, aponta Vieira Junior.<br \/>\n&#8220;Essa agricultura de subsist\u00eancia foi uma forma hist\u00f3rica de resistir tamb\u00e9m&#8221;, afirma.<br \/>\nAinda assim, a produ\u00e7\u00e3o nem sempre pode ficar nas m\u00e3os de quem a plantou.<br \/>\n&#8220;Meu pai foi criado em uma comunidade de ascend\u00eancia afro-ind\u00edgena at\u00e9 os 15 anos, no Rec\u00f4ncavo Baiano e ele foi criado pelos av\u00f3s paternos dele&#8221;, conta.<br \/>\n&#8220;Meus av\u00f3s paternos eram agricultores, n\u00e3o tinham terra e plantavam em terra alheia. E tinham que dar a meia, que era a metade da produ\u00e7\u00e3o, ao propriet\u00e1rio da \u00e1rea. Passavam imensas dificuldades por isso&#8221; , relata Vieira J\u00fanior.<br \/>\nEsse cen\u00e1rio \u00e9 retratado no livro &#8220;Torto Arado&#8221;, em que as protagonistas Bibiana e Belon\u00edsia vivem em uma comunidade que tamb\u00e9m deve dar a meia para os donos do territ\u00f3rio.<br \/>\nSaiba mais sobre a entrevista no v\u00eddeo ao in\u00edcio da reportagem.<br \/>\nLeia tamb\u00e9m:<br \/>\n\u00c1rea de plantio de arroz e feij\u00e3o encolheu mais de 30% em 16 anos, com o avan\u00e7o da soja e do milho<br \/>\nEsvaziado, programa federal de aquisi\u00e7\u00f5es de alimentos v\u00ea doa\u00e7\u00f5es despencarem<br \/>\nRecursos para pequenos produtores, imagem no exterior, produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel: especialistas apontam desafios de Lula no agro<br \/>\nQuilombo Cafund\u00f3 luta pela terra h\u00e1 150 anos e mant\u00e9m viva tradi\u00e7\u00e3o dos ancestrais<br \/>\nGente do Campo: quilombo Cafund\u00f3<br \/>\nDe lavrador a produtor: como o caf\u00e9 especial mudou a vida do Ivan<br \/>\nInitial plugin text<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Itamar Vieira Junior, que venceu o Pr\u00eamio Jabuti com a obra, \u00e9 servidor p\u00fablico no Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) e especialista em comunidades quilombolas. \u2018Exclui o acesso a terras\u2019: autor de Torto Arado explica o racismo fundi\u00e1rio O g1 conversou com o autor do livro premiado &#8220;Torto Arado&#8221;, Itamar Vieira Junior,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19395,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[],"class_list":{"0":"post-19394","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-economia"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19394"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19394\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}